terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

1001 - Krishnamurtiando

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De onde nascem os pensamentos? De onde surgem estas pinceladas verbais que tangem a consciência sem que tenhamos noção exata de sua origem verdadeira? De onde vêm esses lapsos de palavras em estruturas frasais que nos tomam momento a momento?
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O encadeamento lógico de frases, por mais medíocre que esta lógica seja, é uma espécie de explicação para o nascimento de pensamentos. Pela lógica das idéias, lógica que acreditamos estar seguindo, uma lógica ampla que tem força em si e é anterior às palavras, podemos vislumbrar um ligeiro caminho que nos explica a origem de certos pensamentos. Por exemplo, este texto iniciou-se de uma frase solta, mas, a partir daí, certos fluxos foram trazidos pela força das idéias que se ligam às frases já escritas, e que nos levam a escrever as próximas. É a sobre-estrutura textual.
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Mas, e estas frases soltas que passam em nossas cabeças sem que tenhamos a menor chave de resposta de onde elas vêm? Ou o porquê de terem vindo desta ou daquela maneira, sobre este ou aquele assunto?
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O sentir é a forma de vibração mais potente que o ser encarnado pode gerar! Muito mais que um pensamento, o sentir, a sensação e, ainda mais, o sentimento (sensação cristalizada) podem gerar muito mais energia no ser e no espaço ao seu redor. O sentimento por gerar até mais que o simples conteúdo verbal produzido pela mente de uma pessoa. Este conteúdo ganha força quando é, além de pensado, sentido com mais intensidade!
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O sentir é muito mais perene, profundo e muito mais concreto enquanto forma de auto-realização do ser existente. Desta maneira, muito do pensamento está sub-julgado à lógica dos sentimentos e sensações. Ou seja, de acordo com certos sentires, nosso cérebro trará a tona reverberações verbais em formas de pensamentos que estarão aproximados ao que estamos sentindo naquele momento. 
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Mas ainda assim, há uma vastidão possível de pensamentos que podem acontecer de acordo com uma determinada sensação presente no corpo físico. Isso quer dizer que, não necessariamente uma determinada sensação trará um sentimento específico. Uma sensação, ou sentimento, pode nos trazer uma série de desdobramentos verbais.
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E há uma vastidão tão grande de pensamentos que nos ocorrem de maneira desvinculada que me parece um pouco vago demais sub-julgar totalmente os pensamentos ao sentir, como se a todo pensamento existisse uma base sentimental, por assim dizer.
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Seria um processo quase randômico? Seria um sortilégio do vácuo futuro? Seria um acaso que beira o caos? E se fosse isso, seria esta mesma fronteira margeante caótica o fato que traria a beleza maior do pensamento? Esta possível vagidão seria a porta que nos permite alguns saltos racionais?
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Seria esta abertura e incontrole profundo as portas de grandes interferências espirituais? Esta grande existência repentina seria um amplo portal de inserção de intuições e maravilhas diversas no plano físico? E, ao mesmo tempo, seria por este amplo portal que muitas depravações e desgastes chegariam até nós?
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Eu acho que sim!
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Não há nada que conduza à verdade. Temos que navegar por mares sem roteiros para ENCONTRA-la.
(J. Krishnamurti)
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A inteligência não está buscando segurança. Ela não tem segurança. A idéia de segurança não existe na inteligência. Ela por si mesma é segura, e não "busca segurança".
(J. Krishnamurti)
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A inteligência tem harmonia em si mesma.
( J. Krishnamurti )
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A inteligência usa o PENSAMENTO.
(J. Krishnamurti)
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A mente ou organismo, o pensamento, o cérebro com todas as suas memórias, experiências e tudo isso, que é tudo do tempo. E a mente diz "Posso chegar a isso?". Ela não pode. Então eu digo a mim mesmo "Como ela não pode, ficarei quieto".
(J. Krishnamurti)
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Então a inteligência é necessária. Sem ela, o pensamento não tem significado, de todo.
(J. Krishnamurti)
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Então o pensamento realmente criou um mundo de ilusão, miasma, confusão, e pôs a inteligência de lado.
(J. Krishnamurti)
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Então o pensamento é mensurável; a inteligência não. E como acontece de essa inteligência vir a existir? Se o pensamento não possui relação com a inteligência, então, é a cessação do pensamento o despertar da inteligência? Ou o que ocorre é que a inteligência, sendo independente do pensamento, e não sendo do tempo, existiu sempre?
(J. Krishnamurti)
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Então o pensamento é um ponteiro. O conteúdo é a inteligência.
(J. Krishnamurti)
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Então o que é a fonte? Ela pode sequer ser nomeada? Por exemplo, o SENTIMENTO religioso dos judeus é que isso é inominável: você não nomeia, não pode falar a respeito, não pode tocar. Pode-se apenas olhar. E os hindus e outros dizem a mesma coisa de um modo diferente. Os cristãos iludiram a si mesmos pela palavra Jesus, essa imagem, eles nunca foram à fonte disso.
(J. Krishnamurti)
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O pensamento é tempo. Ele nasce da experiência e conhecimento, que são inseparáveis do tempo e do passado. O tempo é o inimigo psicológico do homem. Nossa ação é baseada no conhecimento e, portanto, o tempo, assim o homem é sempre um escravo do passado. O pensamento é sempre limitado e assim nós vivemos em constante conflito e luta. Não há evolução psicológica. Quando o homem se torna consciente do movimento de seus próprios pensamentos, ele verá a divisão entre o pensador e o pensamento, o observador e o observado, o experimentador e a experiência. Ele descobrirá que esta divisão é uma ilusão. Só então haverá observação pura, significando isso percepção sem qualquer sombra do passado ou do tempo. Este vislumbre atemporal traz uma mutação profunda e radical na mente.
(J. Krishnamurti)
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MILÉSIMA POSTAGEM - JIDDU KRISHNAMURTI

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Será que se chorássemos ao ver tua imagem, poderíamos te encontrar?

Será que seu rogássemos a Deus alguma superioridade de luz, algum de nós poderia te tocar?

Será que se fôssemos o máximo de nós mesmos, seríamos digno  de te vislumbrar e ainda além?

Será que se fôssemos simplesmente nós mesmo, bastaria para te sentir e irmos além?

Ou será que se fôssemos, talvez ainda menos, poderíamos chegar até onde estás?

Será que se tentássemos, ainda mais algumas décadas, poderíamos falar algo relevante?

Será que se sentíssemos algo novo, por procura própria, poderíamos perguntar a ti sobre nossas dúvidas nascentes?

Será que se fôssemos simplesmente homens, poderíamos ser divinos?

Será que absorvêssemos o mundo, poderíamos nos desvencilhar da morte?

Será que a compreensão e a superação do Carma é suficiente para sermos felizes?

Será que se vislumbrássemos um novo caminho, poderíamos estar em paz?

Será que se conversássemos contigo, realizaríamos um pouco mais o que temos no peito?

Será que se vencêssemos o que acreditamos ser nossas crenças, seríamos melhores?

Será que se fôssemos andarilhos desprovidos de tudo, estaríamos no movimento mais preciso da vida na carne?

Será que se fôssemos nós mesmos, estaríamos corretos? E será que fôssemos corretos, estaríamos sendo apenas nós mesmos?

Será?


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Post 999 - Porcelain

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Como captar o espírito do tempo
Nos compassos musicais?
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Não há mais fórmulas a serem quebradas
Nem a serem criadas
Não há mais subornos de idéias
Nem contornos melódicos a serem traçados
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Há o espírito do instante eterno
No repente do sentir humano
Nos anos que estamos
E que se seguem
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Mas como não sentir excessivo
Nem consentir
E ainda estar sentindo
Estando contíguo vibrando em conjunto?
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Toda arte de agora
É o sentir em conjunto
E não mais o sentir
Individual que se espalha
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Não que já tenha sido individual
Mas é que agora a coletividade
Se faz ainda mais presente
Pelos homens abertos
Sofrendo um despertar forçado
De suas espiritualidades
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É o sentir em conjunto 
Pelo ser criador em si
Sentindo o sentimento geral
Naquilo que cada um quer sentir
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O conteúdo e a forma coletiva
Que
Por vezes
É resumível num átomo de criação musical
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Ninguém lança o novo
Apenas retrata o latente
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Post 998 - Pois é assim

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Eu acho que a principal vantagem do ser encarnado é a possibilidade de movimento físico que pode trazer a novidade e a mudança.
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Se a carne é densa, o movimento físico, de si, é o maior poder que podemos ter enquanto habitantes de um corpo carnal.
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“Deus pressupõe o movimento”.
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Então, novamente digo:
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A simples movimentação física é capaz de trazer a prazerosa revelia ao homem estanque.
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Post 997 - O lapidar do sentir

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Não há nada mais sublime no humano encarnado
Do que o lapidar do próprio sentir
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Sentir melhor
Sentir com mais propriedade
Sentir com mais maturidade
A sabedoria de sentir
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Na verdade tudo já está traçado
Só era necessário desconstruir
Para construir novamente
Da mesma maneira que sempre foi
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Pânico futurista

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Como vai ser escrever agora sobre algo que eu ainda não sei definir para mim mesmo?! Como será cada uma destas frases que se seguirão, e tentarão descrever coisas que eu não tenho noção de como são, onde estão suas origens, seus fundamentos dentro da minha alma?! Como escrever sobre os vazios, sobre os vácuos profundos, os medos mais inócuos, indescritíveis, submersos nos desvãos do meu ser?!
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Geralmente, escrevo sobre assuntos que eu domino minimamente, e escrever sobre eles me faz desvendá-los um pouco mais. Mas desta vez estou escrevendo para tentar dominar algo que me domina, que me incomoda, que me angustia, um dos meus medos mais constantes que se casa com uma grande paixão da minha vida: o futuro, o moderno, o futuro da humanidade, o meu futuro, tudo o que vem a cada instante, o desconhecido novo!
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Sim, tenho medo do futuro, tenho pânico do futuro, tenho pânico do contemporâneo, do futurístico, do supra-temporário, do fluxo que nasce e renasce, essa possibilidade vindoura, a energia que cerca uma perdição completa e absoluta que envolve as coisas do amanhã.
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Tenho medo do meu futuro, me dá medo pensar e entrar em contato com as coisas mais modernas, com as artes mais futurísticas, com expressões do novo, o novo humano, o caos que se abre diante de nossos olhos, a humanidade madura, os novos vírus, o terrorismo, a política desregrada, as guerras, as drogas, as mutações genéticas, o envelhecer, a prisão da carne, as dores físicas, as camadas profundas da mente, a exploração das próprias possibilidades que cada ser humano pode realizar.
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Sou refém de mim mesmo!
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O problema é que eu adoro as coisas modernas, as artes que traduzem a atualidade, as manifestações culturais mais novas, os ciclos sociais reconstruídos, os acontecimentos diferenciados, as novas tendências, as mais loucas formas da atualidade humana, o desenlace total de réstias do passado, de vínculos ultrapassados, um orgasmo constante que se lança à música eletrônica, ao rock alternativo, aos filmes de ficção científica, à arquitetura inovadora, às discussões sobre os temas mais presentes, às músicas do momento, ao ser humano atual, às formas andrógenas, às formas retrôs que renascem como forma de expressão atualizada, o novo, o mais novo, o mais e mais novo, as manifestações pessoais mais legítimas, o dançar e o sorrir com propriedade, sentindo-se vibrante do atual, participar da roda do mundo no momento exato de sua volta mais categórica da realização inovadora, estar e ser em momentos cruciais, viver!
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E o que eu posso entender deste nódulo vital, de paixão e pânico que habita meu ser?!
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Não é um auto-sadismo, não é isso! Não gosto de sofrer e sentir medo! Mas entendo que devo superar isso, não evitando a dor que disso vem, e sabendo como trabalhar com o medo profundo que me brota toda vez que sinto essa energia futurista de manifestação da contemporaneidade.
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Isso me incomoda tanto que, mesmo escrever sobre isso me dá medo, me dá dores corporais! Simplesmente falar sobre esse assunto já me coloca doloridamente em contato comigo mesmo! Sinceramente é um dos assuntos que mais me incomoda e que resolvi, acredito que, pela primeira vez, relatar sobre ele, para ver se conseguia alguma novidade que me tranqüilizasse, mas acho que não obtive sucesso nessa empreitada literária!
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Continuo sem solução!!!
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Consistência

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Quanto mais forte tua mente
Quanto mais criativo teu pensar
Mais forte deve ser tua firmeza
Mais trabalhado deve ser teu sentir
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Eis aí um grande motivo
Que pelo descompasso
Pode levar ao suicídio
Que a tantos já levou por aí
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É necessária uma consistência
Uma estruturação de elementos básicos
Que não se modifiquem
Apesar dos revertérios
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Elementos simples que se liguem
Sentires nucleares que se sustentem
Rituais de vida que nos alimentem
O amor em suas diversas formas
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Re-Hipóteses

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Talvez os artistas frustrados se percam porque a liberdade da satisfação da criação só se assemelhe à proposição da perdição total. Um vazio sem definições que que não encontra alimento no diálogo daquilo que se cria, com aqueles que tomam contato com sua arte.
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Esta liberdade da criação seria algo como um vácuo na carne, uma catarse estupenda que não se realiza e que, por isso, passa-se a procura de todas as maneiras, já que o espírito não encontrou o espaço esgarçante que permitisse sua maior satisfação e realização enquanto ser criador.
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A frustração que dilacera e nunca pode ser alimentada, mas que se conforta por instantes quando se extrapola regras das mais diversas que o dia-a-dia ou a própria mente se nos impõe.
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A arte é a forma mais saudável de se lançar ao que não se sabe bem o que é!
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Por que por que?!

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Se tudo vale a pena quando a alma não é pequena, porque Fernando Pessoa morreu bêbado e infeliz?!
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Com certeza ele não tinha uma alma pequena! Disso ninguém duvida!
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O que se pode concluir com isso é que existem coisas na vida que realmente não valem a pena! Não há como ir retirando e retirando bons significados de todos os momentos da vida!
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Alguns momentos e passagens não valem a pena e pronto!
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Às vezes o melhor é jogar fora e esquecer!
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O existível

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A arte de existir
Pressupõe toda forma de criação
Humana ou artística
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Tudo é arte
Tudo é vida
Tudo é criável
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Mas há que se ter cuidado com o que se cria
Já que nem sempre
O que se cria
Está subordinado ao criador
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Ás vezes o próprio criador vira a criatura
Em si
De sua própria criação
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Como solucionar esta desavença?
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Creia que tudo o que possa existir
É passível de existência
E o criador de tudo
Tem a resposta para tudo
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Absolutamente todos os invólucros criáveis
Todas os sentires, pensares
E sensações possíveis
Possuem uma saída
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Mas lance-se com cuidado
Ao ato criativo
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Um anti-hedonismo carmático

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Cada sensação que não se conclui, coloca-me em dores repetitivas que não se findam, que se acumulam, que se avolumam, que se chocam contra minhas vontades mais imediatas. 
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Ciclos pequenos de gestos que não se realizam da maneira que eu gostaria que se realizassem. Um toque que não acontece como esperado, um olhar que não vinga, um pensamento que não se faz como esperado. Coisas que se frustram em mim!
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Um anti-hedonismo carmático que me aprisiona, em alguns períodos, dentro de todos os instantes presentes, dentro de todas as formas de realização da minha pessoa, de todos os gestos, todos os sorrisos, todos os olhares, todas as maneiras de realização, todos os mínimos segundos em que eu estou vivendo, num ciclo de irrealizações minimalistas que se agrupam numa tensão sem fim e sem saída. 
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Uma bola de neve sem parada, sendo que a única saída é a não realização, ou a resignação de que os mínimos detalhes do sentir o presente podem não se fazerem como eu gostaria que fossem.
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Uma lição dura sobre o desapego, sobre o não fazer o que se quer!!!
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Desde muito tempo

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É interessante entender e lembrar que muitas das coisas que nos levam às nossas maiores diretrizes já estão dentro de nós desde muito pequenos. 
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Sensações que eu sinto hoje e que me lembro de sentir antes dos dez anos de idade, em muitos aspectos, conduzem-me involuntariamente pelos meus caminhos.
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Humanidade madura

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Não é que o mal não possa nos tomar
Nem nos assaltar sorrateiramente
Ele pode sim
E por vezes, até deve
Posto que o aprendizado se dá
Pela relação dos opostos
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O que mais vale 
É o nosso controle de superar
E se fazer superiores 
Por escolha própria
E sensibilidade amadurecida
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Realizar a superação
Daquilo que há tantos e tantos anos
Já é sabido como um não o caminho
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O bem está para o mal
Assim como o homem está para a morte
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Música


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Tudo que vibra é som!
Tudo vibra, tudo é!
O Universo é música!
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Palavras por elas mesmas

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Muitos não sabemos de nossas belezas
E nem deveríamos saber.
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Aliás, por que deverímos saber
Se nenhuma beleza se impõe?!
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A beleza se vale por si!
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A beleza nunca se impõe!
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Nunca!
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A beleza convence pelo brilho sutil!
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Pelo atrativo que não grita
A não ser dentro daqueles
Que sabem ver!
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Há que se fazer
A beleza brilhante.
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A beleza mais que um.
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Mais que todos!
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Deve-se lutar por isso!
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Ainda que
Isolada
Renegada
Desajustada
Incompreendida
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É absoluta!
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Ainda assim
Ela será beleza!
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Poucas coisas são absolutas no mundo
Mas
A beleza está total em si!
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A beleza verdadeira
Não exige explicações!
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Nunca sejamos medíocres!
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A mediocridade é aquilo
Que brota
Quando nada mais vem a tona.
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Não é erva-daninha
Pois isto é o mal...
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A mediocridade é um mato
Sem razão
Que impede a semeadura.
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Ou melhor,
A mediocridade
É a semeadura do esquecimento!
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E de medíocres o mundo está saciado
Encharcado
Denegrido.
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Sintamos falta da beleza!
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Do fundo de nossos corações...
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Sintamos sua ausência!
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Não estamos solitários
Pela beleza mais possível
E mais vivente
E menos clausurada.
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A beleza só se é
Enquanto tentativa vivente
Coletivista.
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Ninguém suporta a solidão!
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Se estivermos sozinhos
Não poderemos seguir assim!
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Centro Pós-Cultural de Ultragênese

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Centro Pós-Tudo
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Região Ultrajante
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Local Desvirtoso
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Silogismo Absurdo
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Tribal Enxerto Descarrado
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Vácuo Pós-Cultural de Ultragenia
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Subindo a Augusta
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Meia-Noite-Alegria
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Eis-lo Que Há Aqui!
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