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Como vai ser escrever agora sobre algo que eu ainda não sei definir para mim mesmo?! Como será cada uma destas frases que se seguirão, e tentarão descrever coisas que eu não tenho noção de como são, onde estão suas origens, seus fundamentos dentro da minha alma?! Como escrever sobre os vazios, sobre os vácuos profundos, os medos mais inócuos, indescritíveis, submersos nos desvãos do meu ser?!
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Geralmente, escrevo sobre assuntos que eu domino minimamente, e escrever sobre eles me faz desvendá-los um pouco mais. Mas desta vez estou escrevendo para tentar dominar algo que me domina, que me incomoda, que me angustia, um dos meus medos mais constantes que se casa com uma grande paixão da minha vida: o futuro, o moderno, o futuro da humanidade, o meu futuro, tudo o que vem a cada instante, o desconhecido novo!
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Sim, tenho medo do futuro, tenho pânico do futuro, tenho pânico do contemporâneo, do futurístico, do supra-temporário, do fluxo que nasce e renasce, essa possibilidade vindoura, a energia que cerca uma perdição completa e absoluta que envolve as coisas do amanhã.
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Tenho medo do meu futuro, me dá medo pensar e entrar em contato com as coisas mais modernas, com as artes mais futurísticas, com expressões do novo, o novo humano, o caos que se abre diante de nossos olhos, a humanidade madura, os novos vírus, o terrorismo, a política desregrada, as guerras, as drogas, as mutações genéticas, o envelhecer, a prisão da carne, as dores físicas, as camadas profundas da mente, a exploração das próprias possibilidades que cada ser humano pode realizar.
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Sou refém de mim mesmo!
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O problema é que eu adoro as coisas modernas, as artes que traduzem a atualidade, as manifestações culturais mais novas, os ciclos sociais reconstruídos, os acontecimentos diferenciados, as novas tendências, as mais loucas formas da atualidade humana, o desenlace total de réstias do passado, de vínculos ultrapassados, um orgasmo constante que se lança à música eletrônica, ao rock alternativo, aos filmes de ficção científica, à arquitetura inovadora, às discussões sobre os temas mais presentes, às músicas do momento, ao ser humano atual, às formas andrógenas, às formas retrôs que renascem como forma de expressão atualizada, o novo, o mais novo, o mais e mais novo, as manifestações pessoais mais legítimas, o dançar e o sorrir com propriedade, sentindo-se vibrante do atual, participar da roda do mundo no momento exato de sua volta mais categórica da realização inovadora, estar e ser em momentos cruciais, viver!
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E o que eu posso entender deste nódulo vital, de paixão e pânico que habita meu ser?!
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Não é um auto-sadismo, não é isso! Não gosto de sofrer e sentir medo! Mas entendo que devo superar isso, não evitando a dor que disso vem, e sabendo como trabalhar com o medo profundo que me brota toda vez que sinto essa energia futurista de manifestação da contemporaneidade.
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Isso me incomoda tanto que, mesmo escrever sobre isso me dá medo, me dá dores corporais! Simplesmente falar sobre esse assunto já me coloca doloridamente em contato comigo mesmo! Sinceramente é um dos assuntos que mais me incomoda e que resolvi, acredito que, pela primeira vez, relatar sobre ele, para ver se conseguia alguma novidade que me tranqüilizasse, mas acho que não obtive sucesso nessa empreitada literária!
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Continuo sem solução!!!
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