terça-feira, 17 de julho de 2012

Fausto



Algumas, das pouquíssimas pessoas que lêem este blog, podem pensar o seguinte:

 - O Wagner só fala bem dos filmes que ele vai ver.

Em primeiro lugar que isso não é sempre, mas devo concordar que é bastante freqüente os elogios aqui.

Mas isso acontece porque não vou ver qualquer coisa. Antes de ir eu pesquiso pra saber o que de bom está passando e o que dentre essas coisas boas mais me interessa.

Depois disso, escolho o lugar, a hora e vou, já que é simples achar cinemas aqui perto de casa.

Estou dizendo isso agora justamente porque, ao contrário do que é comum, vou falar mal de um filme.

Achei muito chato o filme Fausto do diretor Aleksandr Sokurov.

O filme encerra a tetralogia do diretor que se propôs a falar sobre o poder. Após três filmes ele chegou a conclusão que esta sua grande obra só poderia terminar com a filmagem de um dos maiores mitos da humanidade: o mito de Fausto, a estória de um homem que vende sua alma ao diabo em troca do conhecimento.

Baseando-se na obra que Johann Wolfgang von Goethe levou uma vida inteira fazendo e refazendo (Fausto teve quatro versões terminadas nos anos de 1775, 1791, 1808 e 1826), o ator traça uma seqüência sem preocupação com o tempo, com o espaço.

Os lugares se interconectam, o tempo não tem dia ou noite organizado, as tomadas são às vezes tortas, às vezes trêmulas, lugares diferentes têm conexão entre si, personagens bizarros aparecem do nada, o grotesco e o belo se conectam sem que disso haja algum estranhamento por parte dos normais.

Enfim, acredito que o diretor cumpriu o prometido, ou seja, retratar uma trama mágica e metafórica passada na Alemanha do fim do século XVIII, início do século XIX, mostrando as maneiras ardilosas que Mefistófeles teve para conquistar mais um dos seus escravos inebriados.

No entanto, o filme é chato de se ver. Não sei se propositalmente ou não, mas, as falas às vezes não se encaixam com o movimento da boca dos personagens, às vezes os sons do ambiente parecem mal regulados, as vozes soam muito próximas da câmera quando na verdade os personagens estão mais distantes. Não sei se isso era erro de regulagem do próprio cinema!!

O autor pode ter usado deste recurso para reforçar a fantasia da obra, mas, pra mim, ficou estranho e bastante tedioso. As cenas sem lugar, as conexões entre espaços feitas de maneira estranha, o foco por muito tempo fechado, Mefistófeles constantemente falando, um discurso chato e os 134 minutos de duração se somam para formar uma película chata!!!


Diretor: Aleksandr Sokurov
Elenco: Johannes Zeiler, Anton Adasinsky, Isolda Dychauk, Georg Friedrich, Hanna Schygulla, Antje Lewald, Florian Brückner, Maxim Mehmet, Katrin Filzen, David Jonsson
Produção: Andrey Sigle
Roteiro: Aleksandr Sokurov, Marina Koreneva, Yuri Arabov
Fotografia: Bruno Delbonnel
Trilha Sonora: Andrey Sigle
Duração: 134 min.
Ano: 2011
País: Alemanha
Gênero: Drama
Cor: Colorido
Distribuidora: Imovision
Estúdio: Proline Film


Febre do rato



Conta a estória de um poeta marginal e anaraquista, Zizo, que publica um jornal independente chamado Febre do Rato e milita incansavelmente a favor de seus ideais de justiça social e liberdade de expressão.

Junto dele estão pessoas de variadas idéias e atitudes, como travestis (Tânia Granucci), bissexuais, gays, heterossexuais, senhoras mais velhas, um funcionário público (Matheus Nachtergaele), além de outros, vivendo uma realidade por vezes hedonista, paralela ao sistema.

Há momentos bizarros, de nu sem pudores, cenas fortes de violência e drogas, procurando retratar a marginalidade que circula e desfruta os personagens.

Há também momentos belíssimos em que a figura principal, interpretado assombrosamente por Irandhir Santos, declama poemas de métrica livre, exaltando ou criticando os mais diversos pontos, subindo em mesas, a bordo de barcos, ou num carro com alto falante.

Porém seu coração se rende aos encantos de uma morena que conhece e que não está muito a fim de se deixar conquistar. Isto leva o poeta a descobrir outros pontos internos que pareciam esquecidos, como a paixão, ou mesmo o amor.

É um filme que parece não se preocupar muito em parecer ultrapassado revoltadiço num mundo que me parece estar dia-a-dia mais moralista, procurando combater os excessos permissivos conquistados por gerações passadas.

Filme brasileiro de garra, sem pudor, de peito aberto!!!


PRÊMIOS
- Grande vencedor do Festival de Paulínia de 2011, sendo premiado em oito categorias:

Melhor Filme Ficção - Júri Oficial
Melhor Filme - Prêmio da Crítica
Melhor Ator (Irandhyr Santos)
Melhor Atriz (Nanda Costa)
Melhor Fotografia (Walter Carvalho)
Melhor Montagem (Karen Harley)
Melhor Direção de Arte (Renata Pinheiro)
Melhor Trilha Sonora (Jorge Du Peixe)

FICHA TÉCNICA
Diretor: Cláudio Assis
Elenco: Irandhir Santos, Nanda Costa, Matheus Nachtergaele, Angela Leal, Maria Gladys, Conceição Camarotti, Mariana Nunes, Juliano Cazarré, Victor Araújo, Hugo Gila, Tânia Granussi
Produção: Julia Moraes, Claudio Assis

Roteiro: Hilton Lacerda
Fotografia: Walter Carvalho
Duração: 110 min.
Ano: 2011
País: Brasil
Gênero: Drama
Cor: Preto e Branco
Distribuidora: Imovision


Madagascar 3



Os olhos que se despertarem para o mundo, dificilmente olharão seu lar da mesma maneira!

Uma animação linda, interessante, com lições leves de amizade, superação, amor e crescimento.


Mameli - Canto de um jovem italiano



Espetáculo de uma companhia teatral da Itália, encenado na língua daquele país, com pequenas partes em português, além de uma legenda de introdução para cada nova cena.

Não entendi muita coisa, mas, pela explicação inicial, foi possível notar que iria ser contada a história da formação da nação italiana que havia sido dividida, acredito que no século XIX, o que levou o próprio povo a ter que lutar para reaver a unidade nacional.

Mameli é o nome de um dos maiores lutadores para que isso acontecesse. Poeta, escreveu o poema que viria a ser considerado posteriormente o hino nacional daquele país.

Sem dúvida nenhuma, mesmo não entendendo muita coisa, o espetáculo é belíssimo!

Os atores, depois eu fui saber, moram numa comunidade alternativa na Itália e vivem de teatro.

Todos são muito bons, com um preparo corporal impressionante, além de vozes bastante expressivas.

Eu já tinha ouvido falar que os italianos são o povo de voz mais bonita, de onde saem os maiores cantores líricos, mas fiquei impressionado.

Merece destaque a atriz que canta a maioria dos temas!

A voz dela simplesmente não parecia sair da boca. Um timbre fantástico que flutuava entre o rouco e o agudo lírico, bem como o agudo rasgado! Mesmo entre bons, ela se destacou completamente!

Ao final, a equipe tece uma crítica à Itália atual, contrapondo o heroísmo dos antepassados e a alienação dos contemporâneos.


Ópera - O Elixir do Amor



Ópera no Theatro São Pedro é sempre uma maravilha, pelo menos nestas duas vezes que eu lá fui para ver este tipo de espetáculo.

O Guarani foi impressionante! Aplaudimos por vários minutos!!!

O Elixir do Amor também foi fantástica!

Desta vez, uma ópera tragicômica, um outro estilo de encenação.

Agradou-me mais a primeira, pela grandiosidade da obra, mas esta segunda também está entre os melhores espetáculos que já vi aqui em São Paulo.

Aconteceu de repente.

Cheguei em casa, minha mãe estava aqui, daí abri o jornal e vi lá que em duas horas  teria estréia da ópera que abriria a temporada 2012 no Theatro São Pedro depois de uma reformulação nos cargos de diretoria daquela casa.

Liguei, a mulher atendeu, disse que tinha ingressos e que com certeza eu conseguiria comprar, o que me deixou abismado. Achei que estaria totalmente lotado!

Ajeitamo-nos e fomos! Fiquei bastante contente de levar minha mãe para ver a primeira ópera de sua vida!!!

Além disso, eu sabia que era fácil acompanhar os espetáculos já que o local possui um telão suspenso onde é projetada uma legenda. No caso das óperas, é fácil acompanhar os escritos, já que muitas vezes as letras são repetidas diversas vezes!

Foi contada a estória de Nemorino, um jovem apaixonado que é enganado por um viajante que o vende vinho como sendo um elixir que faria sua amada cair nos seus braços de paixão.

O truque acaba dando certo, já que, bêbado, ele não dá atenção a Adina, como era de costume. Esta se sente insegura e, no meio do medo de perder os paparicos do protagonista, nota que também o ama.

Mas era tarde, já que Adina já havia prometido sua mão para Belcore, um soldado de mais idade.

Daí as coisas se desenrolam até o fim, com muita festa, momentos de preocupação, brigas, mas também bastantes risadas.

A obra se divide em dois atos, com duração de quase três horas, talvez!



26, 28 e 30 de Junho; 4, 6 e 7 de Julho às 20h30; 1º de Julho, 17 horas
Classificação: 8 anos
L´Elisir d´Amore, ópera de Gaetano Donizetti
Orquestra do Theatro São Pedro
Júlio Medaglia, direção artística
José Roberto Walker, direção de produção
Emiliano Patarra, direção musical e regência
Walter Neiva, direção cênica
Silvio Galvão, cenário
Fábio Retti, iluminação


Elenco do dia 26
Sébastien Guèze, tenor (Nemorino)
Gabriella Pace, soprano (Adina)
Sebastião Teixeira, barítono (Belcore)
Saulo Javan, baixo (Dulcamara)
Thayana Roverso, soprano (Gianetta)



Paraísos Artificiais



Gosto de filmes nacionais que não caem na temática que me parece ter virado um pouco moda depois do Cidade de Deus. Procuro com mais força ver filmes que não retratem a realidade do submundo das grandes cidades e onde as gírias não se espalhem pelas bocas de todos os personagens.

Nada contra. Acho que temos filmes lindos falando sobre isso. O próprio Cidade de Deus, o Cidade dos Homens, Cidade Baixa, Nina, Amarelo Manga, o atual Febre do Rato. Mas confesso que, quando surge um filme que me parece bem feito e que não caminha por estes caminhos que viraram uma marca do cinema nacional, procuro ir ver.

Este também mostra uma temática de submundo, mas escapa do ambiente urbano e viaja, mostrando a procura de duas jovens e alguns rapazes por aventuras e por um espaço na vida.

Nathalia Dill é ótima e está ótima nas cenas! Lívia de Bueno também forma um par bastante afiado com a protagonista! Luca Bianchi se encaixou muito bem no personagem! Enfim, o trio principal foi muito bem escolhido pelo diretor Marcos Prado e os atores deram conta do recado.

Só achei um pouco forçada a cena em que a protagonista tem uma bad trip no meio de uma praia do nordeste e se assusta com búfalos. Acho que as imagens poderiam ter sido melhor trabalhadas, mostrando ainda mais o que a personagem estava sentindo, vendo, pensando, uma voz interna talvez.

Mas, no geral, as cenas são lindas. Cenas externas com uma bonita iluminação, seqüências muito bem montadas, mostrando os episódios de drogas dos personagens numa Rave. Destaque para a cena que leva a uma tragédia na festa. Um sequência totalmente envolvente de música e imagens.

Mas o filme também possui um enredo interessante! A protagonista, sutilmente, se mostra um pessoa intuitiva, guiada por um misto entre razão e emoção, retratando, em certo pontos, alguns jovens de hoje.

Perto do fim, algumas questões são levantadas, mas não esclarecidas, o que deixa o filme ainda mais amarrado e tocante!



FICHA TÉCNICA
Diretor: Marcos Prado
Elenco: Nathalia Dill, Luca Bianchi, Lívia de Bueno, Bernardo Melo Barreto, César Cardadeiro, Divana Brandão, Cadu Fávero, Erom Cordeiro, Roney Villela, Emilio Orciollo Netto, Mathias Gottfried, Yan Cassali.
Produção: José Padilha, Marcos Prado
Roteiro: Cristiano Gualda, Pablo Padilla, Marcos Prado
Fotografia: Lula Carvalho
Trilha Sonora: Rodrigo Coelho, Gustavo M M
Duração: 96 min.
Ano: 2012
País: Brasil
Gênero: Drama
Cor: Colorido
Distribuidora: NOSSA
Estúdio: Zazen Produções
Classificação: 16 anos


Um método perigoso



O filme é baseado na peça The Talking Cure, de Christopher Hampton.

Conta a história verdadeira de Jung e sua paciente, a russa Sabina Spielrein, bem como suas discussões com Freud, além do relacionamento que o primeiro vive com esta paciente já nomeada.

Sabina Spielrein chega ao consultório de Jung bastante perturbada. Então, como é de sua alçada, ele inicia um tratamento baseado nos princípios psicanalíticos da conversa e exposição verbal dos problemas, um método desenvolvido por Freud.

No entanto, com o passar dos meses, a paciente, além de melhorar, começa a ajudar Jung a levantar questões sobre as teorias da psicanálise, o que dá início a divisão de crenças e mesmo alguns ligeiros atritos entre Jung e seu mestre Freud.

Há cenas um pouco fortes!

Vi que a indicação é de 14 anos, mas acho um pouco baixa, já que algumas passagens possuem cenas, não totalmente explícitas, de sexo violento.

O filme não é imparcial. O autor é descaradamente Junguiano, chegando mesmo a encerrar a última cena afirmando que Jung, após sofrer de sérias crises mentais e depressão, se curou, construiu importantes obras e se tornou “o maior psicanalista de todos os tempos”.

Enfim, isso não é um consenso, no então, está afirmado!

Achei o filme bem montado, com diálogos interessantes que, apesar de, por vezes, tratarem de assuntos complexos, não são ditos de maneira que não possamos acompanhar as teorias, afinal, de médico (psicanalista) e louco, todo mundo tem um pouco!

Eu adoro os temas sobre as teorias da mente humana abordados nas cenas, então sou um pouco suspeito pra falar, mas recomendo demais!


FICHA TÉCNICA
Diretor: David Cronenberg
Elenco: Michael Fassbender, Viggo Mortensen, Keira Knightley, Vincent Cassel, Sarah Gadon, Michael Fassbender
Produção: Martin Katz, Marco Mehlitz
Roteiro: Christopher Hampton

Fotografia: Peter Suschitzky
Trilha Sonora: Howard Shore
Duração: 99 min.
Ano: 2011
País: EUA
Gênero: Drama
Cor: Colorido
Distribuidora: Imagem Filmes
Estúdio: Recorded Picture Company (RPC) / Lago Film / Prospero Pictures
Classificação: 14 anos




Violeta foi para o céu






Filme baseado no livro, um romance de mesmo nome, escrito pelo filho da cantora Violeta Parra, Ángel Parra.

É um espécie de biografia da cantora que saiu do Chile para cantar sua pátria ao mundo, num processo de tanta intensidade e angústia que, como é sabido, levou a cantora ao suicídio, pouco tempo depois de compor a linda e efusiva música Gracias a la Vida.

Perdida, porém lutadora, Violeta se divide entre os círculos artísticos europeus, um amor francês (sem bem me lembro!) e sua origem humilde no Chile.

Abandonando oportunidades conquistadas numa longa estada no velho mundo,Violeta retorna a sua pátria para montar a Universidade do Folclore, um espaço comunitário no qual artistas sul-ameriacanos  iriam se apresentar.

Uma utopia solitária que míngua e leva sua idealizadora a fundo e então, aquilo que estava calado no peito, mudo por não poder gritar no meio de gritos e aplausos, veio a tona, numa angústia sem fim, e assim, Violeta foi para o céu!!!



FICHA TÉCNICA:
Direção: Andrés Wood
Roteiro: Eliseo Altunaga, Rodrigo Bazaes, Guillermo Calderón e Andrés Wood
Produtores executivos: Patricio Pereira, Pablo Rovito, Fernando Sokolowicz, Denise Gomes e Paula Cosenza
Produção comercial: Alejandra García
Diretor de fotografia: Miguel Ioan Littin (aec)
Montagem: Andrea Chignoli
Direção de Arte: Rodrigo Bazaes
Sound design: Miguel Hormazábal
Som direto: Andrés Carrasco
Figurino: Pamela Chamorro
Maquiagem: Guadalupe Correa
Elenco: Cristián Quevedo, Thomas Durand, Luis Machín, Gabriela Aguilera, Roberto Farías, Patricio Ossa, Stephania Barbagelata, Marcial Tagle, Jorge López, Roxana Naranjo, Francisca Durán, Guiselle Morales, Juan Quezada, Sergio Piña, Sonia Vidal, Ana Fuentes, Pablo Costabal, Juan Alfaro, Pedro Salinas, Daniel Antivilo, Eduardo Burlé
Duração: 110 min.
Ano: 2011
País: Chile/ Argentina/ Brasil
Gênero: Drama
Cor: Colorido
Distribuidora: Imovision
Estúdio: Ancine / Andrés Wood Producciones
Classificação: Livre


FESTIVAIS E PRÊMIOS:
Sundance Film Festival, 2012. Grande Prêmio do Júri Internacional
Prêmios Goya, 2012. Indicado na categoria de Melhor Filme Ibero-Americano
Prêmios Ariel, 2012. Indicado na categoria de Melhor Filme Ibero-Americano
Festival de Cinema de Toulouse, França, 2012. Prêmio do Público
Prêmios Oscar, 2012. Representante do Chile na categoria de Melhor Filme Estrangeiro
Prêmios Pedro Sienna, 2011. Melhor longa-metragem, Melhor Interpretação Feminina, Melhor Direção de Arte
Festival de Cinema Latino-americano de Huelva, 2011. Colón de Plata pela Melhor Direção, Melhor Atriz


Weekend






Conta o caso de dois homossexuais de posturas bastante diferentes, mas que o destino os fez se tocarem no terreno da paixão.

Um deles, Russell, perdeu o pai ainda cedo, é completamente tímido e fechado, evita reuniões mesmo com os únicos amigos mais próximos e não se assumiu completamente, precisando sempre do apoio de bebidas.

O outro, Glen, cineasta, recolhe depoimentos sobre a vida sexual dos caras com os quais ele já teve relação, a fim de montar alguma amostra. Faz de seus exageros e de sua argumentação, contra o amor, uma proteção para seu medo de se entregar emocionalmente a outro homem.

As cenas se passam em dois dias, um final de semana, daí o título.

Em momentos intensos, de conversas profundas e um experimentar mútuo, os dois, com comportamentos tão diferentes, vão se encantando levemente um pelo outro.

No entanto, Glen, apesar de incomodado por estar sentindo aquilo que ele tanto é contra, continua, já que pretende se mudar para os Estados Unidos dias depois.

As coisas se desenrolam, a paixão é sentida e Russell tem a esperança de que o outro não se mude.

Mas, como diz a música: “Não adianta chamar por alguém que está perdido, procurando se encontrar.”

No entanto, o fugitivo deixa um prova de seu respeito e de seu sentimento, mesmo tendo escolhido não o viver

Ao contrário das gravações dos outros caras, Glen devolve a fita com os depoimentos de Russell. Apesar do cineasta ter se recusado ao pedido no início dos dias, muda de idéia conforme conhece seu parceiro um pouco melhor.

Um filme bem feito!

O diálogos vão realizando um crescente de maneira que se torna convincente que duas personalidades tão distintas se encontrem em alguns pontos. Esta liga, totalmente necessária para validar o filme, eu acreditei, no início, que não aconteceria.


FICHA TÉCNICA
Diretor: Andrew Haigh
Elenco: Tom Cullen, Chris New, Jonathan Race, Kieran Hardcastle, Vauxhall Jermaine, Sarah Churm, Martin Arrowsmith, Laura Freeman, Steve Blackman, Jonathan Wright
Produção: Tristan Goligher
Roteiro: Andrew Haigh
Fotografia: Urszula Pontikos
Trilha Sonora: James Edward Barker
Duração: 96 min.
Ano: 2012
País: Reino Unido
Gênero: Drama
Cor: Colorido
Distribuidora: Festival Filmes
Estúdio: The Bureau / EM Media / Synchronicity Films
Classificação: 16 anos

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Antes que eu me esqueça...


Olá Julho, o que trazes pra mim?!?!



quarta-feira, 4 de julho de 2012

Arriscando analisar...


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A crise da cultura na Pós-modernidade se reflete na música como uma nítida tendência a voltar aos padrões antigos, traduzidos numa sonoridade que tenta se distanciar do pop vendável, quase de maneira caricatural.
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Prova disso é o grande destaque e a ampla aceitação, por parte de um público seleto e de uma grande maioria dos críticos, de artistas que procuram produzir obras de estética retrô como: Amy Winehouse, uma precursora desta tendência juntamente com Norah Jones; Jamie Cullum, numa proposta um pouco mais mesclada; Esperanza Spalding, e seu jazz com garras femininas; Adele, não por acaso afilhada de Amy; e a mais nova sensação do universo cultural legitimado pelos intelectuais, o Alabama Shakes que, no próprio nome, já deixa uma dica da sua proposta: balanços vindos de um dos estados mais conservadores dos Estados Unidos.
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O interessante é que, como Adele e sua cintura avantajada, Amy e sua atitude auto-destrutiva que rendeu tristes fotos desdentadas e descabeladas, e outras quebras de regras a qualquer custo, a vocalista do Alabama Shakes também se distancia dos ideais de beleza pregados pela indústria da moda, bem como pela indústria do pop que, não por acaso, andam de mãos dadas.
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Fico pensando como isso pode soar estranho, e ainda mais estranho, quando pessoas ditas esclarecidas, modernas, antenadas e cultas entram neste mesmo esquema de aceitação, necessitando desta prova de rebeldia para crerem mais nos seus ídolos, ou mesmo para permitirem que estes artistas se tornem dignos de sua admiração.
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É como se a legitimidade da atitude só se fizesse convincente quando alguma regra básica, ligada ao ideal de sucesso contemporâneo, fosse quebrada. É como se uma quebra específica, e por vezes bizarra, fizesse do personagem, e o pior, de sua própria criação artística, um conjunto no qual se pode dedicar tempo e sentimento com a certeza de que não se está sendo enganado por mais um totem midiático que fala de rebeldia, mas quer somente usufruir do dinheiro e da fama conquistados do seu público enganado.
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Fico pensando como é triste chegarmos novamente a esse ponto em que o artista deve ser a negação, não só criativa, como também física, de uma realidade imposta para muitos. Mas o pior de tudo não é isso. O que mais me admira é que, muitos destes que os admiram, não quebram suas próprias vidas, preferindo suplantar seu ideal de rebeldia num ser distante, mas capaz de conferir a seus admiradores, a sensação de serem participantes destas manifestações legítimas de seus egos.
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Acredito que este talvez seja um fato bastante recente.
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Nas décadas passadas, anos 60 e 70, principalmente, não apenas os artistas espelhavam em suas vidas um ideal de choque geral contra uma sociedade opressora, por vezes ditatorial, ou metida numa eminência de guerra que abalava o descanso de todo o planeta.
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Nos anos 80, a estética espalhafatosa, bem como outras vestimentas inspiradas em clipes do Michael Jackson e Madonna, por exemplo, se manifestaram não só nos palcos, mas também no povo.
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Já nos anos 90, o Grunge tomou conta da cena, assim como outras modas que desciam dos altos patamares da fama para o dia-a-dia dos jovens que admiravam e consumiam seus ícones de maneira mais intensa, pessoal, individual.
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No entanto, após a virada do século, um grande vazio de rebeldia se alastrou e se legitimou em artistas que procuravam não mais quebrar, mas resgatar sonoridades antigas como: o jazz, o funk e o rock feito décadas antes.
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No entanto, esta falta de novidades sonoras, já que as novidades se espelhavam no passado como forma possível de dar um passo adiante, acabou dando vazão a uma quebra estética peculiar. A arte não bastava mais. Fez então necessário um comportamento que sinalizasse na procura dentro de uma indústria cultural que aprendeu a jogar com as regras, gerando de maneira milimetricamente planejada o que era considerado cultura de qualidade, como é o caso da Joss Stone, por exemplo.
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Não que não hajam artistas dos mais variados tipos e posturas, como sempre existiu, mas o sensacionalismo encima da perdição de Amy Winehouse, os apoios dados a Adele em suas declarações sobre não emagrecer e o comportamento da vocalista do Alabama Shakes, faz crer que a necessidade de quebra, não mais totalmente realizada pela produção artística, refletiu-se no próprio artista como uma forma de legitimar sua arte e não só complementar sua criação, como já vindo sendo feito.
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Acredito que isto ainda seja, de alguma maneira, um reflexo de uma crença secular de que o artista é o avesso das coisas, o solitário, o problemático, o louco que rebenta maravilhas de uma realidade dolorosa. Crença esta, vinda dos antigos compositores, escritores e outros, passando por ícones do jazz, culminando nos desvarios dos anos 70 e as overdoses constantes, abrandando nos anos 80, intensificado na figura de Kurt Cobain e adquirindo novas roupagens nos discos sofridos e na subversão, ainda eternamente legitimadora, das divas dos anos 2000.
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Uma forma de conferir verdade, quando a mentira aprendeu as regras para se vender.
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O diferente é que, agora, não os seguimos, não os copiamos, apenas os queremos assim, já que não temos a coragem de nos expressarmos fora dos padrões, preferindo, portanto, que nossas escolhas culturais dêem voz às coisas que se calam dentro do peito.
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