Algumas,
das pouquíssimas pessoas que lêem este blog, podem pensar o seguinte:
- O Wagner só fala bem dos filmes que ele vai
ver.
Em
primeiro lugar que isso não é sempre, mas devo concordar que é bastante
freqüente os elogios aqui.
Mas
isso acontece porque não vou ver qualquer coisa. Antes de ir eu pesquiso pra saber
o que de bom está passando e o que dentre essas coisas boas mais me interessa.
Depois
disso, escolho o lugar, a hora e vou, já que é simples achar cinemas aqui perto
de casa.
Estou
dizendo isso agora justamente porque, ao contrário do que é comum, vou falar
mal de um filme.
Achei
muito chato o filme Fausto do diretor Aleksandr Sokurov.
O
filme encerra a tetralogia do diretor que se propôs a falar sobre o poder. Após
três filmes ele chegou a conclusão que esta sua grande obra só poderia terminar
com a filmagem de um dos maiores mitos da humanidade: o mito de Fausto, a
estória de um homem que vende sua alma ao diabo em troca do conhecimento.
Baseando-se
na obra que Johann Wolfgang von Goethe levou uma vida inteira fazendo e
refazendo (Fausto teve quatro versões terminadas nos anos de 1775, 1791, 1808 e
1826), o ator traça uma seqüência sem preocupação com o tempo, com o espaço.
Os
lugares se interconectam, o tempo não tem dia ou noite organizado, as tomadas
são às vezes tortas, às vezes trêmulas, lugares diferentes têm conexão entre
si, personagens bizarros aparecem do nada, o grotesco e o belo se conectam sem
que disso haja algum estranhamento por parte dos normais.
Enfim,
acredito que o diretor cumpriu o prometido, ou seja, retratar uma trama mágica
e metafórica passada na Alemanha do fim do século XVIII, início do século XIX,
mostrando as maneiras ardilosas que Mefistófeles teve para conquistar mais um
dos seus escravos inebriados.
No
entanto, o filme é chato de se ver. Não sei se propositalmente ou não, mas, as
falas às vezes não se encaixam com o movimento da boca dos personagens, às
vezes os sons do ambiente parecem mal regulados, as vozes soam muito próximas
da câmera quando na verdade os personagens estão mais distantes. Não sei se
isso era erro de regulagem do próprio cinema!!
O
autor pode ter usado deste recurso para reforçar a fantasia da obra, mas, pra
mim, ficou estranho e bastante tedioso. As cenas sem lugar, as conexões entre
espaços feitas de maneira estranha, o foco por muito tempo fechado,
Mefistófeles constantemente falando, um discurso chato e os 134 minutos de
duração se somam para formar uma película chata!!!
Diretor:
Aleksandr Sokurov
Elenco:
Johannes Zeiler, Anton Adasinsky, Isolda Dychauk, Georg Friedrich, Hanna
Schygulla, Antje Lewald, Florian Brückner, Maxim Mehmet, Katrin Filzen, David
Jonsson
Produção:
Andrey Sigle
Roteiro:
Aleksandr Sokurov, Marina Koreneva, Yuri Arabov
Fotografia:
Bruno Delbonnel
Trilha
Sonora: Andrey Sigle
Duração:
134 min.
Ano:
2011
País:
Alemanha
Gênero:
Drama
Cor:
Colorido
Distribuidora:
Imovision
Estúdio:
Proline Film











