quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Sucedente Suspirante


I

Saiu de casa para ver a vida
E nunca mais voltou
Saiu de casa para desejar caminhos
E jamais ao fim findou

Saiu de casa para sentir perícias vitais
E da vida delas viveu
Saiu de casa para evitar fazer rascunhos
E do caos se escreveu

II

Tornou-se eterno de si
Num riso que rindo se ri

III

Um descaso do destino
Um inesperado instante
Uma incontida revolta
Uma palpitação irritante
Uma santidade às avessas
Um não calado expectorante
Uma debilidade sinérgica
Uma epilepsia itinerante
Um tanto feito criança
Outro mais feito mutante
Um desatino repensado
Um jorrar-se agonizante
Um berreiro descampado
Um profundo trago suspirante
Um acalmado de profundezas
Uma reciclagem sufocante

Sucedeu cardíaco caótico que:

IV

Desinquieto do que vinha
Instável de suas amarras familiares
De seus passatempos eternos
De seus respiros de velhos ares

Resolveu próprio desembainhar passos
Pelas trilhas da vida a fora
Nas correntes de se ver o amanhã
O tudo, o nada, e o oposto, agora

Foi vicejar a pulsação do ventre
Deixar vagar os olhos por onde se queria
Colher frutos da tempestade
Organizar a vida com suficiente revelia

Redistribuir seus amores pelos cantos
Cantar feito pássaro irredimível
Rebentar qualquer arco de razão
Que ameaçasse teu peito sensível

V

Desembestar arrastão
Sem nenhum plano
Sem nenhuma revolução
Sem nenhum traçado no rosto
Sem pensar maldição
Sem sentir-se oposto
Sem mínima repreensão

VI

Fluxos e latências
No corpo
Na face
No próprio peito
Na alma
No gesto
No justo jeito

Coro de impacto
Na pele
No pulso
No posto deposto
Nos olhos
Nos lábios
No rosto proposto

VII

Foi indo como água
Que aglomera correnteza
E baseia-se sua mais alta lei
Na gravidade e na leveza

Foi então desenhar sua caricatura
No cerne da realidade
Cultivar seus desvãos
Minimizar a sanidade

Ouvir seus estalos internos
Seus ruídos no envolvente futuro
Uma revelação coloquial qualquer
No meio do semblante escuro

A tentativa de ir ainda em frente
No submundo que pulsa vitalício
O enrodilhado dos lábios envolvente
Cercar teu reconhecido precipício

E assim quase nunca mais voltou
Para seus longínquos idos anteriores
Desfez absolutamente o ontem
Pulverizando recalcitrantes dores

Caminhou em chão de terra
Deitou nos quartos crescentes
Pisou os passos pessoais
Gosto gentil geral de gentes

Inverteu a lógica do mundo
Revelou o negativo desespero
Escalou a montanha do ontem  
Ceifou qualquer casto cativeiro

Embainhou o vértice do momento
No horizonte reviveu os amanhãs
Acariciou da lua a soberania
Propôs tuas múltiplas penas pagãs

Nas paredes imprimiu intensos gestos
Da areia se fez vento de embalar
O invisível por seus pés soltaram vozes
E a tarde por sua mão dormiu no mar

VIII

Mas o tempo passou sem destino
E o instante iniciado ainda menino
Fez-se feito num volume gigante
Então o homem que andava de impulsos
Embebeu-se numa tarde em soluços
Balançou seu pensar de caminhante

Sentiu como tanto andou impensado
Figurou-se do olhar tão mau olhado
E os desejos de por nada impressionar
Coleção de longeva libertinagem
Estridentes arredores sem coragem
De permitir num carinho se assentar

Por que tanta reunião de tantos nadas?
Por que nunca pressentiu vozes abafadas?
Por que pouco deu valor ao seu vazio?
Por que as fugas para alhures do deserto?
Por qual motivo foi tão certo do incerto?
Por que sempre muito mais lançar-se ao frio?

IX

Ser tão vácuo
Ser tão inócuo
Ser tão desajustado
Ser vil conspícuo
Reles profícuo
Servente indesejado

Não querer ser pronto
Não querer ser muito
Não querer ser passado
Não querer ser tanto
Não querer ser outro
Só querer ladino lado

Não ouvir sermão
Não prestar perdão
Não sentir aconchego
Arrastar-se no desvão
Negativa obsessão
Apegar-se ao desapego

X

Veio a pausa ríspida do vago tempo que espanta
Na mão do destino o seu silencio se agiganta
A auto-piedade de um passado que se suplanta

Verte o eterno retorno do filho mais errado
A cabeça baixa por um peito mais calado
Ao entrar na casa do jardim mais renegado

E bater na porta pra pedir nova abertura
Querer abraço daqueles seres da infância pura 
E enfim falar dos riscos novos de tua boa e velha armadura


terça-feira, 21 de agosto de 2012

Pra eu parar de me doer...


Documentário sobre o Clube da Esquina

"Sobre Amigos e Canções"

Lindo demais, como tudo que vem do Clube!!!





quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Finda-se Julho (O Índio De Cara Pintada)



Gosto cada dia menos de escrever poesias só para eu entender. Faço isso às vezes. São frases cifradas que servem pra deixar marcada alguma passagem, alguma idéia que talvez eu precise retomar mais pra frente. E esse é um pouco o caso deste poema. Não que ele tenha uma idéia (não gosto de escrever ideia sem acento) que eu deva retomar, mas serve sim pra deixar marcado um ponto paralelo a outro que já se passou há algum tempo. E assim, caso eu releia, vou saber que me lembrei de demarcá-los paralelamente no tempo correto.


Finda-se Julho 
(O Índio De Cara Pintada)


Finda-se um ciclo...


Término de curva
Esgarçado quebranto
Invencível destino
Incansável navegante
O mais revolto dos mares
Vívidos no peito hóspede
Sete ciclos calendários
Noites e dias múltiplos
Dois mil quinhentos e cinqüenta e sete
Milhões de respirações
Desde aquela fatídica noite
Colocados a beira de tudo
Numa entrada sem saída
No fim de todos os caminhos
No começo do inconseqüente
No limiar do selvagem
No início do caminhante
No derradeiro tempo
De um outro lugar
De um outro sorriso
De uma outra pessoa
De uma outra esperança
De uma outra maturidade
Tão contemplativa e calma
Mas frágil mas forte
Frágil pelo futuro
Porém forte pelo passado
E em meio à mata
Um índio se fez a mostra
Sem dizer expressões
Sem negar o olhar
Sem querer amedrontar
Mas encarou seriamente
Por consecutivas três vezes
Primeiro solitário
Segundo acompanhado de mais seis figuras
E novamente derradeiro e silencioso
Solene no verso das cartas encantadas
Versos da ilha da magia
TODAS AS CORES DO MUNDO
Confissões segredáveis de outrem
E nós no pequeno compacto casulo
Morada ritualística daqueles distantes
As últimas horas de uma felicidade aqui
Sentires tão casuais
Sentires tão aconchegantes
E o extermínio necessário
O índio que mostrava o tão penoso caminho
A cara pintada
A guerra vizinha
O embate da cólera nascida no peito em paz
O combate do próprio ser sozinho
A revolta e os mais profundos questionamentos
A briga para ser novamente feliz
Querer ter o retorno mais legítimo
O ansiar mais verdadeiro
A infância tão bela infância
E os outros anos além
Também tão generosos
Benevolentes com quem pouparam na ignorância
Na substância embargante da paz
Mas retiram-te de ti retirando tua tenaz atrofia
O descampado solitário arredio geral abrindo
Tudo virou-se inimigo
Tudo virou-se arriscado
E o sono o único lugar para o vício de ser feliz
Mas bem-vinda seja a margem última
Deste que talvez tenha sido
O mais penoso de todos os grupos
Pelos quais poderiam perpassar-me
Um limiar de morte
A vizinha anti-poética perdição
O recôncavo último da consciência
O leito escorrido apocalíptico
Lânguido esquecimento vil
O declínio de qualquer sonho
A absolvição impiedosa
Ladeira lancinante acentuada
A queda das bases inconscientes
O reconhecimento das fraquezas
A superação das inconseqüências
Uma tentativa de acerto desesperada
A catarse que me catou sem escolha
Para um novo novo que sempre virá
Pois o tempo vai adiante e adiante e adiante 
E muito muito mais.........


Finda-se um ciclo?!




terça-feira, 24 de julho de 2012

Centro Pós-Cultural de Ultragênese (Refeito e Permutado)






I


Centro Pós-Tudo
Região Ultrajante
Local Mudado Mudo
Silogismo Viajante
.
Tribal Enxerto Descarrado
Geografia Pós-Moderna
O Correto Feito Errado
Ágora Profunda Na Caverna
.
Eis-lo Que Há Aqui!
Vácuo Pós-Cultural De Ultragenia
Subindo A Augusta, Vi E Sorri
Feito Findo, Meia-Noite-Alegria


II


Centro Pós-Tudo
Tribal Enxerto Descarrado
Local Mudado Mudo
O Correto Feito Errado
.
Região Ultrajante
Geografia Pós-Moderna
Silogismo Viajante
Ágora Profunda Na Caverna
.
Vácuo Pós-Cultural De Ultragenia
Eis-lo Que Há Aqui!
Feito Findo, Meia-Noite-Alegria
Subindo A Augusta, Vi E Sorri


III


Feito Findo, Meia-Noite-Alegria
Ágora Profunda Na Caverna
Vácuo Pós-Cultural De Ultragenia
Geografia Pós-Moderna
.
O Correto Feito Errado
Silogismo Viajante
Tribal Enxerto Descarrado
Região Ultrajante
.
Subindo A Augusta, Vi E Sorri
Local Mudado Mudo
Eis-lo Que Há Aqui!
Centro Pós-Tudo

.
..
...
....
.....
......




quinta-feira, 19 de julho de 2012

Mais um vídeo


Canto Triste - Composição: Edu Lobo / Viní­cius de Moraes



terça-feira, 17 de julho de 2012

A espera de turistas



O filme conta a estória de Sven, um jovem alemão que completa 18 anos e resolve, ao invés de servir o exército, prestar serviços assistenciais. Mal sabia ele que seria mandado para a cidade de Auschwitz, onde se localizou o maior campo de concentração nazista.

Ele, que não carrega culpa e muito menos orgulho pelo que seus antepassados fizeram, fica encarregado de cuidar de um velho judeu prisioneiro dos nazistas na segunda grande guerra.

Disso resulta uma estranha situação em que, um jovem comum da Alemanha atual tem que lidar com os rancores e as truculências de um senhor que ainda carrega marcas de um passado tão presente em sua memória.

Paralelo a isso, este jovem alemão conhece uma polonesa de sua idade e os dois vivem um pequeno romance que o ajuda a suportar sua rotina. Além disso, outros pequenos acontecimentos rodeiam a trama principal, mas elementos sem muita importância.

Não me lembro muito bem como as coisas acabam, mas acho que o velho abranda levemente sua truculência, o jovem acaba se integrando com outros poloneses. O futuro de sua relação com a jovem polonesa permanece aberto.

Estava lendo algumas críticas na internet e notei que, ou as pessoas não pensaram no que pensei, ou preferiram evitar causar polêmica. Mas, pra mim, há dois modos bastante distintos de se interpretar o comportamento do velho senhor. Sobre o jovem alemão, me parece que todos concordam que ele é simplesmente fruto de uma nação, e que não necessariamente sofrer injúrias trabalhando com o peso vindo dos erros dos seus avós.

Mas voltando ao senhor, primeiro podemos interpretar suas atitudes como naturais, já que o encarceramento dentro de um campo de concentração pode marcar a vida de uma pessoa para sempre. Este ponto de vista é apresentado em diversas resenhas.

No entanto, além desta, outra opinião me passou pela cabeça...

Vi também, nas atitudes daquele velho, mais que um profundo rancor. Achei que havia ali um pouco de vingança, que ele acreditava ser legítima. Não importava quem fosse seu alvo, bastava saber ser alemão para que se sentisse no direito de desabar suas mágoas. Além disso, me pareceu ser cômodo àquele senhor colocar-se perpetuamente como um coitado, ou seja, apresentar-se durante quase 70 anos como uma vítima de algo que aconteceu em sua adolescência.

Obviamente que este é um ponto de vista bastante polêmico já que o Nazismo foi realmente um dos episódios mais horríveis da história da humanidade, mas, daí a você não conseguir dividir o que foi o Nazismo e o que é a Alemanha, me parece uma atitude um tanto ultrapassada e que deveria ser sim deixada de lado.


FICHA TÉCNICA
Diretor: Robert Thalheim
Elenco: Alexander Fehling, Ryszard Ronczewski, Barbara Wysocka, Piotr Rogucki, Rainer Sellien, Lena Stolze, Lutz Blochberger, Willy Rachow, Roman Gancarczyk, Adam Nawojczyk, Halina Kwiatkowska, Joachim Lätsch
Produção: Britta Knöller, Hans-Christian Schmid
Roteiro: Robert Thalheim
Fotografia: Yoliswa Gärtig
Trilha Sonora: Uwe Bossenz
Duração: 85 min.
Ano: 2007
País: Alemanha
Gênero: Drama
Cor: Colorido
Distribuidora: Pandora Filmes
Estúdio: 23/5 Filmproduktion GmbH / Das Kleinfernsehspiel
Classificação: 14 anos



A primeira coisa bela



Filme italiano bastante gostoso de se ver!!!

Conta a estória de um professor de literatura, filho de uma mulher totalmente adoradora da vida, aberta e sem pudores que gosta de vivê-la de uma maneira natural e espontânea. Uma mulher a frente de seu tempo!

Entre idas e vindas no tempo, são contadas diversas passagens da vida dela com seus filhos, sua separação, os problemas que teve quando quis se tornar atriz, os homens que se apaixonaram, suas travessuras, a intensidade com que viveu todos os episódios e, no meio desta turbulência de acontecimentos, estão suas duas crianças, o menino mais velho, ator principal da película, o já referido professor de literatura, e a filha mais nova.

O filme vai se desenrolando até chegar aos desfechos finais que se mostra surpreendente. 

A “primeira coisa bela” acredito que seja a própria mãe, na visão do garoto que, apesar de ter vivido episódios constrangedores por conta das maneiras dela, a tem muito dentro do coração já que, antes de tudo, é uma mulher sem maldade, desprendida de rancores e que somente quis viver a vida de maneira verdadeira e intensa.

Muito agradável!!!


Informações Técnicas:
Título no Brasil: A Primeira Coisa Bela
Título Original: La prima cosa bella
País de Origem: Itália
Gênero: Drama
Classificação etária: 14 anos
Tempo de Duração: 122 minutos
Ano de Lançamento: 2010
Estréia no Brasil: 08/06/2012
Estúdio/Distrib.:  Califórnia Filmes
Direção:  Paolo Virzì
Elenco: Valerio Mastandrea, Micaela Ramazzotti, Valeria Michelucci, Dario Ballantini, Marco Messeri, Fabrizia Sacchi, Roberto Rondelli, Sergio Albelli, Aurora Frasca, Giacomo Bibbiani, Emanuele Barresi
Produção: Marco Cohen, Fabrizio Donvito, Benedetto Habib, Gabriele Muccino, Carlo Virzì, Paolo Virzì
Roteiro: Paolo Virzì, Francesco Bruni, Francesco Piccolo
Fotografia: Nicola Pecorini
Trilha Sonora: Carlo Virzì
Cor: Colorido
Distribuidora: Califórnia Filmes
Estúdio: Motorino Amaranto / Medusa Film / Indiana Production Company


Apenas uma noite



Uma trama delicadíssima, sutil, que vai esboçando, com extrema sagacidade, um painel sobre os possíveis movimentos de um casal jovem atual.

Ele, um executivo já com a carreira estabelecida, ela, uma jornalista e aspirante a escritora.

Após irem a uma festa juntos, ela percebe que seu marido sente atração por uma colega de trabalho, o que a faz crer que está sendo traída. Isso gera uma discussão forte entre os dois já que ele vai viajar justamente com esta colega de trabalho para tratar de assuntos financeiros da empresa.

Ele jura nunca a ter traído, mas ela quase se convence totalmente, no entanto, não pode impedir seu marido de partir a trabalho.

Quando está só e resolve sair para ir a padaria, ela encontra um velho namorado pelo qual ela foi e ainda é totalmente apaixonada. Abalada pela discussão e pelo risco de ser traída, ou mesmo usando isso como um desculpa para si, ela se permite aceitar o convite de seu ex, um escritor bem sucedido, também apaixonado por ela, para se encontrarem.

As coisas, a partir deste ponto, vão se desenrolando minuciosamente, numa crescente de cenas acontecendo em paralelo, ou seja, seu marido e a rotina de negócios com a colega atraente, e a ela passando o dia, sozinha na cidade, juntamente com seu ex.

O que me impressionou foi a atuação da protagonista, Keira Knightley. Eu já sabia que ela trabalhava bem, mas neste filme acho que ela se superou. É impressionante a quantidade de idéias que ela consegue sugerir estarem passando em sua cabeça, mesmo sem dizer uma palavra sequer.

O roteiro é fantástico! Um filme que, a primeira vista poderia ser mais um que tenta retratar a atualidade de maneira superficial, consegue encontrar um caminho tão interessante para explorar enredos do dia-a-dia de uma maneira que me parece ser bastante fiel a realidade.

E às vezes a realidade é uma das coisas mais difíceis de ser captada, registrada e posteriormente reproduzida.

Recomendo demais!!!


FICHA TÉCNICA
Diretor: Massy Tadjedin
Elenco: Keira Knightley, Sam Worthington, Eva Mendes, Guillaume Canet, Anson Mount, Griffin Dunne, Stephanie Romanov, Scott Adsit, Daniel Eric Gold, Stephen Mailer, Justine Cotsonas
Produção: Christophe Riandee, Massy Tadjedin, Nick Wechsler
Roteiro: Massy Tadjedin
Fotografia: Peter Deming
Trilha Sonora: Clint Mansell
Duração: 90 min.
Ano: 2010
País: EUA/ França
Gênero: Romance
Cor: Colorido
Distribuidora: Vinny Filmes
Estúdio: Gaumont / Nick Wechsler Productions / Star Entertainment
Classificação: 12 anos


Até a eternidade



O filme inicia com uma grande sequência sem corte em que um homem (o mesmo ator protagonista do filme O Artista) está bebendo numa balada, sai para fumar um cigarro, dá uns tragos, desiste, pega sua moto e sai andando por diversas ruas até que alguma coisa acontece e impede o fluxo de acontecimento que vinham sendo passados naturalmente.

A partir daí, as coisas se complicam e ampliam dentro do filme.

Inicia-se um longo período de férias em que aos poucos vão sendo mostrados o passado e o presente de um grupo de amigos muito próximos, franceses de classe média, fixados numa casa de praia, eles e suas mais diversas manias, problemas, carinhos, discussões e uma grande estória de amizade que se desenrola por muitos e muitos anos até chegar àqueles dias.

Fiquei totalmente inebriado pelo filme! Gostei demais como cada personagem é tão naturalmente interpretado que chegam a ganhar status de gente de verdade, sendo que cada um conquistou seu espaço dentro do todo, com suas peculiaridades, pela força da colocação natural de todos.

Quando fui assistir, já achava que era um bom filme, afinal, vejo críticas antes de ir pro cinema, mas esse, especialmente, me comoveu bastante.

Todos os atores estão muito bem nos seus papéis! Situações engraçadas, tristes, intrigantes, complicadas frutos da convivência de amigos, este é o mote principal deste filme.

“Até a eternidade” é a arte imitando a vida, com muita arte e com muita vida!


FICHA TÉCNICA
Até a Eternidade (Les Petits Mouchoirs) – 154 min
Diretor: Guillaume Canet
Elenco: François Cluzet, Marion Cotillard, Jean Dujardin, Gilles Lellouche, Benoît Magimel, Laurent Lafitte, Valérie Bonneton, Pascale Arbillot, Joël Dupuch, Anne Marivin, Louise Monot, Hocine Mérabet
Produção: Alain Attal
Roteiro: Guillaume Canet
Fotografia: Christophe Offenstein
Duração: 155 min.
Ano: 2010
País: França
Gênero: Drama
Cor: Colorido
Distribuidora: Califórnia Filmes
Estúdio: Les Productions du Trésor / Europa Corp. / M6 Films / Canal+ / CinéCinéma / Cofinova 6 / La Compagnie Cinématographique Européenne / Panache Productions / Caneo Films / W9
Classificação: 12 anos
Cor filmagem: Colorida
Gênero: Comédia, Drama




Deus da Carnificina



Trata-se do trigésimo filme de Roman Polankis, baseado numa famosa peça, sucesso na Europa e nos Estados Unidos, Le Dieu Du Carnage, de Yasmina Reza.

Polanski precisou apenas juntar ótimos elementos que quase assegurariam a qualidade de qualquer filme: texto e atores.

Mas não bastando isso, ele engrandeceu sutilmente a película optando por não variar demais os cenários, sem deixar de desfrutar desta diferenciação existente entre o cinema e o teatro. Com pequenas saídas, o diretor consegue enriquecer a proposta, sem fugir do caráter teatral.

O texto é magnífico, já aclamado em diversos palcos. Não bastando isso, quatro ótimos atores, cirurgicamente escolhidos para os papéis, se embatem numa sala por horas, de forma hilária, e sem perderem o tom a não ser o tom que eles realmente deveriam perder.

Kate Winslet, Jodie Foster, John C. Reilly, Christoph Waltz, são praticamente os únicos quarto atores de todo o filme.

É interessante ver como as posturas vão se transformando e, o que num primeiro momento parece ser um simples acordo de casais sobre uma briga de crianças, vai se transformando no Deus da Carnificina, um pandemônio humano de sujeitos se revelando sempre mais e mais ordinários e incompletos.


FICHA TÉCNICA
Diretor: Roman Polanski
Elenco: Kate Winslet, Jodie Foster, John C. Reilly, Christoph Waltz, Elvis Polanski, Eliot Berger, Joseph Rezwin, Nathan Rippy, Tanya Lopert, Julie Adams
Produção: Saïd Ben Saïd
Roteiro: Roman Polanski, Yasmina Reza
Fotografia: Pawel Edelman
Trilha Sonora: Alberto Iglesias
Duração: 80 min.
Ano: 2011
País: França/ Alemanha/ Polônia/ Espanha
Gênero: Comédia Dramática
Cor: Colorido
Distribuidora: Imagem Filmes
Estúdio: SBS Productions / SPI Poland
Classificação: 12 anos