segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Anomalisa (Filme)

O primeiro adjetivo para descrever esta animação seria: estranha!
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Mas também caberiam palavras, como: intrigante, diferenciada, questionadora, inquietante.
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Acho que inquietante também seria uma palavra forte para descrever a sensação que senti dentro de mim ao me deparar com aquela maluquice toda desfilada ao longo da obra.
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Nela, as coisas giram em torno de um ambiente de hotel, um não-lugar, um não-lar, uma não realidade de fixação, uma escolha corriqueira onde trocas diversas se dão calcadas no superficial, no que não é feito para durar.
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É disso que se constitui os cenários desta película. Ambientes passageiros, os quartos que não são de ninguém, a noite solitária onde tantos vazios procuram encontrar a aventura capaz de, milagrosamente, os salvar de suas medíocres escolhas e não escolhas que, quando lembramos, ousamos chamar de vida!
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O personagem principal, Michael Stone, um palestrante motivacional insatisfeito com sua própria história, esboça uma aproximação com um antigo caso mas, acaba se apaixonando inusitadamente por uma jovem chamada Lisa e estabelece uma relação interessante com a voz desta personagem.
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O pretenso homem bem-sucedido se desmonta ao tomar contato com os detalhes e sutilidades de Lisa, por neles lhe é possível encontrar resquícios de legitimidade, de inocência, elementos tão distantes do universo no qual ele está inserido.
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Aliás, um universo onde o protagonista não só está inserido como também é considerado uma referência de homem-pensador bem-sucedido, aquele que é capaz de apontar os caminhos a serem seguidos pelos trabalhadores contemporâneos: um profeta das grandes corporações!
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E nos movimentos presentes neste interim desencaixado de estética neurótico-irônica, elementos diversos desta animação aparentemente inofensiva vão gerando um crescente incômodo no espectador pela neutralidade das cenas e passividade dos personagens.  
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Anomalisa traça uma dolorosa crítica a respeito do mundo atual, onde nem mesmo os profetas do vazio são capazes de se preencherem pelas palavras que se nos regalam em troca de uns bons trocados.

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O Filho de Saul (Filme)


Um filme sufocante mostrando a realidade de um campo de concentração nazista praticamente pela perspectiva de apenas um único indivíduo: Saul.
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Uma série de planos contínuos que se quebram de repente dando a impressão de ser quase todo o filme um grande arranjo ininterrupto de ações.
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Há também longas cenas escuras com a câmera sempre fechada, intensa, focada, mergulhada na cara do protagonista, trazendo constantemente o impacto de ter aquele semblante colado a nós, colado na câmera, sem escapes, sem respiros, sem ampliações.
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Um campo visual de concentração constante!
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Há ligeiras aberturas e alívios sonoros em partes estratégicas e significativas do filme, como quando se entra na sala de um general nazista e o ambiente é menos tumultuado ou quando o protagonista olha seu filho e toda a ambiência sonora se ameniza por alguns segundos para novamente mergulharmos no martírio infindável de uma quase morte.
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Poucas palavras, diálogos secos, cortes secos, interações corporais violentas mesmo entre os prisioneiros, vozes sem boca, diálogos que perpassam a sala de cinema sem podermos detectar de onde vem, nem quem o está fazendo, muita gritaria, ações continuamente ríspidas mostrando ser-humanos animalizados, a barbárie que resseca as palavras, os olhares e endurece os corações.
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Uma grande experimentação cinematográfica!

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A elegância do Ouriço (Livro)


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Livro que minha madrinha me deu acompanhado do aviso de que ela não havia gostado, mas que achava que era a minha cara.
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Ok!
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Fui eu, então, com bons olhos iniciar a leitura, afinal, ela conhece muito bem meu gosto literário. Talvez ela seja mesmo a pessoa que mais vezes me presenteou com livros!
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E, mais uma vez, ela acertou!
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Adorei o clima filosófico, desencaixado, pensativo e requintado que ronda as duas principais personagens desta trama.
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A palavras sobem um tanto acima do senso comum do que seria esperado de um livro de sucesso como é o caso desta obra, mas também não caem num lugar exagerado e inacessível aos leitores leves.
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Gostei da personalidade das duas mulheres: uma jovem e uma senhora. Gostei dos movimentos que cada uma realiza ao longo das páginas. Convenci-me das mudanças que o novo morador causa no espaço onde as coisas acontecem.
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Foi um livro que me chamou para dentro de sua trama!
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Localizei-o num prédio que frequentei quando era pequeno, criei caras e contornos para os personagens mais frequentes, enfim, as boas palavras foram agradáveis o suficiente para me fazerem participar da formulação do universo proposto por elas.
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Uma das melhores leituras deste ano de 2016!!!

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Muriel Barbery

O Outono do Patriarca (Livro)

Longa viagem literária que não chega nem aos pés da beleza e da magia presentes em “100 anos de solidão”.
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Gabriel Garcia Marques não foi feliz na escolha dos caminhos a serem seguido nesta obra.
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O livro demorou muitos anos para ser escrito, o que não se justifica pelo seu tamanho relativamente reduzído.
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E, acredito que o clima pouco inspirado decorrente deste longo processo está impregnado nas palavras, nas frases e nas páginas do conjunto.
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Os capítulos são muito extensos, os parágrafos são longos demais, a poética é exageradamente dispersiva, a linha narrativa é vaga e as 260 páginas se tornam algo penoso de se acompanhar.
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Gabriel soou como um escritor perdido na figura criada em torno dele.
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Me parece que o colombiano insistiu em procurar um lugar de ludicidade tão grande em sua literatura que nem ele mesmo sabia onde estava, nem ele mesmo sabia como chegaria até lá e que, por isso, não nos levou até o provável ponto querido.
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Parece-me uma frustrada busca por uma sensação descritiva que pertenceria a uma supra realidade fantástica sem tempo, sem espaço, sem ação, numa trama que nunca se desata, banhada de uma atmosfera permanente.
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Tudo bem que isso está dentro da proposta defendida e difundida pelo convicto comunista, mas, a experimentação foi tão exagerada que não me senti convencido de que o próprio Garcia Marques estivesse seguro do que estava fazendo.
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Concretizar numa posterior obra, a aura pertencente a “100 anos de solidão”, a meu ver, é perda de tempo.
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“100 anos” tem a magia latina em suas páginas. O livro é capaz de me pegar cada vez que abro e passo os olhos por suas primeiras linhas e, esta força, por vezes, escapa ao controle do autor.
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O autor a registra, mas não a detém!
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Acho, sim, que Gabo tentou reencontrar o lugar mitológico-literário que a massa dos leitores conferiu a sua obra prima. Impossível!
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Indo de encontro à pessoa por detrás da obra, movimento que constantemente procuro realizar, parece-me que esta foi a jornada empreendida por Gabriel, mas que, já de início, senti-a frustrada e, ao autor, deve ela ter se mostrado mesmo frustrante, o que justificaria o longuíssimo processo de criação.
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Como seria de se esperar, não li toda a obra, mas acredito que este livro poderia, a contragosto do escritor, servir como uma metáfora crítica a Cuba e, sendo assim, o patriarca não poderia ser outra pessoa senão Fidel Castro.
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Enfim, posso ter me equivocado ao lançar tal possibilidade, mas, buscando na memória a impressão que partes dela me causaram, ocorreu-me esta possibilidade.
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Diálogo da Relativa Grandeza (Livro)


Pequenino livro de grandeza relativa.
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Algo para se ler não lendo.
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Estorieta corriqueira de quem não quer se alongar e talvez não quisesse mesmo escrever um diálogo um algo além.
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Micro vislumbre de ideia literária que mais caberia na forma de um simples poema.
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Acho que assim estaria melhor do que foi!

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O Gato Assoprado (Livro)


Divertido e singelo livro escrito pela minha primeira aluna de piano: Luciana Maria Tico-tico
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A obra é ricamente ilustrada por sua amiga Natália Vieira, companheira nesta arrojada empreitada.

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Publicar um livro infantil, de maneira independente, num país como o Brasil, já é, por si só, uma iniciativa louvável!
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quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Vi meu próprio erro na imagem que se mostrou!


Em
cada
silente
compasso
de
uma
bela
música,
sempre
caberá
o
átomo
sorriso
sincero
de
uma
singela
oração
fortalecida
pela
catarse
mais
possível
da
arte!


segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Humanidade 2017

Imagino que em momentos como estes, momentos que antecedem o fim de um grande ciclo anual, as Enormidades Luminosas estejam se reunindo para avaliar e extrair as sublimes conclusões sobre os trabalhos que durante este ano foram feitos. Além disso, emanarão destes encontros os traçados das novas diretrizes de generosidade a serem seguidas, os novos planos de melhoria a serem efetivados, labutados, colocados, tentados, concretizados em nossos corações conjuntos, em nossas almas pulsantes, num amoroso e grandioso trabalho ininterrupto, fazendo a história do tempo, a história que se nos guia nesta incrível jornada chama humanidade!

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

O Avesso do Avesso

A
pulsão
que
faz
desprender
o
choro
é
o
início
de
um
pedido
de
misericórdia
!

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Cuidemo-nos!

Entre
Deus
e
seu
oposto
mais
"Posicionamentos
Estratégicos"
do
que
imagina
nossa
filosofia
!

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Sentido agora... Escrito concluído!

Os erros cometidos nesta vida têm o peso da carne.
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Os erros cometidos nas vidas passadas têm o peso do espírito.
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E isso é bastante diferente!
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O espírito sempre será mais leve que o corpo!

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

(Vi)Ver de Verdade

A energia atual, para muitos de nossos iguais, nos convida ao vislumbramento de novas levezas e verdades futuras, mas também nos arrasta ao deslumbramento vazio pela falta da densidade cristã já em processo de passado.
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Cuidemos para não nos tornamos ocos e desinteressantes em conjunto, não nos vendo um pouco mais dentro, nem de nós mesmo e, assim, nem dentro dos conjuntos dos quais queremos fazer parte.
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Sintamo-nos interiormente com prazer e sábia seriedade para, assim, nos vermos ainda melhor no tanto que o lindo espírito atual se nos convida a desvelar... 
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A DESBRAVAR!!!
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terça-feira, 18 de outubro de 2016

Câimbra corriqueira

Todo chão que se toca com o pé guarda, em si, sua cura de uma câimbra corriqueira.

Então, talvez, todo solo tenha sua função de firmeza, independentemente de estar em algum chão batido ou no piso de um apartamento instado no sexto andar.

São apenas relatividades diversas, absolutamente funcionais, empiricamente testadas, porém, de difícil documentação como tantas particularidades de nossas percepções diárias!

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Post 1616

Às vezes fico impressionado por acreditar sentir que a mente é mais profunda que o dito subconsciente ou o inconsciente, mais moldável por influências externas do que aquilo que prega a psicanálise, a psicologia ou outras formas de ciência do ramo.
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É como se caminhássemos por possibilidades que não abrimos por nós mesmos, possibilidades múltiplas que não detemos, nem mesmo parcialmente. Participamos como protagonistas de um roteiro que não escrevemos como elaboradores principais.
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É impressionante as mudanças que uma boa oração é capaz de efetuar nos nossos pensamentos. Por vezes, em apenas um breve sono, acordamos totalmente diferentes, como se uma estrutura basal tivesse sido modificada e, junto com ela, nossas conclusões maduras, certezas absolutas e pensamentos correntes.
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Acredito que exista, sim, algum ponto mais profundo que transcende aquilo que está dentro de nós, mas que, nós não o tocamos de forma direta, nem mesmo por meio dos métodos auto-expressivos desenvolvidos por alguns gênios do fim do século XIX e início do século XX.
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Talvez sejamos, no fundo, apenas animais pseudo-racionais semi-domados, e assim seguimos, mais ou menos, os horizontes que os estados superiores se nos determinam sutilmente.
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Algumas teorias não me bastam, mas acho que sou um quase Junguiano!

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terça-feira, 13 de setembro de 2016

Transcendente Saudade!

Quantas
e
quantas
belíssimas
almas
existiram
por
sem
ter
nenhum
memorial
que
as
vangloriassem
além
das
mentes
e
dos
corações
daqueles
que
as
sucederam?!
 
 
Pois
será
assim
que
ainda
melhor
sucederemos!

domingo, 4 de setembro de 2016

um poema para expurgar

a iminência do apocalipse
sensações de escuridão
o fim do mundo mora dentro de mim
e pulsa silenciosamente
encharcando de medo
todos os entremeios de qualquer dia frio
de qualquer dia em que fico sozinho
esgueirando-se como um nada
por todas as voltas que dou em casa
para todas as coisas que olho
em tudo o que penso
dentro e fora de mim
na hiper-intensidade da solidão
e mesmo quando não penso em nada
ele está anterior ao pensamento
está lá como um irracional silencioso
uma qualquer coisa sem sentido
requerendo que eu
constantemente
me lembre dele
e relembre a mim mesmo
que nada deste medo é verdade
que nada disso vai acontecer
que tudo deve continuar assim
os carros nas ruas
os homens na vida
as montanhas na minha terra
minha casa e minha família
meus poemas tão guardados
minhas músicas de cantos
meu piano que transborda
meus livros carregados
meus cadernos antigos
meus amigos de sempre
e tudo perseverará
mais ou menos
nos mesmos lugares
e por isso
como é desgastante
ter que sempre recordar o lógico
e sempre mais uma vez
e ainda de novo e de novo
pois
ao mínimo descuido
secretamente
dentro de mim
a sensação do fim das coisas
retornará sempre discreta
mas constante e imperativa
imperativa em sua forma silente
mas reticente como o tempo
reticente como um mantra
reticente como uma lembrança
reticente como os oceanos
um moto-contínuo anti-cotidiano
esmagando o correr da vida
aquela lembrança sem perdão
aquele buraco que não se completa
aquele lugar envolto de coisas
que te impedem de chegar até ela
um quase trauma secular
que faz tudo se escurecer
tudo ficar envolto pela ameaça
a velha ameaça de que tudo pode acabar
a qualquer momento
sem explicação
sem controle
em qualquer lugar
sem justificativa
ainda que seja feitiço-refeito
um poema para expurgar

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

POEMA PARA AGOSTO DE 2016

O Agosto infinito chegou ao fim
E todas as coisas respiram um misto de alívio e de dor
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Na memória
Ainda cicatriza o desenho dos dias
A lágrima pela criança que se foi
A lágrima pela explosão artística e esportiva
A lágrima pela decisão pessoal que ainda dói
As mãos trêmulas por aquilo que ainda vem
E a exaustão de sentir os pés pesados
Arrastando no gosto amargo do chão
.
O Agosto infinito chegou ao fim...
.
No ar
O semblante da glória e da vergonha
Se mesclam a um único e mesmo suor nacional
Vindo de emoções tão distintas
E de horas tão sublimes e tortuosas
Que me parece que pouca poeira restou assentada
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O chão está limpo
Mas o ar está carregado!
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Tudo agora é em latência
E se digladiam nos céus
A beleza e o horror
Traçando os limites de um novo país
.
A nação dorme exausta
A nação não dorme mais
A nação não dormirá nunca mais
A nação é sem volta
E
A Pátria do Evangelho
Fez-se novamente o Coração do Mundo
Riscando mais um traço
No desenho vasto de sua humana missão
.
Nossa nação que se abriu
Em lancinantes espetáculos
De dança, choro e grito
Ainda reverbera a proposta marginal
De uma promessa que nunca se realiza
.
O Agosto infinito chegou ao fim...
.
O Brasil não é mais o mesmo
O Brasil quebrou cascas de dentro para fora
E agora
O oceano vem banhar um novo litoral
Rasgado de rios que nascem num novo chão
.
Mas...
.
Não sei porquê
Ainda permanece a estranha sensação
De que não mudamos tanto assim
E de que ainda muita semeadura
Minguará antes de se tornar vida
Murchando sem poder encantar
O olhar que as espera
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Após um mês que valeu por tantos ciclos
Rasga-se uma página do calendário
Uma descartável convenção social
Que leva embora sulcada em si
Rasuras diversas de nunca se esquecer
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Mas ainda assim prefiro crer que
Neste momento de tamanho tropicalismo
Lançaremos nossos corpos renovados
Em direção a uma alvorada mais possível
Pulsões de um futuro que nascerá
Vindouro de qualquer canto
Onde almas foram tocadas
Onde almas foram despertadas
Pelos tantos diferentes campos humanos
Que fervilharam entre nós
Neste mês sem margens
.
O Agosto infinito chegou ao fim...
.
Será?!


Sincrônico II

No domingo, dia 25, estava eu sentado num bar quando parou um carro no semáforo e dentro dele estava o Agnaldo Rayol.
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Levei um susto, olhei fixamente e ele me acenou com a cabeça.
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Até aí tudo bem, já que encontrar pessoas famosas pela rua não é algo tão incomum assim.
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Mas, qual não foi minha surpresa quando, o cara da mesa do lado vira e diz que ele também se chama Agnaldo Rayol e que é primo do cantor que acabara de passar.
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Fiquei meio incrédulo, mas ele se defendeu dizendo vários nomes de familiares, qual seria seu grau do parentesco com o tenor e etc...
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Seria mais um exemplo de Sincronicidade?!
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Intrigante!
 
 

terça-feira, 30 de agosto de 2016

A la Voltaire...

Hoje, descendo a Augusta, acompanhei uma manifestação Pró-Dilma que caminhava em direção ao centro da cidade.
 
Vi policiais sendo filmados por manifestantes e se sentindo incomodados, vi manifestantes sendo filmados por policiais e se sentindo constrangidos.
 
A tensão mútua no campo onde tanta coisa pode vir à tona para, só assim, ser vista, analisada e resolvida!
 
No fundo, o mais interessante era o fato de todos estarem ali.
 
Acredito que, na política, ninguém precisa ser perfeito.
 
A política é o campo onde é mais permitido a ponderação passional.
 
O estritamente racional cabe mais a Filosofia.
 
Política é, em essência, o ser-humano tentando ser humano, sendo errado ou sendo correto.
 
Sempre foi assim e, por algum tempo, assim será!
 
O amadurecimento político de uma sociedade é penoso e longo.
 
O que não podemos é deixar de dizer, deixar de tentar, deixar de manifestar.
 
A política é o campo da tentativa, o campo do embate, não o campo da perfeição.
 
E acredito que será deste cenário que já vivemos, há alguns anos, que sairão nossos futuros homens de estado, homens de opinião formada, homens de construção e de paz!
 
"Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las..."
 

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Carnavália mais possível...

 
 
Seria
o
Carnaval
uma
espécie
de
Hinduísmo
pós-moderno?!
 
 

sábado, 20 de agosto de 2016

Palavras pequenas... Sentidos inenarráveis!!!

É claro que não somos máquinas exatas geradoras de sentimentos e sensações, e é por isso mesmo que uma das coisas mais complexas para uma alma é sentir o sentido que supera o erro, a falha, a raiva, o desamor!
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A razão descortina, mas a correta sensação escancara!
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Não somos exatos no sentimento e muito menos na razão. O novo caminho capaz de invalidar o passado é algo inédito até que, quase sem querer, chegamos a experienciá-lo dentro de nossos corpos, de nossos espíritos.
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Quando uma nova sensação se faz vislumbrada, quando uma nova sensação se faz vibrada no corpo, sentida em sentido compreendido, eis o primeiro grande passo para a superação rumo a algo mais elevado.
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E isso é de uma complexidade tremenda, pois a venerada razão se explica muito mais facilmente que a profunda e modificadora sensação.

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Um dos pontos mais cruciais do mistério está em saber sentir o mistério na pequenina face dele que se entrega à revelação naquele átomo de segundo.
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Uma centelha de instante que cabe, somente a nós mesmos, sabermos aproveitá-lo!
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sábado, 13 de agosto de 2016

Sincrônico

Ontem, 12 de Agosto, ocorreu-me uma passagem muito interessante daquilo que Jung definiu como Sincronicidade...
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Estava eu na lavanderia de minha casa quando comecei a pensar em uma das alunas do colégio que dou aula, por conta da conversa que tive, há alguns meses, com a professora de matemática na qual elogiamos muito essa estudante.
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Quando saio da lavanderia e passo pela sala, qual não foi minha surpresa quando me deparei com uma atleta dos jogos olímpicos prestes a fazer um salto e que um de seus nomes era exatamente o mesmo desta aluna: CATHERINE.
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Um nome um tanto incomum, ao menos para nós brasileiros, mas que, mesmo assim, ali estava uma alcunha igual à da aluna que eu havia pensado fazia apenas alguns segundos.
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Nesse exato momento, lembrei-me do conceito defendido pelo psicanalista e senti que estava vivendo um exemplo desse intrigante fenômeno que tange nosso dia-a-dia de uma maneira tão sutil que, por vezes, ou não o percebemos, ou o confundimos com a simples coincidência errática!
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Acredito ter experienciado um exemplo de sincronia legítima!
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quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Ouvindo, ocorreu-me isto!

Quantas passagens ditas mágicas e sobrenaturais dos relatos religiosos não são apenas metáforas humanizadas, assim relatadas, para poderem melhor equivaler à grandiosidade do trabalho espiritual que nelas resultou e que, talvez, somente de maneira mitológica, poderiam ser melhor representadas enquanto momento de sublime beleza da história da humanidade?!
 
 
  P.s: E talvez isso fosse, simplesmente, o que era necessário em um tempo passado!!!

sábado, 23 de julho de 2016

Sentido tendência dolorida...

Como
me
tende
a
ser
fácil
sentir
o
que
de
errado
em
coisas
que
aparentam
ser
absolutamente
corretas
!

sexta-feira, 8 de julho de 2016

anjo de minha aldeia (poema ligeiro)

anjo de minha aldeia
tu que muito me abala
o coração que cala
e o olho que pranteia
 
anjo de minha aldeia
tu que espalhas as brasas
caídas de tuas asas
e assim tudo me incendeia
 
anjo de minha aldeia
tu que voas tão distante
feito a ave mais errante
escapada de minha teia
 
anjo de minha aldeia
retorne casto a mim
qual silente querubim
pois o amor inda permeia

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Diálogo interno

 - Quantas variáveis incontroláveis nos perfazem sem que as controlemos.
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 - Mas, mesmo assim, que energia ininterruptamente maravilhosa pode ter o futuro!
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