O
primeiro adjetivo para descrever esta animação seria: estranha!
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Mas
também caberiam palavras, como: intrigante, diferenciada, questionadora,
inquietante.
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Acho
que inquietante também seria uma palavra forte para descrever a sensação que
senti dentro de mim ao me deparar com aquela maluquice toda desfilada ao longo
da obra.
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Nela,
as coisas giram em torno de um ambiente de hotel, um não-lugar, um não-lar, uma
não realidade de fixação, uma escolha corriqueira onde trocas diversas se dão calcadas
no superficial, no que não é feito para durar.
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É
disso que se constitui os cenários desta película. Ambientes passageiros, os
quartos que não são de ninguém, a noite solitária onde tantos vazios procuram
encontrar a aventura capaz de, milagrosamente, os salvar de suas medíocres escolhas
e não escolhas que, quando lembramos, ousamos chamar de vida!
.
O
personagem principal, Michael Stone, um palestrante motivacional insatisfeito com
sua própria história, esboça uma aproximação com um antigo caso mas, acaba se
apaixonando inusitadamente por uma jovem chamada Lisa e estabelece uma relação interessante
com a voz desta personagem.
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O
pretenso homem bem-sucedido se desmonta ao tomar contato com os detalhes e
sutilidades de Lisa, por neles lhe é possível encontrar resquícios de
legitimidade, de inocência, elementos tão distantes do universo no qual ele
está inserido.
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Aliás,
um universo onde o protagonista não só está inserido como também é considerado uma
referência de homem-pensador bem-sucedido, aquele que é capaz de apontar os
caminhos a serem seguidos pelos trabalhadores contemporâneos: um profeta das
grandes corporações!
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E
nos movimentos presentes neste interim desencaixado de estética neurótico-irônica,
elementos diversos desta animação aparentemente inofensiva vão gerando um
crescente incômodo no espectador pela neutralidade das cenas e passividade dos
personagens.
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Anomalisa
traça uma dolorosa crítica a respeito do mundo atual, onde nem mesmo os
profetas do vazio são capazes de se preencherem pelas palavras que se nos
regalam em troca de uns bons trocados.
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