sábado, 31 de março de 2007

Capítulo 1... (enfim continuação)

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Vocês se lembram desse post. Ele foi feito e postado no dia 24 de outubro de 2005. Para refrescar a memória eu to colocando ele aqui de novo. Ele exige um mergulho duplo.
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“- Sim respeitável público, dentro de instantes teremos aqui no palco o nosso querido Zacarias dos Trapalhões. É, vocês podem não acreditar, mas é verdade mesmo. Ele nos disse numa seção espírita que iria baixar em carne e osso aqui neste nosso planeta Terra e que ainda iria aparecer aqui com certeza, sem falta à meia-noite e já são 23 horas e 45 minutos. Vocês podem não acreditar, mas é a pura verdade. Nós aqui do circo Silver & CIA cumprimos o que prometemos. Sou dono deste circo, sou honesto e posso dizer que nenhum palhaço aqui nesta casa de Deus é ladrão de mulher.
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Nisso levanta uma mulher com uma criança em cada braço e diz:
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- Quem disse que nenhum palhaço aqui é ladrão de mulher. Quem você acha que é o pai dessas crianças que eu carrego nos braços. Hein, responde?
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O dono do circo fingia que não estava escutando e ficava olhando pra cara da mulher com uma cara de “fala mais alto” misturada com “quem essa parideira pensa que é”.
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A mulher que era decidida. Pegou as outras sete criancinhas que estavam perto dela e foi adentrando o picadeiro enfrentando alguns funcionários que queriam detê-la e enquanto falava muito alto pra todos ouvirem:
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- Quem disse que nenhum palhaço aqui é ladrão de mulher. Quem você acha que é o pai dessas crianças que eu carrego nos braços. Hein, responde?
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O dono do circo resmungou ao microfone debochando da mulher:
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- Meu Deus, estou tendo um Dejavi de som, ou melhor, eu acho que eu tô tendo um dejaOUvi.
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Mas o povo não achou muita graça não, já que a mulher estava muito brava e via-se na cara dela que ela não estava brincando.
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- Quem disse que nenhum palhaço aqui é ladrão de mulher. Quem você acha que é o pai dessas crianças que eu carrego nos braços. Hein, responde?
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No que a moça repetiu a mesma frase com a mesma entonação, tudo sonoramente idêntico, as pessoas começaram a reparar que havia alguma coisa errada no ar. Parecia que a mulher só sabia falar aquilo. Era como um gravador que se rebobinava automaticamente pra logo em seguida se repetir como se tudo naquele lugar tivesse retornado ao momento que aquela mulher tinha aberto a boca pela primeira vez.
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- Quem disse que nenhum palhaço aqui é ladrão de mulher. Quem você acha que é o pai dessas crianças que eu carrego nos braços. Hein, responde?
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Todos olharam para o dono do circo que já havia parado de fazer piadas e em cada rosto ele enxergou um pedido de resposta. A platéia parecia que apostava na resposta como única maneira de libertar aquele espetáculo de tempo em rodopios. E novamente.
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- Quem disse que nenhum palhaço aqui é ladrão de mulher. Quem você acha que é o pai dessas crianças que eu carrego nos braços. Hein, responde?
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As 7 crianças que não estavam no colo da mulher e que eram justamente as que já sabiam falar disseram:
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- Olá pailhaço...
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Silêncio...
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- Olá pailhaço...
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Silêncio.
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- Quem disse que nenhum palhaço aqui é ladrão de mulher. Quem você acha que é o pai dessas crianças que eu carrego nos braços. Hein, responde?
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A mulher e as crianças começaram a se mover como máquinas. Os bebês de colo caíram do colo e iniciaram um arrasto desesperador pela serragem do chão. Todos tremiam muito e não havia mais o que se fazer. O pânico baixou em toda a platéia e em todos os funcionários daquele circo. Todos tentavam se mover, mas nada saia do lugar. Era como num sonho quando se quer correr, mas não se sai do lugar.
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Os bichos dormiam sossegados após seu trabalho diário de fingir inferioridade.
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As crianças tremendo se espalhavam tremendamente e começavam a se aproximar do público, outras delas se aproximavam dos funcionários que se debatiam contra o ar tentando alcançar algum gancho aéreo pra encaixar os dedos que mais pareciam minhocas tentando entrar em terra seca.
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O Dono do Circo...
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O dono do Circo não sabia o que fazer quando os bebês agarraram seus calcanhares e começaram a babar na sua roupa de linho. Ele não podia mexer seu corpo só sua cabeça o obedecia, como as dos outros presentes. Ele chorou... Os bebês não tinham pupila mas seus olhinhos emanavam uma piedade descomunal.
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Ele chorou.
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O mundo não se movia mais.
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E um segredo seria revelado pela mãe das 9 crianças.”
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Daí depois como complemento eu disse:
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“Ia postar sobre um lugar que eu fui no domingo mas acabei fazendo esse texto. Escrevi ele porque não agüentava mais escrever viagens em primeira pessoa ou coisas mais ou menos pessoais em terceira pessoa ou textos sem compromisso nenhum. Comecei essa história também sem compromisso, mas conforme foi indo eu resolvi levar mais a sério e dar uma unidade pra ela. Só tem esse (entre aspas) capítulo (entre aspas) pronto. Não tenho nem noção do que vai vir, e espero conseguir continuar ou pelo menos lembrar e ter a disciplina de continuar. Escrevi um texto muito nada a ver pra colocar no dia do meu aniversário, mas vou colocar assim mesmo. Falou...”
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O Davi comentou assim nesse post:
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“Wagner, um lembrete pra vc. Naum se ativa a curiosidade de um curioso sem sacia-la depois! Qual é esse bendito segredo?????? Por facor, naum va me deixar a vr navios!!!!
Brincadeira!!!!!!
Legal o txto, mas ve se termina hien!!!!
Falow!
Davi!”
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Daí eu me senti intimidado a terminá-lo. Ele está no meu desktop desde o dia 23 de abril de 2006, e como eu tô querendo esvaziar ele, resolvi escrever esse tal segredo que a mãe ficou de revelar. Segue o texto. Espero não desapontar depois de tanto tempo. rssss
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E a mãe enfim, depois de 522 dias paralisada esperando o momento exato de contar o segredo, resolveu pronunciar as palavras. Os filhos mais novos não engatinhavam mais, e alguns dos mais velhos já iam para detrás da lona do circo para se masturbarem. O mundo estava paralisado há 522 dias. Já era 31 de março de 2007 e desde de 24 de outubro de 2005 que nada passava. Todos os verbos tinham se tornado gerúndio. A terra era uma fotografia em 3D. Uma maquete gigantesca com marionetes extremamente expressivas feitas de carne congelada em temperatura ambiente.
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As pessoas do circo estavam morrendo por atrofia muscular já que não podiam se mover, mas nenhuma delas sentia necessidades biológicas. O pensamento humano só funcionava debaixo daquela lona. Eram pessoas escolhidas para estarem ali.
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Fora daquele espaço, o resto da humanidade nem vivia, pois não havia tempo. O tempo havia parado a matemática, que parou a química, que parou a micro-física, que parou a biologia, que parou a física, que parou as línguas, que parou a psiquiatria avançada, que parou a psicologia, que parou a sexologia, que parou a agronomia, que parou a metalurgia, que parou a engenharia, que parou a administração, que parou o marketing, que parou a economia, que parou a antropologia moderna, que parou a sociologia contemporânea, que parou a filosofia eterna, que parou o direito, que parou a política, que parou as instituições, que parou o poder, que parou a religiosidade, que parou a fé, que parou o mundo enfim.
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A mãe, movendo silenciosamente a boca, fez as pessoas sob a lona despertarem do torpor. Todas a olharam implorantemente assustadas porque sabiam que estavam ali esperando há muito tempo, mas não faziam nem idéia de quanto tempo se constituía essa espera. A mãe olhou em volta. Sentia que a necessidade dela dizer alguma coisa estava quase concreta e começava a ocupar espaço no lugar. Era uma experiência metafísica, e era justamente isso que ela queria.
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A necessidade de palavras pediu licença, e começou a invadir os pedaços daquele circo. O tempo de espera anterior foi capaz de acumular-se com tanta intensidade que ultrapassou a barreira da intenção e se tornou fato. As pessoas não viam, mas sentiam. Começavam a serem esmagadas.
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A mãe, por saber disso, cada vez mais dava a entender que iria falar alguma coisa, mas sempre no final se calava. Enchia os pulmões de ar, inclinava o corpo levemente para frente, abria mais os olhos até que murchava um pouco e aquietava-se novamente.
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Fez isso umas 3 vezes e o ar se adensava impressionantemente a cada ciclo de intenção de dizer. As pessoas estavam a ponto de serem implodidas de tanto silêncio. E então ela disse depois de 522 dias:
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- Vocês notam?
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Não houve respostas. As pessoas mal respiravam. Havia só um gemido geral que sonorizava a asfixia por excesso. Ela repetiu com um pouco mais de veemência:
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- Vocês notam? Vocês notam a vontade impregnada no ar? A carência sentada entre vocês? Vocês percebem a força física dos teus desejos? Vocês estão compreendendo que grande parte do que existe no mundo e fruto de seus impulsos internos?
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As pessoas não diziam nada, mas começavam a ter a impressão de que estavam começando a entender. Tudo bem no começo como se pode perceber.
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Houve uma pausa.
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- O mundo é de cada - a primeira frase afirmativa do ano retirou 300 joules de pressão do local – o mundo mora dentro. E nós moramos dentro de um outro mundo de fora. Mas isso não significa que dentro e fora sejam independentes um do outro.
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Conforme a mulher falava mais e mais, uma ventania estonteante começou a sair do centro do circo para fora da lona estufando o tecido. E a mãe começou a bradar alto com os cabelos bailantes dizendo que aquele vento era a presença física da carência de palavras que ela havia gerado nas pessoas e que por isso se tornou realidade ao redor daquele picadeiro.
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- Vocês são criadores de realidades. Eu nunca existi. Vocês me fizeram aqui dentro desse circo. Vocês vieram ao circo na busca de sonhos esclarecedores. Esse é o lugar onde eles se concretizam e por isso eu me fiz aqui. Eu sou um acumulado de vontades e segurei vocês aqui todo esse tempo porque só assim vocês me ouviriam e seriam partes integrantes dessa verdade que se tornaria irrefutável. Eu sabia que assim seria feito.
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O vento nesse momento estava arrebentando as estrutura, mas as pessoas ainda ouviam perfeitamente a mulher falando com eloqüência. Aos poucos alguns músculos de alguns indivíduos começaram a se mover. Os animais estavam se despertando do sono e tranqüilamente olhavam com sabedoria aquele espetáculo aeromodelista.
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- Minhas nove crianças são filhas desse homem sim. Mas este homem não é este homem. Ele é apenas um corpo físico que serviu de veículo. Quem está dentro dele é que vale por milhões.
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Neste momento o homem desmaiou no chão como se seus ouvidos tivessem acabado de ouvir um chamado de forças e a musculatura simplesmente se desmontou depois de perder seu tônus primitivo.
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- Minhas nove crianças se dissiparão pelo 8 pontos caldeais e colaterais da terra e a nona estará plantada no centro do planeta esperando a hora da ruptura. Assim será feito. Assim já é.
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Com este derradeiro verbo a mulher fez as crianças saírem voando pelos ares enquanto a menorzinha, e única menina, penetrou violentamente a terra como um prato grosso de ferro caindo num caldeirão de feijão.
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As pessoas se mexiam em suas cadeiras admiradas, mas em momento algum sentiam medo. Um instintivo entendimento começou a tomar conta dos ouvintes.
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- Não há o que ser feito. Tudo será veicular. Não há erro, pois tudo será indutivo de outrem.
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Após estas palavras a mulher começou a desaparecer enquanto repetia e repetia.
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- Não há o que ser feito. Tudo será veicular. Não há erro, pois tudo será indutivo de outrem. Não há o que ser feito. Tudo será veicular. Não há erro, pois tudo será indutivo de outrem. Não há o que ser feito. Tudo será veicular. Não há erro, pois tudo será indutivo de outrem.
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E sua voz foi se esvaindo longe e longe como se estivesse sendo levada pelos ventos que começavam a se enfraquecer.
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Nesse momento o circo virou um rodamoinho que foi se intensificando enquanto as pessoas foram ejetadas para longínquas partes do globo. E o local simplesmente não é mais um local. Enfim, fim.
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Lembro me dessa história que acabei de contar como estivesse acabado de vivê-la. Estou com uma dor no corpo como se estivesse caído do alto. Um misto de ficções.
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Juro por deus que me sopraram o começo dessa história no dia 23 de outubro de 2005 e me lembro de uma voz me dizendo para escrevê-la aqui no meu blog. Fiz isso sem entender. Me lembro bem desse dia como se fosse antes de ontem. Hoje, 31 de março de 2007, sinto como se estivesse voltado ao meu lugar.
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Em minha memória resta apenas esse acontecimento da mulher no circo que acabei de contar. Me parece uma espécie de sonho e eu, não sei porquê, senti que a minha missão era escrevê-la aqui nesse blog até o fim. Não sei direito, mas ela está na minha cabeça como uma espécie de sonho real. Apenas sentei e a escrevi
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Agora que voltei, vi que meu blog está cheio de posts novos. Do nada me veio à memória a notícia que o Lula se reelegeu, que o Brasil não ganhou a copa do mundo e que o BBB6 teve a participação de um cara de Passa Quatro. Que coisa estranha. Tenho fotos que não tirei e poesias que não escrevi. Registros meus em lugares que não estive. Sinto como se eu tivesse passado 522 dias fora vivendo nesse mundo, só que ele estava parado e havia um pedaço de mim em outro lugar. Minha consciência talvez estivesse sei lá aonde.
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Realmente me parecia que esse mundo estava parado, mas ele não estava, afinal hoje é dia 31 de março de 2007. Meu deus, o que que aconteceu comigo? Uma estória que começou sem pretensões, tomou conta da minha realidade, alterou meu destino e agora me vejo de volta a uma nova realidade de um mundo que eu julgava estar parado, quando na verdade ele se modificou em seu ritmo usual.
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Não sei o que dizer. Meu quarto tem uns enfeites que não coloquei. Meu pé tem um inchado que não sei porquê. Que mundo é esse que vivo hoje? Já ouvi dizer de histórias que ultrapassam a realidade, mas essa foi demais.
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Enfim, acho que vou terminar por aqui. Comecei a fazer esse texto para me promover e acabei me envolvendo demais com ele e parece que nem vivo mais. E desculpe por não ter aparecido no circo como prometeu meu o personagem criado por mim mesmo. Estava na platéia o tempo inteiro pronto para aparecer, mas fiquei com vergonha de me apresentar, afinal eu sou tímido, né gente!!!
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Assinado: Zacarias.
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akakaka, espero que assim eu tenha fechado de maneira inusitada todos os tópicos levantados pelo texto feito há 522 dias atrás. Afinal, num circo onde o Zacarias promete aparecer, podem acontecer coisas das mais diversas, inclusive mulheres mágicas, crianças mensageiras e ventanias que se desfazem em lugar algum para depois se mostrarem que em verdade foram todas inventadas pelo próprio Zacarias que foi abduzido pela própria história e se sentiu assustado e agora diz estar morto, mas depois se desculpa por não ter cumprido a promessa que seu próprio personagem fez dentro da história que ele mesmo criou, ou seja, ele se sentiu intimidado por um objeto hipotético fruto de sua própria imaginação.
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Por essas e outras que eu disse que essa história exigia um mergulho duplo. E se a gente ir mais além, pode-se dizer que em 24 de outubro de 2005 eu fui o próprio Zacarias quando iniciei essa história, já que naquele dia eu era o criador-narrador direto da trama que depois de 522 dias se tornou criatura envolvida na criação.
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Enfim, uma doideira feia como há muito tempo eu não fazia.
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Escrever assim cansa, viu. Dá pra fazer um paralelo entre a história, esses 522 dias da minha vida e os ditos da mulher personagem que eu não escrevi por acaso, mas vai ficar quadrado e chato demais se eu ficar explicitando o significado, e eu não quero isso. Prefiro parar por aqui.
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Falou.
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quinta-feira, 29 de março de 2007

A "conclusão" mais sã de hoje e sem etc

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Pra fazer um paralelo com o post do dia das mulheres (8 de março), batizei esse assim. E a conclusão de hoje foi:
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A classe média é o amalgama da sociedade. Ela é o resíduo, ou melhor, o resultado prático do modelo de sociedade teorizado por Marx. Nós somos o "pano quente" da situação.
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Bonito isso, não... Merece até umas exclamações.
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A classe média é o amalgama da sociedade. Ela é o resíduo, ou melhor, o resultado prático do modelo de sociedade teorizado por Marx. Nós somos o "pano quente" da situação!!!!!!!!!!!!!!
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Rssssss
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Como não tem ETC hoje, paro por aqui.
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Mas antes é necessário reforçar: A classe média é o amalgama da sociedade.
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Como é bonito isso, não... Merece até umas exclamações.
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A classe média é o amalgama da sociedade!!!!!!!!!!!!!!
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Rssssss
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Como não tem ETC hoje, paro por aqui. Estou um pouco mais amalgamado pela expressão do pensado de outrora.
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Bonito isso, não... Merece até umas exclamações.
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Estou um pouco mais amalgamado pela expressão do pensado de outrora!!!!!!!!!!!!!!
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Rssssss
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Como não tem ETC hoje, paro por aqui.
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- Então pára, PORRA.
- Tá certo, já vou parar. Mas antes só uma coisa...
- Hummm, diga...
- Sua frase foi tão brava, não... Merece até umas exclamações.
- Já disse pra parar, PORRA!!!!!!!!!!!!!!
- Aí estão elas. Parabéns, você as colocou por sua conta.
- Ahhh, seu filho da PPPPP!!!!!!!!!!!!!! (14 exclamações)
- akakakaka, de novo.
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14 exclamações amalgamantes para vocês. E boa noite!!!!!!!!!!!!!!
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p.s: O que que a classe média é mesmo??????????????
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14 interrogações inquietantes para vocês. E bom dia. (4:30 a.m)
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segunda-feira, 26 de março de 2007

2 mineiros (um pelo outro)

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"Um chamado João"
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"João era fabulista?
fabuloso?
fábula?
Sertão místico disparando
no exílio da linguagem comum?
Projetava na gravatinha
a quinta face das coisas,
inenarrável narrada?
Um estranho chamado João
para disfarçar, para farçar
o que não ousamos compreender?
Tinha pastos, buritis plantados
no apartamento?
no peito?
Vegetal ele era ou passarinho
sob a robusta ossatura com pinta
de boi risonho?
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Era um teatro
e todos os artistas
no mesmo papel,
ciranda multívoca?
João era tudo?
tudo escondido, florindo
como flor é flor, mesmo não semeada?
Mapa com acidentes
deslizando para fora, falando?
Guardava rios no bolso,
cada qual com a cor de suas águas?
sem misturar, sem conflitar?
E de cada gota redigia nome,
curva, fim,
e no destinado geral
seu fado era saber
para contar sem desnudar
o que não deve ser desnudado
e por isso se veste de véus novos?
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Mágico sem apetrechos,
civilmente mágico, apelador
e precipites prodígios acudindo
o chamado geral?
Embaixador do reino
que há por trás dos reinos,
dos poderes, das
supostas fórmulas
de abracadabra, sésamo?
Reino cercado
não de muros, chaves, códigos,
mas o reino-reino?
Por que João sorria
se lhe perguntavam
que mistério é esse?
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E propondo desenhos figurava
menos a resposta que
outra questão ao perguntante?
Tinha parte com...
(não sei o nome)
ou ele mesmo era
a parte de gente
servindo de ponte
entre o sub e o sobre
que se arcabuzeiam
de antes do princípio,
que se entrelaçam
para melhor guerra,
para maior festa?
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Ficamos sem saber o que era João
e se João existiu
de se pegar."
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Carlos Drummond de Andrade - 22/11/1967 - Versiprosa
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domingo, 18 de março de 2007

20. ATENÇÃO, NÃO PONHA-SE MAIS DE PONTA CABEÇA


19. ATENÇÃO, NÃO PONHA-SE MAIS DE PONTA CABEÇA


18. ATENÇÃO, SE QUISER, PONHA-SE DE PONTA CABEÇA


17. ATENÇÃO, PONHA-SE DE PONTA CABEÇA


16. ATENÇÃO, PONHA-SE DE PONTA CABEÇA


15. ATENÇÃO, PONHA-SE DE PONTA CABEÇA


14. ATENÇÃO, PONHA-SE DE PONTA CABEÇA


13. ATENÇÃO, PONHA-SE DE PONTA CABEÇA


12. ATENÇÃO, PONHA-SE DE PONTA CABEÇA


11. ATENÇÃO, PONHA-SE DE PONTA CABEÇA


10. ATENÇÃO, PONHA-SE DE PONTA CABEÇA


9. ATENÇÃO, PONHA-SE DE PONTA CABEÇA


8. ATENÇÃO, PONHA-SE DE PONTA CABEÇA


7. ATENÇÃO, PONHA-SE DE PONTA CABEÇA


6. ATENÇÃO, PONHA-SE DE PONTA CABEÇA


5. ATENÇÃO, PONHA-SE DE PONTA CABEÇA


4. ATENÇÃO, PONHA-SE DE PONTA CABEÇA


3. ATENÇÃO, PONHA-SE DE PONTA CABEÇA


2. ATENÇÃO, PONHA-SE DE PONTA CABEÇA


1. ATENÇÃO, PONHA-SE DE PONTA CABEÇA


sexta-feira, 16 de março de 2007

Dossiê MTV (vale a pena ler)

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Essas são as considerações finais de uma pesquisa que a MTV fez em 2005. Há outras duas versões de 1999 e 2000, e essas considerações que estão aqui embaixo fazem uma comparação de alguns pontos pra mostrar tendências. É impressionante como muitas coisas batem e fazem muito sentido de serem como estão sendo. Estou publicando isso aqui porque achei interessante e seria legal que nós conhecêssemos como anda nosso mundo jovem. Adoro esses levantamentos de tendências. É um exercício que mistura matemática com sensibilidade, e olha que isso é possível. akakakaka Bem vindos a um pedaço do Dossiê MTV 2005. Que fique claro que eu não estou usando ele para fins comerciais. Isso pode dar cadeia.,., akakaka. Leiam, é grande, mas é muito foda...
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Em 1999, apontamos o encontro de duas ondas de gerações (pais & filhos) que estavam numericamente “crescidas” e iniciavam uma “competição” por aparência jovem, por mercado de trabalho, por guarda-roupas parecidos.
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Essa tendência acentuou-se fortemente e as duas gerações ficaram ainda mais próximas. Temos fatos novos e importantes: a questão da idealização da juventude, a mudança de identidade do mundo adulto, os movimentos nostálgicos em relação à infância e, na relação familiar, a transformação dos pais em amigos.
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A juventude virou valor máximo, obsessivamente preservado por quem naturalmente a tem e arduamente perseguido por quem está biologicamente distanciando-se dela.
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E o movimento que acentuou esse encontro vem das duas direções. Tanto adultos como adolescentes praticam comportamentos que não são considerados típicos do “seu” momento
de vida: “quarentões, cinqüentões…” vão a shows e baladas, ficam, planejam seus primeiros filhos, enquanto jovens fazem cirurgia plástica e têm experiências sexuais cada vez mais cedo.
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Paralelamente, os reflexos de extrema valorização da juventude mesclam e antecipam as clássicas “passagens” do crescimento:
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- Crianças em torno de 10 anos começam a comemorar aniversários em salões de beleza.
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- Meninas de 17 anos comentam: “eu tive mais infância que as crianças de hoje” ou “já me
sinto velha para as baladas”.
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A identidade do mundo adulto está mudando, está perdendo contornos diante dos olhos de jovens que vêem pais e mães, estressados pelo trabalho, serem mais felizes quando se comportam como jovens.
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É difícil desejar crescer quando o crescimento significa apenas enfrentar barreiras, porque prevalece a sensação de que a parte boa do mundo adulto, os jovens já conquistaram: liberdade, vida sexual, os de maior poder aquisitivo estão protegidos pela família etc.
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Os pais estão tão mais próximos, tão pertencentes ao universo jovem, que passaram a conduzir a relação com os filhos pela dimensão da amizade.
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As relações familiares que já não apontavam conflitos em 1999, caminharam na intensificação desse estreitamento da relação, e agora pais chegam a partilhar confidências sobre sexo, drogas, freqüentam as mesmas festas, ou dividem os mesmos amigos.
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E os papéis de pai e mãe são, muitas vezes, desprezados, em favor da figura do amigo jovem que contracena exatamente no mesmo palco.
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Os filhos já evidenciam certo desconforto com a ausência da porção pai e o excesso do lado amigo.
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Do indivíduo valorizado, da individualidade respeitada, evoluiu-se para o individualismo, que já estava presente em 1999 e que hoje está significativamente mais expressivo.
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Ele foi crescendo no ambiente doméstico, com a consolidação dos espaços privados dentro de casa e com o desencontro de horários e interesses entre familiares ocupados com suas próprias vidas.
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A tecnologia, claro, é também a grande contribuinte dos mundos cada vez mais particulares. A TV, o rádio, os equipamentos de som, o telefone, evoluíram do uso compartilhado para o individual, mas, como lembra Denise Schittine em seu livro “Blog: comunicação e escrita íntima na internet”, o computador já foi concebido para uso individual.
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A internet de alta velocidade aumentou a oferta de serviços de entretenimento voltados para o indivíduo.
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O individualismo manifestou-se também nos relacionamentos afetivos, onde o jovem procura proteger seu espaço como indivíduo: melhor ficar que namorar. E o próprio ficar já está derivando seu sentido para algo ainda mais superficial, onde sentimentos, ainda que momentâneos, já chegam a estar totalmente ausentes. As relações com algum tipo de responsabilidade emocional ou compromisso - ainda que reduzido - são postergadas.
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É o individualismo, alimentado em casa, preservado nas relações pessoais, manifesto na moda cada vez mais customizada, cada vez mais superposta por uma infinidade de leituras.
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O mundo da rua não é, decididamente, foco de interesse do jovem. O índice de entrevistados que participam ou participaram de algum tipo de movimento social caiu expressivamente em relação a 1999.
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A sucessão de fatos novos e mudanças está causando um fenômeno incontestável: a sensação de que o futuro se torna presente, na mesma velocidade - absurda - com que o presente se torna passado.
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As ferramentas e possibilidades trazidas pela tecnologia, assim como o consentimento familiar e social para novos comportamentos em relação ao outro e a si mesmo, trouxeram novas formas de viver, de comunicar-se e um novo tempo para vivê-las.
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O “right now” do mundo jovem globalizado é o mesmo imediatismo que circunda e caracteriza o comportamento do jovem brasileiro, que se reconhece como geração impaciente, com pressa.
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A comunicação intensificou-se, ganhou nova roupagem. A internet, que em 1999 era ainda uma promessa de alterações no comportamento, realmente mudou muita coisa. Já é acessada pela maioria da amostra, e tornou cotidiana a comunicação através da rede.
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A internet superou os questionamentos sobre ser responsável pelo isolamento dos jovens, passando a ser um dos seus meios de comunicação preferidos e passando também a intensificar essa comunicação.
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A internet conectou diferenças, possibilitou aproximações improváveis, criou alternativas de comunicação mais seguras e mais rápidas. Abrigou novos códigos de linguagem. Os celulares já são absolutamente expressivos e também criaram um novo universo de comunicação em torno deles.
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As mulheres passaram a usufruir de comportamentos que antes eram exclusividade dos homens, abrindo assim mais espaço para a experimentação.
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No campo da sexualidade, enquanto alguns já lamentam os excessos, outros ponderam que o processo de experimentação é natural e vital para a felicidade em escolhas mais definitivas, outros simplesmente comemoram a possibilidade real e consolidada de viver intensamente a liberdade de experiências sem compromisso.
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É tempo de experimentações maximizadas para a sexualidade sem fronteiras de sexo, sem juízos de valor, sem culpas.
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Assim como é tempo, também, de ficar e sonhar com o namoro, ou declarar que, no fundo, é um pouco chato quando tudo sempre resulta em nada.
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A vaidade, que já vinha correndo em paralelo crescente com a tendência de valorização da juventude, atinge hoje uma expressividade muito maior.
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E, aqui, se as mulheres mantêm-se fortemente engajadas em moldar e conquistar o ideal de beleza, malhando em academias ou fazendo lipoaspirações, mantendo a pele imaculada ou tatuando-se etc., o fato realmente novo é o comportamento dos homens que, definitivamente, nunca mais serão os mesmos.
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A vaidade masculina assumida e valorizada está trazendo não apenas novos comportamentos, mas novos valores.
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Além de homens que fazem limpeza de pele, tingem os cabelos, cuidam das unhas, temos a iminência do espaço para um homem de perfil mais sensível, mais cuidado.
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A vida privada virou pública, é partilhada na rede, chegou à TV, às revistas; a mídia tornou desconhecidos, ilustres, assim como fez de ilustres, desconhecidos.
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Celebridades muitas vezes se perdem rapidamente, porque o conceito de celebridade se perdeu. As celebridades de essência estão ficando mais distantes. As referências são outras.
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As drogas estão mais próximas.
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Configuraram-se como um universo complexo, que, justamente pela proximidade, não permite mais um raciocínio simplista ou unilateral para sua avaliação e julgamento.
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É mais fácil reconhecer as drogas por seu poder de status ou moda, do que mapeá-las por similaridade nos efeitos colaterais.
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De 1999 para cá ocorreram mudanças fundamentais no universo jovem.
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Temos o retrato de uma geração que está em obras, vivendo em um momento no qual o mundo está em obras.

quinta-feira, 8 de março de 2007

A "conclusão" mais loka de hoje e etc

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A energia mística humana será, ou melhor, já é responsável pela criação da inteligência artificial.
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E feliz dia das mulheres!!! Vocês são mais fodas que nós, não há dúvida...
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Uma música das boas sobre vocês e para vocês, cantada por Elis.
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Parabéns!!!!!!!!
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Essa Mulher (Elis Regina)

Composição: Joyce/A.Terra

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De manhã cedo essa senhora se conforma

Bota a mesa, tira o pó, Lava a roupa, seca os olhos

Ah, como essa santa não se esquece

De pedir pelas mulheresPelos filhos, pelo pão

Depois sorri, meio sem graça

E abraça aquele homem, aquele mundo

Que a faz assim, feliz!!!

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De tardezinha essas menina se namora

Se enfeita se decora, Sabe tudo, não faz mal

Ah, como essa coisa é tão bonita

Ser cantora, ser artista

Isso tudo é muito bom

E chora tanto de prazer e de agonia

De algum dia qualquer dia

Entender de ser feliz!!!

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De madrugada essa mulher faz tanto estrago

Tira a roupa, faz a cama, Vira a mesa, seca o bar

Ah, como essa louca se esquece

Quanto os homens enlouquece

Nessa boca, nesse chão

Depois parece que acha graça

E agradece ao destino aquilo tudo

Que a faz tão infeliz!!!

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Essa menina, essa mulher, essa senhora

Em que esbarro toda hora

No espelho casual

É feita de sombra e tanta luz

De tanta lama e tanta cruz

Que acha tudo natural...

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segunda-feira, 5 de março de 2007

Poema MCCCLXIV

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Se me envolves com teus encantos
Sinto-me perdido em tamanho frescor de adultério.
Se me ofereces a face
Te desejo um tapa de carícia individual,
Pois é dando que se recebe
E é perdoando que se é perdoado.
És culpada por ser facilmente amável,
Mas te perdôo do fundo do meu coração,
Por isso testo tua tolerância
Te causando ânsia em me detestar
Quando só te resta querer.
Faço isso pelo teu bem.
Cativo teu ódio na prisão da dependência
Para que eleves teu espírito
No perdão compulsivo.
Sou teu santo e martírio.
Teu purgatório enfim.
Local de preparação,
Uma chance derradeira,
Sou teu companheiro terreno
Uma cruz cicatrizante,
Mentecapta de equilíbrio.
Deves o bem e o mal a mim,
Deves amor, romance exclusivo
Enquanto deleito-me de multidões.
Repito que faço isso pelo teu bem.
Irás para o paraíso,
Já eu,
Dormirei nos braços do fogo.
Dou minha vida,
Pelo teu eterno bem viver.
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sábado, 3 de março de 2007

dI-gestão-Id (i de identificação)

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Digestão de acontecimentos, de fatos, de palavras ditas e calados que disseram mais. Digestão de moradias, de planos, de vícios e olhares. Digestão de comportamentos, de ensinamentos, de padrões, ressentimentos, cagadas. Digestão da memória, remoer para relembrar o que a ansiedade levou embora. Digestão de mim ou do que restou dos tempos de extrema contração. Movimentos compensatórios de tudo que existe. A expansão despende energia e modifica o entorno, a contração suga o entorno e aprimora o interno. Mas nós somos os maiores geradores. Digestão do paralelepípedo, dos trilhos do metrô, da correria 24 horas por minuto. Digestão da má digestão, da comida rápida, da fila que não andava, das celebridades suspirando nas costas, do queijo ralado de gosto perpétuo. Digestão da falta das montanhas, digestão das reuniões capitalosas. Digestão de tudo que foi visto, dos egos amontoados e refrescados pelo ar-condicionado. Digestão da pressão de chefes, da lentidão do que é público. Digestão das baladas no meio da semana, da ressaca no horário de bater cartão. Digestão das olheiras, das marcas que brotavam insinuando o desgaste. Digestão do tempo que não houve, dos cambaleios pelas ruas, dos muquifos escudos, do gelo seco constante. Digestão dos renegados, dos revoltosos mudinhos de conformismo. Digestão dos valores não valorizados e da cantoria dos vizinhos poderosos. Digestão do que não foi visto, do que passou por mim sem que eu estivesse lá. Digestão da consciência, do adulto de repente, do lago Ness e seu monstro, muito prazer!!! Digestão da firmeza que surpreendeu, da nicotina incessante. Digestão do não compreendido, do não correspondido, da gentileza despercebida. Digestão da desculpa negada, e da que foi dita sem sentir. Digestão do sono sem cama e da cama sem sono. Digestão da lágrima rara, da viagem despropositada, do ego morto, da arte esquecida, da música descartada. Digestão dos erros e dos acertos incoerentes. Digerir de gerir o que me pertence.
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Digestão,
digressão,
regressão,
regresso,
resgate,
progresso,
processo,
combate,
embate,
me bate,
restinga,
restolhos,
piolhos,
fiapos,
farrapos,
trapos,
calados,
colantes,
colágeno,
gentio,
gentil,
gentileza,
beleza,
bondade,
bonança,
aliança,
aliado,
vidrado,
viagem,
vantagem,
vida,
ida,
id,
I (eu).
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dI-gest(aç)ão
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1 x (-365) = 1/2 - dI-vIsão (são será)
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quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

Segunda leitura

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Queria novamente achar uma frase que me resumisse.
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Queria encontrar no mundo uma imagem que me encerrasse num zero conclusivo e deliciosamente repetitivo.
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Sem sobrar nem faltar nada.
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Claro que não seria possível um elemento que representasse todos os meu eus. Pelo menos disso estou ciente. Digo apenas que eu queria encontrar uma imagem que fixasse a sensação ou que gerasse uma completa empatia momentânea em mim. Um achado de encaixe que calasse os desânimos a partir do momento que fosse postado em postas.
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Há uma contração entre minhas sobrancelhas, uma inconclusão que pesa nos meus olhos e me impede de os abrir. Sei da impressão negativa que assim passo, mas é desta maneira que passo aquilo que passo por passar o que passo, passo a passo, ou seja, Wagner Passos. Não tem outra conclusão. Eu Passos por caminhar sem foco.
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Gostaria de evitar as frases longas, mas não me permitem, sou apenas objeto dos criptográficos de outrem.
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Por que frases não resumem se é essa sua função? Frases são feitas para resumir facetas de mundos internos, assim creio. Mas se não encontramos a frase capaz do feito, isso significa que a frase não existe ou o mundo interno está tão quasímodo que modo frasal algum o redime de seu labirinto?
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Perguntas são imperativas e fazem todo olhar se curvar. Hiperatividade de questões. Roer de unhas. Quarto vazio. E um mantra vindo da ventoinha do computador. Nada tão expressivo assim. Vivo eu nessas paredes coloradas de adornos contemporâneos. Quanta insignificância, meu deus. Servem apenas para eu ganhar espaço na horizontal em extinção, enquanto perco tempo na vertical espiralada que se multiplica num bailar de dedos que assim dançam na esperança de abrir outras dimensões.
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Pobre dos meus. Não acredito na liberdade deles. Vou aprisioná-los até a morte da carne. Serão escravos do meu não-querer disfarçado de timidez. Aliás, o meu não-querer já é um disfarce que, pra variar, não quero saber do que. Só sei que assim é.
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Um sangue que se limpa por promessa pode revelar os escombros que restaram de outros tempos. Escombros cansados, mais ou menos mortos, mas necessário para a tradução literária re-avidante.
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Evito neologismos, mas há momentos em que simplesmente sou negativo de mim.
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Palavras de salvação.
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Glória a voz, sr.
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quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

:-o ------- (-:

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!!! O TEATRO É A REINVENCAO OCIDENTAL DA MEDITACAO !!!
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domingo, 4 de fevereiro de 2007

Músicas cantadas a ca (postagem 200)

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Dos Gardenias
Composição: Isolina Carrillo
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Dos gardenias para ti
Con ellas quiero decir
Te quiero, te adoro, mi vida
Ponles toda tu atención
Porque son tu corazón y el mío
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Dos gardenias para ti
Que tendrán todo el calor de un beso
De esos besos que te di
Y que jamás encontrarás
En el calor de otro querer
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A tu lado vivirán y se hablarán
Como cuando estás conmigo
Y hasta creerás que te dirán
Te quiero
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Pero si un atardecer
Las gardenias de mi amor se mueren
Es porque han adivinado
Que tu amor me ha traicionado
Porque existe otro querer
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sábado, 20 de janeiro de 2007

POSTAGEM 199

Los hermanos
Yo tengo tantos hermanos
Que no los puedo contar
En el valle, la montaña,
en la pampa y en el mar

Cada cual con sus trabajos
Con sus sueños cada cual
Con la esperanza delante,
con los recuerdos detras
Yo tengo tantos hermanos
Que no los puedo contar
Gente de mano caliente
Por eso de la amistad
Con un lloro pa’ llorarlo
Con un rezo pa’ rezar
Con un horizonte abierto
Que siempre esta mas alla
Y esa fuerza pa’ buscarlo
Con tezon y voluntad.
Cuando parece mas cerca
Es cuando se aleja mas
Yo tengo tantos hermanos
Que no los puedo contar.
Y asi seguimos andando
Curtidos de soledad
Nos perdemos por el mundo
Nos volvemos a encontrar.
Y asi nos reconocemos
Por el lejano mirar
Por las coplas que mordemos
Semillas de inmensidad.
Yo tengo tantos hermanos
Que no los puedo contar
Y asi seguimos andando
Curtidos de soledad
Y en nosotros nuestros muertos
Pa’ que nadie quede atras.
Yo tengo tantos hermanos
Que no los puedo contar
Y una hermana muy hermosa
Que se llama libertad

segunda-feira, 8 de janeiro de 2007

Benita Carneiro e eu - xik demais - rsssss

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Pra quem não sabe, a Benita Carneiro é uma das maiores poetas do sul de Minas, por isso que eu botei o Xik demais no título. Esse foi o dia em que o coral Serrazul apresentou a música que ela fez e que eu arranjei. Fala sério, quanta resposabilidade. Queria chegar na idade dela com a lucidez, a esperança e a jovialidade que ela tem. Parabéns Benita!!! E que as nossas mãos parem de tremer um dia... rsssss
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quinta-feira, 28 de dezembro de 2006

Desenlace cárcere

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Por favor, quem não for muito chegado, por favor não leia esse texto. Quer um conselho,?! Desencana dele, ele é chato demais.
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Sim, as praias desertas do meu amor continuarão talvez infinitamente esperando por nós dois. Teus olhos nos meus, meus olhos nos teus, os sonhos cultivados, as vontades que minguam dia a dia me fazem esquecer de mim toda vez que me lembro de ti. Mas essas vontades minguadas me fazem um mal tão grande que você nem saberia sentir. Cada vez que me desfaço de um querer pelo nosso bem, me desfaço das minhas coisas que me fazem mais felizes, talvez também por isso fui tão triste e ainda sou um pouco como talvez sempre serei. A tristeza tomou raiz, desfez minha sanidade mais firme e há meses corro atrás dela pelas praias imaginárias que nunca estive mais que recrio e por isso são tão reais. Mas essas praias são longe demais do socialmente bem quisto. Sou escudo, reflexo esquivante dos olhares, esquerdo, escasso, esquisito em mim, na natureza que me recriou em meses atrás e que fez tão bem o mal trabalho que já não consigo mais me querer como antes. Nesse fim de ano, todos os escritos que não vieram à vida desabam sobre meus dedos, pobres dedos que tanto falam por mim, mais uma vez. Sou calado apesar da fala e do canto intenso. Sou menino complicado que criou vidas durante anos a fio na esperança de consertar está que me deram e que tanto me desagrada. Se olho no espelho, meus olhos sentem vergonha dos meus olhos e logo olho pra pia respingada de confusões dos diversos dias corridos em que prefiro não ter tempo pra mim pois isso seria o fim da pequena firmeza que construí através de sessões de cinema, banhos demorados e análise. A música canta leve nos meus ouvidos, uma voz feminina suave canta junto a um cello e um piano. O meu piano que não sou sempre que seria, pois não quero sempre que posso e não posso sempre que quero. Acho que desencontros seria uma palavra boa. Desencontro da inspiração com a coragem de manifestar, desencontro da música com a voz, desencontro de olhares. Ahhh meu Deus os olhares. Como me perturbam esses olhares que me secam e creio, me julgam como eu a todos eles. Como cheguei até esse ponto? Não sei, só sei que aqui estou e não conseguirei sair tão facilmente. Mas de um fato posso me gabar; é impressionante a minha capacidade de crer em Deus e ter esperança, pois mesmo quando me deito na cama depois de um dia inteiro de desencontros, ainda encontro fé pra acreditar que no dia seguinte tudo pode mudar. Geralmente não muda muito, mas isso não me impede de sonhar. Me descobri mais frágil, ansioso, infantil e mais intenso ainda do que já era. Mas a intensidade do presente ultrapassa minha capacidade de digestão e controle de certas ocasiões e por isso me perco tanto entre todos que me rodeiam. Me sinto tão bem quando estou lendo. O livro não me encara, ele não me olha, ele me convida a me olhar, se não quero não faço, se quero faço e pronto. Mas os olhares me fizeram tão minguante que não me entendia mais dentro dos antigos padrões de mim que tanto me orgulhavam. Rapaz que era lúcido, alegre, criativo, engraçado, animado. Sinto dizer que já não sou. Me esforço com todas as forças para voltar a ser, mas os olhares (ahhhh meu Deus do céu, os olhares) esses são o mar da perdição da consciência e tranqüilidade. O mundo me invade e eu não gosto disso. Prefiro que meus pedaços andem por aí, enquanto eu ficaria só com os meus mais internos pertences. Mas como não seria assim como sou, se desde quando tenho referências do meu interior eu era assim, praticamente um amontoado de remédios para ludibriar os defeitos causados por sei lá que razão e assim cresci em meio a mim e todos essas substâncias que encasulavam minha consciência e enfeitavam meu dia a dia de uma tranqüilidade quase engessada. Havia nuvens no meu pensar. Nuvens de tempestade, não eram nuvens brancas, eram brumas densas e frias. Nem sei como era capaz de tantas emoções e pensamentos. Tenho pena de mim dos tempos idos, é isso que sinto, uma pena por ter tido isso, ter sido assim. Mas não gosto de pensar onde estaria hoje caso não fossem esses fatores. Não sei. Todo fim de ano, fim de ciclo, é quando tudo está no ar e é também por essas toneladas de coisas enclausuradas pelos olhares (ahhh os olhares meu Deus) que me descrevo (desfaço, desvelo em negativo) tudo que me faz mais denso, tão denso quanto não gostaria de ser. Mas sou escravo do meu círculo solitário e nele ainda hei de ficar por uns tempos. O fim de ano, um ano ímpar, tão conturbado, tão intenso, intensidade de perdição, o fim dele me desfaz de um pouco de mim, do muito que não quero ser, mas temo que também dos poucos que me orgulham. Não sei. Não sei como tantas vezes mais não saberei e por enquanto assim continuará até o dia em que meus olhos se levantarem e enfim eles olharão longe e enfrentarão as observações mudas dos outros tantos olhares que perambulam pelas ruas e estabelecimentos humanos. Humanos são olhos ambulantes, enquanto os meus lambem o chão da negação em busca de um sermão que liberte de vez a conversão interna eterna que me tornei. Sinto muito, por mim e pelos meus conhecidos, mas não sou mais o que era. Sou desenlace cárcere e por isso agora dormirei de insônia.
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Finjo uma dor que deveras sinto que finjo.
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quinta-feira, 21 de dezembro de 2006

Nosso mar

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Um cafuné na cabeça, malandro, eu quero até de macaco
(Milton Nascimento e Leila Diniz)
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Tom: Cm
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Int.: Cm4/7
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Cm4/7
Brigam Espanha e Holanda
Bb/F Fm5+
Pelos direitos do mar
Cm4/7
O mar é das gaivotas
Bb/F Fm5+
Que nele sabem voar
C#7+ Eb7+ F/C
Brigam Espanha e Holanda
C#7+ Cm4/7
Pelos direitos do mar
C#7+ Eb/G
Brigam Espanha e Holanda
C#7+
Por que não sabem que o mar
C#7+
Por que não sabem que o mar
Bbm Gm5-/7
Por que não sabem que o mar
C#7+ Fm7
É de quem sabe amar
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quarta-feira, 20 de dezembro de 2006

segunda-feira, 18 de dezembro de 2006

sexta-feira, 15 de dezembro de 2006

segunda-feira, 11 de dezembro de 2006

Benção às avessas

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Os papéis ao longo da vida se revezam. A representatividade de uma pessoa muda. Mas a representação não. Quem cuida, quem é cuidado, quem ouve ou quem fale, quem dá conselhos, quem é aconselhado, tudo isso muda, e é bom mesmo que as coisas mudem, porque assim sentimos vento, oscilação, transformação, movimento e vida. As relações humanas mudam, deus muda dentro de nós, coisas passam, outras chegam, vão embora, sonhos viram realidade, outros definham, florescem novamente. Ciclos de ciclos de ciclos num ciclo maior de uma roda gigante num canto pequeno da criação de um criador. Muita coisa muda, e eu achava, por isso, que a única coisa na vida que era constante era a inconstância, mas existem mais coisas constantes. Seus pais são uma delas. Seus pais serão sempre seus pais, e é bom que seja assim, pois assim temos tempo para nos reciclarmos dentro de um elo inquebrantável. Somos eles em carne e osso, a representação uma de dois seres. E o físico permanece, mas o conjugado entre pais e filhos é uma transferência sem fim. Isso poderia ser dito em qualquer dia, mas hoje é o dia de uma pessoa sem igual (rssss), sim, como não, é aniversário da minha mãe. É impressionante a capacidade que meus pais têm de fazer nós na minha garganta.,., rssss.,.,
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Minha mãe, eu te desejo toda a transformação e energia de uma mulher de 50 anos. Yung disse que depois dos 50 a mulher é só prazer, que assim seja. Expanda-se e recicle-se sempre como você sempre fez. Vá sempre adiante, nunca perca essa sede de coisas novas, viagens, desafios e busca de si. Sempre Heleni, é por isso sempre mais.
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Um beijo, Feliz Aniversário e que Deus te abençoe da mesma maneira que você desejou tantas vezes que ele o fizesse comigo.
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Do seu filho, Wagner.,.,.,
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quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

DÓ, RÉ, MI, FÁ, SOL, LÁ, SI, DÓ, DÓ, SI, LÁ, SOL, FÁ, MI, RÉ, DÓ

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Dos corpos caídos
Ressona uma esperança
Minguada, porém nossa,
Fácil de se sentir. Por isso,
Soltemos nossos olhos
Lá longe no horizonte. E novamente seremos
Simplesmente nós,
Docemente ternos.
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Do belo horizonte aos pés
Silhuetas de mundo
Lacrimejam-se dis-
Solvendo em vão. Vitimizam-se.
Fazem questão de fazerem falta
Mimam-nos para cativar. Mas
Rejeitemos as regalias restritivas
Doravante.
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Domando-nos poderemos
Recusar os mimos de outrem
Miraremos objetivos conjuntos
Facilitando a caminhada de
Sol a sol
Lá pras bandas do bem.
Sim, pros lados do bem
Dormita nossos laços.
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Do jeito que estamos
Similar a um caranguejo
Labutaremos mesmo de lado
Solavancos levaremos
Frágeis somos, minguados
Minguantes jamais, ou não mais
Ré é impossível de conseguir
Dói as juntas dos caranguejos.
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Dobrando mais um ano (2006)
Resta-nos em nós
Milhões de fiapos
Farrapos de vozes
Solfejos de notas
Lamuriosas sonatas
Sinos de Belém
Docemente ternos.
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Dobrados e trinados
Sinfonias de peixes
Lagostas aquáticas
Soltas palavras
Fabulosas linguagens
Miragens de imagens onde
Ressonam a esperança
Dos corpos caídos.
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quinta-feira, 30 de novembro de 2006