sábado, 19 de setembro de 2009

O ideal, o possível

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Acho que não quero mais falar
Não quero mais pensar
Só quero sentir coisas boas
Quero simplesmente abraçar e beijar
Andar de mãos dadas
Encostar a cabeça no peito
Balbuciar notas rente ao coração
Dançar a noite toda até cair de felicidade
Ou será simplesmente serotonina?
Dormir e sonhar coisas belas
Rir de tudo
Chorar com calma
Chorar simplesmente pela beleza
Degraus sem poréns
Viajar sem rumo com amigos melhores do que eu
Encantar-me com coisas pequenas
Escrever poemas em fluxo
Ou libertar-me na cadência do não verbal
Tocar naquela volúpia do som eterno
Sentir a companhia da noite
Ouvir jazz bêbado
O anterior da música
O útero da vibração
A onda que te toma
O agudo e o grave
A dissonância e suas impressões instantâneas
A introdução e o acorde final
O gozo e o etéreo
Ser sem fim
E nunca o não gostar
Sempre mais sem desvios
Deixar estar
Valer a pena sem pena
Não pensar, não pensar
Não comedir
Deixe, deixe estar
Não seja assim
Há de se poder
Tente novamente
E mais uma vez
E mais uma
E mais um
E
...

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Espero não parecer simplesmente racional!!!

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Um experimento chamado amor
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O amor nasce como uma suposição
Uma proposta que preferimos realçar
Não chegamos direto a amar alguém
Amamos primeiro a idéia de amar
Depois amamos amar a tal pessoa
Para enfim,
Se sorte tivermos,
Amar a pessoa em si.
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O amor nasce enquanto processo
Inclinação interna independente
E muito da sua força está neste ponto próprio do agente
O amor até pode ser a arte do encontro
Embora seja antes
A arte de se encontrar no outro proposto
Se colocar ao lado daquele
Que cremos amar.
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O amor é banal e legítimo
Simplesmente por ser amor
O amor é, em si,
A criação que domina o criador
A abolição da liberdade que sorridentes
Nos assinamos
É lei que se crê invicta
É filosofia que esnoba a razão.
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O amor é equação do segundo grau
Que não importamos em nos aplicar
Seremos variáveis do zero
Mas o que é o zero senão o resumo do infinito
Ao pó voltaremos, mas nos antecipamos quando amamos
Resolvo-me de mim por aplicar-me tangente outro
Recosto-me na reta rente a meu umbigo circular
Curvando-me para um pouco mais com ela estar.
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O amor é processo de envolvimento simultâneo
Mais que um sólido, palpável e indestrutível diamante
Ele é antes água clara e incontrolável
Que ao escorrer das quatro mãos comuns
Os corpos vão e se banham sem medo
Pois a fonte se renova, não tem fim
E o próprio descuido saudável
Faz-se prova da transcendente comunhão
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O amor é:
Um terceiro e único coração!!!
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quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Um brinde!!!

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Um brinde ao fim de agosto!!!


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segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Texto de meses atrás!!!

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O desnecessário necessário digerível indigesto
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O cigarro me trás novidades impensadas. É o porvir que se adianta? O desnecessário necessário digerível que se apresenta? O descartável que durará horas de sufocantes pensamentos? Sempre haverá uma razão capaz de quebrar a sensação ruim. Mas sempre seremos capazes de encontrá-la? O desnecessário necessário digerível indigesto. Azia e queimação na calada da noite obscura interna ainda que banhada de sol escaldante. Estivera, quem dera, como calada quimera, como que mera voz estridente, mas que, ainda sim, perpassa meus dentes estriados de lacunas pendentes, perdidas feridas achadas. Feridas em potencial. Tenho-as aos montes, aos vales, às profundezas, nos cantos, quebrantos, na testa, olheiras canhestras, virtudes, banalidades, descamações e fraturas do ego, do osso. Não gosto, mas prefiro tê-las, ainda que temente estando. Estado pungente, cabalístico, cabal, banal, mas, haja potência para denegri-lo, desconsiderá-lo em mim. Parte integrante deste que, ainda que, já distante, memória assertiva resgata do horizonte minguante o sol avermelhado, para rasgar ferida no peito que se abre em cor similar. Abro-me-te peito sincero, enclausurado autêntico sou. Demasiado humano, demasiado exposto me penso, por isso me calo. Demasiado em mim, demasiado de si este falante que escreve calado. Não suspiro, quase respiro, transpiro o sufoco das ventas insuficientes para minha ânsia. Almejo o ar que meus pulmões não comportam. Recaio sonolento e derrotado de mais uma tentativa-dia, vitória-noite. Noite norte. Madrugada morte. Caído nesta cama, extinto do último ser da minha espécie possível, exaurido do limbo, genealógico extremo, latejante explosão, uma pangéia em reverso, convexo convenço-me da não convivência descartável, desejável desejado, debulhado por si, que, no esquecimento implorado ao sono, reverte, e assim implode destituído na esperança que embala o retorno ao útero inesquecível. Como esquecê-lo o em si sentido perfeito? Lá fui feliz e lá serei. Desejo o útero da não consciência. Saímos do pó da alma, separamos do absoluto para, em si, nos tornarmos o próprio útero da não consciência de nada. Eis a eternidade. O fim, início para tudo. A finalidade. Espiral ascendente do que existe. O infinito é medíocre, medíocre posto que excessivamente tolerante. O fim não comporta tal adjetivo. O fim é estabelecido e composto de formas. Para além do bem e do mal haverá o teto presumível, o limite encontrado. O fim não é medíocre, o infinito sim, posto que amórfico desvairado. E eu, infinito, medíocre menino, no fim, perplexo contido. Arredado do sonho, mas, um novo vão me proponho e, por enquanto, ainda satisfaz. Minha matéria por si se manifesta trêmula. Espasmos escarrados onde menos delibero. Presentes de um encanto. Errado quebradiço por subtração. A bebida me trás novidades impensadas. Impensadas por que erradas? Impensadas por que não permitem sobrevivência? É o porvir que se adianta. O desnecessário necessário digerível indigesto. Cabulo a lógica como quem quer se deter nela, mas dela não se convêm. Se mantêm como que por perigo, mas se dela distrais, proposto a ti deposto estarás em além ais. E além do mais, de que adiantaria tamanha turbulência se das calmarias te inebrias pejorativo em si. Se não completo, serás desfeito, rapaz. Mas se intenso me faz meio e calmo me perco raso, onde, enfim, estarei? Não sei, não sei, não sei!!!
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quinta-feira, 20 de agosto de 2009

quinta-feira, 16 de julho de 2009

O filho eterno – Cristovão Tezza

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Um livro que me fez parar para anotar 3 frases logo no primeiro capítulo e outras tantas em outros capítulos não pode ser ruim.
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Um livro que no desfecho me fez chorar pelo acumulado da beleza da obra que se encerrava não pode ser qualquer coisa.

Um livro que ganhou Prêmio Jabuti de melhor romance, Prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA) de melhor obra de ficção, Prêmio Bravo! de Livro do Ano, 1º lugar no Prêmio Portugal-Telecom de Literatura em Língua Portuguesa, Prêmio São Paulo de Literatura de Melhor livro do ano 2008 só pode ser muito bom.
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E não é mesmo.
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É um ótimo livro que trata, sem cair em clichês, de um assunto já bastante falado: a relação de um pai com seu filho possuidor da Síndrome de Down. O grande diferencial gerador da qualidade encontrada nesta abordagem é a carga teórica e principalmente prática do autor que conhece e vive o tema há mais de 20 anos já que, ele, como o personagem, possui um filho “especial”.
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Tudo se inicia no momento em que a mulher sente que é chegado a hora de dar a luz e então começa a ser desenrolado um fio profundo de crueldades e dores num romance dotado de digressões no tempo e paralelos narrativos entre as estórias do pai no passado e as passagens vividas com o filho num passado mais recente.
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Este pai se apresenta como um ser extremamente agoniado, fugitivo de si e, ao receber a notícia do problema do menino, reage com grande amargura, cogitando, por vezes, fugir da família e tentar a vida em outro lugar. Em outras passagens imagina a possibilidade do filho não ter retardo mental, mas somente as características físicas da síndrome, como acontece em alguns casos. Numa outra passagem demonstra entusiasmo ao constatar que não existem Downianos velhos e, assim sendo, o filho morreria logo. Essas passagens de uma crueldade enrustida incomodam e povoam principalmente o início do romance.
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Mas os anos vão se passando, a rotina vai se estabelecendo e a presença do filho na trama vai se tornando maior até se tornar praticamente, ele mesmo, o novo e doce personagem principal que enche de ternura a atmosfera carregada pelas páginas de divagação do pai. Felipe, como é chamado o filho, chega aos poucos como um ator sincero, protagonista de passagens visivelmente encenadas, porém sinceramente vividas, já que o portador da síndrome vê na imitação sua mais profunda e completa realização enquanto ser social, algo que todos nós temos, mas que, no Felipe, fica muito mais evidente por ele ser extremamente entregue, mesmo em suas teatralizações do cotidiano.
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Assim, aquele pai do início vai se contaminando aos poucos pela doçura da aberração (para usar uma combinação verbal que o personagem provavelmente usaria) posta na sua vida sem, no entanto, deixar com facilidade seu lado amargurado de lado. Sua transformação é lenta, tão lenta quanto de seu filho, mas, em ambos os casos, ela acontece. O pai passa, então, a aceitar a nova rotina e, mesmo analisando as coisas por sua ótica aguda, reconhece, naquele ser tão especial (desta vez sem aspas) colocado em sua vida, um afeto sem limites, chegando mesmo a se desesperar com o sumiço do menino numa das passagens.
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Felipe não possui noção de ontem, hoje e amanhã, assiste incessantemente desenhos animados, rabisca estórias em quadrinhos, adora futebol e ficar em casa dentro do seu mundo suficiente. O pai, que é o próprio escritor condensado no pior de si, vê seus romances sendo aos poucos publicados, sua vida colocada em rotina agradável e, mesmo com toda dura análise que lhe é característica, vê em Felipe suas razões de firmeza e afeto, só que, desta vez, sem máscaras.
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Felipe é afeto, ele conclui. Amor, amor, amor, entrega, sinceridade, olhos rasos.
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Felipe é um profundo teste à tolerância justamente por não ser, em si, teste nenhum. Felipe é uma entrega brutal não lapidável, mas lapidante. É o bruto lapidando inalterado. É o bruto que já nasce pronto para agir nos outros exatamente por não ser preparado para nada. É o sem armas ou amarras que enfrenta e desata sem saber. Felipe é instrumento inalterável de modificação profunda que abala pela fragilidade inabalável. Uma maravilhosa contradição a promover conclusões no alheio, sem, no entanto, necessitar de nenhuma delas, pois, em si, já está acabado, concluído. Veio concluído em sua inconclusão. Veio concluído por ser inconclusão. É perfeito em seu estado bruto. Um diamante inalienável. Uma doação centrada em si. O narcisismo como forma do mais secreto e profundo altruísmo possível.
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– Destituo-me profundamente de mim para que te tu te resgates a ti mesmo – diria ele se dissesse.
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O título do livro se justifica numa passagem em que o autor diz que o personagem parou de fumar e reduziu a bebida, pois não poderia morrer antes de seu filho, uma eterna criança. Daí o filho eterno.
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Pensando em linhas mais gerais, acredito que o autor trabalha o embrutecimento da narrativa para que depois a docilidade não pareça clichê, e ele toma cuidado para que isso não aconteça. Sua intenção não é colocar o filho para o leitor, mas o filho para o pai amargurado e isso funciona muito bem. Cristovão Tezza é um grande escritor de prosa consistente que corre num fluxo bom e, pelo menos neste caso, não soou difícil em momento algum. Gostei demais!!!
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Vamos agora a Sagarana, novamente Guimarães Rosa. Acho que dessa vez vou demorar um pouco mais já que estou lendo outras coisas sobre outros assuntos, mas, acabando, coloco alguma coisa aqui.
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Sagarana foi considerado um dos 100 livros essenciais da literatura brasileira pela revista Bravo. Grande Sertão também, obviamente. A lista começa com 2 Machados, o que não é de se espantar. Depois segue com Graciliano, Euclídes, Rosa, Drummond, Bandeira, Nassar, Lispector, Andrade e por aí vai. Vou ler essa revista.
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terça-feira, 14 de julho de 2009

Enxurrada 6

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Fiquei uns dias sem net
Mas não sem cabeça
E então aí está
Em amarelo dificultoso
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Enxurrada 5

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A sociedade do espetáculo – Guy Debord
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Tese 190
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A arte em sua época de dissolução, como movimento negativo que prossegue a superação da arte em uma sociedade histórica na qual a história ainda não foi vivida, é ao mesmo tempo uma arte de mudança e a pura expressão da mudança impossível. Quanto mais grandiosa for sua exigência, tanto mais sua verdadeira realização estará além dela. Essa arte é forçosamente de vanguarda, e não existe. Sua vanguarda é seu desaparecimento.
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Enxurrada 4

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Pensamentos coletados
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Pensamentos entrecortados pelas palavras e frases de outros pensamentos instantâneos vindos de algum alheio ou delírio próprio, mas que não se sabe por que veio. É como quando se está pensando sobre frutas e te vem à mente uma frase a respeito de carros, uma consideração sobre a mamadeira que você tomava, ou a voz da sua avó falando pra sua prima lavar as mãos. Meu Deus, o que que é que tem a ver a mamadeira ou o carro, ou a lavação das mãos com o morango que eu estava pensando agora? Eu pensava no morango que comi na janta e, como um raio, me entra uma frase vinda da boca imaginária da minha avó, ou um amigo falando do carro que comprou. Um curto da hiperatividade. Linhas cruzadas. Nem por processos de dilatação de associação (processo nomeado neste instante) uma pessoa consegue a explicação ou, até sim, mas, o problema está no súbito do fato não feito, nem pensado, nem entendido, apenas acontecido, ainda que não realmente fato graúdo.
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Perversão dos órgãos dos sentidos: imagine-se vendo pelo buraco da orelha, ouvindo somente quando abre a boca, cheirando as coisas pelo indicador da mão direita. Pode parecer fácil esta diversão ligeira. Mas imagine com a força necessária para sentir a possibilidade atuando em você. Viver por pouco estes estranhos cruzamentos.
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Qual é o timbre da tua voz interior? É a mesma que você ouve quando fala alto? É a mesma que você ouve quando grava sua voz e depois ouve? É mais grave, mais aguda? Ela muda de tom? Engrossa depois de uma balada e alguns cigarros? Fica rouca quando você fica rouco? Um gago tem pensamentos gagos? Um surdo, como nomeia as coisas? Ele olha e, ao olhar, imagina uma segunda imagem com a palavra escrita? Que associações um surdo é capaz de fazer? Onde se apóia seus pensamentos? Saibam que surdos demoram anos e anos e mais anos para aprender a ler, pois não associam sons às coisas, não têm o português à maneira dos “normais”. Se pensamos com o sons das palavras soando na nossa consciência, uma pessoa que nunca teve consciência do som, pensa em silencio? Pensa no abstrato absoluto? Um nível de conexões que não consigo nem passar perto de inventá-lo em mim. Outra coisa, você consegue imaginar um timbre conhecido e colocar seus pensamentos na boca do outro, como conselhos vindos do alheio ou simplesmente fazendo desse alheio uma máquina de reprodução daquilo que você pensa? Eu sim.
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Um bom refrão: Nós vamos te espremer até você passar pela porta de entrada do céu. Será pertinente?
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Uma frase que é bom ter em mente antes de começar qualquer idéia: Todo processo é mais rico, ou mais complexo, que o resultado. Mas ainda bem que o homem tem tendência ao otimismo.
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Se não podes olhar pra longe, olhe pra si, olhe pra perto, caminhe com lentidão, restrinja-se ao mínimo necessário, uns metros à frente, alguns do lado, uma pedra que se vai, um cruzamento esforçado, depois caia com sofreguidão para os pés e brinque de felicidade. Diga para si que és feliz, convença-se disso. Brinque de conversar com a pessoa que está sentada do seu lado no ônibus. Comente em silêncio sobre a beleza de alguém ou a gordura do fulano que passou na catraca e você quis chamar de Sarasgoza ou simplesmente Mané. Faça piadas em silêncio, mas cuidado pra não rir sozinho. O comportamento normal é o da média? O comportamento normal é aquele que esteticamente não abre possibilidades para críticas? Ou o comportamento normal é aquele que te faz bem?
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Eu esqueci como é a configuração da normal felicidade da vida. Acredito não ter mais o instinto da medida, o sentir brando que não chega a ser ruim, mas também não é tão bom assim. Se não tenho em corpo a sensação constante da felicidade, não me creio feliz.
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Bote pra tocar uma música que você nunca ouviu antes, finja cantar as frases ainda que não com as mesmas palavras. Espere algum solo e finja tocá-lo como se ele saísse de você, como se você fosse o instrumentista que estivesse executando aquele som. Mantenha a tentativa, a latência, o estado, o ânimo. Aí está o clima. Seu pensamento não deve se adiantar, não deve se atrasar, não deve criar frases que não as já existentes. Crie sim o imediato reconhecimento do que acontece no som gravado, esteja alerta para qualquer possibilidade e faça de todas elas a mais profunda expressão de si. Momento de reconhecimento, emoção e reação sem instante deturpável pela razão. Um realizar acabado em si. Consiga por algum tempo. Registre isso na consciência. Nada de adiantamento, nem atrasos, o que vem é o que é. Tua reação é a imediata obviedade. Cada nota veio de ti como expressão legítima profunda, uma resposta instantânea ao que acontece. Registre, mantenha e, assim, será, ou, já é. Eis o ideal mental, ou o mental ideal!!! O que dá na mesma...
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Ainda que uma unanimidade seja certa ela será burra, pois o assunto estará acabado e não produzirá novidades. A unanimidade é absolutamente burra enquanto processo ou por ser um não processo, mas não necessariamente enquanto fim ou conclusão.
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A palavra dita tem mais peso que a palavra pensada e, talvez por isso, eu ainda tema dizer o que realmente penso. Talvez por isso eu pense melhor do que digo, planeje melhor do que executo, sonhe com mais beleza do que vivo. Ah, as palavras, essas tão sinceras determinantes de uma vida. Saber usá-las em todos os seus múltiplos níveis seja, talvez, o sinônimo de liberdade, ou a própria, em si, em mim.
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Quero beijos infinitos, daqueles que contamos nossos mundos em segredo por entre o silêncio dos lábios.
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Quando estou feliz, meu pé não me parece inatingível.
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Como fazer carinho nas próprias mãos se são elas que fazem carinho em tudo? Seriam as mãos carentes? Caridosas, altruístas? Eu não consigo fazer carinho em minhas mãos a não ser com os pés. Todo o resto do corpo parece ser o acariciado e não o acariciante. Seriam os membros os pontos acariciantes por excelência?
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Que eu nunca perca a sinceridade do meu sorriso.
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Malandragem é a inteligência socialmente aceitável.
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Enxurrada 3

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O Marketing cria necessidades?
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Acredito que a maioria responde não a essa pergunta, mas eu vou ter que ir meio contra e dizer aquela velha resposta chata: depende.
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Acho necessário 4 delimitações/ considerações antes de responder essa pergunta.
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Primeira: necessidade é uma vontade insatisfeita, não importa se é caso de vida ou morte, ou se está se falando de uma necessidade banal, fútil, ridícula. Necessidade é sentimento interno da pessoa e não importa a relevância do motivo, vide a pirâmide de Maslow.
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Segunda: é necessário restringir o Marketing estritamente ao círculo das ferramentas de Marketing. Não se deve prolongar demais sua influência. Por exemplo: minha necessidade de mandar Scraps está ligada à popularização do Orkut e não diretamente ao Marketing feito pela Google.
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Terceira: deve-se delimitar bem a verbalização da necessidade a ser analisada, por exemplo: perguntar se a propaganda do IPOD gera a necessidade de ter um IPOD, é diferente de perguntar se a propaganda do IPOD gera a necessidade de ter um tocador portátil de música, que é diferente de perguntar se a propaganda do IPOD gera a necessidade de ouvir música em locais públicos. Por isso é importante delimitar já que, dependendo de como se descreve a necessidade, ela pode ou não ter sido gerada pelo Marketing.
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Quarta: delimitação temporal. Caso algum produto se torne popular por causa de uma propaganda, mas eu o comprei depois de 50 anos, isso não é mais influência do Marketing. Exemplo: se tenho necessidade de comprar o Pula-pirata da Estrela, isso não é influência do Marketing, ainda que esse brinquedo tenha expandido suas vendas por causa de propagandas na década de 80. É claro que o que me leva a comprá-lo hoje é uma nostalgia que não existiria caso o brinquedo não tivesse sido popular, mas o marketing não está ligado a isso, pois a nostalgia é a criadora da necessidade e ela poderia ir a favor de um cavalinho de pau artesanal, por exemplo. Obviamente pode-se pensar na ponte: Marketing – Popularização – Tempo – Nostalgia - Necessidade, mas acho arriscado, porque assim ele vira um fator oculto em muitos exemplos. Como o dos Scraps do Orkut, que têm por trás o Marketing que fez a empresa crescer, ou a Internet se popularizar, ou mundo se modernizar, ou o Capitalismo ganhar forças, ou o fim da humanidade estar perto e a teoria da conspiração vir à tona e etc. De qualquer maneira, no caso específico do Pula-pirata, ainda tenho minhas dúvidas, mas continuo defendendo a delimitação temporal da influência do Marketing.
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Com tudo isso, postas essas especificações, temos que, ainda se nos detivermos a um determinado período de tempo, às ferramentas de Marketing, à consideração de que necessidade também pode ser fútil e a uma frase especifica: o Marketing cria, sim, necessidades, ou melhor, o Marketing cria necessidades específicas.
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Agora esquecendo tudo e partindo para um outro lado, pode-se pensar por um viés mais amplo e então, neste terreno, ainda continua valendo uma frase de Rousseau que diz ser a soberania inalienável do povo. Por ela podemos crer que, em se tratando de necessidades amplas, elas se impõem por essa soberania inalienável e elas vêm do povo e, portanto, o Marketing apenas as detecta e as supre.
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Daí alguém pode perguntar: Por que fazer quatro delimitações anteriores se logo depois entra uma consideração mais geral que dispensa os parágrafos já redigidos?
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E eu respondo que com a consideração geral eu não dispensei nada. É apenas mais uma maneira de encarar esse assunto complicado que merece ser olhado de diversos ângulos sem, no entanto, que um anule o outro.
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O núcleo disso é a palavra, que está mais diretamente tocada pela terceira consideração. Sendo assim podemos concluir que: necessidades específicas ele gera sim, necessidades gerais, não.
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Mas podemos nos perguntar: o que acontece nos casos em que o povo vai se alienando de si?
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No terreno das considerações gerais onde as especificações ditas não são bem vindas, podemos colocar o Marketing como um fator obscuro presente através do tempo, com influências indiretas, e peça chave de uma transformação ampla que pode criar necessidades mais gerais sim, e então temos que o Marketing, mesmo se ampliarmos a especificidade da necessidade, será criador. A soberania continua inalienável do povo, mas o povo pode ir aos poucos se alienando daquilo que era e, com isso, necessidades gerais vão surgindo, ou melhor, novas necessidades vão surgindo em pontos mais baixos da pirâmide das necessidades de Maslow que, ainda que muitos defendam a não hierarquização rígida das necessidades humanas, mostra bem um esquema que acredito ser pertinente para este texto.
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Antes de tudo, para responder à questão do título, é necessário delimitações e parece que na maioria delas o Marketing é criador de necessidades.
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Se delimitarmos haverá necessidades específicas, se generalizarmos haverá necessidades gerais. Com isso, acho que o texto soa justo e certo.
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Indo mais além, podemos pensar em necessidades gerais dentro das especificações citadas que é, enfim, a combinação que falta, e então nos pegamos pensando se o marketing analisado somente pela influência direta das suas ferramentas num curto período de tempo criou alguma necessidade básica ligada à fisiologia, segurança ou amor-relacionamento.
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Acho que essa combinação exige um pensamento abstrato-específico que, diga-se, já está por detrás de todo este texto, mas que, neste caso, não consigo colocar em prática com êxito. Não consigo responder a essa combinação, mas arrisco dizer que não, o marketing analisado somente pela influência direta das suas ferramentas num curto período de tempo não cria nenhuma necessidade básica ligada à fisiologia, segurança ou amor-relacionamento.
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Alguma propaganda veiculada nos últimos 5 anos, por exemplo, criou em alguma pessoa do mundo alguma necessidade básica? É necessário chegar neste nível de especificação? Não sei e não sei, mas continuo arriscando a dizer que no caso de necessidades amplas dentro de delimitações específicas o Marketing não cria nada. E também arrisco dizer que é necessário chegar neste nível de especificação.
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Enfim, o enquadramento das considerações é a chave para as respostas...
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Esta necessidade de delimitação está contida no poder das palavras que está contido nas palavras como um mal necessário que está contido na idéia que considera todo raciocínio ilógico por princípio que está contida na idéia de que viver no nível biológico seria muita mediocridade para as almas que está contida na idéia de que considerações que se encadeiam podem fazer sentido apenas para quem as faz, ou não, dependendo da predisposição ou auto-proposição do receptor que está contida nas firulas do pensamento, que está contido nas firulas da emoção, que está contida num caminho livre para a perdição que está contida em considerações desnecessárias do autor e por aí vai.
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Enxurrada 2

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Frases do livro: O filho eterno de Cristovão Tezza
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“Há uma assepsia em tudo, uma ausência bruta de objeto, os passos fazem eco como em uma igreja, e de novo ele vive a angústia da falsidade, há um erro primeiro em algum lugar, e ele não consegue localizá-lo, mas em seguida não pensa nisso. Os segundos escorrem.”
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“... uma ginástica interminável e insolúvel para ajustar o relógio de hoje à fantasmagoria de um tempo acabado.”
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“É difícil renascer, ele dirá, alguns anos depois, mais frio.”
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“Sempre teve alguma ponta de dificuldade para lidar com o afeto. Ele prefere a suavidade do humor ao ridículo do amor, mas disso não sabe ainda, pernas muito fracas para o peso da alma. ”
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“Ele divaga, criando ele mesmo uma síndrome que cada vez mais intensa na sua vida – a crescente incapacidade de concentração para ouvir alguém mais demoradamente: as pessoas deveriam falar por escrito, ele sonha.”
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“A rotina é uma máquina extraordinária de estabilidade e a condição básica de maturidade emocional e social – ele dirá, anos depois, pensando não em si, mas no filho.”
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Enxurrada 1

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A viagem do elefante – José Saramago
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Mago das palavras, com certeza.
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Saramago tem um domínio absurdo da sua técnica de escrita, tanto nos micro quanto nos macro conjuntos e, neste livro, não foi diferente. Já está mais que estabelecido nele e nas suas obras mais atuais, pelo menos, a maneira Saramago de dizer as coisas, de narrar grandes estórias e pequenas histórias que se escondem por entre as estórias.
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Na minha opinião, Saramago possui uma ironia ainda mais fina que a de Machado de Assis. Uma ironia tão fina que, em algumas passagens, chega-se a não ter certeza se ela está presente. Mas sempre resta a certeza do seu bom gosto e sagacidade para realizá-la em sua arte.
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O livro possui uma base de organização simples, lógica e sempre presente nas narrativas ainda que por vezes desconstruídas: o tempo. O contar encaminha-se cronologicamente e os fatos vão se desenrolando num fluxo direto, sem grandes divagações introspectivas e sem que isso se torne simplório, porque Saramago sabe enfeitar este “plano raso” de um rebuscamento ortográfico não exageradamente exagerado. Os exageros exagerados, que também existem, são propositais e bem colocados.
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Não podemos dizer dele, no entanto, o mesmo que de Clarice. Enquanto esta escrevia simples expondo idéias complexas na maioria das vezes, ele escreve complexo expondo idéias simples, quase sempre ou, pelo menos, desta vez. Não são simplórias, é bom ressaltar. São simplicidades elegantes. Maldade e genialidade elegantemente simples.
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Espero não parecer que estou falando mal dele, pois não tenho esse direito e nem essa intenção. Ele é uma lenda viva. O único Nobel da língua portuguesa e ainda produzindo à sua bela maneira de sempre.
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O livro em si conta a viagem de uma caravana levando um elefante de Lisboa a Viena e isso basta. As rotas pela Península Ibérica, a passagem pelos Alpes e seus perigos, a entrega do elefante aos austríacos, o frio, a logística do conjunto, as suposições sobre os pensamentos do elefante e dos personagens, tudo isso fluindo ligeiro. Isto é o livro.
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Para quem está acostumado com o autor, é uma obra para ser lida rapidamente (já acabei de ler faz bastante tempo) sem se deter demais para divagar sobre a vida e o brilho da criação que está em mãos. O brilho é o brilho de sempre. O “plano raso” realmente não esconde grandes ensinamentos humanos, análises profundas, sacadas de tirar o fôlego ou cenas encantadoras. É apenas um exemplo do bom e velho Saramago usando com maestria a nossa boa e velha língua portuguesa. É mais do mesmo, mas de um grande mesmo.
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Simples, belo, direto e maduro.
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ORDINARIAMENTE GENIAL.
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sexta-feira, 19 de junho de 2009

Vamos desenhar?!

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Primeiro tire uma foto na web cam
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Coloque a foto sobre a tela e delimite mais ou menos o desenho
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Continue até chegar no ponto de tirar de cima da tela
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Não faça sombreado. A largura dos traços é que determina a intensidade da sombra
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Ache o melhor enquadramento

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E tente muuuuitas vezes até chegar numa foto que te agrade. Pronto, agora é só colocar no perfil do Orkut, na foto do MSN, na foto do Blog e etc
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Pra uma primeira tentativa até que tá bem bom!!! Os principais erros estão na boca. O exagero na barba foi proposital, já que eu escolhi não fazer sombra
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quarta-feira, 17 de junho de 2009

Vamos cantar?! Vamos ouvir?!

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A mais bela obra coral-sinfônica do século XIX
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A letra é essa:
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Nänie
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Auch das Schöne muss sterben!
Das Menschen und Götter bezwinget!
Nicht die eherne Brust rührt es des stygischen Zeus (1).
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Einmal nur erweichte die Liebe den Schattenbeherrscher,
Und an der Schwelle noch, streng,
Rief er zurück sein Geschenk (2).
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Nicht still Aphrodite dem schönen Knaben die Wunde,
die in den zierlichen Leib grausam der Eber geritzt (3).
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Nicht errettet den göttlichen Held die unsterbliche Mutter,
Wenn er, am skäischen Tor fallend, sein Schicksal erfüllt (4).
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Aber sie steigt aus dem Meer mit allen Töchtern des Nereus,
Und die Klage hebt an um den verherrlichten Sohn (5).
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Siehe, da weinen die Götter,
Es weinen die Göttinnen alle,
Dass das Schöne vergeht,
Dass das Vollkommenen stirbt.
Auch ein Klaglied zu sein im Mund der Geliebten,
Ist herrlich,
Denn das Gemeine geht klanglos zum Orkus hinab.
Auch ein Klaglied zu sein im Mund der Geliebten,
Ist herrlich (6).
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A tradução é essa:
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Nénia (A duodécima aurora)
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Também o belo tem que morrer.
O que une homens e deuses,
Não comove o peito brônzeo ao estígeo Zeus (1).
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Uma vez só enterneceu o amor o dominador das sombras
E, na soleira ainda, severo,
Retirou o seu presente (2).
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Não acalma Afrodite, ao belo jovem a ferida
Que o feroz javali no peito tenro lhe abriu (3).
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Não salva a mãe imortal o herói divino quando,
Caindo às portas Ceias, cumpre o seu destino (4).
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Mas ergue-se do mar, com todas as filhas de Nereu,
E o seu pranto pelo filho glorificado eleva-se. (5)
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Vede! Lá choram os deuses
E todas as deusas choram
Porque o que é belo perece
E o que é perfeito morre.
Também ser cântico elegíaco nos lábios da amada,
É magnífico
Pois, o que é comum, no Orco se esvai, sem ser cantado
Também ser cântico elegíaco nos lábios da amada,
É magnífico (6
).
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O convite
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CORAL UNIVERSITÁRIO MACKENZIE
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O Coral Universitário Mackenzie se prepara para mais um grande projeto, uma nova apresentação com a Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas (OSMC), nos dias 20 e 21 de junho, no Centro de Convivência Cultural Carlos Gomes, em Campinas. O concerto estará sob direção do Maestro Parcival Módolo, Coordenador Geral da Divisão de Arte e Cultura do IPM e Maestro Associado da OSMC.
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Este será o terceiro concerto do coral com aquela orquestra, uma das mais renomadas do Brasil: em março de 2008 apresentou o Gloria, de John Rutter, e em agosto do mesmo ano, “Chichester Psalms”, de Leonard Bernstein, em eventos que esgotaram os ingressos do auditório do Centro de Convivência, em Campinas.
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A participação na temporada oficial de uma orquestra como a Sinfônica de Campinas revela o nível profissional do Coral Universitário, que desta vez retorna com duas obras: “Nänie”, de Brahms, e o Réquiem, de Gabriel Fauré.
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Composta por Brahms em momento de profunda emoção pessoal, Nänie é considerada a mais bela obra coral-sinfônica do século XIX. O texto é um célebre poema do poeta alemão Friedrich Schiller. Já o texto do “Réquiem” é muito antigo, da tradição cristã, usado em celebrações fúnebres, mas aqui musicalizado com leveza e tranqüilidade por Fauré, compositor francês do início do século XX.
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Além do coro, de setenta vozes, e da orquestra, de cerca de cem instrumentistas, o concerto contará com a participação dos solistas Guilherme Luis Custodio, Leonardo Neiva.
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O programa:
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BRAHMS: Nänie, para coro e orquestra
GRIEG: No Outono, Abertura-Concerto, op.11, para orquestra
FAURÉ: Réquiem, op. 48, para coro, solistas e orquestra
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Regência: Parcival Módolo
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Quando: sábado, dia 20 de junho às 20h e domingo, dia 21, às 11h.
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Local: Centro de Convivência Cultural Carlos Gomes, Cambuí - Campinas/SP.
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Ingressos
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R$ 20,00 (inteira)
R$ 10,00 (meia-entrada):Aposentados, estudantes, maiores de 60 anos
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Bilheteria: (19) 3232-4168 (16h às 21h, terça a dom)
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Comentários
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Nänie é um absurdo de linda. O Réquiem também. Como diz o povo do coral: Vai-se Fauré!!! É muita música bonita junta.
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Mas vamos falar de Nänie.
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A tradução, que está aí encima, tem a divisão das partes da música, mas é difícil de entender e acompanhar porque o texto é repetido diversas vezes, de diversas maneiras, pelas diversas vozes do coro. Para acompanhar é melhor ir sem pressa, ser bem tolerante com o andamento e não querer entender palavra por palavra. Basta simplesmente imaginar mais ou menos a mensagem que está sendo dita naquele pedaço.
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Também acredito que ajuda vislumbrar a beleza da obra se, ao ouvir, a pessoa tiver em mente que o coro começa dizendo que o belo também deve morrer e que isso é repetido muitas vezes num clima crescente "Auch das Schöne muss sterben".
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Então a música faz referência a vários relatos mitológicos onde o belo teve que morrer, até que, depois de um longo resgate do tema feito pela orquestra, canta-se a conclusão final que diz que o belo morre sim, mas que é lindo ser uma canção de morte nos lábios da amada, pois o que não é bonito, o comum, desce às profundezas em silêncio, sem ser cantado.
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Esta conclusão também é repetida diversas vezes na frase "Auch ein Klaglied zu sein im Mund der Geliebten ist herrlich." E a palavra Herrlich (maravilhoso) é exaltada depois de uma intrincada preparação, pra depois ser repetida algumas vezes no decrescente final do coro.
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É uma inspiração pra ninguém botar defeito!!! Afinal, quem botaria defeito na inspiração que criou a mais bela obra coral-sinfônica do século XIX?!
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O clima que começa depois dos 4:20 da segunda parte é um absurdo de maravilhoso. Há um pedal que é mantido em Ré enquanto a harmonia vai sendo trabalhada, transformada, transtornada, distorcida e multiplicada pelo coro que vem cantando por cima da Orquestra.
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Valei-me meu Senhor!!! Tem que segurar pra não chorar quando chega nessa parte final.
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Eu diria que esse Brahms foi um moço muito bom no que ele fez, não é?!
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Para ouvir a obra, os vídeos são esses:
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Parte 1:
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E só mais um pouco
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Ampliando um pouquinho o tema, eu acho, sim, que a música clássica é superior à popular, não me importa os argumentos e, eu conheço muitos deles. Ela é, e, ponto final.
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Gastem um tempinho vendo os vídeos e procurando entender a letra e a tradução. Vale muito à pena!!!
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P.s: Isto tudo nasceu como e-mail, cresceu, virou post e agora está publicado.
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terça-feira, 2 de junho de 2009

Éééé marketeiro!!!

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Confesso que esta propaganda me levou a sair de casa hoje às 7 da manhã e enfrentar o frio bravo de São Paulo pra ir nadar e fazer exercícios depois de 10 anos sem fazer esporte. Durante todo o tempo o "Inspire-se" e a idéia do comercial ficavam na minha cabeça e foi o que me inspirou pra ir adiante. Tá certo que eu nadei mais devagar que o velho careca que estava na mesma raia que eu, mas eu estava inspirado. Funcionou!!!
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O vídeo está neste link:
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Espero continuar nadando...
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sexta-feira, 29 de maio de 2009

Fico só com o que é certo...

Escorpião
Incapaz de viver muito tempo na calma, apaixonado por transformações, é ansioso e exigente. Não lhe falta resistência nem energia e dá tudo de si em situações difíceis. Sente-se diferente dos outros, tem dificuldade em se integrar, ainda mais porque raramente está livre de tensão.
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Lúcido, espírito penetrante, crítico e perspicaz. Percebe nos outros o "defeito da couraça". Determinado, concentrado, confiante. Não se deixa influenciar, manda na sua vida, portanto é responsável pelo que lhe acontece. Pode elevar-se ou decair.
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Não gosta de ser contrariado, nem que indaguem dos seus motivos. Força situações, perspicaz, sutil, ardente, leal. Ajuda-se, se quiser, e aos outros. Vingativo, antagônico, sarcástico, violento. Auto-respeito, não se preocupa com o que os outros pensam, pois tem boa opinião de si. Tem como garantido. Bom julgamento. Também quer segurança emocional. Tudo ou nada. Ar impenetrável, face de jogador de pôquer. Não esquece quem lhe ajuda, nem quem lhe prejudica.
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Pode prejudicar a saúde com atividade derrotista, melancolia, excesso de trabalho ou de qualquer coisa. Poder de recuperação surpreendente. Garganta, nariz e órgãos reprodutores vulneráveis, varizes e hemorragias nasais.
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Seus desafios são constantes, principalmente nas áreas financeiras e sexual. Deve aprender a dar, receber e compartilhar recursos e prazeres. Ambicioso não aparente, espera oportunidade e pega-a imediatamente. Se usar seu grande potencial pode tornar-se pessoa influente.
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Corpo: Vigoroso e magro, de estatura media; porte robusto. Olhar magnético, linguagem envolvente. Ritmo biológico acelerado; energia concentrada na expressão física, inquietação motora. Atrai acidentes e morte brusca. Propensões auto destrutivas com grande poder regenerativo.
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Referência anatômica: genitais.
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Remédio de fundo: calcaria sulfúrica.
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Ervas harmonizantes: ginseng, guaraná, manjericão.
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Incensos: Almíscar, Ópium e Eucalipto.
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Psique: Ação das emoções sobre a base corporal. Inserção rebelde do ego aos contextos convencionais. Reflexos rápidos e audácia provocativa; caráter anti-conformista e criativo. Temperamento vital-motor; humor paradoxal. Pensamento engenhoso, de fluxo intermitente e conteúdo experimental; concentração dispersiva, memória seletiva. Gostos elaborados, hábitos inusitados; moral transformadora. Impulsos primários de rebelião criativa. Tendência à imprudência.
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Afetividade: Sensível, inconstante e erótica. Sensualidade experimental intelectualizada. Paixões ardentes e possessivas; emoções e sentimentos poderosos e imaginativos. Busca do novo e impensado. Amor ciumento, obstinado e rancoroso.
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Manifestação Dinâmica
Energética passivadora ativada por Plutão e Marte.
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Prevalecem a transmutação, a análise e a decomposição, o sentimento da finalidade, a ação passional no meio exterior.
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Está ligado à ousadia, determinação, perspicácia e criatividade, mas também ao autoritarismo, angústia, revolta e sadomasoquismo.
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Sua missão e seu Dom nesta vida
A Tí, Deus deu uma tarefa muito difícil. Terás a habilidade de conhecer a mente dos homens, mas não te concedeu a permissão para falar sobre o que aprenderes.
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Muitas vezes te sentirás ofendido por aquilo que vês, e em tua dor te voltarás contra Deus, esquecendo que não é Ele, mas a perversão da Idéia Divina, o que te faz sofrer.
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Verás tanto e tanto do homem enquanto animal, e lutarás tanto com os instintos em Tí mesmo, que perderás o teu caminho; mas quando finalmente voltares, Deus terá para tí o dom supremo da finalidade.
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Símbolo
Decomposição e fermentação das folhas caídas ao chão; devastação da natureza visível.
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Fermentação plutoniana, preparando a terra para novo plantio.
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Simboliza a morte, a destruição, as transformações ocultas.
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O seu carma nesta vida
É preciso construir para o Mundo e para a Humanidade um degrau, mesmo modesto.
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Não se deve praticar a magia negra, pois a punição será a demência.
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Sintonias Naturais de Escorpião
Cor: vermelho escuro e castanho
Metal: ferro
Pedras: opala, hematita
Perfume: sândalo, patchuli
Plantas: orquídea, acácia
Animais: lobo e águia
Condimento: pimenta, pimentão
Países: Noruega, Síria
Instrumentos musicais: percussão
Apóstolo: Judas Iscariotes
Orixá: Xangô
Personagem: James Bond, de Ian Fleming.
Elemento: água
Regente: Plutão
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Atrações de Escorpião
Capricórnio
Leão
Peixes
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Lema: Eu controlo
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Modo: Sentimento
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O Escorpião
Ele (a) é apaixonado(a). Não apenas a paixão amorosa, mas também a paixão pela política, pelo trabalho, pela amizade, religião, comida, crianças, parentes, roupas, vida, morte e qualquer outra coisa que você possa imaginar. Se você necessita de sutilezas ao invés de excessos emocionais, fuja dele.
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Se você se limitar a olhar para ele (a), pensará que não é nada disso. Ele (a) é tão calmo (a) e estável. Como alguém tão controlado pode ser apaixonado (a), ainda mais desesperadamente. Pois está apenas blefando com sua frieza superficial. Por dentro suas paixões são incandescentes.
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Olhe e tente ver o que se esconde por traz daqueles olhos penetrantes e hipnóticos. É mais do que certo que a impressão que ele lhe causou não foi neutra. Ou fez você pensar que ele é meigo e juvenil ou que é mau e perverso. O escorpião não é uma coisa nem outra, ou melhor, ele é ambas. A verdade é que ele é invencível.
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Por trás de sua fria reserva, há um caldeirão que ferve e borbulha continuamente. Ele confundirá você com seus dois traços de paixão e razão. Ele é mestre nos dois. Ele é governado pela inteligência e pelas emoções. Ele é mais do que inteligente. É profundamente racional, preocupado com os mistérios da existência e chegará bem perto de saber as respostas.
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Sua verdadeira natureza é sensual. Ele gosta de se cercar de luxo e tem tendência a exceder na comida, drogas, bebida e no amor. Com certeza, no amor. O escorpião possui um temperamento explosivo, capaz de provocar uma ferida para toda a vida. Ele não só gosta de vencer, mas tem de vencer. Quando perde, alguma coisa morre em seu interior; no entanto, é comum que ele tenha boa esportividade.
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Como todas as outras emoções, a decepção jamais transparece em suas feições impassíveis e suas reações são rigidamente controladas, inclusive suas intenções amorosas. Ele pode estar fervendo por dentro, mas projetará exteriormente uma calma glacial.
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O escorpião pode ter tanto horror ao pecado quanto um padre, atitude que produz líderes religiosos muito dedicados, ou pode ser levado pela curiosidade a penetrar cada nuança sombria do mistério humano. Às vezes, combinam-se ambas as atitudes, resultando na hipocrisia ou ilusão. Ele tem sua própria lei, e não se preocupa absolutamente com o que os outros possam pensar dele.
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Gosta de ser respeitado como um cidadão bom e sólido, mas se isto interferir com suas idéias ou seus objetivos, ele pouco se importa. Nenhuma de suas decisões é tolhida pela opinião dos amigos, parentes, vizinhos ou inimigos. Desculpe-me dizer, mas nem pela sua.
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Esta auto-repressão e certeza de propósitos pode criar um espírito livre e poderosamente atraente, que nunca se aborrece com o que as pessoas pensam.
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Possui honestidade, coragem e integridade para consigo mesmo.
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É uma verdadeira experiência vê-lo agir sob as nuvens negras da adversidade. Enquanto os outros ficam murmurando e resmungando, ele está no máximo de sua força e de sua coragem. Não se entrega à inveja e a auto-piedade, e acha que a vida não lhe deve nada.
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Quando surgem os verdadeiros problemas, ele os enfrenta de cabeça erguida. Ele brincará e rirá com os filhos, e lhes dará a sensação da liberdade, mas a linha divisória terá sido traçada, e eles sabem que não devem ultrapassá-la.
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FLORAIS DE BACH
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Chicory - Ciclorium intybus
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Quando envolvido em uma causa, se mostra construtivo e abnegado. Será líder pelo exemplo, jamais pedindo para alguém fazer algo que você mesmo não faria.
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Será ilimitado em seus esforços para fazer as coisas direito para os outros. Nesse papel, representará Espártaco - defensor dos fracos e oprimidos. Com muita coragem, transformará seu gosto pela briga numa causa louvável.
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Sua habilidade para sondar as fraquezas dos outros fará de você inexorável inimigo do mal. Protestará contra os vilões e levantar-se-á em leal defesa do inocente.
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Por que gosto tanto?!

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Por que gosto tanto do Clube da Esquina? Não sei. Sei lá se sei. Cogito. Talvez pelos meus tios e meus pais que ouviam, cantavam e cantam as músicas deles, mas acho que não é só por isso. Não gosto só pelas lembranças que me trazem. Apenas lembranças e influências seriam pouco pro tanto que me identifico com a coisa toda. Acho que aí está a palavra: identificação. Gosto do clima das músicas, do que imagino sobre as pessoas que faziam parte, me imagino no meio de tudo e acredito que estaria bem naquele meio. Claro que isso pode ter ligação com lembranças de infância, o eterno retorno e etc, mas acho que vai além. Eles são a tradução de Minas. Fizeram de si a tradução de Minas. Minas além do verbal. Minas universal. O que há de Minas em qualquer lugar, ou melhor, o que há de qualquer lugar em qualquer lugar: o homem universal. As letras têm uma poesia diferente, os arranjos uma sonoridade mágica, as melodias e harmonias são muito únicas. O que é Clube da Esquina soa de cara como Clube da Esquina e só Clube da Esquina soa como Clube da Esquina.
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Acho que o Clube merece bem mais que esse parágrafo daí de cima, mas fica pra uma próxima. Falei tudo isso porque quando estava fuçando na Internet, achei esse blog lá na comunidade do Orkut e um dos posts me chamou atenção.
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O endereço:
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http://pedro-rossi-clube-da-esquina.blogspot.com/
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O post:
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Mistérios de Bituca
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Quem foi ao show do Lô e Bituca, certamente observou a camiseta do Bituca. Ao mesmo tempo que aparecia a imagem de Três Pontas/MG, estava escrito PAZ.
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Ampliando a imagem nota-se mais claramente a palavra PAZ e o desenho das três montanhas de Três Pontas/MG.
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Se virarmos o desenho da camiseta e compararmos com o disco Caçador de Mim, notamos a semelhança.
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"Coisas" que só acontecem com o Bituca.
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Fantástico!!!
E ainda que todo esse gostar seja exagero de mineiro cego, eu não me importo nem um pouco... Pelo menos tenho eu uma coisa pra gostar pra vida toda, pois são sonhos e sonhos não envelhecem.

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domingo, 24 de maio de 2009

Post 565

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Palavra para Pai Guiné
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Vós coloca tua força e tua sabedoria a serviço do próximo
E isso é lindo e é pleno
Vós coloca tuas palavras de acordo com o que podemos ouvir
E isso é sábio
Vós escuta, no silêncio daquele que senta à tua frente, aquilo que se calou
Aquilo que não vingou, que não se fez vida
Que não foi posto a prova no caldeirão da realidade
E por isso, é por bem, que os caminhos sejam retocados
Se resistes, persiste, um dos grandes já disse
Tudo deveria acontecer ao natural
A vida fluiria se não puséssemos amarras
Os aprendizados chegariam no embalo das horas
Pois, no fundo, são simples, quase lógicos
Ou melhor
São lógicos
Mas a lógica nem sempre está às claras para as almas
E, ainda que às claras
Colocar-se em prática, não é pouca coisa
Por isso vós, tendo vivido
Sendo prova viva de que é possível
E estando no retorno ao princípio
Podes dizer, com propriedade
Sobre os caminhos do ir e do vir
Os atalhos e encruzilhadas da relação alma-corpo
Aquele que foi tantas vezes intelectual
Encontrou a maior plenitude na pele de um
Escravo
E isso é uma dica!!!
O que é a plenitude senão a plenitude de todos?
O inferno não são os outros, como outro dos grandes já disse
O inferno é não ter o próximo, não conseguir ser próximo
O homem, quando ilha, naufraga,míngua
“A vida só é boa quando se troca, meu filho”
Foi algo assim que ouvi de vós
São daquelas frases que mudam a vida de uma pessoa
E eu juro que, nunca mais vou esquecer disto
E de tantas outras coisas que ouvi de ti
O bem faz sentido
O bem tem razão
Não é apenas luz
Mas conclusão final
Seja qual for o caminho que se pense
O mal causa injúria
Não se está realmente bem senão no bem
A resposta está em si mesmo
Se tudo isso que vejo aqui neste terreiro não for o certo
Eu, sinceramente
Não consigo encontrar outra possibilidade para nós todos.
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Parabéns e muito obrigado por estar aqui!!! É uma honra.
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Wagner Passos – 1:20 A.M – 20/5/2009
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terça-feira, 19 de maio de 2009

O Processo – Franz Kafka

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Livro que, segundo algumas listas que correm por aí, está entre as 100 obras essenciais da literatura mundial. Durante todo o percurso, ficava em mim uma sensação de estranheza, o que não é estranho, afinal, estamos falando de Kafka, né!!!
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Costuma-se dizer que os livros deste autor geram incômodo. Seus personagens se vêem envolvidos por forças que escapam ao seu controle, são vítimas de um sistema maior. O absurdo se apresenta em meio a uma realidade banal ou, o que é pior: o absurdo é visto como uma realidade banal. Essas considerações se confirmaram quando li.
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Só um detalhe, o que é colocado aqui é o absurdo e não o fantástico, como no caso de 100 anos de solidão. O resultado é bem diferente.
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Acredito que uma boa maneira de definir um livro seja descrevendo a relação que ele criou ou vai criar com seus leitores e a impressão que resta ao final do processo que, neste caso, é “O Processo”. Para isso, tomo como base a relação que eu criei e a impressão restada em mim. Essa impressão, acredito, é construída a partir da sensação gerada ao ler, do quanto essa sensação se manteve, ou melhor, do quanto o autor foi capaz de manter essa sensação, e também da suposição de que era a intenção dele que a relação obra-leitor assim acontecesse.
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Isso, no fundo, é domínio de técnica. Criação e condução de idéia. Isso é emissor – mensagem - receptor, o solo básico da comunicação.
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O quanto essa idéia ou técnica continuará a encantar ou, pelo menos, a envolver e a ter relevância através dos anos, vai depender da sua força e também de outros fatores que escapam ao controle do criador. Eu acho!!!
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Achei importante explicar o que levo em consideração ao escrever uma resenha, afinal, já existe pelo menos meia dúzia delas postadas neste blog.
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Posto essa consideração geral, fiquei pensando em como explicar a sensação que o livro me trouxe e manteve no seguir das páginas, qual a engrenagem literária por trás das palavras. A linha que o autor se propôs era tênue e a intenção muito clara. Ótimo!!! E foi lendo o posfácio do tradutor Modesto Carone intitulado “Um dos maiores romances do século” que achei a descrição:
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...“Diante de tudo isso, a postura racional do leitor, em princípio estimulada pelo teor quase naturalista do texto, é incessantemente agredida por deslocamentos, sem que a coesão interna do romance dê margem a dúvidas sobre sua integridade enquanto expressão do pensamento organizado. Se a pretensão de Kafka era fazer o leitor se sentir “mareado em terra firme” (as palavras são suas), então ele consegui o que queria escrevendo O Processo.”
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Encontrar essa frase facilitou bastante.
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Para isso, há um tribunal num simples quarto de um complexo habitacional, um boquete gratuito, homens sendo espancados num cômodo de um banco, pessoas interligadas sem um porquê e, o pior, uma acusação que todo o livro correr em volta dela sem que ela mesma seja explicada. Tudo não aparecendo nunca ou aparecendo de repente, mas preenchido por enxertos de realidade jurídica que o autor conhecia tão bem, afinal, trabalhou com isso.
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Juntando o absurdo ao detalhadamente real num caldeirão de descrições em tom banal, tem-se uma ironia não presente, mas latente.
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Eis uma poção!!!
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Kafka morreu num manicômio. Era realmente louco e acho que aí residia sua genialidade dolorida. E realmente devia doer.
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“Tudo que não é literatura me aborrece.” - disse.
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Agora vamos à Viagem do Elefante. Novamente Saramago. Quando acabar, escrevo alguma coisa aqui.
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p.s: O personagem principal foi chamado de K...
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$-$-$ & #_#_#_#_#_#_#_#_#_#_#

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O dinheiro te dá uma (estreita) liberdade rasa.
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O conhecimento te dá uma (ampla) prisão profunda.
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Pipas e porões – Dilza Pinho Nilo

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Provavelmente o sétimo livro de Dilza Pinho Nilo. Antes deste vieram:
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* Longa Margarida (1965)
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* O Vento Virou a Esquina (1972)
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* Jeito de Amar (1976)
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* Convivências (1981)
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* Anjo-Homem (1984)
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E
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* Pássaro de Pedra (1983)
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Pelo que sei pelo que li de comentários, a autora mantém neste o mesmo ritmo dos outros, levando o leitor por caminhos de prosa poética, poesia proseada, crônicas que soam ao pé do ouvido, como casos de se ocorrer no interior. Frases de beleza simples, idéias calmas e, mesmo os questionamentos e dúvidas doloridos, sempre se mostram amalgamados pelo aroma do bolo de fubá e do campo, o clima familiar, o café-com-leite, o pão, a manteiga, o queijo. Um presunto!
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Sim, dúvidas são dúvidas como dúvidas são para qualquer um que as detêm detidos, mas aqui estão embaladas pela troca familiar de uma TV que já estava velha, ou pelo piano que viajou de longe para soar melodias bonitas ou pelo sabiá que canta na janela da manhã.
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- O sabiá foi-se embora sem se despedir!
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- Acontece, infelizmente, acontece! O que se há de fazer?!
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- Uma crônica sobre isso!
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Também há outros contos que contam sobre as traquinagens dos netos, a outra descoberta da adolescência de alguém próximo ou a adolescência outra da própria autora que se foi distante.
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Coisas comoventes do século passado. É necessário dizer.
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Mas seria injustiça não deixar também registrado aqui que, apesar de não ser um livro marcante, possui sim passagens das mais bonitas que já li em toda minha vida. Passagens de uma inspiração absurda sem nunca deixar a simplicidade ou, ainda que essa seja deixada de lado para se falar coisas complexas, as palavras soam simples, pois simples são. Não há um rebuscamento gratuito.
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São as mesmas idéias que chegaram numa profundidade complexas, mas são expressas por um vocabulário tranqüilo. Assustam pela verdade e o impacto do inesperado, mexem com o leitor, eu, mas nunca soam ilegítimas, excessivas. São armadilhas das boas e eu caí uma dúzia de vezes durante a leitura das 45 crônicas entremeadas por algumas poesias que se distribuem pelas mais ou menos 140 páginas do livro.
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Dilza, com certeza, foi uma mulher e tanto. Uma senhora do interior, mãe de família, professora primária (talvez), de inquietude quieta que a levou num caminhar admirável.
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Parabéns Dilza Pinho Nilo! Em teu tempo, teu domínio sobre tua palavra foi impecável!
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e, FIM

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Humildade é aconchego e,
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FIM
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terça-feira, 5 de maio de 2009

Esboços

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Já estava me incomodando meu blog estar desde 15 de abril sem coisas novas. Ando meio sem vontade de escrever, mas, como tinha esboços registrados num Word do meu desktop, resolvi mexer neles pra colocar aqui e assim acabar com o incômodo. São todos de pelo menos duas semanas atrás. Também, depois do dia 16 que eu vi uma palestra sobre neurociência e quase entrei em surto (mas não pelo que me foi dito na palestra) acabei esgotando um pouco minha cota de pensamento. De “Código Internacional das Possibilidades Humanas” até antes de “Atchim” tudo veio do dia 16 de abril. Eu até pensei que meu blog iria bater um recorde de posts se eu continuasse daquele jeito, mas depois veio só o "Atchim" por causa de uma gripe e junto com ela o último dos esboços deste post (21 de abril), daí parei desde então. Nem uma frasezinha anotada no celular, nem no caderno, nem na escrivaninha, nada. Até tive umas vontades, mas nada muito sério. Seguem os esboços...
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Inverno de soslaio
O inverno deu no espaço seu esboço
Pintou de sem cor minha visão
E deixou ficar o frio intacto
Estando latente sem muita validez.
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O ar cheira a montanha
Cheira a julho
Cheira a coisas que gosto.
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Mas o aqui é diferente.
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Aqui está em aquarela cinzenta
Moldurada de concreto
Habitada de nós apertados.
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Aqui está árvore que cai sem terra
Balança de vento que canta
E não pode ter a si mesmo no fim da vida.
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Há mais sentido no estar
Quando o frio envolve.
Um tempero intimista
Que comodista
Concordo em receber.
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O calor me é doloroso,
O frio me deixa em mim
No que me é natural
Aquilo que é dentro.
O som ecoa mais leve
E as batidas são mais silenciosas.
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Tudo dói menos quando não há sol
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Mas
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A plenitude costuma habitar a luz...
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Código Internacional das Possibilidades Humanas
Lei número 112345 - Parágrafo 976543 - Artigo 234567 – Versículo 48765 – Quebrada a esquerda
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Caso consigas te envolver do processo de te perder milimetricamente a rédea como acontece a um quase clínico de se aplicar uma injeção por experiência cínica de controle. Tudo como deixado em comparação, pois ainda que sim, seria menos, já que anterior referência é substância atemporal o que em decorrência de cinismo não ocorre à conseguinte póstuma deste redigido. Ser-te, se fores capacitado de ti em ti, pois, então, de tua vontade, se sentires de si mínimo, ser-te-á a ti.
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A arrogância desvalida toda glória e inibe todo perdão. Não há justificativa para ela.
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A caridade é tão boa, pois, o que fica contida do fato é a bondade fixada na memória, já o ato se vai a outro e, estando em outro, não pode ser quebrado pela razão do ser que a executou. A caridade se torna uma poupança segura de paz. A caridade é segura porque não fica no homem que a executa. Doação é entrega e permanece dentro em forma de memória marcada e fixada impressão de que se fez o próximo sentir melhor. E sendo o próximo, não pertence mais ao executante e não poderá ser desvirtuado pelo pensamento do homem que a trouxe retirando-a do infinito mundo das possibilidades. A troca é ainda mais segura que os nossos sentimentos mais seguros porque estes ainda podem ser modificados pelo calor dos momentos, mas a memória do bem que foi feito não, aí mora a segurança da doação. Um remédio contra a loucura. Um cais chamado: O OUTRO. Os outros são inferno ou paraíso, cabe a nós aprender a conquistar o resultado.
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Será que o pensamento chega num nível em que ele entra numa espécie de mediunidade racional? Um nível onde conexões se encadeiam numa velocidade absurda a ponto de trazerem, disfarçadas em si, idéias novas que a pessoa acredita ter sido ela a autora, mas que, no fundo, não foi? Não estou falando aqui de intuições inexplicáveis, estou falando de um processo passível de verbalização e explicação cética, ainda que estando além.
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Teoria por conspiração
O jeito da pessoa pode ser estudado pela relação crânio-queixo, a princípio. Isso já pode dar uma boa idéia do ser. Mas essa analise da alma e do jeito tendo o corpo como base pode ir bem além. Pessoas muito cabeçudas com queixos estreitos têm tendência à razão e são pouco corporais. Tendem ao racional, podem ter facilidade de lidar com idéias abstratas e a consciência de coisas sutis. Por outro lado tendem baixa consciência corporal e podem se desvairar caso haja soma de outros fatores. O fluxo energético mente-corpo é estreito e não é intenso. Obviamente que pode este fluxo pode ser trabalhado com esportes, dança e coisas que façam o centro de consciência da pessoa baixar, mas isso não é uma tendência natural daquela alma. É necessário dizer que não são regras. Nenhuma característica física determina características da alma, mas é capaz de condicionar e mostrar tendências.
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- É loucura isso? – Alguém pode perguntar
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E eu respondo:
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- Não... Cogitar com satisfação não faz mal a ninguém!!!
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O que será isso que é anterior a tudo que posso?
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Estamos na fase da solidão profunda, mas também da ignorância e da falta de privacidade. Seres nos olham sem que possamos notá-los e nossa integração não consegue ultrapassar as fronteiras físicas naturais. Ossos do ofício humano.
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Atchim
Quando estou doente fico ligeiramente sábio. Fico constante, calmo, penso bem, penso leve, penso fundo, controlo minhas intenções, essas traiçoeiras que antecedem os pensamentos indigestos. Olho com um certo carinho pros outros, todos os outros, converso sem problemas, com estranhos, com conhecidos. Tenho algo apaziguado aqui dentro. Talvez esse algo não seja nada de mais. Talvez possa ser chamado simplesmente de febre, desânimo, catarro, coisas do tipo. Mas como não sou do tipo que gosta de tomar remédios, fico e deixo-me estando nesse estado de latência, vendo o que acontece. Gosto desta calma.
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Depois de experimentar todas as possibilidades de perversão que a minha criatividade me esboçar e minha firmeza me conceder, entregar-me-ei eu, enfim, ao amor. Mas não há pressa.
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Não há?!
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quarta-feira, 15 de abril de 2009

Itanhandu das antigas (Lindoooo!!!)

“...
O menino não queria para si o móvel, queria o espaço que este lhe abria. Liberdade era a sua ânsia. O móvel delimitava o seu horizonte, por isso desprezou-o, fugiu.
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Mas a menina nele concentrou suas esperanças. Num batismo de beleza e graça, ela se associou a ele e adquiriu a liberdade de o merecer.
...”
Texto: A Estante, na Sala – Livro: Pipas e Porões – Autora: Dilza Pinho Nilo
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segunda-feira, 13 de abril de 2009

Ovo de páscoa 1 (Quaresma 2009)

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A sensação e os tapinhas (ui!!!)
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Para se escrever uma poesia é necessário, antes de tudo, ter e reconhecer em si ou, até mesmo, saber criar em si, a sensação que antecede a criação. Além disso, é necessário saber como alimentar essa sensação interna com as idéias que surgirem durante a escrita.
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Mais do que o encontro da palavra exata, é antes a sensação etérea a responsável pelo seguir adiante.
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É claro que também se precisa de vocabulário suficiente e um mínimo de sanidade pra não desvairar escrevendo frases sem um nexo aceitável ou simplesmente notável.
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Mas, repito que, antes de tudo, é necessário ter a sensação, a vontade, o ímpeto que vai te impulsionar e te fazer destrinchar palavras.
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Concordo que, às vezes, o ímpeto nasce de uma idéia ou de uma frase. Tem-se a idéia do que se quer falar e essa idéia trás a sensação interna que transborda em vocábulos.
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Mas a idéia nem sempre é a primeira da cadeia e, com certeza, não é o alimento mais presente no processo.
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Algumas vezes pode-se ter somente a vontade de fazer, o que foi chamado aqui de sensação. Tem-se a sensação sem saber ao certo como colocá-la em funcionamento, qual caminho seguir, mas é ela e o como a manteremos que fará nascer o sustento da poesia.
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Aquela ânsia que pelo sei-lá-como-sustento se sustenta é que faz acontecer o poema da carne ao mundo, do santo ao signo, do inexistente ao estabelecido palpável ainda que por vezes virtual.
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E assim vinga!!!
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O acontecer literário unifica em si a criação e a criatura que em instantes se dividirão irremediavelmente tomando cada uma seu trajeto situado, de novo, eternamente no limite dos solitários.
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Aliás, a criação também possibilita a extinção, ainda que ligeira, da solidão. Ela é um esboço profano do estágio Deus.
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Será que talvez só ela seja realmente capaz?
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Não sei!!!
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Sei que, criar é tencionar a barreira do possível, inaugurar possibilidades, lamber o nada trazendo do gosto o gesto e do gesto o resto. E o resto é a arte, a simples conseqüência do gosto, ou, em outras palavras, da sensação, ainda que aqui não mais a sensação da criação, e sim da realização.
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A arte é o acaso, o suposto esquecível e descartável não fosse o que a antecede, a sustenta e a sucede: a sensação!!! Esta sim, a imperatriz dos tempos da carne.
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E depois da sensação?
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Depois são os tapinhas, aqui e ali.
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Vocábulos inócuos, sustentáculos intrínsecos no estábulo próprio.
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A propósito, proparoxítonas soam chique!!!
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Enfim,
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Uns tapinhas...
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Ui!!!!!!!!!!!
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Ovo de páscoa 2 (Quaresma 2009)

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Carlota Joaquina e Eu
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- Deus é uma catarse criada pelo homem!
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- É mesmo senhora Carlota Joaquina? Não sabia disso. Me confundi pra sempre agora!!! Achei que ele servisse de catarse, mas não que fosse uma catarse em si.
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- Deus é uma catarse de tudo. Ele é meio e fim. Não somente serve de catarse, como é uma.
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- Mas então, se ele é fim, ele não é criado pelo homem. O homem não geraria por si mesmo seu próprio fim já que não gerou seu início e assim a senhora cai em contradição.
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- Mas daí é que mora o perigo, meu caro rapaz. Por usarmos de um meio inventado, permitimos que ele se torne o nosso fim. Caso não usássemos deste meio, o fim seria outro que não Ele mesmo.
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- E qual seria esse outro fim?
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- A loucura!!! Afinal, como diria Machado de Assis: “o inferno é o hospício dos incuráveis.” KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
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- Entendi bem seu recado!!! Muito prazer, viu, senhora Carlota Joaquina.
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- KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
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- Minha senhora, tudo bem com a senhora?!
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- KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
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- Vixi!!!
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Ovo de páscoa 3 (Quaresma 2009)

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Catálogo de sensações
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Comecei hoje a catalogar todas as possibilidades de dentro de mim, todas as invenções do meu lado interno, todos as minúsculas variedades de sintomas que tamborilam ou que já tamborilaram nas veias e vielas do meu reino, carne, sangue, tendões e nervos, todas as configurações do sentir, todas as combinações do pensar, um organograma de forças internas, a hierarquia das relevâncias, das verdades, das mentiras que valem a pena, dos mecanismos de auto-defesa, das encruzilhadas da razão-emoção, das reações ao alheio e aquilo que dentro corresponde a ou, realiza, cada reflexo externo, todas as nuances de desejos e perversões, os medicamentos que acalmam, as caraminholas que até me lisonjeiam, os conselhos que não me fazem mais sentido, aqueles que eu posso falar com propriedade, os assuntos que mais domino, as palavras que ainda soam bonitas quando ouvidas e aquelas que só são bonitas quando vindas de mim, as convicções que escoaram com o tempo, as inovações que nunca pensei até pensá-las de assalto refém de mim, as arenas da memória que não são mais solicitas ao meu lembrar, as análises de pessoas que se foram, e também um repasse das que ainda estão aqui, o esmiuço da cronologia dos momentos, os picos de felicidade, as ladeiras das tristezas e os poços mais fundos onde já dormi pra nunca mais deter-me consciente, os balaços no abismo do sem medo e as covardias mais sinceras e sem motivos, banais, os milhares de sons e suas combinações, o sim e o não que mais de marcaram, as manifestações que se tornaram duráveis e por isso verdadeiras, as introspecções que já foram horríveis e absolutas e incríveis e detestáveis e sufocantes e envolventes e sensuais e vergonhosas, mas que hoje não passam do limite do sem sentido algum, tudo isso e cada um disso tudo e os respectivos alelos paralelos: razão-sensação. Ao término desse catálogo terei eu a mim.
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Ovo de páscoa 4 (Quaresma 2009)

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Lógica desléxica
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Não vejo lógica na caridade, não vejo lógica na razão intelectual, na confissão do erro, na admiração da beleza, no aprendizado esforçado, no baixar a cabeça, pois sou mais o convite à risada altiva de ambas as partes do que o sacrilégio de uma delas esboçar o mínimo de infelicidade. Vejo sentido no suprimento imediato de todas as vontades pessoais. No prazer como o fim único da vida, pois estamos no tempo da carne e a carne é a senhora da lógica do agora e seu principal atributo é o prazer. Vejo lógica somente na sensação, no bem estar, na risada, no deboche geral, na felicidade e no gozo incessante e absoluto capaz de sustentar a consciência em estado de graça para que nunca caias em desgraça. Se não conheces nem tens tempo de vislumbrar a desgraça, tu te tornarás um santo ungido de prazer. O que sinto é absoluto, instável, mas busco a estabilidade do prazer que se esvai constantemente. Essa é a minha lógica. Assim dou meus passos. A troca, finalidade última, em mim, é escambo de entrega do prazer mútuo. Dar e receber prazer em formas sempre inéditas, subversivas, inesperadas. Não é necessário sofrimento algum para aprender as coisas da vida. Por que aprender a sofrer se se aprende a sofrer justamente pra não sofrer mais? Basta pular possibilidades descartáveis e ir direto ao resultado. Basta trilhar caminhos da satisfação e da permissão, da auto-expressão eterna e tragar pela ânima robusta e convicta a catarse capaz de levar além sem desvios. Afinal, a felicidade é o fim e, no tempo da carne e suas determinações, o prazer prolongado ao impossível é o caminho direto e sem cortes ao céu e seu fim. E pergunto: que prazer terei em permanecer alguns minutos sem rir, gargalhar? Sorrir não basta. Quero o êxtase incessante. Quero o fôlego arfante das piadas constantes e amontoadas num caos de ligeiras gracinhas que se desenrolam em grupos enormes de amigos e escrachos sombeteiros. Quero o interminável das horas arrojadas que tamborilam noites e dias pelos espaços afora e adentro no encaixe milimétrico da surpresa de sobressalto. Mas por que a lógica do serviço se sobressaiu? A lógica do sobressair-se acima? Bastaria que todos se complementassem doando-se pela lógica da carne no tempo da carne. A única lógica indisponível em mim é o malefício ao outro, incluso na intenção do sujeito atuante, fora isso, seriam façanhas de corpo e alma, no balanço do melhor possível no templo completo do prazer. Nisso se inclui a arte, pois a arte pode trazer isso de forma digna. A arte é o ponto entre a possibilidade e a concretização, ainda que medíocre, do sonhando sonhado no sonho do sonhador. Eu.
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Ovo de páscoa 5 (Quaresma 2009)

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Homemúsica
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"Antes de tudo, a música... E todo o resto é literatura"
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ARTE POÉTICA
(Paul-Marie Verlaine)
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(Tradução de Augusto de Campos)
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Antes de tudo, a música preza
portanto, o ímpar. Só cabe usar
o que é mais vago e solúvel no ar
sem nada em si que pousa ou que pesa.
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Escolher palavras é preciso,
mas com certo desdém pela pinça;
nada melhor do que a canção cinza
onde o indeciso se une ao preciso.
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uns belos olhos atrás do véu,
o lusco-fusco no meio-dia
a turba azul de estrelas que estria
o outono agônico pelo céu!
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pois a nuance é que leva a palma,
nada de cor, somente a nuance!
nuance, só, que nos afiance
o sonho ao sonho e a flauta na alma!
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foge do chiste, a farpa mesquinha,
frase de espírito, riso alvar,
que olhe do azul faz lacrimejar,
alho plebeu de baixa cozinha!
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a eloquência? torce-lhe o pescoço!
e convém empregar de uma vez
a rima com certa sensatez
ou vamos todos parar no fosso!
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quem nos dirá dos males da rima!
que surdo absurdo ou que negro louco
forjou em jóia este toco oco
que soa falso e vil sob a lima?
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música ainda e eternamente!
que teu verso seja o vôo alto
que se desprende da alma no salto
para outros céus e para outra mente.
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que teu verso seja a aventura
esparsa ao árdego ar da manhã
que enche de aroma ótimo e a hortelã...
e todo o resto é literatura.
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Depois de ver o espetáculo, quis escrever...
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A tentativa de recapturar um ritmo perdido
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To cansado de falar desses temas, mas fazer o que se são esses os que mais passam na minha cabeça.
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I
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Qual seria o tema que mais me ins-piraria
Enlouqueceria-me dentro
Doido de vontade de descrever
As nuances infinitas de tudo?
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Há tempos não passo do médio...
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Qual objeto passível de entendimento
Desentendimento ou mitologia
Me faria gostar do verbo
E EXECUTAR o verbo
Como já cheguei a fazer
Por tantas outras vezes?
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Qualquer geometria
Temática ou táctil
Possui angulações lógicas
Incontáveis
E deliciosamente misteriosas
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Qualquer algo existente
Pode ser desmembrado
Em múltiplas palavras
Calabouços da mente
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Tudo pode gerar inspiração
E
Se tudo gera
Por que não gera mais?
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Qualquer objeto é mais intrincado
Na utilização humana
Que em sua própria
E sombria
Substância
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É necessário tornar as coisas interessantes
Além do que se aprisiona de cara
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E
Não é necessário ter o céu e a terra
Como margens
Para se vislumbrar
Os tantos muitos
E desconhecidos mistérios
Que a vã filosofia julga cogitar
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Bastam-me duas orelhas
Basta a qualquer um
Para estabelecer as fronteiras
De um mundo encharcado de cogitações
Filosofias, mistérios, coisas vãs e vis
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II
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Toda filosofia é vã
Mas ainda sim filosofia
Condição intrínseca à alma
Que pensa
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E toda alma pensa
Portanto
Toda alma filosofa
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Filosofia
Pouco importa o nível
Vale a execução
E só
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Pois quem saberia dizer
Com propriedade
Ser mais belo
O mundo de Nietzsche (Nietristche)
(Três pratos de trigo para três Nietzsches tristes)
Que o de qualquer um de nós?
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A filosofia é vã
Claro!
Ninguém precisa dela pra sobreviver
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É mais ou menos por isso
Que já disseram ser
Todo pensamento ilógico por princípio
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Mas quem disse que estamos aqui
Só pra fazer o necessário?
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Fazemos também o desnecessário necessário
Nunca somente o vital
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Pois quem disse que estamos aqui
Só pra viver?
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O simples é fim e começo de ciclo
O início é o esboço do fim
Mas deixemo-nos ir e bater cabeça
Depois voltaremos mais apaziguados
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E é nesse ir e voltar
Que acontecem as maravilhas
Que entretêm o criador
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As estruturas físicas
A lógica natural
São barreira e alimento
Para o pensamento humano
Que também não se basta aí
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Elas possuem sua lógica
Seu mundo
Seu diverso
Sua diversão
E criam o sustento
O fomento
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Fomente sua mente
A fome da mente
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Dê fome pra ela
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O inanimado é minimalista
Mas tudo é infinito se assim formos capazes de o fazer
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III
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A criação de Deus
Seria menos infinita não fosse o homem
Menos criativa
Menos bela
Menos profunda
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O homem dá beleza a Deus
(e vice-versa)
Cria novidades impensadas pelo criador
Aprofunda aquilo que
Apesar de dito tudo
Ainda nunca será tudo
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A liberdade é criadora
Ainda que enganosa
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O livre-arbítrio
É a forma que Deus
Encontrou pra se divertir
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Saber de tudo deve ser muito chato
Cansativo
Então criou-se seres que se crêem independentes
Criou-se o mal para dar colorido aos fatos
Tempero ao tempo
E o livre-arbítrio
Para enganar os homens por mais tempo
Com a falsa idéia de liberdade
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Prever a eternidade sem margem de erro
Traçar planos
E depois não se preocupar com a sua execução
Deve ser monótono por demais
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Se saber de tudo é chato demais
Criar a possibilidade
De perder irreversivelmente o controle
Também não seria do feitio de Deus
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O livre-arbítrio não é liberdade
Aquilo de poder escolher tudo
É uma enganação
Simplesmente porque
Há regras que não se quebram
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Toda alma tem uma missão
E missão é prisão
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Toda alma carrega ignorâncias
E ignorância É PRISÃO
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Deixemos de lado a ilusão da liberdade
Estamos aqui a serviço
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Todos estamos aqui a serviço
Não estamos a passeio
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Você não pode fugir da existência
Mas você pode fazer ela mais agradável
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Isso é livre-arbítrio
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Livre-arbítrio é poder se decidir
Entre caminhos pré-estabelecidos
Mas nunca será
A criação de uma própria alternativa infinita
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IV
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Deus se diverte compenetradamente com os homens
Leva a sério essa grande guerra de brincadeira
Que ele já venceu desde sempre
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Mas se sem dificuldade não há interesse
Como se divertir sem esforço?
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A diversão está no inusitado
De um processo com um fim determinado
E irretocável
Afinal Deus não criaria sua própria derrota
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A diversão está no entre
A travessiaEstá em ver brotar a arte
A ciência
A sabedoria
De nós pequeninos
Peregrinos
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A diversão está em esperar ansiosamente
Que algum cientista descubra
A cura para um mal
Milimetricamente criado pela engrenagem
Na instantaneidade do sem tempo
E que,
Se veio,
Fundamento tem
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Deus observa os homens
Na esperança de caçar novidades
Como um telespectador
E assim acabar um pouco
Com seu tédio maniqueísta
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Ele gosta bastante da gente
A gente o faz dar boas risadas
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Nós somos encantadores
Miniaturas perdidas e ignorantes
Dignas de dó
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Mas somos capazes de surpreender
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A beleza está em ver brotar
Das mentes, cérebros, corações
Almas e espíritos
O novo
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Por vezes aquilo que Deus nunca pensou
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Quem diria o contrário?
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Se se diz isso, assim posso
Pois quando criando sem penúria
As regras se estipulam
Na mínima lógica despretensiosa
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Se o poema leva alguma inquietude
Inquietude nenhuma faz mal
O que faz mal é lamentar a adrenalina
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Adrenalina que jorra é gozo
Adrenalina contida são dores
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Eu tenho dores dentro de mim
E a arte é meu analgésico
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O amor também
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V
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E eu nisso tudo?
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Eu cogito mentiras na busca de uma realidade maior!!!
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E continuo afirmando que seremos um
Afinal,
Como acabar com as injustiças
Senão oferecendo um prêmio único a todos?
E como acabar com a profunda solidão
Senão permitindo a integração absoluta com tudo?
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VI
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Por que aquele que cria é mal visto no mundo de hoje?
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Seria mais respeitável
A disciplina
E
O talento
Do executivo
Que o do artista?
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É uma pena que todos nós tenhamos feito chegar neste ponto!!!
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p.s: Não deu muito bem pra reconquistar o ritmo!!!
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p.s 2: tenho críticas sobre o Homemúsica. Me pareceu um rearranjo mal feito de textos já existentes que estavam guardados na gaveta.
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p.s 3: as músicas do espetáculo, em geral, eram muito parecidas. É sempre a mesma levadinha na guitarra e a verborragia característica do autor, diretor e ator que, no fundo, é somente um bom poeta inquieto: Michel Melamed .
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