sexta-feira, 23 de março de 2012

As Aventuras de Tim Tim


 

Texto adaptado…

Tim Tim se mete em confusões, sem querer, quando resolve comprar um barco em miniatura.

O personagem principal e seu cachorro Milu descobrem que, neste modelo de um antigo navio, está escondido um segredo de piratas.

Atraído pelo mistério centenário, Tim Tim se vê na mira de Ivan Ivanovitch Sakharin que quer este segredo que Tim Tim descobriu em seu barco, para poder encontrar um tesouro valioso ligado a um velho pirata cruel chamado Rackham, o Terrível.

Tim Tim encontra o Capitão Haddock, beberrão inveterado, que precisa ajudá-lo a descobrir este mistério por detrás das palavras encontradas num pergaminho pequenino e que tanto chama a atenção do vilão.

Um acerto de contas de outras vidas!!!

Há cenas magistrais, lutas fantásticas, perseguições, correrias, pitadas de piadas!

Uma animação que beira o real em alguns pedaços, tamanha a perfeição das pinturas, dos cenários e etc.

Uma estória de heroísmo, companheirismo, superação e coragem!!!

Gostei demais!!!


Curiosidades:

Inicialmente, o longa tinha o subtítulo ‘O Segredo do Licorne’.

Spielberg dirige o primeiro e Peter Jackson o segundo filme da franquia. Caso Jackson e Spielberg não encontrarem um diretor de nível para assinar o terceiro. James Cameron está em negociações para comandar o terceiro filme da franquia.

Os filmes utilizarão a tecnologia 3D digital de captura de movimentos.

Jamie Bell, conhecido pelo ótimo ‘Billy Elliot’, vive o protagonista. O ator substitui Thomas Sangster (‘Simplesmente Amor’), que precisou abandonar o projeto depois de atrasos nas filmagens.

Os personagens Tintim (um jovem jornalista) e Milu (seu cachorro) apareceram pela primeira vez em 10 de janeiro de 1929, no Le Petit Vingtième, um suplemento do jornal Le Vingtième Siècle destinado aos jovens e posteriormente acabou ganhando uma série animada.


Ficha Técnica
Título no Brasil: As Aventuras de Tintin: O Segredo do Licorne
Título Original: The Adventures of Tintin
País de Origem: EUA / Nova Zelândia
Gênero: Animação
Tempo de Duração: 107 minutos
Ano de Lançamento: 2011
Estréia no Brasil: 20/01/2012
Estúdio/Distrib.: Sony Pictures
Direção: Steven Spielberg
Produção: Peter Jackson, Kathleen Kennedy, Steven Spielberg
Roteiro: Steven Moffat, Edgar Wright, Joe Cornish, baseado na obra de Hergé
Fotografia: Janusz Kaminski
Trilha Sonora: John Williams
Ano: 2011
País: EUA/ Nova Zelândia
Cor: Colorido
Distribuidora: Sony Pictures
Estúdio: Amblin Entertainment / The Kennedy/Marshall Company / WingNut Films / Columbia Pictures / Paramount Pictures / Nickelodeon Movies / Hemisphere Media Capital
Classificação: Livre

Elenco
Daniel Craig … Ivanovich Sakharine
Jamie Bell … Tintin
Simon Pegg … Inspector Thompson
Andy Serkis … Captain Haddock
Cary Elwes … Pilot
Toby Jones … Silk
Nick Frost … Thomson
Sebastian Roché … Pedro
Tony Curran … Lt. Delcourt
Mackenzie Crook … Tom
Kim Stengel … Bianca Castafiore




Balaio

 
Teatro de experimentação, inserido no projeto do SESC Consolação batizado de Primeiro Sinal, que visa dar espaço a explorações de novos caminhos teatrais.

Este projeto nasceu no CPT – Centro de Pesquisa Teatral, dirigido a anos pelo mito, Antunes Filho. Antunes Filho foi o idealizador da série Prêt-à-Porter, idealizada há quinze anos atrás, num momento em que o diretor estava insatisfeito com o exagero dramático dos atores de sua companhia.

Sua idéia, como já traduz o título do projeto, era uma elaboração teatral que soasse mais natural, mais pronta, que saísse dos atores de maneira mais espontânea. Por isso Prêt-à-Porter: Pronto para levar.

Pronto para levar aos palcos!!!

Foi desta estimulação ao novo que nasceu o espetáculo Balaio.

Com criação, direção e atuação de Camila Turim, Carolina Sudati, Cristiano Salomão, Isabel Wilker, Mariana Delfini, Nathalia Correa, Stella Prata que no Espaço Beta no terceiro andar do SESC, durante 60 minutos quase cravados, nos levaram por três cenas um tanto inusitadas.

São elas:

Pai – com poucas palavras e com bastante evocação, por meio de objetos do cotidiano, das memórias comuns há muitos de nós, os atores propõem relances de significação da figura paterna. É bastante interessante o embate físico entre uma mulher e um homem que se dá no fundo do palco. Também é comovente ouvir a atriz dizendo que no início seu pai era colorido: marrom, abóbora e verde, pois era assim que ela o via nas fotografias tiradas na época em que ela nasceu. Fotos antigas e desbotadas! Além disso, seu cheiro era de graxa e suor durante semana, e perfume nos finais de semana. Em contraposição a isso, atualmente seu pai era cinza. Cabelos cinzas, pelos cinzas saindo das camisas, dos dedos dos pés e das mãos. E hoje em dia ela tem cheiro de sabonete e ainda do mesmo perfume que ela usava na época da sua infância.

A Quadratura do Círculo – uma artista, em pontos de falência total, acaba cometendo algo do qual ela reluta para não se arrepender. Uma artista circense, caricata, endoidecida, belamente interpretada por uma jovem atriz, traça um monólogo sobre as condições e os motivos que a levaram ao assassinato: ela já havia perdido tantos, não queria perder mais uma para “aqueles outros”. Mostra a falência do circo perante outras formas de entretenimento e de como o artista se míngua diante do seu abandono por parte dos que o admiravam.

Para Narizes Bem Preparados – a mais radical das cenas. O título me chamou bastante a atenção. Pensei comigo: já vem alguma coisa mal cheirosa. E veio mesmo. Numa proposta quase totalmente sem sentido, duas atrizes começam tirando um peixe do aquário e o deixando fora d’água, até que alguém da platéia se manifestou e pediu que o colocasse novamente dentro da água, pois ele iria morrer. Logo depois deste impacto inicial, uma atriz descasca uma cebola, lança cebolas por todo o palco, enquanto outra faz um colar de corações crus de galinha e amarra-o no seu pescoço. Lançam-se, então, em divagações, choram de maneira exagerada, usando estes elementos irritantes já citados. Depois começam um bailado cômico em meio aquela situação totalmente absurda, o que leva alguns aos risos, como eu, enquanto outros permanecem estupefatos. A loucura da situação era genial! Duas artistas, uma delas com um colar de corações cru de galinha, dançando em meio a um bando de cebolas esparramadas. Elas ainda divagavam sobre amores não vividos, arrependimento da vida e coisas do tipo. Isso foi uma das coisas mais hilárias que eu já presenciei na mina vida!!!

Fechou com chave de ouro!!!

São cenas totalmente desconexas umas das outras, mas que possuem em comum o fato de serem experimentalísticas, aproximando-se de instalações das artes modernas, videoarte, performances. Na verdade, tirando a cena dois, o conjunto é mais performático do que teatral.

Gostei até!!!



Fernando Pessoa – Uma quase autobiografia – José Paulo Cavalcanti Filho



Um gigantesco livro, com mais de 700 páginas sobre a desconhecida história de Fernando Pessoa.

O livro se propõe a ser uma quase autobiografia, como diz seu subtítulo.

A principio, isto soou-me interessante, e foi até o que me levou a comprá-lo. Mas depois do início da leitura, alguns trechos ficaram bastante forçados.

O autor procurava encaixar partes de escritos do próprio Fernando Pessoa para falar das coisas da sua vida. Trechos que não necessariamente foram escritos para falar sobre aquela situação específica.

Ou seja, se Fernando Pessoa falava escreveu algo sobre um amor não realizado, o autor colocava estas frases logo depois de narrar um episódio em que ele, Fernando Pessoa, havia marcado um encontro com sua amada e não teve coragem de ir!

Mas não necessariamente Fernando Pessoa escreveu isso para aquela situação!

Esta jogada possui pontos interessantes, mas, no geral, me incomodaram um pouco, pelo motivo já apresentado acima!

No entanto, o começo é bastante impressionante...

Nos primeiros capítulos é mostrada toda sua genialidade em texto como estes:



Título: À minha querida mamã

Eis-me aqui em Portugal
Nas terras onde eu nasci
Por muito que goste d’ellas
Ainda gosto mais de ti.

Fernando Pessoa 26-07-1895 – 7 anos de idade



Ou este outro poema, também dedicado à mãe, que Fernando Pessoa fez com apenas 13 anos de idade.



“Ave Maria”.
Ave Maria, tão pura
Virgem nunca maculada
Ouvide a prece tirada
No meu peito da amargura.

Vós que sois cheia de graça
Escutai minha oração,
Conduzi-me pela mão
Por esta vida que passa.

O Senhor, que é vosso Filho,
Que seja sempre conosco,
Assim como é convosco
Eternamente seu brilho.

Bendita sois vós, Maria,
Entre as mulheres da Terra
E voss'alma só encerra
Doce imagem de alegria.

Mais radiante do que a luz
E bendito, oh Santa Mãe
É o Fruto que provém
Do vosso ventre, Jesus!

Ditosa Santa Maria,
Vós que sois a Mãe de Deus
E que morais lá no céus,
Orai por nós cada dia.

Rogai por nós, pecadores,
Ao vosso filho, Jesus,
Que por nós morreu na cruz
E que sofreu tantas dores.

Rogai, agora, oh Mãe querida
E (quando quiser a sorte)
Na hora da nossa morte
Quando nos fugir a vida.

Ave Maria, tão pura
Virgem nunca maculada,
Ouvi a prece tirada
No meu peito da amargura.



Os negritos indicam as partes da oração original da Ave Maria.

Mas nem tudo é impressionante na história deste gênio.

Sofreu muito, se perdeu muito, teve poucas coisas publicadas em vida.

Foi reconhecido por apenas um pequeno círculo de amigos literatos da cidade de Lisboa.

Sofria de depressão. Fumava demasiadamente. Bebia. Possuía uma mediunidade descontrolada.

Mexia com magia, psicografia, astrologia. Flertou com a Teosofia de Helena Blavatsky.

Finalizou poucas coisas em sua vida!

Sonho muito e caminhou pouco! Poucas coisas foram concretas e realizadas!


Elaborou tratados sobre os mais diferentes assuntos. Iniciou diversas obras que não foram acabadas.

Há registros de 127 heterônimos nos seus escritos, entre espíritos que assinavam suas psicografia, personagens que ele inventava para escrever dentro de algum determinado estilo literário, e registros de disparates.

Era tímido, muito educado. Não tinha muito traquejo com as mulheres. Não se sabe se morreu virgem.

Escrevia cartas fictícias entre seus heterônimos.

Uns tempos antes de sua morte, pressentindo sua aproximação, colocou-se a terminar e organizar seus papéis dentro das arcas que ficavam no pequeno quarto onde morava na cidade de Lisboa, juntou com outros parentes.

Falava de Portugal como sendo o próximo grande império do mundo e ele seria o que ele chamou de Supra-Camões, um escritor que iria superar Camões e revelar este novo império para o mundo.

Adorava crianças e elas também o adoravam! Era um home distinto, seco de carnes, muitíssimo educado, culto, leitor voraz de diversos clássicos, falava baixo, gesticulava pouco!

Uma figura intrigante que eu gostaria de ter conhecido!!!

Uma vida de criação sublime, mas humanamente podada e irrealizada!!!



Camerata Fukuda

 
Fui ver a apresentação deste grupo sem querer. Na verdade fui ver o espetáculo Balaio, mas, chegando lá, para minha surpresa, o espetáculo estava lotado e iria começar na mesma hora esta apresentação da Camerata.

Este era o terceiro concerto de um total de quatro que seriam realizados no mês de Março no Teatro Anchieta do SESC Consolação. As apresentações ocorreram nos dias 6, 7, 13 e 14, sempre as 21 horas.

Elas integram o projeto Família de Cordas, um evento do SESC que visa formar um documentário sobre a utilização do violino, da viola, do violoncelo e do contrabaixo acústico no cenário erudito.

Gostei muito do resultado!

A Camerata apresentou quatro peças. Todas dos séculos 18 e 19.

São elas:

Antonio Vivaldi - Concerto para dois violinos em Lá menor RV522 Op. 03 No. 08 "L'Estro Armonico"; Solistas: Ariel Sanches e Wellington Rebouças. Allegro Larghetto e spiritoso Allegro

G. Ph. Telemann- Concerto para Viola e orquestra de cordas Solista: Eric Licciardi 1° movimento: Largo 2° movimento: Allegro

J. Haydn - Concerto Nº 1 em Dó Maior para Violoncelo e Orquestra de cordas Solista Rafael Cesário 1° movimento – Moderato

Benjamin Britten –  Simple Symphony - Boisterous Bourrée - Allegro Rítmico - Playful Pizzicato - Presto Possíbil - Sentimental Saraband - Poco lento e Pesante - Frolicsome Finale - Prestíssimo con moto.


Esta última, que fechou a noite, é a famosa “Sinfonia Simples” de Benjamin Britten. Foi composta em 1934, resgatando temas da infância e da adolescência do compositor inglês.

A primeira das peças mostrava a função dos violinos. Houve um belíssimo quarteto deste instrumento que serviu de linha mestra para a condução dos temas.

A segunda peça mostrava a sonoridade da viola, num solo virtuoso do jovem instrumentista.

A terceira peça mostrou o violoncelo, no que foi, pra mim, a mais bela das interpretações solo desta Camerata.

E por último, houve um tema solado pelo contrabaixo, usando arco, que também foi bastante tocante. Um rapaz bastante jovem, com cara de músico, executou naquele instrumento enorme, linhas de grande dificuldade!

Como música clássica é bonita!!! Tem um brilho único!!!



Dead Poets Society – N. H. Kleinbaum


Este título ficará em inglês apesar da tradução ser conhecida no Brasil como “Sociedade dos Poetas Mortos” e explico o porquê.

Este é o único livro que li inteiro em inglês. Uma experiência que venho ensaiando para repetir há muito tempo, mas sempre desencano de comprar livros em inglês, ou prefiro continuar com os em português mesmo.

Peguei este título emprestado com uma irmã hospedeira da casa onde eu morava lá na Alemanha e, pus-me a ler, sem ter grandes esperanças de que seria capaz de entender muita coisa.

Qual não foi minha surpresa quando, conforme ia avançando na leitura, ficava eu surpreso comigo mesmo, em relação ao quanto estava conseguindo absorver de tudo aquilo que se passava, em outra língua, perante meus olhos.

Foi fantástico descobrir que eu podia mesmo ler seus poemas em inglês e entender o que aqueles poetas jovens estavam querendo declarar em suas declamações.

Terminei o livro com facilidade e fiquei orgulhoso e convencido de que os anos de CCAA não foram totalmente jogados fora.

A estória consiste no seguinte:

Propondo que seus alunos se inspirem por outras coisas para poderem levar suas vidas com mais garra e brilho nos olhos, um professor descortina o universo da poesia numa escola rígida que admitia somente garotos.

Suas vidas nunca mais seriam as mesmas!

A força da poética verbal os captura de uma tal maneira que eles acabam formando um clube de poesia e declamação: a Sociedade dos Poetas Mortos.

Este livro trata daquele belíssimo momento em que despertamos finalmente para a vida. O momento da juventude em que bocejamos a vontade de existir. Quando sentimos que podemos levar adiante nossos caminhos, escolhendo com mais liberdade nossas propostas, o que queremos seguir, quem queremos ser.

Páginas que marcam profundamente o descortinar de um ser humano!

Eu tive o meu momento e, inclusive, este livro foi lido dentro deste período que durou mais intensamente por uns três anos, dos 16 aos 18 anos.

Que saudades do intercâmbio, deste livro que não achei para comprar em inglês aqui em São Paulo e deste momento em que eu também fiz parte de uma sociedade de inspirados poetas anônimos.

Anônimos sim, mas todos muito, muito, muito inspirados!!!

Que saudade!!!



Prefácio para Nasce uma flor daqui - Benita Carneiro


 

É interessante como este livro, desde muito antes de lê-lo, desde muito antes de conversar pessoalmente com sua autora, chamava-me a atenção. Foi uma identificação instantânea com o título. Achei simples, forte, convidativo. Promessas de uma boa leitura. E assim foi.

Não busco aqui explicações para tamanha empatia e magnetismo sentidos por mim, pois o que nos toca, toca, e isso basta. Mas, se não bastasse esta empatia, quis o destino, e a autora, que fosse eu a pessoa a escrever o presente prefácio, selando mais um dos felizes acasos da vida. Envolvido como fiquei com o todo, e por fim com esta incumbência, senti tal demanda como fosse uma singela pétala, parte desta flor literária.

O próprio título já é um sutil convite: “Nasce uma flor aqui”. É como se estivesse subentendida uma continuação, um subtítulo: Nasce uma flor daqui - Venha presenciar seu nascimento!

Ou, talvez, seja até algo além... Na verdade, parece-me que o título, “Nasce uma flor daqui”, pode ser mais que um simples batismo de obra. O livro é, sim, uma busca de nascimento. Ele não faz referência a uma flor que nasce, ele é, em si, o próprio relato deste buscar pelo nascimento da flor; ele é a flor em si, e não o retrato literário de uma flor que nasce no peito ou no jardim da vida. O próprio processo de busca pela flor faz nascer a flor enquanto processo de busca: o livro. O local da flor é o livro, é este aqui que está aberto; ele é a própria flor, e seu local de nascimento é a mão do leitor: você.

Este livro e seu título formam um constante ciclo de semeadura e desabrochar. Ciclo este que, assim como toda a obra da autora, é um processo extremamente pessoal. Isso fica evidente pela intensa presença do “Eu”, frases em primeira pessoa, a personificação do autor em sua literatura. O criador entorna-se na sua própria criatura, sendo-se nela. Uma constância que deixa transparecer franqueza poética, ao mesmo tempo, frágil e corajosa. Em muitos momentos, Benita Carneiro se coloca num ponto intermediário entre a menina moça e a mulher experiente. Seria talvez, sempre, e sempre, a eterna garota a rimar seus desencontros em versos de simplicidade profunda.

Neste universo a parte, a nostalgia é cíclica; o dourado natural das lembranças passadas, a infância e a inescapável comparação do atual frente àquilo que já se viveu, a saudade do que não volta jamais. Eis, pois, a figura paterna presente em dois pontos do livro, e a mãe, “perdida” quando a autora ainda era muito pequenina, surge num singelo poema de desfecho bastante tocante. Além desses dois ícones naturais, personagens lendários de uma Itanhandu que não mais existe, bem como sua avó, que se esquecia das coisas com facilidade, estão aqui em poemas intitulados por nomes próprios.

Mas talvez o meristema da presente obra seja mesmo o Cristianismo, perpassando o Supremo e seu Filho, gerando a simbiose cíclica culpa-perdão, fé-alento, pois é a este arcabouço religioso que Benita recorre diante das dores. Fato nada incomum para a maioria de nós, porém muito caro à nossa autora, a quem o refúgio da solidão, por quase uma vida inteira, se fez no papel e na caneta, ou nas orações mineiras de ser deste povo tão místico que é o brasileiro. Deus e Jesus são os dois personagens que mais vezes a salvam dos males. Jesus pela sua missão de perdão e Deus por possuir todo o poder e ser dono de nossos destinos.

Sendo plural, por vezes positiva, crendo num mundo melhor que virá, outras vezes bastante pessimista, devotando da crença estática do fracasso. Acredito, Benita é uma eterna sonhadora, ou talvez uma senhora que se entrega convictamente a uma tentativa de ilusão, procurando suprir um desencaixe da realidade que só se ameniza pela beleza divina da arte e da natureza. E por esta arte natural, também é capaz de se lançar à liberdade como uma normalista de 15 anos, sem, no entanto, se deixar apartar das dores, colocando-se novamente entre a menina e a senhora.

Também há algumas nuances de cultura oriental; a sabedoria colocada em coisas simples, animais ou insetos, um detalhe perfeito que faz o momento transcender e se fazer inspiração poética registrada, levando-a, num curto e suspiro compasso, para longe dos sofrimentos da vida.

No entanto, o tema mais constante é o amor. Amor confessado, diversas vezes colocado com uma espécie de dor irrealizável, ou algo simplesmente belo. Às vezes dolorido, às vezes fechado, outras vezes como uma grande entrega, ou desencontro, um sacrifício. Confissões por vezes bastante corajosas. Como no final do poema Xilogravura, em que diz que: “... todo artista/ É muito egoísta/ No jeito de amar”.

E é nesta pluralidade de visões, sobre o mais inspirador dos sentimentos humanos, que a autora, num ápice sucinto, artístico e nuclear, nestes versos que, para mim, são o centro da obra, registra: “... que o amor e a flor/ São dois complementos/ Muito indispensáveis/ Em meus sentimentos.”

Eis a flor-amor que nasce, e nos convida, enquanto processo de registro de vida!

Um manual de amplificada sobrevivência, a catarse em sua mais pura essência, escrito por aquela que muito conduz e se sabe: “Viver iludida.../ Buscando na flor/ A essência da vida.”





O Artista


 

Um filme delicioso de se ver.

Já começando com um convidativo close no canino torno do ator principal!!!

Ganhou os seguintes prêmios:



PRÊMIOS

Prêmio DGA (Directors Guild of America) - Melhor Diretor: Michel Hazanavicius

Vencedor do Globo de Ouro 2012 de Melhor Filme - Musical ou Comédia,
Melhor Ator (Musical ou Comédia) - Jean Dujardin
Melhor Trilha Sonora

Ganhador de 5 Oscars:
Melhor Filme
Melhor Diretor: Michel Hazanavicius
Melhor Ator: Jean Dujardin
Melhor Trilha Sonora
Melhor Figurino

Um filme muito bem feito e que mereceu, na minha opinião, ganhar o Oscar de melhor filme, ultrapassando o grandioso Hugo Cabret.

É muitissimamente bem acabado, bem escrito, bem dirigido, bem interpretado.

Todo o filme está redondo.

Os personagens fazem total sentido como estão. A trama é impecável. Um ritmo muito envolvente e tocante. O drama do personagem principal é muito bem construído e levado ao clímax de maneira muito bem feita.

Destaque para a trilha sonora que abrilhantou ainda mais a obra.

O trabalho de idéias, de brincadeiras sérias com o som da película é demais!

Nunca pensei que um filme mudo de uma hora e meia poderia ser tão atrativo!



FICHA TÉCNICA
Diretor: Michel Hazanavicius
Elenco: Jean Dujardin, Bérénice Bejo, John Goodman, James Cromwell, Penelope Ann Miller, Missi Pyle, Beth Grant, Ed Lauter, Joel Murray, Bitsie Tulloch, Ken Davitian, Malcolm McDowell.
Produção: Thomas Langmann, Emmanuel Montamat
Roteiro: Michel Hazanavicius
Fotografia: Guillaume Schiffman
Trilha Sonora: Ludovic Bource
Duração: 100 min.
Ano: 2011
País: França/ Bélgica
Gênero: Drama
Cor: Colorido
Distribuidora: Paris Filmes
Estúdio: La Petite Reine / uFilm / JD Productions
Classificação: 12 anos

 

Os descendentes



Tudo muda na vida de um cidadão do Havaí quando ele fica sabendo, pela boca de sua filha rebelde, que sua mulher, que no momento está em coma, o traiu com um cara.

Não vi absolutamente nada de mais nesse filme. Não sei por que concorreu a Oscar de melhor filme e coisas do tipo!

George Clooney não está tão bem assim.

É que ele é meio galã e no filme ele faz um homem pacato que mora no paraíso do surf. É advogado e está com a vida meio desencaixada. Esta modificação de padrões de personagens interpretados pelo ator traz este choque que eleva a atuação pelo elemento não esprado.

Mas não foi uma grande atuação, como alguns diziam!

Gostei mais da atuação da filha rebelde, a mais velha do casal. A menina atuou muito bem, deu conta do recado e transformou, a meu ver, seu personagem, em algo maior que o roteirizado.

Mas é um filme que eu não recomendo!!!

  
Ficha Técnica
Direção: Alexander Payne
Roteiro: Alexander Payne, Nat Faxon, Jim Rash
Produção: Jim Burke, George Parra, Alexander Payne, Jim Taylor
Estúdio: Fox Searchlight Pictures
Trilha sonora: Derek Casari
Figurino: Wendy Chuck
Fotografia: Phedon Papamichael
Montagem: Kevin Tent
Direção de Arte: T.K. Kirkpatrick
Fotografia: Phedon Papamichael
Duração: 117 min.
Ano: 2011
País: EUA
Gênero: Comédia Dramática
Cor: Colorido
Distribuidora: Fox Film
Estúdio: Ad Hominem Enterprises
Classificação: 14 anos


Elenco e Personagens
George Clooney - Matt King
Shailene Woodley  -   Alexandra
Matthew Lillard  -      Brian
Beau Bridges  - Cousin Hugh
Sonya Balmores  - Surfer Girl
Robert Forster            - Scott
Rob Huebel -  Mark Mitchell
Michael Ontkean  -     Cousin six
Mary Birdsong -         Kai
Amara Miller  - Scottie