sexta-feira, 23 de março de 2012

Balaio

 
Teatro de experimentação, inserido no projeto do SESC Consolação batizado de Primeiro Sinal, que visa dar espaço a explorações de novos caminhos teatrais.

Este projeto nasceu no CPT – Centro de Pesquisa Teatral, dirigido a anos pelo mito, Antunes Filho. Antunes Filho foi o idealizador da série Prêt-à-Porter, idealizada há quinze anos atrás, num momento em que o diretor estava insatisfeito com o exagero dramático dos atores de sua companhia.

Sua idéia, como já traduz o título do projeto, era uma elaboração teatral que soasse mais natural, mais pronta, que saísse dos atores de maneira mais espontânea. Por isso Prêt-à-Porter: Pronto para levar.

Pronto para levar aos palcos!!!

Foi desta estimulação ao novo que nasceu o espetáculo Balaio.

Com criação, direção e atuação de Camila Turim, Carolina Sudati, Cristiano Salomão, Isabel Wilker, Mariana Delfini, Nathalia Correa, Stella Prata que no Espaço Beta no terceiro andar do SESC, durante 60 minutos quase cravados, nos levaram por três cenas um tanto inusitadas.

São elas:

Pai – com poucas palavras e com bastante evocação, por meio de objetos do cotidiano, das memórias comuns há muitos de nós, os atores propõem relances de significação da figura paterna. É bastante interessante o embate físico entre uma mulher e um homem que se dá no fundo do palco. Também é comovente ouvir a atriz dizendo que no início seu pai era colorido: marrom, abóbora e verde, pois era assim que ela o via nas fotografias tiradas na época em que ela nasceu. Fotos antigas e desbotadas! Além disso, seu cheiro era de graxa e suor durante semana, e perfume nos finais de semana. Em contraposição a isso, atualmente seu pai era cinza. Cabelos cinzas, pelos cinzas saindo das camisas, dos dedos dos pés e das mãos. E hoje em dia ela tem cheiro de sabonete e ainda do mesmo perfume que ela usava na época da sua infância.

A Quadratura do Círculo – uma artista, em pontos de falência total, acaba cometendo algo do qual ela reluta para não se arrepender. Uma artista circense, caricata, endoidecida, belamente interpretada por uma jovem atriz, traça um monólogo sobre as condições e os motivos que a levaram ao assassinato: ela já havia perdido tantos, não queria perder mais uma para “aqueles outros”. Mostra a falência do circo perante outras formas de entretenimento e de como o artista se míngua diante do seu abandono por parte dos que o admiravam.

Para Narizes Bem Preparados – a mais radical das cenas. O título me chamou bastante a atenção. Pensei comigo: já vem alguma coisa mal cheirosa. E veio mesmo. Numa proposta quase totalmente sem sentido, duas atrizes começam tirando um peixe do aquário e o deixando fora d’água, até que alguém da platéia se manifestou e pediu que o colocasse novamente dentro da água, pois ele iria morrer. Logo depois deste impacto inicial, uma atriz descasca uma cebola, lança cebolas por todo o palco, enquanto outra faz um colar de corações crus de galinha e amarra-o no seu pescoço. Lançam-se, então, em divagações, choram de maneira exagerada, usando estes elementos irritantes já citados. Depois começam um bailado cômico em meio aquela situação totalmente absurda, o que leva alguns aos risos, como eu, enquanto outros permanecem estupefatos. A loucura da situação era genial! Duas artistas, uma delas com um colar de corações cru de galinha, dançando em meio a um bando de cebolas esparramadas. Elas ainda divagavam sobre amores não vividos, arrependimento da vida e coisas do tipo. Isso foi uma das coisas mais hilárias que eu já presenciei na mina vida!!!

Fechou com chave de ouro!!!

São cenas totalmente desconexas umas das outras, mas que possuem em comum o fato de serem experimentalísticas, aproximando-se de instalações das artes modernas, videoarte, performances. Na verdade, tirando a cena dois, o conjunto é mais performático do que teatral.

Gostei até!!!



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