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Thais foi simplesmente o espetáculo mais lindo que assisti no ano de 2015!
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Ópera magnificamente montada no Theatro Municipal de São Paulo entre o final de Julho e o começo de Agosto do ano passado.
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E que felicidade ter conseguido ir justamente na última récita, quando todo aquele colosso estava se despedindo do mais importante palco paulistano!
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A ópera narra a estória de Thais, uma sacerdotisa grega (se não estou enganado) que vive uma vida de gozo e espiritualidade, desfrutando dos prazeres do corpo em comunhão com as pulsações do espírito.
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Sua fama é tanta que um alto funcionário da Igreja Romana é encarregado de inseri-la no Catolicismo, alegando que toda aquela ritualística seguida por ela seria algo profano, não verdadeiro e que poderia levá-la a perdição.
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Thais aceita o convite e refaz sua vida, mudando sua morada para poder melhor seguir os preceitos ditos cristãos.
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Então, tem-se uma longa transformação nos dois personagens centrais que vão se encaminhando para o extraordinário canto da cena final!
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Thaís, deitada no alto do palco canta suas glórias cristãs, as tantas magníficas belezas que a esperavam, os céus que se abriam diante de seus olhos.
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Enquanto isso, o funcionário católico amargura sua humanidade, terrivelmente dilacerado de amores pela ex-sacerdotisa, vivendo o martírio do celibato que o impede de seguir seu coração.
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Ela flutuando em direção a Deus e ele amordaçado ao chão e ao amor irrealizado!
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Ele fora vítima de sua própria fé, enquanto Thais havia conseguido realizar seu processo de conversão, entregando-se sublimemente ao caminho pregado por Cristo.
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Ele, ao converter tamanha beleza espiritual feminina, criara para si seu Carma mais dolorido.
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Ao retirar dos domínios pagãos tamanha espiritualidade, Athanaël criara sua maldição mais doce, seu martírio mais humano, sua dor mais sublime.
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Athanaël fundara seu remorso mais angustiante, pois, seu amor pelo divino fora abalado justamente por aquela que ele convertera à sua doutrina religiosa, alegando ser esta algo superior.
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Uma conjunção de aspectos humanos e divinos entrelaçados numa teia de significados extremamente profundos que transcendem o acontecimento artístico que se desenrolou naquele espaço!
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E que voz tinha a soprano!
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Além dos elementos musicais, é necessário falar também dos aspectos estéticos que deram ainda mais beleza a esse lindo enredo.
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O cenário estava fenomenal, todo feito em branco, sendo que as luzes iam dando as mudanças de cor ao longo de toda encenação.
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Os figurinos estavam lindíssimos e os movimentos cênicos dos corpos davam a impressão de um longa e constante passagem de tempo. Os personagens entravam do fundo do palco e iam saindo vagarosamente em direção à direita do espectador ou àquilo que seria a esquerda dos que estavam no palco.
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Muito dos acontecimentos sutis da cena se deram por um lento e contínuo movimento de caminhada vagarosa e solene que se balanceava com tudo aquilo que estava acontecendo no centro da cena.
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E que poder tiveram aquelas grandes figuras andando constantemente por longos minutos ou até horas.
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Um arraste elegante de elementos e informações teatrais que pareciam querer extrapolar as margens do palco do Municipal, dando a impressão de que aqueles que por ali passavam continuariam sua jornada, andando eternamente além das paredes daquele Palácio, do Theatro, indo a algum lugar equidistante de todas as coisas que ali estavam acontecendo, riscando um horizonte longínquo que talvez pudesse indicar a saída de toda trama que ali estava sendo desenhada.
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A transcendência do espaço por um simples, lento, mas constante caminhar!
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As danças também estavam muito bonitas! O Balé da Cidade de São Paulo possui um conjunto de bailarinos de altíssima qualidade!
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Após toda essa beleza, fiquei ainda mais impressionado com todo aquele acontecimento artístico quando soube que apenas um homem fora o responsável por toda parte visual.
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E o gênio por trás de todo esse esplendor é o italiano Stefano Poda que assinou não só a Direção cênica, a Cenografia e os Figurinos como também o Desenho de luz e, para arrebatar, a própria Coreografia. Ou seja, este artista responde, excetuando a música, por toda a grande beleza que aconteceu naquele palco!
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Fiquei abismado!
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Essa montagem foi feita por Poda para ser encenada, primeiramente, no Teatro Regio de Turim, em sua pátria. Sua qualidade é tanta que ela foi eleita como uma das 20 melhores montagens em todo Mundo dos últimos 20 anos. Isso de acordo com a renomada BBC Music Magazine.
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Ou seja, é algo que se consegue ver apenas algumas poucas vezes na vida!
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O significado das esculturas, o sagrado e o profano, os deuses alados e os corpos nus, as figuras místicas de diferentes frentes religiosas que passaram pelo palco, tudo pertenceu àquele tipo de arte que nos leva às mais altas esferas!
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FICHA TÉCNICA:
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THAÏS - Jules Massenet
Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo
Coro Lírico Municipal de São Paulo
Balé da Cidade de São Paulo
Alain Guingal – Direção musical e Regência
Gabriel Rhein-Schirato – Regente assistente
Stefano Poda – Direção cênica, Cenografia, Figurinos, Desenho de luz e Coreografia
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ELENCO:
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Thaïs:
Ermonela Jaho
Sara Rossi Daldoss
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Athanaël:
Lado Ataneli
André Heyboer
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Nicias:
Jean–François Borras
Luc Robert
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Palémon:
Károly Szemerédy
Saulo Javan
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Crobyle - Carla Cottini
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Myrtale - Malena Dayen
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Albine - Ana Lucia Benedetti
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Charmeuse - Lina Mendes
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Um servo - Eduardo Trindade
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| Stefano Poda |