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I
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Nem me sei mais quem tantos somos!
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Se muitos me permeiam
Ou se vários me abandonam?
Se múltiplos me habitam
Ou se diversos me maltratam?
Se vastos me arejam
Ou se dispersos me erram?
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Se olhos me enfeitam
Ou se semblantes me afogam?
Se compassos me elevam
Ou se pensamentos me soterram?
Se verdades me chamam
Ou se mentiras me proclamam?
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II
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Nem me sei mais quem tantos somos!
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No círculo dos dias vindouros
O divino e o humano se digladiam
Fraturando minha imaginação futura
Daquilo que ainda pode vir a me fazer:
“Pequeno Vácuo Vicioso” ou “Macro Solidez Polida”,
Ambos podem se me domar em vida!
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Poeta escasso de lavradura silábica
Faço eu meus errôneos desversos fracos
Pensando mendigar a misericórdia
Das inúmeras grandezas inspiradoras
Que se esvaíram esquecidas de mim
Em dias de alcoólicas migrações urbanas, sem fim!
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III
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Nem me sei mais quem tantos somos!
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Sujo agora meus olhos de grafite e esquecimento
Daqueles momentos de desvairados unguentos
Que me solaparam no véu da realidade
Por tantos e tantos meses à vontade
Em que, pastoreando quimeras,
Eu caminhei sem destino entre feras
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Entre feras do sem destino em mim
Eu testei os limites do não e do sim
Perguntando-me aquilo que não sabia
Pensando assim que ainda mais adiante iria
Se pudesse responder ao enigma inexato
Que em resposta não me demonstrou formato
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IV
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Nem me sei mais quem tantos somos!
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Mas não me importo agora com o sórdido vazio
Que destes tempos restaram em meu ser arredio
Se a poesia vinga em verve caminhante
Posso eu sentir-me novo, vivo e pensante
Para que outros ares melhores me alimentem
E pernas fortes ainda mais me sustentem
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Tão lindos são os caminhos que ainda me existem
E sem pressa, nem sofrimento dormitando insistem
Feito possibilidades que dormem ao relento
Esperando-me felizes por trazerem alento
Ao desejo que me move a desbravar recantos
Emoldurar muralhas e aquietar quebrantos
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V
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Nem me sei mais quem tantos somos!
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Era mínimo o caminho inconcluso
Que tantas vezes percorri em desuso
Tateando com os pés o que não chegava
Mas que somente enquanto passo bastava
Para que eu preferisse prosseguir adiante
Errando errado errático erradiço errante
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Adiante e sempre mais à frente do nada
Eu me destrinchei numa trilha sem estrada
Entre possibilidades de uma metrópole anônima
Que me encantou numa invisibilidade sinônima
Proporcionando-me a comunal sensação
De ser inteiro, sem culpa e sem perdão
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VI
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Nem me sei mais quem tantos somos!
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Ser inteiro, sem meio termo e sem senão
Era este o meu auto-repetitivo sermão
Que, como um mantra, habitou-me dentro
Trazendo vasta delícia e vil tormento
Neste tanto tempo que alimentei
Pulsando dentro-fora no que me deleitei
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Portal de centelhas de experimentações
Foi assim, serafim silvestre de ser sertões
Que progredi sem margem prisioneira
Desfazendo miragens de uma ilusão primeira
Espantando o medo que me domava a consciência
E expandindo, à força, minha real circunferência
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VII
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Nem me sei mais quem tantos somos!
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Definitivamente não falo agora do que doeu
Mas sim daquilo que na dança renasceu
E feito fome de escarrar atmosfera
Fez-se arado novo que me sobrepusera
Em renovada chama do explorador esquecido
Que em seu umbigo castrado morrera morrido
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Morrera morrido, mas reviveu valente
Feito gesto gestante de gerir mais gente
Que brotou andarilho infinito das montanhas
Habitadas de seres e selvas de pedras tamanhas
Que alguns chamam de Pauliceia Desvairada
Mas prefiro sentir somente como minha sutil morada
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