TATUAGEM
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De repente
Impôs-se o vazio
Fecharam-se todos os caminhos
Apagaram-se todos os holofotes
Calaram-se todas as ruas
E silenciaram-se todos os palcos
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De repente
Restou o ruído dos famintos
O lamento dos enlutados
O choro dos perdidos
O tumulto interno dos criativos
E os estranhos ganharam ainda mais força
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De repente
Os bravos perderam seus iguais
Os iguais perderam sua bravura
A bravura perdeu sua igualdade
E as encruzilhadas estavam fechadas
Para aqueles que ousavam sonhar
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Mas tudo na vida tem seu oposto
Para cada ação
Sempre haverá uma reação
E para cada realidade
Sempre haverá uma resposta
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E foi, numa noite de inquietude
Que alguém, vendo num filme
O retrato de nossos semelhantes
Teve, numa práxis improvável,
Sua epifania, semente de uma nova desordem
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Havia, enfim, um plano
Uma ideia que traçava o paralelo
Entre universos tão distantes
Porém tão iguais
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Havia uma nova esperança
Gerando, pela estilosa pobreza de criativa falta
Aquilo que viria a invadir
O palco do principal prêmio
Do teatro musical brasileiro
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Tatuagem é um ponto dentro de uma força infinita
Uma força que alimenta o sonho dos resistentes
Alimenta a resistência dos nossos iguais
Alimenta a igualdade das nossas quimeras
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Tatuagem colocou em frente à ribalta
Peitos novamente acesos pelo teatro
Um teatro assinalado e assinado por todos
Junto às nossas cicatrizes
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Marcamos o chão
Com pontiaguda risca
Para celebrar nossos antecessores
Para celebrar aqueles que colocaram em palco
Suas plumas e paetês
Seus corpos e seus suores
Suas paixões descaradas, sem medo
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Celebramos os marginais da arte
Que, assim como nós, vivificaram
No recanto de uma urbanidade
Seus gritos tão legítimos
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E foi, por meio destes gritos
Que a Companhia da Revista
Frutificou seu novo marco
E nos arrebatou para além da fumaça
Que se elevou das massas
Consumidas pela fogueira
Que JAMAIS será a derradeira
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