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Fiz esse texto pra contar umas coisas, e gostaria de fazer umas mudanças no blog, ele já se chamou viajantes do infinito (ar), cavalgadura aos montes (terra), e agora estava pensando em trazer ele pra água... Acho que ele pode se chamar “Ice Berg – somente aquilo que pode emergir”. Gosto da idéia. Se alguém quiser pode palpitar sobre o novo nome. O texto está aqui embaixo, eu fiz ele há uns dias, hoje eu terminei e resolvi postar. Espero que gostem e leiam, se puderem...
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Cada dia que passa eu fico mais descrente de várias coisas, descrente de mim, descrente dos outros, desconfiado de coisas que merecem uma ponta de confiança, me tornei difícil, me tornei mais duro, talvez por necessidade, talvez por não encontrar outra maneira pra resistir, talvez por não ter encontrado outra maneira de REAGIR. Endureci e perdi um pouco ou muito da ternura. As 2 únicas coisas que realmente me amolecem são crianças e cachorros, essas sim são as coisas mais lindas e puras, isso eu realmente amo. De resto, fico na defensiva. Tenho medo de ter desaprendido como amar. Chamam essa dureza de maturidade, chamam de insegurança, chamam de fase, chamam de casca, chamam de idade, de peso da faculdade e seus desdobramentos, chamam de coisas, sei lá. Nós sempre damos nomes e conseqüentes (ou antecedentes) julgamentos para as coisas. Pensamos através da linguagem e julgamos por natureza, ou melhor, pensamos por natureza, julgamos pela linguagem, nomeamos nossos pensamentos. Naturalmente julgamos. E esses julgamentos/ pensamentos me fizeram ver coisas que teriam sido melhores se elas tivessem ficado invisíveis. De acordo com os Arcanos da Humanidade Madura, o mundo se mostra através da idéia que fazemos dele, e isso me torna duplamente desconfiado. Desconfiado dos outros e dos próprios julgamentos feitos em relação aos outros. Como saber se são verdadeiros e certeiros meus julgamentos? Não sei, mas sei como reagir. Não quero esperar um carinho que me amanse. Quero aprender a doar sem esperar receber, sem temer me desapontar, sem compromisso assinado com o certo ou com o retorno. Expandir. Me encolhi demais, me fiz pequeno pra poder passar despercebido, pra não fazerem questão, pra não me julgarem como eu os julgava. Temia a intolerância do mundo, ou melhor, do mundo que eu via, e por isso, o meu mundo. Meu mundo tornou-se intolerante, tornou-se fechado, tornou-se pouco, denso demais, determinista, carrancudo, intrínseco, frágil, quase que um túnel espiralado descendente que se contraiu até não agüentar a própria gravidade e então armou-se ainda mais para poder se abrir numa contra-ofensiva contra um inimigo não declarado, não detectado. O inimigo era tudo aquilo que não era eu. Uma contra-ofensiva contra o envolto, o circulante. E fui desabrochando como um ferro que vai se rachando, que vai se negando contra toda afirmativa própria que durasse mais que uns segundos de felicidade. Fui viciado em me negar. Neguei o direito de ser feliz, neguei o direito de sorrir, julguei meus instintos, julguei minhas convicções mais singelas e, por isso, as mais certeiras e válidas, julguei Deus, neguei Deus totalmente, me neguei como nunca havia feito igual, afastei-me das coisas que me faziam bem a ponto de não saber mais o caminho de volta, não conseguia voltar, não podia olhar, não lembrava como olhar com tranqüilidade o caminho. Segui como um automático. E assim fui. E fui vindo até chegar onde estou, com os olhos mais altos, com horizontes mais amplos, com luzes mais amigas, com sorrisos mais sinceros, com tranqüilidades reconquistadas, frágeis, mas minhas, um contínuo de andanças, bem mais lentas, bem mais duras, mas mais lúcidas, mas centradas, como o avesso do avesso que não é mais aquele de tempos atrás, pois passou por dentro, passou por invernos tão bravos que talvez nem tenham sido uma estação de vida. Agora sim, posso lembrar do passado, posso olhar para ele e ver o que por acaso vivi, mas no momento da friagem não havia eu em mim. Não havia questão, nem escolhas, não havia hoje, manhã, tarde, noite, havia um arrastado, uma penúria de tudo que existe, meses (fevereiro, março, abril, maio, junho e um pouco de julho) num arrastado, uma merda, como se existisse um sem tempo nesses meses, um corte fora de tudo nessa época, uma falta de vontade de estar, nem bem nem mal, apenas uma falta de vontade de estar, nem a tristeza não era tristeza, a alegria também não era ela, não era nada, acho que nem fui... Era uma coisa horrível que nem sei explicar, não desejo pra ninguém, ninguém mesmo... E voltando ao começo, digo que minhas descrenças ainda são muitas e crescem em alguns pontos, mas os mais essenciais eu estou procurando abrandar. No fim deste texto, o que posso dizer é já desconfio até mesmo de suas afirmativas tão certeiras. No fim desse texto, o que sobra não me vale, tornou-se descartável. Esse texto também não chegou a ser. Já era ele, como agora já era também esse post. Acabo agora e vou postá-lo mesmo... Não me importo... O que me importa é a espiral está em ascendência... E avante cavaleiro, desvende-se, desvele-se, tome menos cuidado para poder vivenciar seus instintos, se o mundo se mostra de acordo com a imagem que temos dele, descuidarei para que os moinhos sejam movidos por sonhos e não por tempestades. Se a cavalgada é desfile, descuidarei para que desfilem descompromissos meio dançantes e não cavalos marchadores ensinados e pintados à mão. Deixo apenas aquilo que me seja, procura-se o Wagner, urgentemente... Ôpa, acho que ele está por aqui.,., rsssss.,.,., Uma música pra engrandecer o imaginário. A recontrução da esperança está nos olhos de outros.
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Fiz esse texto pra contar umas coisas, e gostaria de fazer umas mudanças no blog, ele já se chamou viajantes do infinito (ar), cavalgadura aos montes (terra), e agora estava pensando em trazer ele pra água... Acho que ele pode se chamar “Ice Berg – somente aquilo que pode emergir”. Gosto da idéia. Se alguém quiser pode palpitar sobre o novo nome. O texto está aqui embaixo, eu fiz ele há uns dias, hoje eu terminei e resolvi postar. Espero que gostem e leiam, se puderem...
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Cada dia que passa eu fico mais descrente de várias coisas, descrente de mim, descrente dos outros, desconfiado de coisas que merecem uma ponta de confiança, me tornei difícil, me tornei mais duro, talvez por necessidade, talvez por não encontrar outra maneira pra resistir, talvez por não ter encontrado outra maneira de REAGIR. Endureci e perdi um pouco ou muito da ternura. As 2 únicas coisas que realmente me amolecem são crianças e cachorros, essas sim são as coisas mais lindas e puras, isso eu realmente amo. De resto, fico na defensiva. Tenho medo de ter desaprendido como amar. Chamam essa dureza de maturidade, chamam de insegurança, chamam de fase, chamam de casca, chamam de idade, de peso da faculdade e seus desdobramentos, chamam de coisas, sei lá. Nós sempre damos nomes e conseqüentes (ou antecedentes) julgamentos para as coisas. Pensamos através da linguagem e julgamos por natureza, ou melhor, pensamos por natureza, julgamos pela linguagem, nomeamos nossos pensamentos. Naturalmente julgamos. E esses julgamentos/ pensamentos me fizeram ver coisas que teriam sido melhores se elas tivessem ficado invisíveis. De acordo com os Arcanos da Humanidade Madura, o mundo se mostra através da idéia que fazemos dele, e isso me torna duplamente desconfiado. Desconfiado dos outros e dos próprios julgamentos feitos em relação aos outros. Como saber se são verdadeiros e certeiros meus julgamentos? Não sei, mas sei como reagir. Não quero esperar um carinho que me amanse. Quero aprender a doar sem esperar receber, sem temer me desapontar, sem compromisso assinado com o certo ou com o retorno. Expandir. Me encolhi demais, me fiz pequeno pra poder passar despercebido, pra não fazerem questão, pra não me julgarem como eu os julgava. Temia a intolerância do mundo, ou melhor, do mundo que eu via, e por isso, o meu mundo. Meu mundo tornou-se intolerante, tornou-se fechado, tornou-se pouco, denso demais, determinista, carrancudo, intrínseco, frágil, quase que um túnel espiralado descendente que se contraiu até não agüentar a própria gravidade e então armou-se ainda mais para poder se abrir numa contra-ofensiva contra um inimigo não declarado, não detectado. O inimigo era tudo aquilo que não era eu. Uma contra-ofensiva contra o envolto, o circulante. E fui desabrochando como um ferro que vai se rachando, que vai se negando contra toda afirmativa própria que durasse mais que uns segundos de felicidade. Fui viciado em me negar. Neguei o direito de ser feliz, neguei o direito de sorrir, julguei meus instintos, julguei minhas convicções mais singelas e, por isso, as mais certeiras e válidas, julguei Deus, neguei Deus totalmente, me neguei como nunca havia feito igual, afastei-me das coisas que me faziam bem a ponto de não saber mais o caminho de volta, não conseguia voltar, não podia olhar, não lembrava como olhar com tranqüilidade o caminho. Segui como um automático. E assim fui. E fui vindo até chegar onde estou, com os olhos mais altos, com horizontes mais amplos, com luzes mais amigas, com sorrisos mais sinceros, com tranqüilidades reconquistadas, frágeis, mas minhas, um contínuo de andanças, bem mais lentas, bem mais duras, mas mais lúcidas, mas centradas, como o avesso do avesso que não é mais aquele de tempos atrás, pois passou por dentro, passou por invernos tão bravos que talvez nem tenham sido uma estação de vida. Agora sim, posso lembrar do passado, posso olhar para ele e ver o que por acaso vivi, mas no momento da friagem não havia eu em mim. Não havia questão, nem escolhas, não havia hoje, manhã, tarde, noite, havia um arrastado, uma penúria de tudo que existe, meses (fevereiro, março, abril, maio, junho e um pouco de julho) num arrastado, uma merda, como se existisse um sem tempo nesses meses, um corte fora de tudo nessa época, uma falta de vontade de estar, nem bem nem mal, apenas uma falta de vontade de estar, nem a tristeza não era tristeza, a alegria também não era ela, não era nada, acho que nem fui... Era uma coisa horrível que nem sei explicar, não desejo pra ninguém, ninguém mesmo... E voltando ao começo, digo que minhas descrenças ainda são muitas e crescem em alguns pontos, mas os mais essenciais eu estou procurando abrandar. No fim deste texto, o que posso dizer é já desconfio até mesmo de suas afirmativas tão certeiras. No fim desse texto, o que sobra não me vale, tornou-se descartável. Esse texto também não chegou a ser. Já era ele, como agora já era também esse post. Acabo agora e vou postá-lo mesmo... Não me importo... O que me importa é a espiral está em ascendência... E avante cavaleiro, desvende-se, desvele-se, tome menos cuidado para poder vivenciar seus instintos, se o mundo se mostra de acordo com a imagem que temos dele, descuidarei para que os moinhos sejam movidos por sonhos e não por tempestades. Se a cavalgada é desfile, descuidarei para que desfilem descompromissos meio dançantes e não cavalos marchadores ensinados e pintados à mão. Deixo apenas aquilo que me seja, procura-se o Wagner, urgentemente... Ôpa, acho que ele está por aqui.,., rsssss.,.,., Uma música pra engrandecer o imaginário. A recontrução da esperança está nos olhos de outros.
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O Cavaleiro e os Moinhos
Composição: João Bosco & Aldir Blanc
Composição: João Bosco & Aldir Blanc
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Acreditar
Acreditar
Ná existência dourada do sol
Mesmo que em plena boca
Nos bata o açoite contínuo da noite.
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Arrebentar
A corrente que envolve o amanhã,
Despertar as espadas,
Varrer as esfinges das encruzilhadas.
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Todo esse tempo
Foi igual a dormir num navio:
Sem fazer movimento,
Mas tecendo o fio da água e do vento.
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Eu, baderneiro,
Me tornei cavaleiro,
Malandramente,
Pelos caminhos.
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Meu companheiro
Tá armado até os dentes:
Já não há mais moinhos
Como os de antigamente.
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4 comentários:
Não quero dizer muito não....
Só parabenizo pelo excelente texto(eu fui capaz de lê-lo! rsss). Gostei muito mesmo!
A frase que vc fechou o post é linda e verdadeira: "A recontrução da esperança está nos olhos de outros."
parabens, mais uma vez.
Gisele
E quem sao os outros, voce ja descobriu?
Muito bom o texto. Avante cavaleiro. Sempre.
Bons dias que se iniciam!!! :-)
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