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Não sei porque todos os domingos são sempre iguais, o dia começa numa hora inóspita, vem devagar enquanto durmo e vai se arrastando escada abaixo no silêncio da casa vazia e escura até chegar na cozinha, lá ele prepara o leite, as bolachas, a ressaca vai sendo repensada, digerida com o passar das manteigas e tudo vai indo em silêncio pelas horas desse dia-solidão, daí o dia se dirige até a TV mais próxima e lá fica entrando em vários lugares do sábado, vai perambulando pelos cômodos quietos, as luzes, as ruas, os programas de TV que me fazem rir sem gosto profundo de riso, então o dia vai mancando até o quintal pra lavar umas roupas, rever outras ainda meio úmidas, as plantas fazendo fotossíntese com ruído, o oxigênio sai doendo pelos poros, a lagartixa saúda o olhar numa carreira de medo, tenho dó das lagartixas, o dia também e ele me acompanha por todas as suas horas, os passarinhos que não são sabiás, mas ainda sim são lindos, cantam um pouquinho em cada canto, aqui e ali, tentando esquivar-se do concreto, e as minhas montanhas de domingo claro estão bem longe daqui, desse complexo industrial com resquícios de gente, o dia vem e vai como outros tantos, mas bem que poderia ser um pouco mais gostoso, com umas risadas em conjunto, ou uma companhia pra amanhecer bem, o quarto passou o dia inteiro fechado esperando o retorno, mas a cama não teria sentido redundando-se após ter sido horizontal por outras horas, e assim o sol vai indo devagar pra outro lugar e o dia encasula-se dentro do peito fazendo doer um pouco mais esse dia sem uma palavra dita, tudo em silêncio, um silêncio que não condiz com a efervescência de dentro, mas não me importo, ainda tenho as músicas que ouço agora, o dia as ouve também, ele está aqui em meu entorno, circundando-me, sou preso deste dia, dessa cabeça, dessa realidade, dessas lagartixas, os olhos não vão tão além, não buscam coisas afastadas, eles se resignam no entorno do dia circular, ciclos de 24 horas, horas quietas por aqui que se aproximam do fim para assim terminar mais uma vez em inércia de pensamento o corrente dia de domingo. Um dia que passou quase em branco. Boa noite...
Não sei porque todos os domingos são sempre iguais, o dia começa numa hora inóspita, vem devagar enquanto durmo e vai se arrastando escada abaixo no silêncio da casa vazia e escura até chegar na cozinha, lá ele prepara o leite, as bolachas, a ressaca vai sendo repensada, digerida com o passar das manteigas e tudo vai indo em silêncio pelas horas desse dia-solidão, daí o dia se dirige até a TV mais próxima e lá fica entrando em vários lugares do sábado, vai perambulando pelos cômodos quietos, as luzes, as ruas, os programas de TV que me fazem rir sem gosto profundo de riso, então o dia vai mancando até o quintal pra lavar umas roupas, rever outras ainda meio úmidas, as plantas fazendo fotossíntese com ruído, o oxigênio sai doendo pelos poros, a lagartixa saúda o olhar numa carreira de medo, tenho dó das lagartixas, o dia também e ele me acompanha por todas as suas horas, os passarinhos que não são sabiás, mas ainda sim são lindos, cantam um pouquinho em cada canto, aqui e ali, tentando esquivar-se do concreto, e as minhas montanhas de domingo claro estão bem longe daqui, desse complexo industrial com resquícios de gente, o dia vem e vai como outros tantos, mas bem que poderia ser um pouco mais gostoso, com umas risadas em conjunto, ou uma companhia pra amanhecer bem, o quarto passou o dia inteiro fechado esperando o retorno, mas a cama não teria sentido redundando-se após ter sido horizontal por outras horas, e assim o sol vai indo devagar pra outro lugar e o dia encasula-se dentro do peito fazendo doer um pouco mais esse dia sem uma palavra dita, tudo em silêncio, um silêncio que não condiz com a efervescência de dentro, mas não me importo, ainda tenho as músicas que ouço agora, o dia as ouve também, ele está aqui em meu entorno, circundando-me, sou preso deste dia, dessa cabeça, dessa realidade, dessas lagartixas, os olhos não vão tão além, não buscam coisas afastadas, eles se resignam no entorno do dia circular, ciclos de 24 horas, horas quietas por aqui que se aproximam do fim para assim terminar mais uma vez em inércia de pensamento o corrente dia de domingo. Um dia que passou quase em branco. Boa noite...
Um comentário:
Tive que selecionar o texto pra eu ler pq "passou quase em branco". rssss
muito bom!!!!!
domingos da gente...........
o legal é que o dia de domingo escreveu numa segunda-feira.
eu tenho horror, pavor de lagartixas!!!!
só de digitar isso, já me faz estremecer!
bj,
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