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(I remember the very first time I smoke the MT...) (Na verdade a frase era: I remember the very first time I smoke DMT, mas isso eu fui descobrir depois)
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Eu me lembro da primeira vez que desci aquela rua num meio de junho de 2006. Lembro como só eu sou capaz de lembrar. Ninguém esteve comigo naquele instante, naquelas noites, naqueles dias e meses. Nem eu mesmo estive comigo. Acho que era inédito, achei que era sem volta e realmente era. Naquela ida por rua abaixo descendo ladeira que se arrastava como que em escalada, estive sem ter estado conscientemente. Uma pena, ou até mesmo não. Não uma pena por não ter sabido, isso não, mas talvez desse pena de se saber que por isso fora melhor o feito como foi. (???)
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Eu me lembro da primeira vez que desci aquela rua num meio de junho de 2006. Como era estado, não! Deplorável, destituído. A lógica constitutiva de mim não estava mais em mãos ou em mentes. A mente mentia, o corpo seguia. Seguia porque não sabia mais de si. Estar em si, naquela época, era não estar, definitivamente era o não estar. Não posso dizer que também não era ser, pois o exercício deste verbo, quando solitário, é inalienável de qualquer um. Por isso não digo que não fui, mas digo que não se conjugava em mim o presente.
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Só sei que me lembro da primeira vez que desci aquela rua num meio de junho de 2006. Chovia? Não me lembro, mas minha memória construiu a certeza de que sim, estava chovendo. Era inverno, havia garoa, moletons. Uma pasta na mão esquerda enquanto a mão direita carregava o guarda-chuva. Geralmente ando assim. Desci quarteirões, acho que uns 3. Depois dobrei a esquerda. Via a luz no fim daquele passeio. Eram casas, mas não me lembro. Padarias cheias de incógnitas. Li a placa: Capote Valente. Não me fez nada de mais.
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Mas me lembro bem daquela célula do ato de descer aquela rua num meio de junho de 2006. Qualquer poço, por mais fundo que tivesse sido, não chegava aos pés ou às solas daquele que abriguei minha morada. Fiz casulo sem paredes num não lugar. Nem a instância primária do corpo era contida em mim. Eu era um ponto final que se alongava por não ter ânimo de se fazer na próxima frase. Mas tenho a semente.
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Virei à esquerda e a ladeira continuou. Aliás, já estava por meses e continuaria por muitos, mesmo que um pouco escalada. Uma ladeira sem rumo, sinuosamente descontente por entre tantos sorrisos desperceptíveis. Bati na porta, a porta falou. Pisei no hall, o hall entrou. Subi no nono andar, procurei pelo número. Hoje sei do sentimento, mas naquela hora, nada se fazia sentir. Eu havia desaprendido a arte de sentir.
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A porta abriu. Fixei-me. Pensei. Li revistas. Bebi água. Mas tudo isso é um talvez, pois de fato, não sei dos fatos. A terceira e derradeira porta se abriu. Novamente entrei e sentei frente a frente com aquele espaço que seria o início da reconstituição da caverna. Afinal, lugares não havia e era necessário novamente inventá-los.
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Naquele momento eu era um bicho. Olhando com esforço, respirando por ser automático. Apetrechos jogados por sobre tudo para, enfim, poder se concretizar depois de muitas e muitas luas e se virar para si apontando o dedo que em si mesmo já dizia: É agora...
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Mas não. Qualquer agora era incisivo demais. Mas não. Qualquer apontamento teria que ser forçadamente elaborado, pois, apesar de ser, eu havia desaprendido como era a minha maneira de exercitar satisfatoriamente esse verbo. Uma reinvenção do ser deveria ser iniciada naquele instante. Tudo que por tempos tinha sido automático e que tão longe tinha ido, estava esfarelado e perdido fora do meu alcance de não se ver. E olha, ser humano é um bicho danado de complexo. A reconstituição do crime chamado vida, é foda...
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O dedo apontando foi caindo inconsistente em mim, o se pensar tocou a pequeno casulo sem margens. Tocou o que não havia. Ou havia, pois o não haver era o que existia naquele ano. Me vi, através daquele espelho crítico, que algo estava muito pior do que eu pensava estar. O ponto final que não ia adiante, eu, assim, enfim, vi e notei. O estrago era grande. Em menos de um ano eu tinha passado do extremo maior de alegria da minha vida, para o extremo oposto.
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Um ponto um pouco acima da nuca. Era aquilo que restava.
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De tantas festas, bandas, gravações, dublagens, músicas, viagens, o que restava era um ponto alojado na parte detrás da cabeça. Era como o universo quando se contrai. A massa se torna minúscula, mas não se implode. Era o eu-mínimo, como chamam por aí. Era a instância fundamental da consciência. Era a alma.
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E da alma se pode tudo!!!
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Ali fui alma.
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Não tinha consciência suficiente do corpo. O corpo existia, pois ele existe por si. O cerebelo que o diga.
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E, daquele instante que me vi mínimo, infinitamente mínimo, comecei, como uma esfera que se racha de dentro pra fora, a esculpir solitariamente (sempre somos sozinho, no mais fundo de nós, sempre seremos assim) meu novo eu. Precisava esculpir ferro denso com unhas e dentes, ou, simplesmente, esculpir consciência, o que não alivia em nada o processo.
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Essa escalada, mais radical e urgente, durou todo o mês de julho de 2006. Não que tenha sido definitiva, mas, com certeza, foi a mais drástica e exponencial.
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Porém, ainda sim, I remember the very first time I smoke the MT.
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Era Capote Valente. Não há nome melhor para se definir aquela rua, pois lá se capota, mas não é um capote qualquer, é um capote voluntário, é um Capote Valente.
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E foi realmente um Capote Valente, sem igual.
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Acredito piamente que nenhuma dessas palavras são excessivas. Acho-as até mesmo insuficientes. Mas já basta.
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Pensei em escrever esse post há mais de 1 ano. E agora, enfim, ele está aí.
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Um desvario, vivido, de pouco mais de mil palavras.
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http://pt.wikipedia.org/wiki/DMT_(subst%C3%A2ncia)
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(I remember the very first time I smoke the MT...) (Na verdade a frase era: I remember the very first time I smoke DMT, mas isso eu fui descobrir depois)
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Eu me lembro da primeira vez que desci aquela rua num meio de junho de 2006. Lembro como só eu sou capaz de lembrar. Ninguém esteve comigo naquele instante, naquelas noites, naqueles dias e meses. Nem eu mesmo estive comigo. Acho que era inédito, achei que era sem volta e realmente era. Naquela ida por rua abaixo descendo ladeira que se arrastava como que em escalada, estive sem ter estado conscientemente. Uma pena, ou até mesmo não. Não uma pena por não ter sabido, isso não, mas talvez desse pena de se saber que por isso fora melhor o feito como foi. (???)
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Eu me lembro da primeira vez que desci aquela rua num meio de junho de 2006. Como era estado, não! Deplorável, destituído. A lógica constitutiva de mim não estava mais em mãos ou em mentes. A mente mentia, o corpo seguia. Seguia porque não sabia mais de si. Estar em si, naquela época, era não estar, definitivamente era o não estar. Não posso dizer que também não era ser, pois o exercício deste verbo, quando solitário, é inalienável de qualquer um. Por isso não digo que não fui, mas digo que não se conjugava em mim o presente.
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Só sei que me lembro da primeira vez que desci aquela rua num meio de junho de 2006. Chovia? Não me lembro, mas minha memória construiu a certeza de que sim, estava chovendo. Era inverno, havia garoa, moletons. Uma pasta na mão esquerda enquanto a mão direita carregava o guarda-chuva. Geralmente ando assim. Desci quarteirões, acho que uns 3. Depois dobrei a esquerda. Via a luz no fim daquele passeio. Eram casas, mas não me lembro. Padarias cheias de incógnitas. Li a placa: Capote Valente. Não me fez nada de mais.
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Mas me lembro bem daquela célula do ato de descer aquela rua num meio de junho de 2006. Qualquer poço, por mais fundo que tivesse sido, não chegava aos pés ou às solas daquele que abriguei minha morada. Fiz casulo sem paredes num não lugar. Nem a instância primária do corpo era contida em mim. Eu era um ponto final que se alongava por não ter ânimo de se fazer na próxima frase. Mas tenho a semente.
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Virei à esquerda e a ladeira continuou. Aliás, já estava por meses e continuaria por muitos, mesmo que um pouco escalada. Uma ladeira sem rumo, sinuosamente descontente por entre tantos sorrisos desperceptíveis. Bati na porta, a porta falou. Pisei no hall, o hall entrou. Subi no nono andar, procurei pelo número. Hoje sei do sentimento, mas naquela hora, nada se fazia sentir. Eu havia desaprendido a arte de sentir.
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A porta abriu. Fixei-me. Pensei. Li revistas. Bebi água. Mas tudo isso é um talvez, pois de fato, não sei dos fatos. A terceira e derradeira porta se abriu. Novamente entrei e sentei frente a frente com aquele espaço que seria o início da reconstituição da caverna. Afinal, lugares não havia e era necessário novamente inventá-los.
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Naquele momento eu era um bicho. Olhando com esforço, respirando por ser automático. Apetrechos jogados por sobre tudo para, enfim, poder se concretizar depois de muitas e muitas luas e se virar para si apontando o dedo que em si mesmo já dizia: É agora...
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Mas não. Qualquer agora era incisivo demais. Mas não. Qualquer apontamento teria que ser forçadamente elaborado, pois, apesar de ser, eu havia desaprendido como era a minha maneira de exercitar satisfatoriamente esse verbo. Uma reinvenção do ser deveria ser iniciada naquele instante. Tudo que por tempos tinha sido automático e que tão longe tinha ido, estava esfarelado e perdido fora do meu alcance de não se ver. E olha, ser humano é um bicho danado de complexo. A reconstituição do crime chamado vida, é foda...
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O dedo apontando foi caindo inconsistente em mim, o se pensar tocou a pequeno casulo sem margens. Tocou o que não havia. Ou havia, pois o não haver era o que existia naquele ano. Me vi, através daquele espelho crítico, que algo estava muito pior do que eu pensava estar. O ponto final que não ia adiante, eu, assim, enfim, vi e notei. O estrago era grande. Em menos de um ano eu tinha passado do extremo maior de alegria da minha vida, para o extremo oposto.
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Um ponto um pouco acima da nuca. Era aquilo que restava.
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De tantas festas, bandas, gravações, dublagens, músicas, viagens, o que restava era um ponto alojado na parte detrás da cabeça. Era como o universo quando se contrai. A massa se torna minúscula, mas não se implode. Era o eu-mínimo, como chamam por aí. Era a instância fundamental da consciência. Era a alma.
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E da alma se pode tudo!!!
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Ali fui alma.
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Não tinha consciência suficiente do corpo. O corpo existia, pois ele existe por si. O cerebelo que o diga.
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E, daquele instante que me vi mínimo, infinitamente mínimo, comecei, como uma esfera que se racha de dentro pra fora, a esculpir solitariamente (sempre somos sozinho, no mais fundo de nós, sempre seremos assim) meu novo eu. Precisava esculpir ferro denso com unhas e dentes, ou, simplesmente, esculpir consciência, o que não alivia em nada o processo.
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Essa escalada, mais radical e urgente, durou todo o mês de julho de 2006. Não que tenha sido definitiva, mas, com certeza, foi a mais drástica e exponencial.
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Porém, ainda sim, I remember the very first time I smoke the MT.
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Era Capote Valente. Não há nome melhor para se definir aquela rua, pois lá se capota, mas não é um capote qualquer, é um capote voluntário, é um Capote Valente.
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E foi realmente um Capote Valente, sem igual.
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Acredito piamente que nenhuma dessas palavras são excessivas. Acho-as até mesmo insuficientes. Mas já basta.
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Pensei em escrever esse post há mais de 1 ano. E agora, enfim, ele está aí.
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Um desvario, vivido, de pouco mais de mil palavras.
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http://pt.wikipedia.org/wiki/DMT_(subst%C3%A2ncia)
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Um comentário:
E triste,,,
pelos caminhos da vida sempre há um que é o mais triste.
bj,
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