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Quando li Dom Casmurro, escrevi aqui no blog que não gostei do romance e expliquei o porquê. Mas justiça seja feita. Se critiquei algo dele que não me agradou, acho justo e necessário elogiar o que causou boa impressão. Aliás, muito boa impressão.
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Terminei esses dias uma coletânea de contos do mesmo autor e me impressionei com a variedade de temas e o domínio da técnica. Aquela fina ironia, dessa vez, não me desagradou. Houve momentos de muito bom humor, finais inesperados e, nem por isso, frustrantes. Também houve finais esperados, mas muito bem escritos, como no caso d”O Alienista”.
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“Um homem célebre” também é uma delícia de ler, aliás, todos são. Os personagens são bem descritos diretamente, e também indiretamente por pequenas passagens de sutileza incrível. Muitos geram empatia e o mago barbudo é bem esperto no controle e velar das intenções.
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Os contos eram: “A cartomante”, “Uns braços”, “Conto de escola”, “O alienista”, “O espelho”, “Um homem célebre” e “A causa secreta”.
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Sei que não é novidade dizer que Machado tinha um domínio muito grande de uma maneira de escrever que ele desenvolveu e destrinchou longamente, mas isso é bem verdade e merece ser repetido porque tem muita relevância; tanto o desenvolver quanto o destrinchar longamente.
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Talvez seja justamente por essa diferença na extensão da obra que muitos o consideram o melhor escritor brasileiro, o que não acontece com tanta freqüência com a figura de Guimarães Rosa.
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Isso é uma suposição. Não sei se é só por causa disso, mas arrisco dizer que não. Há outros fatores a seu favor.
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Acho que não porque comecei a ler “Primeiras estórias”, livro lançado seis anos depois de Grande Sertão: Veredas, o melhor romance já escrito por um brasileiro na minha opinião, e os contos que já li não são nada de outro mundo. É apenas a mesma linguagem de Rosa, só que em doses homeopáticas, o que a faz perder força.
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Me parece que Machado de Assis dominava um modelo de escrita que se encaixava em mais formatos literários, o que não acontece com o estilo de João. Também acho que Machado era melhor na construção de tramas pequenas, no trabalho com roteiros.
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A força de Guimarães está na inventividade lingüística, no caminho, palavra por palavra, de seus textos e nisso ele é imbatível (não coloco Clarice pra não complicar a situação). Mas, em textos curtos, isso perde intensidade. Já Machado tem a força na precisão lingüística e também no brilho das situações propostas que resistem melhor aos diferentes formatos.
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A fórmula de Machado é mais versátil que a de Guimarães, mas, Grande Sertão: Veredas é um acontecimento único na literatura mundial, ao contrário de Dom Casmurro, por exemplo. João é superior em longas narrativas. João consegue ser incessantemente poético, mas perde força quando perde espaço. Machado é cirúrgico, inventivo nas tramas, versátil, embora menos mágico.
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E então, quem é melhor?
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Pra mim, Machado é melhor contista, mas Guimarães escreveu um romance superior a todos os escritos por Machado.
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E, quem seria o melhor escritor, independente do formato?
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Não sei. Aliás, dois dos maiores (ou os maiores) não caberiam numa comparação tão pequena.
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Sei que são dois monstros. Dois presentes para nós brasileiros.
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Quando li Dom Casmurro, escrevi aqui no blog que não gostei do romance e expliquei o porquê. Mas justiça seja feita. Se critiquei algo dele que não me agradou, acho justo e necessário elogiar o que causou boa impressão. Aliás, muito boa impressão.
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Terminei esses dias uma coletânea de contos do mesmo autor e me impressionei com a variedade de temas e o domínio da técnica. Aquela fina ironia, dessa vez, não me desagradou. Houve momentos de muito bom humor, finais inesperados e, nem por isso, frustrantes. Também houve finais esperados, mas muito bem escritos, como no caso d”O Alienista”.
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“Um homem célebre” também é uma delícia de ler, aliás, todos são. Os personagens são bem descritos diretamente, e também indiretamente por pequenas passagens de sutileza incrível. Muitos geram empatia e o mago barbudo é bem esperto no controle e velar das intenções.
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Os contos eram: “A cartomante”, “Uns braços”, “Conto de escola”, “O alienista”, “O espelho”, “Um homem célebre” e “A causa secreta”.
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Sei que não é novidade dizer que Machado tinha um domínio muito grande de uma maneira de escrever que ele desenvolveu e destrinchou longamente, mas isso é bem verdade e merece ser repetido porque tem muita relevância; tanto o desenvolver quanto o destrinchar longamente.
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Talvez seja justamente por essa diferença na extensão da obra que muitos o consideram o melhor escritor brasileiro, o que não acontece com tanta freqüência com a figura de Guimarães Rosa.
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Isso é uma suposição. Não sei se é só por causa disso, mas arrisco dizer que não. Há outros fatores a seu favor.
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Acho que não porque comecei a ler “Primeiras estórias”, livro lançado seis anos depois de Grande Sertão: Veredas, o melhor romance já escrito por um brasileiro na minha opinião, e os contos que já li não são nada de outro mundo. É apenas a mesma linguagem de Rosa, só que em doses homeopáticas, o que a faz perder força.
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Me parece que Machado de Assis dominava um modelo de escrita que se encaixava em mais formatos literários, o que não acontece com o estilo de João. Também acho que Machado era melhor na construção de tramas pequenas, no trabalho com roteiros.
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A força de Guimarães está na inventividade lingüística, no caminho, palavra por palavra, de seus textos e nisso ele é imbatível (não coloco Clarice pra não complicar a situação). Mas, em textos curtos, isso perde intensidade. Já Machado tem a força na precisão lingüística e também no brilho das situações propostas que resistem melhor aos diferentes formatos.
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A fórmula de Machado é mais versátil que a de Guimarães, mas, Grande Sertão: Veredas é um acontecimento único na literatura mundial, ao contrário de Dom Casmurro, por exemplo. João é superior em longas narrativas. João consegue ser incessantemente poético, mas perde força quando perde espaço. Machado é cirúrgico, inventivo nas tramas, versátil, embora menos mágico.
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E então, quem é melhor?
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Pra mim, Machado é melhor contista, mas Guimarães escreveu um romance superior a todos os escritos por Machado.
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E, quem seria o melhor escritor, independente do formato?
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Não sei. Aliás, dois dos maiores (ou os maiores) não caberiam numa comparação tão pequena.
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Sei que são dois monstros. Dois presentes para nós brasileiros.
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Sei também que quando se fala coisas arriscadas, corre-se o risco de não falar nada direito.
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Sei também que quando se fala coisas arriscadas, corre-se o risco de não falar nada direito.
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Um comentário:
Sinfonia para silêncio em sol menor
(Mucio Goes)
e assim
quando você
me perceber extinto
não me pergunte
como foi
nem como vou
trago na boca
esse buquê
de vinho tinto
passei
como um vento
que passou
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