quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Como assim?!?!

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No fundo o pensamento comanda, mas não é soberano. Comanda em conjunto com diversas coisas como: as atividades que fazemos, o sentido que essas atividades têm para nós, como nos sentimos por fazê-las e assim sermos como somos. As coisas têm que ter razão de ser para as pessoas, senão as coisas ficam ocas. Não ver razão é não ter razão pra ser. E não ter razão pra ser não é ser - realmente. Ser sempre se é, mas ser - realmente é muito danado. Não se escapa de ser, mas ser - realmente é bem difícil. O ser - humano está preso nesta condição. Não se pode deixar de ser, mas ser - realmente também não se pode ser sem algum (ou muito) esforço. Penso logo existo, né!!! Penso logo existo e assim posso ser!!! E se é pensando que se existe, se existe pelo que se pensa. Pensar faz existir, pensar configura a existência, constrói o que se é, o como existir. Pensar constrói o ser - realmente, mas pode também destruir o simplesmente ser que se achava ser o ser - realmente. Precisamos de razão profunda e, quanto mais se pensa, mais as razões se tornam complexas e mais difíceis de serem encontradas e também mais difíceis de serem mantidas (acho que isso não é uma constante, mas tudo bem). As razões são, em geral, mais difíceis de serem mantidas porque são de natureza mais frágil. Sentimentos são mais orgânicos, tendem a serem mais duradouros quando contidos em si. Sentimento estabiliza, tem natureza mais perene e reina em terrenos mais estáveis, pois envolve muito mais. Sentimento é físico-químico. Já as razões são elétricas. Deve haver alguma verdade na comparação feita nessas duas últimas frases. As razões vêm como se vão, em geral. Podem ser bem volúveis. Isso não é uma regra, mas é uma tendência. As razões mais profundas das pessoas são parecidas e são duradouras, essas sim. Mas razões corriqueiras, dessas de cada momento, existem aos montes e correm ligeiras. A felicidade seria a base comum, a razão comum, dessas que duram, mas os caminhos pra se chegar até ela são infinitos e escorregadios, feitos de razões esgueirantes. São tantos caminhos quantos forem os seres pensantes que já existiram e irão existir por aqui. Acho que felicidade, no fundo, também é razão. Sentimentos são razão?! Acho que um bom bocado deles, ou todos, sim, porque sentimentos têm razão de ser, se fazem de razão. Ninguém sente porque sente. Não acredito nisso. Mesmo o amor, o tão admirável amor, aquele sentimento sublime, não é assim. Não se sente amor porque se sente. Se sente porque você tem alguma razão para senti-lo, ele faz sentido profundo pra você. É claro que o amor pode entrar numa espiral ascendente e, num determinado momento, se bastar por si, e daí ele se torna incorruptível, mas daí já é um estágio mais além. Ainda assim, nesse estágio, acredito que ele estará se baseando em razões, ainda que elas não sejam mais levadas em conta e se tornem descartáveis e irrisórias. Sentimentos são razões sentidas. Mas também poderia ser a razão uma sensação pensada? Pode ser, mas isso vai de pessoa pra pessoa. E agora, seria a razão um sentimento racionalizado? O ovo ou a galinha? Acho que isso é uma questão de tempo, questão temporal. Em cada situação isso pode ocorrer numa ordem. O que posso dizer é que pra mim as razões geram sentimentos e assim se inicia o processo. Mas o desenrolar é um fuzuê de ambos sincronizados no sem controle. Acho que eles são para serem mesmo juntos e assim guiar o homem por caminhos tão delicados como os da moral, da fé, da ética e assim por diante. Novamente a maça no escuro. Os caminhos de ser do ser. Caminhos do ser ser.
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2 comentários:

Anônimo disse...

"... dentro de um silêncio tão calado
que mesmo uma pessoa morta ao lado
quebraria."

"Minha alma tem o peso da luz.
Tem o peso da música.
Tem o peso da palavra nunca dita".

(Clarice Lispector)

Anônimo disse...

"... dentro de um silêncio tão calado
que mesmo uma pessoa morta ao lado
quebraria."

"Minha alma tem o peso da luz.
Tem o peso da música.
Tem o peso da palavra nunca dita".

(Clarice Lispector)