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Conta a história de amor de José de Sousa Saramago e de sua esposa Pilar Del Rio durante a escrita de seu penúltimo romance: A Viagem do Elefante.
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Um filme que alterna momentos intimistas e outros de extrema agitação, mostrando a agenda lotada de compromissos de um senhor, acompanhado de sua mulher, bem como de uma senhora batalhadora acompanhada de seu marido.
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Atmosferas meio paralelas são montadas em algumas partes, mostrando o casal em cenários diferentes, numa edição de imagem diferenciada, lançadas em palavras narradas por eles mesmos, o que me agradou bastante. Gosto desse clima meio “realismo fantástico”!
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Reflexões sobre a vida, a morte, Deus, sua existência ou melhor, na opinião dele, (in)existência, são uma constante em torno da figura do escritor. Já Pilar fala sobre a força das mulheres, feminismo, a garra necessária para viver, a importância da razão vencendo as lágrimas, numa visão otimista da vida.
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Saramago me parece um pouco pessimista. Não diria realista. Acho que ele se conformou com suas idéias de vida. Idéias duras que, naquela altura final, não o perturbavam, mas também não o acalentavam.
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Sua figura é muito envolvente, muito simpática. Um senhor perspicaz, único Nobel da Língua Portuguesa, possuidor de um misto de placidez e inquietação constantes e que ele naturalmente exercia. Era possuidor de uma grande capacidade de falar de coisas existenciais de maneira muito simples e muito tocante. Suas palavras carregavam o peso de serem suas palavras.
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Acredito que qualquer coisa, por mínima que ele dissesse, seria tocante!
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Fazendo uma passagem geral sobre a película, há também relatos de muitas entrevistas concedidas tanto por um quanto por outro, é retratada a oficialização do casamento dos dois, ligeiras conversas sobre política, homenagens e mais homenagens ao escritor, o dia-a-dia de Pilar que era seu braço direito (e esquerdo), alguns percalços de saúde que atingiram Saramago, cenas de peças de teatro, exposições, autógrafos e mais autógrafos, óperas baseadas em sua obra, Saramago jogando paciência no computador.
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É um documentário sobre a rotina de um casal ocupado.
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Pilar era um pilar, não é difícil chegar a esse trocadilho! O autor precisava dela, sentia-se necessitado de sua proteção. Foi bonito ver essa troca. A todo tempo ela chamava por seu nome.
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Na saída, diversas pessoas estavam chorando. Achei tocante!
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Na última cena aparece Saramago, dizendo: “Pilar, te encontro em outro sítio”, ou alguma coisa assim. Sua feição ao dizer isso não estava muito boa. Acho que ele disse isso, um pouco, a sua revelia, mas posso ter tido uma falsa impressão.
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