segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Ingenuidade

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“Não quero falar de uma falta de ingenuidade; pois, afinal de contas, a ingenuidade constitui a base do ser, de todo ser, até mesmo do mais consciente e do mais complexo.” Doutor Fausto – Thomas Mann
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Afinal de contas, aquilo que esquecemos e ignoramos é, constantemente, o que nos cede espaço para o que sabemos, sentimos e pensamos.
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Caso tenhamos em nosso consciente, que é nossa parte menos ingênua por princípio, todos os elementos passíveis de se tomar contato, todas as possibilidades de interpretação, todos os caminhos e desenvolvimentos, o simples agora tornar-se-ia uma intragável avalanche de malícias, belezas, teorias e comicidades que atropelaria o ser vivente.
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Daí a ingenuidade como a base de todos nós, até dos mais esclarecidos humanos.
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Não controlamos, no calor das horas, todos os relances que se nos passam pela mente, os sentires do corpo, não temos o pleno domínio de todos os sentidos concomitantemente. Seria como um corredor de luzes baixas que escondem nas brumas um mar de feras e docilidades constantemente latentes a nos roçar a nuca num eterno calafrio em potencial.
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“Viver é muito perigoso” como já dizia Guimarães Rosa!
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