quinta-feira, 3 de março de 2011

O discurso do rei

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Há duas semanas, fui assistir ao tão falado, e agora quatro vezes coroado (Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Diretor e Melhor Roteiro Original): O discurso do rei.
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Antes mesmo de ver, tinha a impressão de que seria um filme meio paradinho, cultzinho, aristocrático. E realmente foi!
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Por um bom tempo, dentro da sala do cinema, a postura daquele que ainda seria o George VI, sua respectiva esposa, mesmo o terapeuta da fala e sua família estereotipada além de outros personagens; todo aquele climazinho “reação-mínima-contida-na-atuação-da-menor-grandeza” somado ao “não-me-toque-não-se-misture” da Grã-Bretanha da primeira metade do século XX estavam me enchendo bastante.
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Era o reizinho travado, sua mulher chata e o terapeuta finamente irônico em ação...
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Mas a amizade tão singela que foi se construindo entre o rei e o ex-ator, o esforço tão verdadeiro de um homem para ser capaz de passar palavras de consolo e animosidade a uma nação às portas de uma grande guerra foram me comovendo.
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No final me envolvi com tudo aquilo e achei bastante interessante a forma como toda a trama e o próprio discurso final do rei foi coerente com as dificuldades do protagonista apresentadas ao longo das cenas.
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Ou seja, uma nuance tão delicada de se trabalhar na ficção como a “melhoria da gagueira de um personagem” foi, durante o decorrer do filme, tão bem desenvolvida que me convenceu de que realmente foi o rei que, com ajuda e com seu próprio esforço, conseguiu dizer tudo aquilo. Não houve saltos, um tempo que passasse e de repente o rei estava falando bonito ou coisas do tipo.
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Mais uma coisa... Rolou uma crítica de que “O discurso do rei” teria sido feito pra agradar a academia e ganhar Oscar. Acho que isso é verdade! Se era isso mesmo, eles alcançaram seus objetivos.
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