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Não se deve agir segundo a vontade rasa, descabida, cheia de intempérie, dotada de impulso baixio, egoísta. Vontade bifásica do sim e do não, do quero porque quero, assim como não quero porque não quero. Ou mais, quero porque quero a mim em exercício desta maneira e não quero porque acredito não me caber determinado tipo de dor ou tentativa.
Isto é pouco em demasia!
Não se deve esgarçar a moral pelo simples prazer de arrebentar o instituído, de ocasionar o desvario, um desperdício crônico de crenças e costumes, dilacerando o anterior de todo homem, o intocável de toda alma.
O mais importante é saber quando e como enfrentar, como sentir. O que, dentro de tudo, é considerável em fastio, sem inovação.
Desta hora, e de todas pra sempre, nem tudo cai neste ponto, nem tudo está para isso, está para reformulações, para quebra-cabeças a serem remontados, re-amontoados, re-contextualizados.
Seria maldito quebrantar as estruturas dignificantes e constituintes de um sustentáculo capaz de proporcionar a paz e o exercício humano neste terreno de perigos tão físicos, de olhares tão cegos, de sentires tão sem explicações permitidas; de ser na plenitude da não plenitude.
No entanto, este não é um segmento sem porém, ainda que valorize o traçado do “menor-porém”.
Ao mesmo tempo que tudo já aqui dito, é necessário ressaltar que deve-se equilibrar o não arrebentar do entorno, sim, mas nunca deve deixar de lado o arrebentar de si próprio.
Quando a cabeça pende ao chão de modo a lhe podar os mais belos horizontes, é hora de lançar olhares mais longínquos. Se tua postura resignada te causa sufoco, nada te impedirá de dar teu mais íntimo brado vital.
É saber quando e como jogar! Situar-se em vida!
De fato é como se as leis divinas pregassem no homem um matize de egoísmo permitido, pelo simples fato de sermos sozinho em nossas dores. É dada a licença de tentar, a permissão de se permitir.
O cerco entorno do homem, que exige muito de si, é fechado, mas, ainda sim, admite-se um descampado do espaço que o proporcione dançar conforme tua música interna mais latente e estridente.
É o encontro de dissonâncias que podem ser novamente harmonizadas, ainda que pelo total rearranjo das melodias internas. São estas que devem ser mexidas. As externas estão aí desde antes de estarem aqui.
E, além do mais, se não podes fazer o que quiser, queria aquilo que possa ser feito por ti.
Sempre há uma saída para perversão total ou ainda mental-parcial, intrinsecamente dolorida.
Para todo caminho percorrido, para todo traçado torto, por mais vívido dentro e fora de nós que esteja, há uma possibilidade de atalho, um conserto, um concerto mais belo a ser assistido e participado.
Há sempre um recaminho condutor para todo desvio, por mais perverso que este seja.
E nunca é estritamente necessário burlar entendimentos. Basta saber adiá-los, ou simplesmente compreender que não se deve compreender. Ainda!
Nunca é estritamente necessário pular compreensões, mas, é bom dizer que, por vezes, é necessário não as querer, e é bom que se faça isso.
Toda perversão se dá primeiramente na mente, para depois se alastrar. Mas é neste mesmo interno intenso que moram todos os encaixes.
O analgésico da dor da alma está no silêncio profundo. Por vezes impossível, é verdade. Mas sempre ainda mais possível, sempre ainda mais quisto, sempre ainda mais humano.
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“Age apenas segundo aquela máxima que possas ao mesmo tempo desejar que se torne lei universal.” Fundamentação da Metafísica dos Costumes, Immanuel Kant.
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