segunda-feira, 11 de abril de 2011

Devassa

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Peça da Cia. dos Atores adaptada do texto “A Caixa de Pandora” de Frank Wedekind, que foi rebatizada de LULU.

Lulu é uma personagem que só quer saber de sexo. Vazia de conteúdo, tosca, materialista, aproveitadora, ela inebria estranhamente.

Todos os personagens da peça (quatro homens e uma mulher) são completamente escravos voluntários dela, loucos, projetando inspirações artísticas, carnais e racionais sobre uma personalidade sem brilho, sem brio. Até mesmo seu pai a deseja e já teve relações com sua filha. Pai que, no caso, e não por acaso, num segundo momento da peça, é interpretado pelo ator que faz seu primeiro marido.

Esta paixão interna desatinada que rege cada um dos seus mais próximos, encaminha, um por um, a um desfecho fatal. Todos morrem. Os encantos são criados dentro de cada alma, havendo um descompasso tremendo entre o que é dito, amadamente declarado, doentiamente desejado e o que a coisa, a pessoa, realmente é.

Mas enfim, não gostei tanto!

Li o encarte e achei super-complexas e interessantes as idéias apresentadas nele: “a contemporaneidade devassa”.

Havia uma proposta de questionar o poder da imagem no mundo de hoje. Isto seria feito por uma adaptação de um texto do, já citado, dramaturgo do século XIX que havia trabalhado com publicidade e sabia bem do fascínio e descabimento que podem coabitar um mesmo elemento-signo.

Mas isso não sustentou o desvario e espalhafato de 1 hora e 30 minutos de duração.

O encarte prometia demais, falava bonito demais.

Mas achei palavras demais, efusão demais pra texto de menos!

O texto da peça, em si, não era tão legal assim! Havia muito rodeio, muita pompa pra pouca execução.

Não que os atores não estavam bem. Todos eram bons, sendo que alguns eram muito bons.

Mas o exagero da contextualização filosófica acabou levando a uma arte empolada e frustrante! Um glamour intelectual descabido, senão arrogante...

Pensei que só eu não havia gostando, mas, pela reação da platéia, pareceu que os outros também não compraram muito a idéia vendida ali no palco.

Acho que no fundo, acabou que eu vivi um descontexto dramatúrgico, extra peça, completamente alinhado ao contexto dela mesma. Ou seja, não entendi porque uma peça dessas estava no SESC Consolação a 32 reais a inteira, 16 a meia-entrada, sendo que era mais bonito ler o encarte que propriamente assistir ao espetáculo.

De alguma maneira, a supervalorização de “Devassa” foi como a supervalorização de “Lulu”: irreal.

A companhia estava cometendo o crime que delatavam!

É claro que o teatro tem diversas variáveis de interpretação, mas acho que este não queria chegar a este ponto!

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Ficha Técnica:

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Adaptação a partir do texto: de Frank Wedekind

Direção: Nehle Franke

Criação, Adaptação e elenco: Alexandre Akerman, Bel Garcia, César Augusto, Marcelo Olinto, Marina Vianna, Pedro Brício

Dramaturgista: Matthias Pees

Cenografia: Aurora dos Campos

Figurino: Marcelo Olinto

Iluminação: Maneco Quinderé

Direção Musical: Rodrigo Marçal

Projeção: Paola Barreto e Caito Mainier

Orientação Corporal: Dani Lima

Programação Visual: Radiográfico

Acessoria de imprensa: RPM comunicação

Direção de produção: Rossine A. Freitas

Produção: Cia dos atores

Assistente de cenografia: Ana Machado

Assistente de figurino: Luiza Paes

Assistentes de direção: Berta Teixeira e Vinicius Arneiro

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