terça-feira, 26 de junho de 2012

O Céu e o Seu



“Olha pro céu, meu amor”
Ele continua o mesmo
O que mudou foi tua maneira
De olhar pro seu céu
Mas ele permanece no véu exato
Que continua te reparando parado
Notando cada novo cintilar emotivo
De tuas velhas pupilas indomáveis

“Olha pro céu, meu amor”
Ele persiste sem nenhuma dor
O que o converte é o teu modo pessoal
De sentir a passagem dos dias
Os mesmos dias que continuam iguais
E continuam te determinando deposto
Perpassado seqüencialmente das horas
Em teus presentes semi-pressentidos

O céu nunca muda
Mas o seu céu é metamórfico humano

O céu nunca desaba real
Mas o seu céu pode te permitir lampejos de luzes animadas

O céu nunca chora
Mas o seu céu te conforta na chuva oportuna

O céu é lugar-presságio definido
Mas o seu céu está dentro da cercania de teu ser incógnito

O céu é transparência do ar sem fim
Mas o seu céu é muralha etérea do mais viscoso ego cadente

O céu nunca diz nunca
Mas o seu céu te nega conforme a capacidade de teus pulmões

Então...

“Olha pro céu, meu amor”
Ele continua passando solene
No seu exercício do mesmo eterno adeus
Aos que não o entendem
O que mudou foi teu jeito de sentir
Que teus passos somente te permitem continuar
Na perseguição sentida perpétua
Deste ser que teima em ser magnificamente o mesmo




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