quarta-feira, 29 de maio de 2013

Poemas para o Inverno - I


Gosto do frio! E São Paulo está ainda mais fria que de costume!

Até onde penso, neste clima, as únicas tarefas cotidianas que se tornam mais complicadas, são aquelas que envolvem a água, como: lavar louça, tomar banho e eventualmente esfregar alguma roupa. Há outras também, com certeza, mas, como eu não as executo, para mim, não me incomoda. Aos outros, não posso dizer...

Mas, de resto, as coisas cotidianas, como: dormir (dormindo melhor, se acorda melhor), comer, andar, tocar piano, ir a lugares, trabalhar, vestir roupas, encontrar com amigos, namorar, e diversas mais, quando está frio, elas se tornam muito mais prazerosas!

Por isso gosto muito desse clima que nos convida a um resguardo, ou ao menos a uma desaceleração natural do ritmo.

Soa como se houvesse um recolhimento externo que nos colocasse mais interiores, mais pensativos. Não que isso se imponha, mas, de alguma maneira, há um sutil convite a uma postura mais comedida, mais controlada, menos expansiva, mais calma, introspectiva.


E a introspecção é um grande convite à reflexão...
E as reflexões se fazem por palavras...
E pelas palavras se fazem os versos...
E pelos versos se fazem os poemas...
E pelos poemas, faço-me um pouco mais em mim!


Comecei escrevendo a poesia “O frio (Primavera da Palavra)”, quando me ocorreu algumas outras idéias que levaram aos poemas “Randômico Semântico (O inverso do Inverno)” e também ao “Mendigo-eu (Me digo meu)”.

Nessa levada, lembrei-me de outra poesia que escrevi, há bastante tempo atrás, e que falava justamente do Inverno, mais ou menos por estes caminhos que aqui expus. Acho que me lembro do momento que a escrevi. Eu estava na escola, estava bastante frio, e a professora Isabel Cristina que, pelo que recordo, nesse semestre estava trabalhando com poesias, propôs que escrevêssemos sobre o Inverno, já que ele estava para começar e todos estávamos sentindo frio naquela sala em Itanhandu.

Essa poesia foi escrita há quase 15 anos atrás. Ou seja, ela já é mais velha do que eu era quando a escrevi.

Resolvi acrescentá-la nessa leva e, logo depois, estão as que fiz hoje.

Acho que essa é a poesia mais velha desse blog! Eu já tinha escrito algumas antes, mas como não coloquei nenhuma dessas aqui, esta está sendo a mais antiga!

Ela está exatamente como foi escrita. Apenas dividi em estrofes para ajudar no ritmo de leitura.



O Inverno Interior e Exterior


Dias de Inverno,
Dias frios,
Dias em que nós nos resguardamos
E descobrimos mais sobre nós mesmos.


A neve vai caindo
E vagarosamente tudo fica branco,
Mas não um branco triste,
É um branco de paz,
Um branco celestial.


Nas chaminés
A fumaça sai e se perde nos ares.


Os guarda-roupas são abertos
E os velhos casacos se renovam
Depois de um banho de sol da manhã,
Esses casacos que já vestiram gerações.


As crianças brincam
Nos escorregadores improvisados,
Improvisados pelo Inverno.


O lago se congela
E por debaixo daquela camada
Ficam seres na imensa escuridão.


E por cima dela
Deslizamos devagar
Vendo a paisagem monótona,
Tudo quieto, tudo parado.


Mas, conforme olhamos
Um pouco de nós
Vai ficando naquela flor congelada,
Que seu olho se fixou,
E seu coração se apaixonou.


E então você descobre que o inverno
É muito mais que uma estação:
É um estado de espírito!



07/06/1998 - 14 anos


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