quarta-feira, 29 de maio de 2013

Poemas para o Inverno - IV


Mendigo-eu (Me digo meu)


É inócuo, é incauto, é instável
O destemperado clima agradável
Que perpassa as ruas semi-nuas.
Ruas tantas que além continuam
E sem nada, no nada se situam,
Lotam de vícios as formas suas.


Lá, nenhum grito, nenhuma vida
Assalta a desgraça adormecida
Que ali no canto se esqueceu.
Pequena, solitária e atrofiada
Que tentando correta, se fez errada
Tentando graça, brilhou em breu.


Só mesmo meus passos passaram,
E pairando perplexos, ali estancaram
Por alguma coisa que pouco vi.
A trouxa enrolada em mim grunhiu
E na derradeira voz se me despediu,
Pois ele morrendo, também morri.


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