I
Não
matei.
Não
quis matar.
Não
fiz fazer.
Não
quis querer.
Não
tentei tentar.
Não
pude poder.
Nunca
mais morrer
Neste
meu não matar!
II
E
foi suave...
Fui
suave sofreguidão ponderada,
Ânima-vida
pela crueldade aflorada,
Sopro
incólume da piedade escarrada
De
um fundo futuro ventre
Que
em mim renasceu!
Ninguém
morreu,
Nem
ela, nem eu!
Leve
levada pela compaixão levada...
A
compaixão perante uma formiga caseira,
Uma
mínima pontual inteira,
Pequenina
minúscula videira,
Vital
insigne companheira
Que
se me escolhi não matar.
Em
não matando,
Não
morri!
Fui
formiga.
Eu
nela, indo ido,
Vivendo
adiante!
No
entanto, lembro-me
Do
martelo digital no ar desfilante,
Insistindo
ao encontro com o ser ignorado
Por
este ato de cólera infestado,
Mas,
que num pulsar pensado,
O
peso ponderado no dedo paralisado
Desfez-se
do instante futuro prensado,
Tornando-se
oposto recuo apiedado,
Sentimento
cardíaco de meu passado,
Há
trinta anos em meio peito aconchegado!
E
então...
Foi-se
aquele ser solitário andante,
Da própria sobre-vida ignorante,
Da própria sobre-vida ignorante,
Por
entre as migalhas dispersas:
Pedaços de minha suculenta sala,
Pedaços de minha suculenta sala,
Vívida
em seres fugidos
Deste
assassino redimido
Que
agora vos fala.
III
Em
não matando a formiga,
Ganhei
um poema!

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