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I
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Que saudade de vencer a morte
Por meio das palavras
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Que saudade de poder crer que eu
Pelo menos por alguns instantes
Estaria transcendendo
A pesada dureza da realidade física
Por meio da arte verbal
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Que saudade de sulcar
A fina lâmina da realidade
Com vocábulos inéditos
Vocábulos que sem mim
Nunca teriam vindo a vida
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Que saudade de suar incessantemente
Enquanto os dedos
Quase não conseguiam registrar
Os fluxos vindouros
De uma qualquer coisa pulsante
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Que saudade da verve juvenil
Que me colocava tantas vezes
A disposição dos versos
Em ocasiões tão prazerosas
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II
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Onde estariam congeladas as palavras
Que eu não quis trazer à tona por covardia?
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Onde estaria colocada aquela frase repentina
Que me assaltaria sutilmente
Se por acaso eu a tivesse permitido?
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Onde terá adormecido o rincão mais íntimo
Da verve literária que em mim habitava
Mas que por agora se extinguiu em parte?
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Por onde andam os olhares que não lancei ao mundo
Nos momentos de levitação?
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Por onde se erraram os movimentos manuais
Que poderiam ter dado luz às belezas tão cultivadas?
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III
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Eu não sei!
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