domingo, 24 de setembro de 2017

Excessiva-Mente (Coisas Antigas - 2015)

É como se eu estivesse sozinho. 
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É como se o meu mundo inteiro fosse acabar se eu não escrever, se eu não falar, se eu não souber aquilo que, na verdade, eu não sei. 
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É como se fosse imprescindível que eu saiba algo que nem mesmo sei como faço para saber. 
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É como se meu mundo inteiro fosse implodir se não for criado algo relevante que o expresse.
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Toda lógica será inválida se eu não conseguir inventar aquilo que não sei o que é.
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Este é o sentimento que sinto agora. Sentimento fundo, mas não profundo. 
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Dor que tenho, mas não detenho. 
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Quanta dor vem daquilo que não dominamos, mas que, mesmo assim nos domina?
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Quanta dor sem voz, quanta dor calada.
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Quanta dor temos sem que possamos saber como dizê-la?
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Quanta dor sem ouvido para ouvir. Quanta dor que é somente ruído.
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Eu não sei para onde devo ir além do mínimo da vida que temos. 
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E nem mesmo sei se tão pouco já não deveria nos ser suficiente!

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