quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

Inanição


Em novo ato
Desato
Voluntariamente
Meu trato
Verbal
Literal
Visceral
Porém incrustado
Minguado
Inacabado
Destituído
Que se me amedronta
Posto que
Há muito que pouco faço
Há tanto que vil regaço
De mim não se desprende
Nem a mim me surpreende
Já que nada daqui faz brotar
O que no daqui se fez morar
Sou silêncio poeta
Silêncio senão
Silente sermão
Inválido rincão
Desérticas reentrâncias mentais
Amiudadas pela longitude
A longitude da juventude
Que tanto passou
Desterrada inspiração
Que secou
Pelos anos passados a fio
Fio que foi me tecendo
Me cedendo
Me enroscando
Me perdendo
Os anos passados
De um labutado trabalho
Inundante de minhas horas
Abundante ressequido
A mim ressecou
Homem não mais menino
Esquisito feito inumano
Incapacitado escrevente
Diminuída mente
Palavras desvairadas
Traçado reluzente
Que desgarrou de meus sonhos
E em mim não mais me proponho
Não mais me acompanho
Não mais consigo
Labutar o palavreado
Com a agilidade de jorro
Que antes se colocava
Termino portanto
Meu escarro literal
Aqui

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