quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

2011 - Thomas Adès – Compositor em Residência





Um projeto fantástico da OSESP!!!

Sempre tive muita vontade de ir na Sala São Paulo, ver a orquestra sinfônica, na sua própria casa. Um sonho que guardava desde quando cheguei a São Paulo. E, enfim, no dia 19 de novembro de 2011, as 16:30 horas, depois de 8 anos e meio aqui na capital paulista, realizei-o.

E este projeto foi especialmente emocionante!

Compositores clássicos vivos (a grande maioria está morta, o que tem seu lado frustrante) apresentam suas obras, sendo que eles mesmos regem a orquestra.

Pra mim, saber que a pessoa que compôs aquela peça está ali, de pé, na frente dos músicos, coordenando a execução dos movimentos, foi realmente tocante!

As obras, como muitos clássicos modernos, são bastante complexas e desconstruídas.

Segue o programa:



Programa:

1) Leos Janácek (1854 – 1928) - O filho do Rabequeiro (1912) - 12 minutos
2) Thomas Adés (1971) – Asyla (1997) - 20 minutos

Pausa

3) Thomas Adés (1971) – Concentric Paths – Concerto Para Violinos, Op. 23 (2005) - 20 minutos
4) Thomas Adés (1971) – Polaris (Estréia Sul-americana) 2010  - 13 minutos



1) Como está escrito, a primeira música, não era do compositor que estava também regendo, por isso não vou comentar.

Mas as outras três sim.



2) Asyla

A Asyla é uma desconstrução total! Pra mim foi a mais difícil de sentir! Parece mesmo que a música nunca deslancha realmente. Há a introdução de instrumentos não convencionais na orquestra. É uma amórfica fusão de climas que caberiam totalmente como trilha para uma bela animação de suspense!

Neste link encontra-se a Asyla inteira:




Depois da louca Asyla, veio uma merecida pausa.



3) Concentric Paths

Uma obra dividida em três partes: I Rings, II Paths, III Rounds.

Durante seus 20 minutos, um homem se contorceu loucamente para dar vida ao um extraordinário solo de violino, como pode ser visto nesses dois links:

O primeiro contendo as duas primeiras partes da obra:

E este segundo contendo a terceira parte:

Foi intensamente aprisionador ver aquele sujeito totalmente tomado pela dificuldade da execução, provavelmente caminhando na fronteira máxima de sua técnica. Ele, inteiro, e até mais do que sua própria possibilidade de ser, era o total da própria música. Não restava espaço para deslizes ou grandes descansos, durante grande tempo da música. Era como se ele fosse escravo da beleza à qual se submetera voluntariamente. Restando àquele pobre ser, somente concentrar-se e seguir adiante, aprisionado ao seu instrumento e às linhas melódicas alucinantes que deveriam ser soadas naqueles minutos. Foi uma experiência muito louca!!!



4) Polaris

E por fim, a que mais me agradou: Polaris.

Pareceu-me o descanso final de todo o processo. Mas, nem por isso, soou como algo mesmo próximo dos clássicos clássicos.

Seguem dois vídeos com ela inteira:



Esta composição, composta em 2010, o que, para a música clássica e, hoje em dia, também para músicas de outros estilos, é bastante atual, tinha a proposta de apresentar um tema que seria multiplicado em cânone, vertendo todos os instrumentos (alguns até espalhados por outros pontos da sala de concerto) numa nuvem de frases que iria se avolumando e intensificando até chegar num ponto máximo. E foi isto!

Não sei se ela é uma composição dodecafônica, mas é bastante misturada.

Ao chegar neste ponto alto, toda a orquestra pára e o tema é INVERTIDO. Ou seja, o tema que deu início à música é tocado ao contrário e isto cria um novo clima que o autor foi desbravando, de maneira, novamente crescente até um novo ápice, onde todos os instrumentos estão totalmente frenéticos desenhando frases.

Após este novo clima, inicia-se a terceira parte que consiste em retomar o tema inicial, mas de uma maneira reorganizada, e mais estruturada, soando mais branda aos ouvidos sem, no entanto, se afastar demais do inicial, ao ponto de não se reconhecer o primeiro tema neste rearranjo. E daí sim a música segue até o fim, não de maneira totalmente harmoniosa, mas mais bela, sim!

Achei esta estrutura um bocado tocante, filosófica e atual!



Vejo o compositor clássico atual como o grande operário das revoluções na estética musical que ainda são possíveis atualmente. Não que isso terá grande alcance, a ponto de muitos (ou todos) tomarem contato com alguma obra clássica do século XXI e notar sua disponível inovação, mesmo após tantos séculos de compositores sublimes que esgarçaram os limites orquestrais até sua quase rebentação.

Na verdade não existe mais, muito bem estabelecida, a divisão clássico-popular. Mas, ainda sim, pelo fato dos compositores clássicos possuírem um método de trabalho mais minucioso e pormenorizado sobre todos os movimentos de suas obras, esta minúcia permite que os diversos caminhos das possibilidades criativas sejam, ainda hoje, mais percorridos que músicas feitas por outros métodos de composição. Não que o popular feito sobre partitura não possa chegar a isso também, mas que é que a partitura é, sublimemente, um instrumento de composição clássica, e o universo do clássico, que pertence muito mais do que outros estilos, a esta metodologia composicional, apresenta-se mais amplo, mais aberto e, ainda hoje, mais rico para as criações. Desta maneira, ele também se apresenta mais aberto para as inovações, mesmo se chamando: clássico.

E reiterado, os compositores clássicos são, novamente, os grandes operários das revoluções, que ainda são possíveis atualmente, na estética da música em geral.






2011 - Antologia Poética – Cecília Meireles




A única feita pela própria autora.

Esta escolheu, de toda sua obra até então, poemas específicos de 13 livros, somando a esses, mais 11 poemas inéditos na época do lançamento desta coletânea, em 1963, totalizando 171 poesias.

Os livros que forneceram escritos são:



Viagem
Vaga Música
Mar Absoluto
Elegia
Retrato Natural
Amor em Leonoreta
Doze Noturnos da Holanda
O Aeronauta
Romanceiro da Inconfidência
Pequeno Oratório de Santa Clara
Canções
Metal Rosicler
Poemas Escritos na Índia
Inéditos



A presença do mar e de elementos marítimos em geral, como conchas, maresia, ondas, bem como elementos da natureza, pássaros, rios, estrelas, árvores, animais diversos, a chuva, é vasta na poesia de Cecília Meireles, considerada por especialistas como: a maior poetisa da Língua Portuguesa, amplamente aclamada também em Portugal.

Elementos, como os citados no parágrafo anterior, são usados de maneira a evocar coisas profundas, por metáforas, por vezes complexas, por vezes muito simples, mas que se agigantam no universo criativo de Cecília.

Mar Absoluto e Vaga Música me tocaram especialmente! Por vezes a autora chega a pontos metafóricos tão altos que cheguei mesmo a perguntar se aquilo não seria simplesmente uma viagem, sem nexo, de uma mente poética.

Nesta antologia em especial, a quantidade de temas abordados é um pouco maior, dado o propósito da obra. Aqui estão também elementos históricos do Brasil, como no caso do Romanceiro da Inconfidência, ou elementos de outras culturas, como no “Poemas Escritos na Índia”. Também é grande a presença da figura da avó, já que Cecília era órfã de pai e mãe desde muito cedo.

Além disso, posso estar enganado, mas me pareceu que, com o passar das obras, a figura de Deus veio a ser não mais uma inexistência, passando a se tornar uma existência sublime e intocável, sutil.

Achei que o processo se apresentou de uma maneira muito sincera e profunda!!!

Sua primeira publicação foi aos 18 anos, apesar de já escrever poesias desde os nove anos de idade. Foi ganhadora de prêmios nacionais e internacionais, e só não foi a primeira mulher a ser nomeada para a Academia Brasileira de Letras porque, na época, não aceitavam imortais do sexo feminino. Grande!!!

A Cecília é fantástica! Poeta no sentido mais profundo da palavra, e muito mais imortal que alguns!




2011 - On the road – Jack Kerouac



Falar mal de On the Road pode provocar brigas, caso alguém que goste muito do livro leia este post.

Mas eu vou falar!

No entanto, ninguém pode deixar de reconhecer que este livro ajudou a trazer, em alguns aspectos, o mundo para o ponto em que ele se encontra hoje, no que há de bom e no que há de mal. Escritores, músicos, ativistas, artistas plásticos, bem como, movimentos sociais, culturais e comportamentais tiveram esta obra, e outras que floresceram em torno dela, como fontes de inspiração.

Ou seja, ele é bárbaro neste ponto!

E eterno também, pois acho que a rebeldia jovem e a procura pelos ícones juvenis de outras gerações sempre existirá, por mais que o mundo mude. E acredito que, neste eterno movimento, enquanto ele durar, On the Road será uma das grandes procuras.

Mas a arte não é só isso, mesmo que o que tenha sido apresentado até aqui não seja pouco!

A arte é também gerar belezas que continuem tocando os corações, maduros ou não, de gerações e mais gerações futuras. Pois isso transcende. Não é simplesmente permanecer relevante por se apoiar no fato de ter sido uma obra icônica de um tempo. É continuar tocando mesmo após 3 leituras, e acho que On the Road não é expressiva a este ponto.

On the Road, nos dias de hoje, soa como uma viagem literária interessante, mas nada profundamente envolvente!

Eu curti muito mais ler a avalanche transgressiva do livro Pornopopéia do Reinaldo Moraes, que ler as tentativas de Sal Paradise, personagem que escreve a obra, e as intensidades suicidas de seu amigo: Dean Moriarty, este sim, personagem cativante.

Mas, no fundo, são apenas relatos de desvarios e mais desvarios que poderiam ser resumidos em menos espaço.

Entendo que Jack Kerouac viveu muito do que relatou. Ele presenciou algumas das cenas tresloucadas que ele mesmo apresenta nos seus relatos, e isso confere força à obra. Entendo que seu fluxo de palavras é intenso e foi inovador na época, mas isso passou.

On the Road é um livro legal para ler sem compromisso, viajando, dentro do metrô, na hora do intervalo de alguma aula, é isso!!!

Esperava mais e a obra não atendeu!




2011 - A pele que habito – Pedro Almodóvar


Mais uma das viagens de Almodóvar.

O filme não começa no começo.

Cenas se iniciam e depois se encaixam na trama, que vai ganhando força e intensidade até a grande transformação. Aliás, uma cena onde os efeitos especiais foram usados belamente e de forma essencial.

Alguns detalhes eu achei meio desnecessários, como o caso do cara que, foragido da polícia, adentra a casa disfarçado de tigre, sei lá, aproveitando-se do fato de ser carnaval.

Não posso falar mais muitas coisas, porque senão eu conto o segredo do filme! Rola prisão, vingança, experiências médicas, sexo, voyeurismo.

Mas, enfim, é um filme legal!

Apesar de que, Almodóvar, em geral, não me toca muito!

É sempre esperada aquela trama que uma hora vai embaralhar, e daí entra uma travesti e muda tudo, ou um espanhol com cara de garanhão que balança a estabilidade da trama, ou é ainda a neta que é irmã da própria mãe, porque esta foi estuprada pelo pai, e por isso a avó tem como neta alguém que também é irmã de sua própria filha. Esta neta é também filha de seu marido, que é avô e pai de uma mesma criatura que, numa crise de ciúmes, sem saber que esta era sua avô traída por sua mãe com seu avô/pai, mata-a, e este avô, que também é duplamente pai é, na realidade, parcialmente viúvo, pois, sua própria neta, que também é sua filha, matou sua esposa oficial traída que enlouquecera ao saber da traição, e que por isso tenta se vingar, mas acaba sendo esfaqueada num porão de vinhos pela neta que desconhece a própria avó, mesmo conhecendo seu avô/pai, pois este escondera durante mais de 40 anos, de sua legítima esposa, que a filha do casal não havia morrido, mas havia sido sim criada por ele, numa casa afastada, perto do mar e que lá ele mantinha relações sexuais com a pequena infante que se tornara mãe da futura assassina, mas ainda assim ele tenta desfa......... etc etc etc etc...

Enfim, é Almodóvar, com seus filmes bem feitos, que não questionam tanto, e nem chocam mais como chocavam!


Ficha Técnica

Título original: La Piel que Habito
Gênero: Drama
Duração: 1 hr 57 min
Ano de lançamento: 2011
Estúdio: El Deseo S.A.
Distribuidora: Sony Pictures Classics (EUA) / Paris Filmes (Brasil)
Direção: Pedro Almodóvar
Roteiro: Pedro Almodóvar, baseado em livro de Thierry Jonquet
Produção: Pedro Almodóvar e Agustín Almodóvar
Música: Alberto Iglesias
Fotografia: José Luis Alcaine
Direção de arte: Carlos Bodelón
Figurino: Paco Delgado
Edição: José Salcedo



quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Vídeos (Nova marcação)

  
Como queria deletar meu Orkut e lá estavam todos os vídeos que, de alguma maneira, tinham minha participação, resolvi criar uma nova marcação aqui, para reuni-los em outro lugar, e  não os perder de vista.

Então, estão aí todos os vídeos que faço parte, sendo pela frente ou por detrás das câmeras!


Vídeo XIII - Robo Sapiens - Get Along Gang (A Nossa Turma)






Vídeo XII - TVESPM - Pedro e Maria






Vídeo XI - Família !






Vídeo X - Ensaios






Vídeo IX - Robo Sapiens - With a Little Help From My Friends






Vídeo VIII - Piano e Silêncio






Vídeo VII - Festival Itanhandu 2009






Vídeo VI - Virada Cultural 2010






Vídeo V - Virada Cultural Itanhandu 2010






Vídeo IV - Benção Rutter






Vídeo III - Denn er hat seinen engeln befohlen - Mendelssohn



Vídeo II - Gloria in excelsis Deo




Vídeo I - Pie Jesu Coral Universitário



sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

On the Road (Dois trechos)


"A única coisa pela qual ansiamos em nossos dias de vida, e que nos faz gemer e suspirar e nos submetermos a todos os tipos de náuseas singelas, é a lembrança de uma alegria perdida que provavelmente foi experimentada no útero e que somente poderá ser reproduzida (apesar de odiarmos admitir isso) na morte. Mas quem quer morrer? No desenrolar dos acontecimentos eu continuava pensando naquilo no fundo da minha mente."


terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Discussão política!


Recebi uma crítica ao meu post sobre o Manifesto do Partido Comunista:


O autor da crítica tem este perfil no Blogspot:


E escreve nestes dois blogs:





A crítica foi a seguinte:

“O manifesto é um clássico da política, se não leu é melhor nem concordar nem discordar com nada.

A crítica do movimento social baseada na natureza egoísta, é velha, vem de Hobbes (1558-1679) "o homem é o lobo do homem".

Nem precisaria dizer que Hobbes não se baseou em nenhum estudo, apenas observações pessoais.

O homem não é egoista nem filantropo, pois são comportamentos aprendidos, ou seja, ele se forma a partir de seu meio. Egoísmo e instinto defensivo são coisas diferentes que o autor do post parece não diferenciar.

A questão aqui é o que se trata o socialismo. E concerteza ele não é uma perspectiva sobre a psicologia das pessoas ou um novo cristianismo buscando mudar seu comportamento.

O socialismo é uma teoria revolucionária em que a partir da organização dos própios operários e proletários, as classes dominadas ou expropriadas, eles então possam tomar os meios de produção, retidos históricamente pela classe dominante, a burguesia. Os meios de produção são por onde se produz toda riqueza existente, desde de um chinelo a um ipod; são também por onde o trabalhador ou operário é explorado.

E acho que não preciso me estender mais.”

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Daí eu quis responder e como a resposta ficou meio longa, resolvi fazer de toda esta troca de idéias, um novo post!

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Olá Pacas!

Em primeiro lugar que eu li o livro sim! Toda resenha que coloco aqui no blog é porque li a obra inteira!

E minha opinião não mudou lendo seu comentário! Acho que tocamos em pontos diferentes. Muitas das coisas que você colocou não eram necessárias, como, por exemplo, me explicar o que é o socialismo. Mas gostei principalmente deste parágrafo que me fez pensar:

"O homem não é egoísta nem filantropo, pois são comportamentos aprendidos, ou seja, ele se forma a partir de seu meio. Egoísmo e instinto defensivo são coisas diferentes que o autor do post parece não diferenciar."

Ao contrário do que você disse, eu diferencio egoísmo e instinto, sim! Mas também os coloco juntos, ou melhor, um permeando o outro dentro de determinadas situações! E sinto lhe dizer que esta característica humana não será quebrada por tratados políticos.

Muito menos hoje em dia, quando sabemos, por experiências práticas, que o socialismo "mais possível" vem sim, naturalmente, de um ciclo que acaba desembocando nele, como é o caso das nações mais desenvolvidas, e não como um caminho que leva a uma igualdade.

Este projeto é falido! E vai a falência justamente porque o instinto e o egoísmo se permeiam. Não são a mesma coisa, mas por vezes caminham lado a lado.

E se Hobbes parecia estar equivocado há tantos séculos atrás, acho que nós de hoje em dia temos provas suficientes p dizer que o homem é, sim, o lobo do homem.

Além disso, o socialismo deixa de lado um fato super essencial para a história da humanidade: a competitividade do ser.

Se o mundo fosse socialista, não estaríamos nem perto de nosso estado de desenvolvimento da ciência e da tecnologia.

Estaríamos mais avançados em outros pontos? Acredito que sim, mas muito pouco! Todo país socialista, depois de abrir suas portas, se mostrou uma fachada de filantropia mascarando um mar de atraso em diversos âmbitos do exercício humano.

Não que eu concorde com o fato de levarmos mais em consideração nossas carências do que a dos outros, mas é que isso é dificílimo de quebrar no ser humano. Não é por isso que devemos desistir, mas enfim, há maneiras mais brandas e mais possíveis de se conseguir melhorar a vida dos outros que não uma teoria política que fracassou tantas vezes e ainda vem fracassando.

Acho que no fundo você defende o Socialismo Teórico e não o prático. É inquestionável que na prática ele não funciona. Acho a teoria belíssima! Mas a prática não consegue deslanchar porque somos instintivos e egoístas! E estas coisas se permeiam sem que tenhamos conta destes movimentos!

Wagner.


segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

A Chuteira e O Aquário


Olá Rodrigo,

Recebi a cartinha que você me escreveu pedindo um aquário para colocar seus peixes, já que eles estavam muito apertados neste que você tem na sua casa.

Gostei bastante dos desenhos e dos recortes no papel! Sua cartinha ficou muito bonita!

Continue sendo um menino que gosta de animais e os trata bem! Os animais têm sentimentos, como os seres-humanos, e por isso devemos cuidar deles com amor e carinho para que cresçam saudáveis e felizes! Lave sempre muito bem seu aquário e alimente bem seus peixinhos! A natureza agradece!

E um último pedido, acredite sempre em mim, seu Papai Noel, pois tudo aquilo que a gente pensa, acredita e quer bem, existe para sempre dentro da criação de Deus!

Um grande abraço, do seu Papai Noel!




Olá Kesley,

Adorei sua cartinha e também o desenho meu que você fez, todo colorido e gordinho! Parabéns pelo capricho nas cores e também na sua letra, que achei muito bonita!

Estou te enviando uma chuteira bem legal, número 30, como você havia me pedido! Continue sendo um menino que gosta de praticar esportes e jogar futebol, pois isso faz muito bem pra saúde do seu corpo e da sua alma!

Espero que tenha sido um ótimo aluno durante o Terceiro Ano da Neném Garcia, afinal, nossos estudos são o que há de mais precioso! Aquilo que aprendemos, estará conosco pelo resto de nossas vidas! Seu conhecimento será sempre seu! Ninguém pode retirá-lo de você! E com o passar dos anos, você irá notar o quanto estes aprendizados ampliam o mundo!

E um último pedido, acredite sempre em mim, seu Papai Noel, pois tudo aquilo que a gente pensa, acredita e quer bem, existe para sempre dentro da criação de Deus!

Mande um beijo para toda sua família, inclusive para sua professora Jaqueline!

Um grande abraço, do seu Papai Noel!

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Rocha!


Hoje me lembro bem, e sinto novamente, desta vez com mais preparo interno, aquela dor negativa, profunda e intensa que eu sentia quando me via fora dos meios que tanto almejei por alguns anos, numa época em que eu era um simples recém chegado na maior cidade do Brasil.

Posso dizer com convicção que tinha aspirações diferentes e mais nobres quando era mais novo, mas, muito as mudei por mudar meus referenciais pessoais, quebrando fundo tantas belezas arraigadas que eu guardava dentro de mim. Meus ideais libertários, de vida simples, de cotidiano leve, de arte desapegada, de movimentos voláteis de existência amigável, foram todos escorrendo pelo ralo do capitalismo imoral e anti-ético que foi se mostrando, para mim, como a forma mais possível de vida feliz!

Afinal, alguns sonhos têm custos!

Entornei-me, então, num ideal longínquo de vida e felicidade integrada ao cotidiano modernoso e financeiramente abundante da cidade de São Paulo. Era este o meu novo ser a ser. Tornou-se este meu novo objetivo: colocar-me neste meio de empresas, a fim de sustentar meus sonhos individuais e coletivos; fazer minha vida dentro das regras do jogo para poder saltar fora por propriedade (privada talvez – rsss).

Não foi possível!

No início desta jornada rumo ao fundo, não havia dentro deste meu peito sequer um átomo, um zero absoluto de noção do que ainda estava por vir, de onde iria eu parar para poder rever-me ainda mais e mais e mais e mais e mais uma vez mais e outras tantas, removendo os cascalhos do fundo do meu lago humano a fim de encontrar, no subsolo do subterrâneo, o sustentáculo inoxidável, a rocha derradeira que não permitiria que eu cavasse mais e, enfim, eu teria ali meu teto máximo reverso, o zênite oposto do meu céu onde poderia, finalmente, desfazer-me do exercício das mãos gastas, para o firmamento dos pés no solo:

O meu eu em re-ligação unificada, a pilastra desta minha existência de miúdos 28 anos!

E como me doía ver pessoas vivendo aquele ideal de felicidade que eu queria para mim, mas que me parecia tão impróprio e distante, e que, talvez por isso, tão perfeito. Como me doía ver pessoas despreparadas sendo levadas por uma maré que eu me sentia muito mais capaz de navegar, mas que não tive a possibilidade de mergulhar. Como me doeu sentir-me especialmente injustiçado, talvez! Injustiçado na época e, mesmo hoje, ainda custo um pouco acreditar que o caminho imposto foi o mais correto dentro das leis do amadurecimento pessoal.

No entanto, posso dizer, com orgulho, que NUNCA senti inveja destas pessoas!

Hoje, não cabe a mim, analisar dolorosamente o que passou, e muito menos alguma visão diferenciada traria algum alento a respeito de meu passado recente. Resta-me apenas uma conclusiva resignação e um silêncio pacifista!

Mas quanta água suja, deste lago bagunçado, havia e ainda há sobre mim, meu Deus!
Eu não me importo! Hoje as águas estão férteis de matéria, e algumas delas já se decantaram por não servir mais de construção. Deixo-as apoiadas no fundo que, acredito ser a profundeza que me basta. A profundidade de onde posso construir minhas renovadas convicções.

Na verdade, nesta decaída agonizante, acredito que muitas delas nunca deixaram de existir, elas apenas estavam esquecidas e sem tempo de se mostrar. As águas mais claras deste lago, cuja fonte sou eu, talvez tenham deixado transparecer alguns ideais esquecidos, sonhos adormecidos, amigos escondidos, laços a serem alimentados, viagens a lugares preferidos, sentimentos almejados, coisas de todo tipo que me provocam um suspiro profundo e gostoso de se dar nesta hora de conclusão de texto!

Gosto muito de tudo isso!

Ainda não posso deixar de dizer que hoje me sinto mais preparado! Não preparado para tudo, mas preparado para tudo aquilo a que eu me propor estar preparado, e isso me traz mais segurança. Acredito que eu ainda aparente despreparos aqui e acolá, mas eu não me importo!

Eu sei que não estou mais fora da curva da vida e isso me faz bem! Aliás, não estou NADA fora da curva natural da vida! Eu sei disso! E isso não é, em nada, pouca coisa!

Agora, devo continuar, sabendo e cultivando os meus mínimos necessários, a fim de alcançar mais novidades reais, e efetuar o exercício da vida que nunca caberá em palavras. Afinal, sabemos, como nossos pais, que: “qualquer canto é menor do que a vida de qualquer pessoa”.

Nunca seria possível escrever tudo o que se aprende, pois, qualquer tentativa de registro da sabedoria conquistada, já nasce fracassada!

Mas toda tentativa de escrita sincera vale o erro ao qual ela se lança!!!




Esperteza

.

Esperteza é saber pensar um pouco além da média das cabeças pertinentes àquela atitude. Nem muito a mais, a ponto de tornar insustentável a ação em questão, nem a menos, a ponto de vir a realizar um ato medíocre.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

domingo, 6 de novembro de 2011

sábado, 5 de novembro de 2011

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Pronto! (Resenha sobre as resenhas)


Deu trabalho, mas, enfim, consegui acabar as resenhas das coisas que fui ver!

As resenhas, que é o tipo de texto que ultimamente mais escrevo aqui no blog, contam de coisas de arte que fui ver, mas não sobre tudo o que vejo!

Ou seja, se vejo alguma coisa na TV, na internet, não comento aqui! Só comento aquilo que eu tive que sair de casa para ver: cinema, teatro, livros e coisas do tipo! Na grande maioria, falo sobre cinema e livros, principalmente.

Eram 12 os comentários que faltavam serem feitos. Somando a isto a resenha do filme “O palhaço” que fui ver no domingo dia 30 de outubro, tem-se um total de 13 textos comentando coisas diversas.

Agora está pronto!

Mas mais uns dias, e novas obras serão vistas e comentadas aqui.

E blog, aos poucos, se aproxima de sua MILÉSIMA postagem!!!

Melancolia – Lars Von Trier



Um filme sobre o fim do mundo contado de uma maneira intimista!

O que se conta, não é o retrato de catástrofes coletivas, o presidente dos Estados Unidos pilotando um avião para combater uma nave que será destruída por um bêbado, vide Armagedom. Nada disso! O filme Melancolia mostra o fim da Terra na visão de duas mulheres e uma criança, isolados no campo.


A introdução do filme é o prelúdio de Tristão de Isolda de Richard Wagner. As cenas em câmera lenta formam um grande balé de imagens! E a trilha é um absurdo de linda e intensa! Foi está música que está neste post: http://viajantesdoinfinito.blogspot.com/2011/10/preludio-tristao-e-isolda-richard.html

Logo depois desta viagem sonora e imagética pelo todo da película, se iniciam as cenas de um casamento onde tudo parece bem, até que as coisas vão se desmontando pela tristeza de uma das personagens: a noiva!

A segunda parte mostra mais as características da irmã da noiva, e o enredo vai aproximando as duas, vindo a tona suas maneiras de encarar o fim do mundo!

Todos os personagens estão bem em seus papéis! O filme incomoda pela verdade mostrada em cena! As atuações não soam exageradas, não são atuadas! Tudo parece milimetricamente real! A câmera na mão nos passa a impressão de sermos fantasmas presenciando aquilo tudo e as esquisitices gradativas vão tomando vagarosamente o espaço!

Lars Von Trier mostra um domínio sobre sua arte que é impressionante! É conhecido por ser carrasco com os atores e também por suas infelizes declarações, um pouco fascistas / nazistas!



Mas sua arte é sublime!

Alguns elementos fazem referência a elementos citados pelas teorias apocalípticas, como o planeta Nibiru que estaria interferindo na Terra, coisas sobre inversão dos pólos. Há também elementos espíritas, como os cavalos que sentem a energia de um determinado lugar, a possível mediunidade de um dos personagens. O lance do sofrimento versus resignação, presente nas duas personagens principais, bem como teorias físicas de mudanças gravitacionais, rarefação da atmosfera, atração eletromagnética entre corpos estelares.


Fiquei satisfatoriamente atordoado com a obra! Gostei tanto que quaaaase voltei nos cinemas pra assistir de novo!

É um filme muuuito bem feito!!!