Por
indicação de uma amiga de infância, fiquei sabendo deste espetáculo que reunia
coisas que eu gosto demais da conta!!!
Sabia
que ia ter Milton Nascimento, Crianças, Minas Gerais, Cultura Popular, Vale do
Jequitinhonha, Teatro, Música, Poesia, Carlos Drummond de Andrade...Tudo
junto!!!
Enfim,
eu não poderia deixar de ir...
Então,
eu fui!
E
foi simplesmente uma das coisas mais lindas que já vi na minha vida! Uma
energia clara, de felicidade de todos aqueles que estavam envolvidos pela arte
ali no palco!
Senti
uma legitimidade profunda naqueles artistas, coisa cada vez mais rara de se
ver!
Sei
que estavam ali também pela grana, que são conhecedores, pelo menos os adultos
ali envolvidos, do apelo artístico que a reunião dos elementos compositores
desta obra é capaz de gerar e, por conseqüência, atrair público e ampliar
temporadas. Sei de tudo isso! Sei que é uma super sacada ligar músicas do
Milton com trechos de poesias do Drummond, colocar crianças de uma região pobre
no palco e chamar tudo isso pelo cativante título de: Ser Minas Tão Gerais!!!
Mas
isso não tirou a intensidade do meu encanto, já que tudo vibrava com uma beleza
mais ampla do que a simples conveniência dos elementos ali reunidos.
Foi
uma viagem, um sonho que eu não queria que acabasse!!!
Foi
um dos espetáculos que mais me emocionaram, senão o que mais me emocionou em
toda minha vida! Chorei de emoção pela beleza de tudo aquilo, desde o início
até o fim! Tinha horas que eu imaginava que eu já tinha chorado o suficiente,
mas daí acontecia uma coisa nova, começava alguma nova música, ou eu via algo
comovente no palco e pronto, eu recomeçava meu pranto!
Mas
não chorei de tristeza, de lamentação por tudo aquilo ser um sonho cultural num
país pobre de educação, que não valoriza sua cultura, que não dá espaço para
tantos artistas belíssimos que temos por aí espalhados!
Nada
disso!
Chorei
pela beleza daquelas coisas todas reunidas que já listei aqui!
Posso
dizer que não foi a maior produção que já vi, ou que este foi o espetáculo mais
elaborado que assisti. Não foi nada disso!
O
que me emocionou muito foi justamente e reunião dos elementos que me levaram a
ir ver!
As
músicas do Milton, o coro dos Meninos do Araçuaí, uma cidade pobre que fica no
norte de Minas, na região do Vale do Jequitinhonha e redondezas. A simplicidade
e a veracidade da cultura popular, os cânticos tradicionais do norte do estado
onde nasci, a trupe de teatro idealizadora do espetáculo, o grupo “Ponto de
Partida”, uma reunião de guerreiros da arte, que resolveram fazer algo por sua
cidade, Barbacena, então cresceram, apareceram, mas nunca abandonaram seu local
de origem!
Milton
Nascimento estava no palco como ator, mas, na verdade era simplesmente ele
mesmo no meio do palco, como ele sempre é!
A
estória conta sobre um grupo de loucos, figuras que toda cidadezinha tem. Este
grupo fala aos ventos sobre um homem, uma lenda que dizem ter engolido um passarinho
quando criança, e este bichinho parou em sua garganta, por isso quando ele
canta, traz a esperança e tem uma voz lindíssima!
Daí
todos estes loucos ficam perguntando uns aos outros, procurando onde está este
homem, quando que ele vai voltar pra cantar pra eles?!
Aos
poucos vai se entendendo que este homem é o Milton Nascimento que eles não
reconhecem logo de cara, até que uma mulher, com alma de menina pequena,
desconfia que ele tenha voltado e pede a Milton que cante alguma coisa, daí ela
o reconhece e chama todos para vê-lo.
Nisso
eles condecoram Milton com um cajado enfeitado com elementos de folia de reis,
e uma espécie de xale marrom. Daí se iniciam outras muitas canções, toque de
tambores, sapateado. Uma coisa lindíssima!
Eram
umas 60 pessoas no palco, dançando e cantando músicas do Milton. Crianças e
adultos num ritual para festejar o retorno do tal homem que trazia a alegria!
Além disso, o espetáculo comemorava os 70 anos de vida e os 50 de carreira
deste mestre da MPB, inovador em tantos pontos e imprescindível para a música
brasileira!
Houve
também brincadeiras com versos do Drummond. Já em outras partes são recitadas coisas
sérias deste mesmo escritor. E nesse mar de coisas tão bonitas, o espetáculo
foi chegando ao fim, num crescente de forças, justamente com estes elementos
que citei: os tambores, o sapateados, os cantos em coro, abrindo vozes, e todos
no palco, tendo Milton ao fundo, como se fossem o exército da alegria e seu
comandante!
A
parte instrumental estava belíssima! Cinco músicos: violão, baixo, sopros,
bateria e percussão, colocados junto da platéia, que tiravam um som muito bem
ensaiado, regulado! Todos no palco tinham microfones, acho que menos as
crianças! A sonorização e o equilíbrio de volumes estava muito bem feita!
Como
foi lindo! Foi tão lindo que eu não queria que acabasse nunca mais! O único
ponto menos tocante do espetáculo é que há pouca estória. Os elementos, músicas
e poemas, são jogados com ganchos de enredo bastante fracos. Pareceu um pouco
que os elementos estavam meio dispersos. Por qualquer pretexto já se iniciava
uma nova música, ou um novo poema. Acredito que a proposta seja mesmo essa: um
musical despretensioso neste sentido. Mas, com um pouco mais de esforço,
conseguiria-se uma coesão maior entre as passagens, o que ajudaria a
engrandecer o todo e a envolver mais o público.
No
fim, depois de cantarem Coração Civil (São José da Costa Rica, coração civil / Me
inspire no meu sonho de amor Brasil / Se o poeta é o que sonha o que vai ser
real / Vou sonhar coisas boas que o homem faz / E esperar pelos frutos no
quintal), todos aplaudiram de pé. Muita gente se emocionou, adultos e crianças!
E,
a pedido de uma das senhoras integrantes do “Ponto de Partida”, todos nós
cantamos com Milton Nascimento a música “Nos Bailes da Vida”.
Foi
DEMAIS!!! Uma noite inesquecível!!!
EQUIPE:
Concepção
. Ponto de Partida
Roteiro,
pesquisa musical e direção geral . Regina Bertola
Assistente
de direção . Lido Loschi
Direção
de vídeo . Éder Santos
Direção
de fotografia . Evandro Rogers
Direção
musical e arranjos . Gilvan de Oliveira
Preparação
vocal e pesquisa . Babaya
Iluminação
. Jorginho de Carvalho
Assistente
de iluminação . Rony Rodrigues
Figurinos
. Alexandre Rousset e Tereza Bruzzi
Confecção
de figurinos . Vera Viol
Preparação
corporal . Wagner Moreira
Coreografias
. Wagner Moreira e Ponto de Partida
Sonorização
de palco . Murillo Corrêa e Cia
Projeto
gráfico . Gutt Chartone
Fotos
. Rodrigo Dai
Produção
executiva do DVD . Camisa Listrada e Ponto de Partida
Assistente
de produção . Fátima Jorge
Direção
de produção . Cristina Lima
Parceria
. CPCD
Produção
geral e realização . Ponto de Partida
Roteiro
Cais
(instrumental) - Milton Nascimento e Ronaldo Bastos
Notícias
do Brasil (Os Pássaros) - Milton Nascimento e Fernando Brant
Ainda
bem não cheguei - Dom. púb. da região do Vale- recolhido por Frei Chico e Lira
Marques
Circo
Marimbondo - Milton Nascimento e Ronaldo Bastos
Cidadezinha
qualquer - Carlos Drummond de Andrade
Roupa
Nova - Milton Nascimento e Fernando Brant
Uma
pedra no meio do caminho - Carlos Drummond de Andrade
Itamarandiba
- Milton Nascimento e Fernando Brant
Beira
mar - Dom. público da região do vale recolhido por Frei Chico e Lira
Marques
Fragmentos
de poemas - Carlos Drummond de Andrade
Encontros
e despedidas - Milton Nascimento e Fernando Brant
O
cio da terra - Milton Nascimento e Chico Buarque
O
vôo sobre as igrejas - Fragmentos Carlos Drummond de Andrade
Boi
Janeiro - Domínio público da região do Vale
Coisas
de Minas - Milton Nascimento e Wilson Lopes
Maria
solidária - Milton Nascimento e Fernando Brant
O
amor bate na aorta - Fragmentos. Carlos Drummond de Andrade
Paula
e Bebeto - Milton Nascimento e Caetano Veloso
Brincadeiras
de roda - Região do Vale
Canção
para Ninar Mulher - Carlos Drummond de Andrade
Sentinela
- Milton Nascimento e Fernando Brant
Congadas
- Festa do rosário
Veveco,
panelas e canelas - Milton Nascimento e Fernando Brant
Bola
de meia, bola de gude (vinheta) - Milton Nascimento e Fernando Brant
Nosso
Tempo, Companheiros escutai-me e Medo - Frag. Carlos Drummond de Andrade
O
Rouxinol (The Nightngale) - Milton Nascimento
Canção
Amiga - Milton Nascimento sobre poema de Carlos Drummond de Andrade
O
vendedor de sonhos - Milton Nascimento e Fernando Brant
Ponta
de areia - Milton Nascimento e Fernando Brant
Canto
ao homem do povo - Charles Chaplin - Frag. Carlos Drummond de Andrade
A
primeira estrela - Milton Nascimento, Tavinho Moura e Túlio Mourão
Os
tambores de Minas (Minas drums) - Milton Nascimento e Márcio Borges
Raça
- Milton Nascimento e Fernando Brant
Louva
a Deus (The praying mantis) - Milton Nascimento e Fernando Brant
Visões
- Fragmentos. Carlos Drummond de Andrade
Coração
civil - Milton Nascimento e Fernando Brant







