quinta-feira, 30 de junho de 2016

Post 1600 - Coisas Guardadas (Sexta de Carnaval de 2013)

Molhar o chão de cerveja para melhor dançar
Correr por qualquer canto
Parando, pois, em qualquer encanto
Sempre sendo nenhum lugar
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Tentando sentir qualquer coisa
Enquanto vejo o dia chegando
E algum desmando em mim mandando
Rebentando desvarios sem pensar
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Vãos!
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Coisas Guardadas (27/10/2015)

O que sou eu? Eu sou isso que sinto dentro de mim quando não faço força para ser alguma coisa!

Coisas Guardadas (23/10/2015)

Uma imagem vale mais do que mil palavras, mas 1000 palavras bem escritas podem nos remeter a muito mais do que mil e uma imagens.
 

Coisas Guardadas (Mantiqueira Paulistana)

Gosto de sentir a língua do vento lambendo minha nuca
Sôfrego elemento em sua direção única
Mas que quando apalpando minhas cercanias
Se me multiplica em novas formas nos dias
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Elemento amórfico
Gaseificado liberto
Escudo utópico
O que, em mim, se faz moldura decerto
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O vento quebra a curva no meu cotovelo
Desenha os ângulos retos dos meus passos
Transpassa ligeiro os meus sutis rastros
Suplantando a saudade do lugar que não estou
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E feito um casulo novelo
Ando eu
solto
pela rua
Aconchegado em seu ventre errante
Sorrindo em meu aerado semblante que flutua
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Sortido sou traçado múltiplo do espaço urbano
Fluxo de gás e gente se esgueirando sem lugar
Ampliado é o ser que vive
Amalgamado pelo ar.
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Coisas Guardadas (31/08/2015)

Sempre penso demais no passado
Isso não muito me convém
Se caminho melhor descansado
Posso sem ele ir mais além

Coisas Guardadas (Repensado)

É uma pena que as transcrições mais conhecidas do sertão sejam feitas por quem conseguiu sair de lá.
 
 

Coisas Guardadas (06/09/2015 - III)

Como é interessante sentir o passado gradativamente se banhar de nostalgia, por pior que ele tenha sido! Sinto que alguns passados de anos atrás, quando eu já tinha uma certa idade, começam a se banhar de uma luminosidade diferente dentro de minhas memórias e, mesmo tendo sido tempos dos mais difíceis que vivi nesta vida, seus contornos já iniciam um processo de amalgamação que até me fazem sentir alguma saudade!

Coisas Guardadas (06/09/2015 - II)

Elis, a imperatriz da voz feminina brasileira!
 

Coisas Guardadas (06/09/2015)

Tudo seremos tantas coisas que já nem sei!

Coisas Guardadas (05/09/2015)

Será que o mundo se divide entre sensíveis e espertos?

terça-feira, 21 de junho de 2016

Post 1590 - Quase Finalizando um Semestre

Dar aula para crianças e jovens é como maravilhar-se de uma fonte de água frágil e ininterrupta: temos um pequeno espaço de tempo para observar, interferir e até mesmo saciarmo-nos inocentemente dela, pois logo os fluxos nascentes já estarão indo, sem mais controle, sem cessar e sem fim, para outras junções maiores, as quais não mais poderemos moldar como no momento primeiro.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Eu me lembro do dia em que...

Eu me lembro do dia em que, depois de algumas noites submergidos num mar de desvarios, tivemos que voltar à rotina das horas que fluem sem tanta euforia. Lembro-me de termos desligado de uma determinada maneira tão voluptuosa e transgressora naquele tanto de nada demais que fizemos que, voltando ao colégio, sentimos uma vaguidão dolorida que parecia nunca ter fim... Mas nós sabemos que tudo tem fim!
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Nós não acreditamos no infinito. Nós cremos no cíclico. Dentro de nós, dentro do que mais pensamos por nós mesmos, nem Deus é infinito. Deus é cíclico e seus ciclos não são sem fim. Seus ciclos possuem finalidade, possuem começo, desenrolo, finalmentes e apocalipse. Assim sempre foi com todas as coisas visíveis e invisíveis.
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E assim sempre foi conosco, sempre foi com tantas coisas que tantas e tantas pessoas conhecem por aí. Coisas que passam pelos seus dias, pelos seus mundos, pelas suas horas, pelos seus sonhos, pelos seus não sonhos, pelas coisas que vão indo embora sem que tenhamos nem mesmo sentido da maneira como esperávamos ter o direito de sentir.
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Mas desta maneira são inúmeras coisas e assim também foi aquele carnaval de 2015. Cinco dias de imenso desregrado, imenso não horário de tudo, tão inofensivas tentativas, tantas farras, tantas danças, tantos embriagados, tantos vais e vens pelos cantos dos bairros paulistanos e coisas do tipo: o baixo República, o alto Higienópolis, o miolo da Praça do Rotary e a sempre Santa Cecília.
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Mas invariavelmente chega a hora de voltar. Sempre chega a hora de respirar mais compassadamente, mais sutilmente, mais cabisbaixamente e ir adiante no serviço nosso de cada instante e assim tanto e tanto por diante.
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Chegamos como quem havia saído há séculos infinitos de um lugar ainda um pouco desconhecido e sentamos nos espaços cabíveis a um novo funcionário que ainda nem sequer havia completado uma lua grande dentro daquilo.

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Relembrar as pastas, relembrar as pessoas, relembrar o que fazer, como fazer, o tanto a se fazer, os pontos desligados, o curso que não existia, os mais de 200 alunos que invariavelmente chegariam e teriam de ser atendidos e colocados a direcionar suas energias para algo que fizesse o grande ciclo girar.
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Mas como estranho estava aquela vacuitude varrida enormemente aos cantos de nós e de onde pareciam nos cantar melodias dos cinco séculos que apartados dali estivemos ao longo daquela festividade carnal.
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Nossos olhos não se detinham no que devia, nossos pensamentos ainda estavam embevecidos das ruas, do sofá, das voltas, dos cigarros, das cervejas e dos tantos lugares de cantos que se nos habitamos.
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Olhar os pontos, sentir o espaço, os olhares que nos detinham, o volume dos ruídos, as sensações no corpo, o suor, a vontade de sair correndo, a não coisa que nos saía sem pedir permissão, uma outra coisa independente que, em nós, nos controlava, não nos deixando prosseguir naquilo que deveríamos fazer com urgência naquele espaço.
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O rastro, o rasgo, o risco, o posposto, a angústia vazia, uma negridão em nossas cabeças, em nosso corpo, em nossos dentes, em nossas mãos, em nossas unhas, o tremor nas pernas, nas pálpebras, a respiração que não saciava, o volume de tudo o que não queríamos mais, o que não suportávamos mais.
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Tivemos que levantar. Juro que sim! Tivemos que dar uma volta em algum não lugar, em alguma órbita intransponível, em algum pouco espaço permitido naquele novo emprego. E assim foi o jeito feito.
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Saímos da sala dos professores e caminhamos alguns passos pelo corredor com barulhos esparsos de crianças e jovens. Encaminhamo-nos para a direção do primeiro ponto em que lembrávamos de termos estado ali: a janela do segundo andar. Paramos, nos viramos sem querer virar, sem querer nada, sem saber porque estava fazendo aquilo. A única coisa que sabíamos era que aquilo doía e deveria parar.
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E foi então que tive a sensação de ter sido levemente subdividido em duas esferas. Algo em minha memória profunda brotara e eu recobrei de lugares em que me parece que já estive nessa vida, mas lugares que não parecem estar aqui na Terra.
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Campos e profundezas que não pertencem a este mundo, mas são palpáveis. Não fazem parte do plano espiritual, fazem parte de algum outro plano, talvez material, e que, por vezes, fui levado para lá.
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Imagens vagas que para mim, mesmo estando no corredor de olhos abertos, pareciam assaltar-me a vista aberta e me colocarem de frente para tão reconhecível local ao qual era impossível se chegar.
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Um sentimento de engrenagem profunda, de cratera dentro-fora, uma instância silenciosa, um local de gestação de vida, de coisas basilares, colunas que de tão longe-perto nos processam calcadas em outros rincões.
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E foi quando, subitamente, toda a angústia foi exorcizada de minha pele, de minha carne. Senti, de dentro para fora, uma força inundando todo o possível de mim, limpando e dominando meus pensamentos, renovando fortemente toda minha alma que, em segundos, pareceu ter sido profundamente transformada.
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Entendo que tudo possa parecer um grande desvario aos olhos dos que me leem, mas, impressionou-me a intensidade das imagens que vi, o poder da sensação de transformação que se fez mais forte dentro de mim do que a totalidade do que eu poderia realizar. Uma sutil sensação de ter estado lá, de ter sido levado para lá como se fosse uma outra dimensão em que estive algumas vezes.
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Seria, mais ou menos como se, quando eu dormisse, eu acordasse em outro canto e vivesse um pouco aquela realidade, no entanto, eu não teria permissão de trazer as lembranças do que se passou. Sei que existem sonhos que podem parecer tão reais que juramos termos vivido e pode este ser mais um caso, mas enfim...  Algo bastante difícil de entender!
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Voltamos então ao local de onde havíamos saído, ao nosso espaço que nos resta e sentimos uma sensação que nos remetia a alguma pessoa que conhecíamos, mas que não estávamos conseguindo reconhecer.
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Quem era aquela pessoa? De quem era aquela energia? Aquela presença? Aquela alma? Nós podíamos reconhecer aquilo como sendo de alguém próximo, mas não conseguíamos dar nome e rosto àquilo que estávamos sentindo.
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E foi quando, de repente tive a plena convicção de que alma era aquela, de que alma estava ali, de qual ente havia passado naquele momento de dores para mostrar sua presença, sua força, sua continuidade em outro canto, seu amor!
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Aquela energia que senti, de repente, tão bem-acabada, tão precisa, tão pertencente a alguém que não era eu, uma energia que não havia sido inventada por mim, tão humana e tão gostosa de se sentir... Era a energia da minha avó Cândida!
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A partir desse ponto, todo o resto do dia flui bem!
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Cândida Passos de Sousa
 

terça-feira, 31 de maio de 2016

Professorado

Na doutrina de ensinar, não se diz o que se sente, mas se aprende a sentir o que precisa ser dito. Devemos ir além da imediata sinceridade. Devemos ir de encontro a maestria! E acredito que a persona do professor pode mesmo melhorar a pessoa por detrás deste papel!
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No frio de alguns anos atrás!

No frio, eu tenho um constante cigarro acesso dentro de mim, ainda que nem sempre o tenha entre os dedos.
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Sinto-me na constante gestão de um embrião de fogo que se me aquece por perpétuo moto em continuidade.

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É um arrastado acalorado que se incuba dentro de meu ânimo quieto, o recanto silente humano que se dormita em meus regaços aconchegantes.
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Sinto uma renovada chama que chama ao recolhimento de meus intentos, ao calar de minhas margens, uma queda profunda ao que resta de côncavo dentro de minhas entranhas.
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No frio, faço a gestação, sem gesto e sem movimento, de coisas tão minhas, de coisas tão deliciosamente interiores, soprando aqui no peito uma chama inalcançável e inócua que nestes momentos tanto mais me alimenta.
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Sinto a temperatura na pele e sorrio sem mexer os lábios, sem contrair os olhos, mantendo-me impávido sorridente, neste ambiente aquietado que a madrugada por muito me seduz.
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A janela eu não toco, mas também não me faço sensível  à necessidade de gestos que me lancem ao mundo exterior.
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Todos os gestos são antes imaginários que reais!
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Meus movimentos são apenas minúsculas pulsações que esboçam intenções de transformação que não se fazem necessárias.

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A palpitação acalorada de minhas interioridades quer antes que o ar ao meu redor não as sinta, mas as pressinta enquanto quase não feitura de mim.
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Pretendo intrigar a  atmosfera de minha casa não revelando que estou vivo. Sou uma teatralização da não vida, uma estátua de sal milenar, esperando, submersa em si. 
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Tudo é uma espécie de vergonha escolhida que, melindrosamente, escoa dentro de minhas formas como uma sombra sem nome, inteira em seu estado no agora do verbo.
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Tudo dentro de minha casa está em sua inércia primordial, como antes de todas as coisas.

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Estamos antes da explosão das mãos de Deus!
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Somos enormidades anônimas encaixadas para se aquecerem mutuamente e, assim, o absoluto silêncio é apenas quebrado pelos dedos que teimam em prosseguirem com a digitação, apesar de eu mesmo quase negá-la.
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Mas não nego!
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Vendados

São muitas as respostas absolutas para nosso nível de questionamento.
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Somos seres que desconhecemos tanto, temos tanto a ilusão de que sabemos, tanto procuramos significados onde reina o acaso e, ao mesmo tempo, tanto fechamos os olhos para os pontos em que verdades de vasta grandeza se nos mostram.
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Partindo do ponto em que estamos, múltiplos caminhos explicativos se proliferam em diversas direções, traçando profundas possibilidades de verdades ascendentes que nos iluminariam se tivéssemos a inquietude de procurá-las. 
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Mas quantas ignorâncias carregamos e desconhecemos!
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Quantos entendimentos falsos nos sustentam por anos a fio!
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São muitas as respostas absolutas que chegam até nosso nível de questionamento, mas nossos olhos são demasiadamente estreitos frente a tão vasta luz que nos rodeia.

Mosaico Macaco

Aqueles que são capazes de encontrar um porquê profundo para seus próprios sentimentos são privilegiados.
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Quantos de nós não somos capazes disso e passamos uma vida inteira de sofrimentos sem explicações que nos bastem?
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Quantos se calam por calar?
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Quantos se calam por cansaço, por resignação pura, sem motivos, mas também sem vontade?
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E aquele que encontra seus motivos profundos de vida, não estaria sendo enganado por si mesmo?
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Talvez o segredo esteja em fazer da vida seu próprio depositório constante de pequenos significados, de pequenos momentos e grandes amizades que, ao final, construirão o mosaico maior de uma história cuja beleza escapou das mãos e do entendimento pleno de seu artista criador.
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Novamente a Mente

A estrutura da mente se constrói do sentir ao pensar, da pulsão profunda à interpretação consciente, do não verbal ao verbal; e isto está mais do que dito pela neurofisiologia e pela psicanálise.
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Aquilo que pensamos, muitas vezes, é aquilo que lembramos de pensar ao sentirmos o que às vezes pouco entendemos.
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O controle do raciocínio está em renovar o que se sente, mas, para renovar o que se sente, por vezes, é necessário raciocínio.
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Eis aí um clássico nó de nós mesmos.
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E, ao fundo de tudo isso, está o cérebro como uma grande usina geradora do humano, inserido numa cosmologia maior do que ele mesmo.
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O excesso de mente é um caminho para a perdição dela mesma.
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Ela é inserida nas coisas e não dominante de todas as coisas internas possíveis.
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Infeliz daquele que se utiliza somente dela.
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Inominável Dúvida

Quantas coisas bonitas morrem no pensamento?
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Quantas gratidões minguam na alma, às vezes, não por covardia, mas por não haver como dizer?
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Quantas palavras se apagam da memória imediata por não poderem conviver com a dureza do dia-a-dia?
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Como quantas pessoas gostariam de dizer de seus sentimentos bonitos para outras, mas não encontram momentos para se expressar?
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Não que não sintam, nem que não tenham coragem, mas, simplesmente, os momentos da vida não nos permitem falar, pois devemos manter nossas durezas respeitáveis na convivência social e, assim, não nos permitimos ser mais humanos.
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Haveria um fluxo daquilo que não é dito, porém, sentido entre essas pessoas?
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Ou tudo que se é, está apenas no fisicalizável, no audível, no dizível, na colocação da voz?
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Eu acredito que existam trocas mais etéreas!
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No entanto, qual é a clareza dessa troca? Quantas pessoas dominam o reconhecimento dos pequenos sinais intercambiáveis entre as pessoas?
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O que não se diz, pode ser sentido? Acho que sim! Mas o quanto isto é claro?
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E o quanto do que pensamos estar trocando não é apenas uma ilusão de conclusão solitária que se pensa ser real?
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E, ainda além disso, penso, às vezes, se o que não nos dizemos pela palavra, mas por outros meios mais sutis, poderá, algum dia, saciar a alma que queria ter se declarado?
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Como se chama a sensação que resta quando pensamos ter transmitido um sentimento, mas não sabemos bem ao certo se a pessoa capitou o que deixamos subentendido?
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Inominável Dúvida!

Venha a nós! Vamos a vós!

Tudo o que você faz ou, simplesmente pensa, tem uma resultante exata; uma resposta do universo que pode demorar mas que, com certeza, um dia, chegará até você.
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No entanto, dependendo do momento, a própria conclusão sensível daquilo que se pensou pode vir imediatamente após o ato de pensar.
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Ou seja, quando estamos mais despertos, podemos sentir, logo após o pensamento, algum sentimento resultante daquilo que imaginamos.
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Há momentos em que estamos assim e
saber reconhece-los é essencial para nosso aprimoramento!
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É como se algo em nós estivesse em conexão com esferas mais sutis da energia e a troca se dá com mais intensidade, com mais precisão, com mais rapidez.
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E então tocamos de leve a face da Verdade!
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Nesses momentos, devemos nos ater, com cuidado e observância, aos caminhos apontados por estes fluxos sensíveis que se nos fazem maiores!
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Momentos como estes são ótimos para nos reinterpretarmos, recolocando-nos coisas que temos guardadas dentro de nossas almas.
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sexta-feira, 27 de maio de 2016

O Avesso do Avesso

 
Como é vergonhoso e dolorido, para mim, o processo de recuperar a fé após alguns dias desafiando-a, negando-a, blasfemando-a, maldizendo-a...

sábado, 14 de maio de 2016

Prefácio Musical Futuro

Sabe o que vai acontecer daqui a 100 anos?
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As pessoas continuaram a ouvir Beatles, Pink Floyd, Legião e também Milton Nascimento, na intensidade e momento oportuno de cada um.
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Assim também somos nós, hoje, com Bach, Mozart, Beethoven e além tempo.
Vivemos, sem saber, o que ainda chamarão de Época Clássica da Música Popular.
E, paralelo aos contemporâneos dos clássicos, estamos participando, sem saber, de um processo marcante eterno do que virá!
Que sorte a deles poder vivenciá-los em vida!
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E que sorte a nossa poder sentir, também em vida, o que vivificará, continuamente, o futuro da música vindoura do povo!
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A Feminina Voz do Cantor 
Milton Nascimento
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P.S: Por quanto tempo durará o link desse vídeo?!
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P.S: E por quanto tempo durará essa música?!

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Dia-a-Diá-logo

 - Quanta sapiência existe na formação da genética das vozes, na prenunciação, delineação e posterior realização dos timbres que tanto nos encantam!
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- Mas seria a voz fruto do acaso talento ou do exercício cotidiano?
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- Acho que nenhum dos dois se faz somente em si! O engendramento é anterior a isso, e a complementação é cíclica!
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- Mas o que viria antes, o cantar bonito para se gostar de cantar ou o gostar de cantar para se cantar com beleza?
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- Acredito que seja algo duplo que se alimenta.
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- Ah sim, acho que faz sentido! Um conjunto de coisas sem tempo que se fazem fazer realidade.
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 - Com certeza! É a beleza do canto estimulando o gosto e o gosto fazendo brotar, mais e mais, a sublime beleza!
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Cotianesco!

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Ando reparando no meu cotidiano recente e acho que estou mais percebendo as sutilezas do caminho que não nos pertencem; as sutilezas do dentro e do que tanto nos escapa além das fronteiras do corpo.
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E são justamente nesses pontos que mais se faz a influência das inteligências superiores.
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Os pontos sutis que a tudo perpassam!
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Os entremeios que não percebemos de imediato!
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E como me impressiona o quão falho podem ser o humano e o acaso!
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sexta-feira, 29 de abril de 2016

0 - Enfim, Balanço Geral de 2015

Queria dizer que, tendo em vista a quantidade de coisas que ando vendo e o pouco tempo que tenho para registrá-las aqui no blog, à partir de 2016 não vou mais me obrigar a escrever resenhas sobre tudo que tomo contato ao longo do ano. Escreverei aqui somente sobre aquilo que me marcar de alguma maneira.
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Além disso, o tempo me fez balancear melhor o valor a ser dado para este endereço virtual e para este tipo de postagem!
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Outra coisa, algumas datas colocadas ao lado de cada título estão meio aproximadas, mas, a maioria está certa! Adquiri o hábito de colocar o dia em que fui ver a peça, ou o filme, ou o dia em que acabei de ler o livro.
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Gostei de fazer as marcações de data pois dão um panorama de mais ou menos que fase do ano em que eu fiz tal coisa. Se foi no inverno, no verão, nas férias, no primeiro semestre ou no segundo; coisas do tipo.
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Alguns livros terminaram próximos ou por serem pequenos ou por eu estar lendo mais de um ao mesmo tempo.
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Enfim, 2015 foi um ano bom e ainda sinto saudades dele, mesmo já estando tão longe!
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Cinemas:
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1. Ida
2. Dois dias, uma noite
3. Cássia Éler
4. Birdman
5. A teoria de tudo
6. O sal da terra
7. As maravilhas
8. Mad Max Estrada da Fúria
9. Miss Julie
10. Enquanto somos jovens
11. O último poema do Rinoceronte
12. Divertida Mente
13. Jurassic World
14. Uma nova amiga
15. Jimmy`s Hall
16. O último Cine Drive-In
17. Que horas ela volta?
18. Homem Irracional
19. De cabeça erguida
20. O Clube
21. Lulu, nua e crua
22. A Travessia
23. Música, amigos e festa
24. Ponte dos Espiões
25. 007 – Spectre
26. Chatô, o rei do Brasil
27. O Clã
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Livros:
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1. Pra seguir minha jornada
2. Sonetos do Bocage
3. Os protocolos dos sábios de Sião
4. Em alguma parte alguma
5. O homem dos 40 escudos
6. Brasil, coração do mundo, pátria do Evangelho
7. Em uma noite sem luar
8. Ninguém escreve ao coronel
9. O remorso de Baltazar Serapião
10. A razão de Deus
11. Sociedade Excitada, Filosofia da Sensação
12. O pequeno príncipe
13. Conversas entre escritores
14. Religião dos Espíritos
15. O livro da filosofia
16. O inspetor geral
17. A paixão segundo G.H
18. A vida de Galileu
19. Lírica de Camões
20. Contos Completos da Virgínia Woolf
21. Moby Dick
22. Fuente Ovejuna
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Teatros:
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1. Ópera do Malandro
2. Sobre cartas e desejos infinitos
3. 1915
4. Urinal, o musical
5. O Impostor Geral
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Shows:
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1. Milton Nascimento (Festival Espetacular)
2. Gonzaguinha, 70 anos (Vale do Anhangabaú)
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Óperas:
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1. O amor dos três reis
2. Um homem só
3. Ainadamar
4. Poranduba
5. Eugene Onegin
6. Thais
7. Bodas no Monastério
8. Manon Lescaut
9. Lohengrin
10. O Homem dos Crocodilos
11. Édipo Rei
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Dança:
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1. Anatomia da Melancolia
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1 - Thais (Ópera) – Resenhas 2015

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Thais foi simplesmente o espetáculo mais lindo que assisti no ano de 2015!
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Ópera magnificamente montada no Theatro Municipal de São Paulo entre o final de Julho e o começo de Agosto do ano passado.
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E que felicidade ter conseguido ir justamente na última récita, quando todo aquele colosso estava se despedindo do mais importante palco paulistano!
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A ópera narra a estória de Thais, uma sacerdotisa grega (se não estou enganado) que vive uma vida de gozo e espiritualidade, desfrutando dos prazeres do corpo em comunhão com as pulsações do espírito.
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Sua fama é tanta que um alto funcionário da Igreja Romana é encarregado de inseri-la no Catolicismo, alegando que toda aquela ritualística seguida por ela seria algo profano, não verdadeiro e que poderia levá-la a perdição.
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Thais aceita o convite e refaz sua vida, mudando sua morada para poder melhor seguir os preceitos ditos cristãos.
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Então, tem-se uma longa transformação nos dois personagens centrais que vão se encaminhando para o extraordinário canto da cena final!
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Thaís, deitada no alto do palco canta suas glórias cristãs, as tantas magníficas belezas que a esperavam, os céus que se abriam diante de seus olhos.
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Enquanto isso, o funcionário católico amargura sua humanidade, terrivelmente dilacerado de amores pela ex-sacerdotisa, vivendo o martírio do celibato que o impede de seguir seu coração.
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Ela flutuando em direção a Deus e ele amordaçado ao chão e ao amor irrealizado!
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Ele fora vítima de sua própria fé, enquanto Thais havia conseguido realizar seu processo de conversão, entregando-se sublimemente ao caminho pregado por Cristo.
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Ele, ao converter tamanha beleza espiritual feminina, criara para si seu Carma mais dolorido.
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Ao retirar dos domínios pagãos tamanha espiritualidade, Athanaël criara sua maldição mais doce, seu martírio mais humano, sua dor mais sublime.
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Athanaël fundara seu remorso mais angustiante, pois, seu amor pelo divino fora abalado justamente por aquela que ele convertera à sua doutrina religiosa, alegando ser esta algo superior.
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Uma conjunção de aspectos humanos e divinos entrelaçados numa teia de significados extremamente profundos que transcendem o acontecimento artístico que se desenrolou naquele espaço!
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E que voz tinha a soprano!
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Além dos elementos musicais, é necessário falar também dos aspectos estéticos que deram ainda mais beleza a esse lindo enredo.
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O cenário estava fenomenal, todo feito em branco, sendo que as luzes iam dando as mudanças de cor ao longo de toda encenação.
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Os figurinos estavam lindíssimos e os movimentos cênicos dos corpos davam a impressão de um longa e constante passagem de tempo. Os personagens entravam do fundo do palco e iam saindo vagarosamente em direção à direita do espectador ou àquilo que seria a esquerda dos que estavam no palco.
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Muito dos acontecimentos sutis da cena se deram por um lento e contínuo movimento de caminhada vagarosa e solene que se balanceava com tudo aquilo que estava acontecendo no centro da cena.
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E que poder tiveram aquelas grandes figuras andando constantemente por longos minutos ou até horas.
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Um arraste elegante de elementos e informações teatrais que pareciam querer extrapolar as margens do palco do Municipal, dando a impressão de que aqueles que por ali passavam continuariam sua jornada, andando eternamente além das paredes daquele Palácio, do Theatro, indo a algum lugar equidistante de todas as coisas que ali estavam acontecendo, riscando um horizonte longínquo que talvez pudesse indicar a saída de toda trama que ali estava sendo desenhada.
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A transcendência do espaço por um simples, lento, mas constante caminhar!
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As danças também estavam muito bonitas! O Balé da Cidade de São Paulo possui um conjunto de bailarinos de altíssima qualidade!
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Após toda essa beleza, fiquei ainda mais impressionado com todo aquele acontecimento artístico quando soube que apenas um homem fora o responsável por toda parte visual.
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E o gênio por trás de todo esse esplendor é o italiano Stefano Poda que assinou não só a Direção cênica, a Cenografia e os Figurinos como também o Desenho de luz e, para arrebatar, a própria Coreografia. Ou seja, este artista responde, excetuando a música, por toda a grande beleza que aconteceu naquele palco!
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Fiquei abismado!
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Essa montagem foi feita por Poda para ser encenada, primeiramente, no Teatro Regio de Turim, em sua pátria. Sua qualidade é tanta que ela foi eleita como uma das 20 melhores montagens em todo Mundo dos últimos 20 anos. Isso de acordo com a renomada BBC Music Magazine.
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Ou seja, é algo que se consegue ver apenas algumas poucas vezes na vida!
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O significado das esculturas, o sagrado e o profano, os deuses alados e os corpos nus, as figuras místicas de diferentes frentes religiosas que passaram pelo palco, tudo pertenceu àquele tipo de arte que nos leva às mais altas esferas!
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FICHA TÉCNICA:
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THAÏS - Jules Massenet



Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo
Coro Lírico Municipal de São Paulo
Balé da Cidade de São Paulo
Alain Guingal – Direção musical e Regência
Gabriel Rhein-Schirato – Regente assistente
Stefano Poda – Direção cênica, Cenografia, Figurinos, Desenho de luz e Coreografia
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ELENCO:
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Thaïs:
Ermonela Jaho
Sara Rossi Daldoss
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Athanaël:
Lado Ataneli
André Heyboer
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Nicias:
Jean–François Borras
Luc Robert
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Palémon:
Károly Szemerédy
Saulo Javan
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Crobyle - Carla Cottini
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Myrtale - Malena Dayen
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Albine - Ana Lucia Benedetti
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Charmeuse - Lina Mendes
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Um servo - Eduardo Trindade
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Stefano Poda

2 - De cabeça erguida (Filme) – Resenhas 2015

Um filme extremamente impactante com inúmeras cenas muito fortes que parecem nunca acabar. Passagens e mais passagens de embates entre forças diversas contra a força central de movimentação do filme: um jovem de periferia.
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A película narra a estória de um garoto com sérios problemas de adaptação às regras sociais e, numa rápida introdução, são mostradas cenas da infância do personagem, contextualizando um pouco o porquê de ele apresentar certos tipos de comportamento.
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Logo é dado um salto temporal para a fase da adolescência e, então, tem-se início um longo processo de tentativa de reeducação do protagonista.
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Como é impressionante a atuação geral dos atores, mas principalmente a do iniciante Rod Paradot no papel principal: Malony! Eu, particularmente, fiquei ainda mais abismado com sua qualidade dramática quando soube ser este seu primeiro trabalho como ator.
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Catherine Deneuve também estava muito bem como a imponente juíza Florence Baque da vara de menores que cuidava do caso de Malony. São bastante comoventes sua elegância e sua ponderação procurando uma postura justa que, por vezes, seguia uma linha mais severa, enquanto em outras procurava abrandar-se, acreditando na melhora do garoto.
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Também achei magnífica a capacidade que o roteiro e a direção tiveram de trazer uma veracidade extremada a tudo que se passou em tela. O processo narrado no filme pareceu-me bastante próximo do que seria, na vida real, um difícil tratamento de reeducação de menores infratores.
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Altos e baixos diversos, conversas complexas, o desgaste dos personagens que estavam em torno do garoto, o contraponto pouco saudável da mãe desequilibrada que criara o filho daquela maneira.
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O amor do menino pela figura materna presente nos momentos em que vinha à tona o lado mais singelo do protagonista, mostrando sua face mais infantil que ainda habitava dentro apesar de toda revolta e agressividade demonstradas.
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A carência que o tutor Yann (Benoît Magimel) procurava suprir no contato com o garoto, pois ele mesmo não havia tido um filho.
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A intensa discussão em que o garoto joga esse fato na sua cara e ele se revolta, pois estava desgastado e não conseguia reverter os quadros de agressividade que o protagonista apresentava apesar de ser esforço sincero para ajudá-lo.
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Enfim, um amplo universo de humanidades naturais que os franceses tanto são bons em levar para as telas dos cinemas.
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FICHA TÉCNICA:
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Gênero: Drama
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Direção: Emmanuelle Bercot
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Roteiro: Emmanuelle Bercot, Marcia Romano
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Elenco: Anne Suarez, Aurore Broutin, Benoit Magimel, Catherine Deneuve, Catherine Salée, Christophe Meynet, Diane Rouxel, Elisabeth Mazev, Enzo Trouillet, Lucie Parchemal, Ludovic Berthillot, Marie Piémontèse, Martin Loizillon, Michel Masiero, Rod Paradot, Sara Forestier
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Produção: Denis Pineau-Valencienne, François Kraus
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Fotografia: Guillaume Schiffman
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Montador: Julien Leloup
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quarta-feira, 27 de abril de 2016

3 - A Paixão segundo G.H. (Livro) – Resenhas 2015

A linda Clarice em mais uma de suas profundas viagens metafísico-obsessivas que tanto nos sugam para dentro dos múltiplos universos propostos por ela.
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Um buraco-negro literário que nos restitui a luz!
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Cintilâncias vocálicas que se sobrepõem, se alimentam, se sustentam, mas, ao mesmo tempo, não se sustentam, se perpetuam, se necessitam, se encaminham.
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Se tentam, se tateiam!
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Construções literárias que se apaziguam temporariamente e mais se multiplicam e se entrelaçam por entre os vãos silábicos de uma escrita universal.
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Processo intrínseco, pessoal, intransponível e inexplicável que, no fundo, nunca conforta para poder mais adiante querer adiantar-se e, assim, transpor o medíocre mundo das fisicalidades.
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Esse sim, te teria sido mortal, não fosse sua arte!
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Abismos de indagações, pensamentos que remoem os dendritos, axônios, a angustia e a busca de tudo que pôde caber em seu Lispector.
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É a liberdade, a mulher, o humano, a barata, o Rio de Janeiro, o apartamento solitário e sempre a mudança de alguma coisa que leva a uma hiperverborragia focada.
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Foi também a filosofia de classe social,
a patroa abastada, a mulher contemporânea de seu tempo.
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Clarice sempre foi contemporânea!
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Sua língua presa era mero aspecto superficial de fragilidade.
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Sua força verbal nunca a desviou de seu caminho.
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Pelo contrário...
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Tenho a impressão de que alguma coisa muito mais lá dentro do que suas palavras a segurou por toda sua vida.
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Parece-me, por vezes, que a escritora, voluntariamente, se manteve neste estado de angústia controlada e produtiva para que nela pudesse se consumir artisticamente ao longo de toda sua vida.
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Não creio que Clarice tenha sido um ser infeliz!
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Foi inquieta e filosófica, mas não vazia, não frustrada em sua arte.
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Ela soube de sua importância!
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Todo seu dedilhar mais profundo formou o eterno monólogo interno, alimento mais tenaz de sua alma.
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E foi assim que a suntuosa escritora fez da arte um diário de pulsações pensantes e sensíveis,
mergulhando constantemente numa próxima obra que não deixava de ser apenas a continuidade do mesmo e surpreendente conjunto vital de conclusões catárticas.
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A misteriosa bruxa, mais uma vez, foi tocante!
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4 - o remorso de baltazar serapião (livro) - Resenhas 2015

primeiro livro que li do moderno e aclamado escritor valter hugo mãe.
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escrita radical que mistura termos antigos, palavras novas, o culto e o popular juntos, as tramas densas e o ritmo narrativo que tanto já tinha ouvido falar bem.
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livro onde parecem estar misturados a pontuação de josé saramago com alguma linguagem que lembra as inovações de joão guimarães rosa.
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uma miscelânea de influências rearranjadas por valter!
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lembrou-me também um pouco a animalização humana feita pelos naturalistas, o que aproxima o livro também do emblemático vidas secas de graciliano ramos.
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trata-se de uma estória enraizada num universo bastante interiorano, um tanto afastado, dolorido, fechado, desconfiado.
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baltazar serapião é homem do mato que comete uma sucessão de atrocidades e essas barbáries vão desajustando sua vida, levando-o ao isolamento, gerando a peste, a praga, a dor dele e a de outros que o circundam.
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atrocidades que o levam ao remorso!
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livro rápido de se ler, que atrai o leitor, levando-nos sempre pela mão por meio de alguns trechos um pouco mais herméticos e outros mais abertos.
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gostei!
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lerei outros títulos desse mesmo autor!
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5 - Bodas no Monastério (Ópera) – Resenhas 2015

Um espetáculo delicioso, leve, cômico, cheio de trapalhadas e armações de alguns personagens.
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Tudo em nome do amor!
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Coisa do tipo: o pai que quer casar a filha com um rico, mas ela gosta do pobre.

E outras do tipo: uma mulher que quer justamente o rico que a protagonista não quer.
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Trata-se de uma ópera com essas e outras confusões que levemente e, apenas temporariamente, impedem o amor.
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Essa foi a primeira encenação desse espetáculo em solo brasileiro.
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Ela foi composta por Serguei Prokofiev com libreto de Mendelson-Prokofieva, estreando na Rússia em 1946.
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O homem com o charuto na boca na foto logo abaixo estava impagável no papel!
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FICHA TÉCNICA:
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De Serguei Prokofiev (1891-1953)
Libreto de M. Mendelson-Prokofieva
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Direção musical e regência André Dos Santos
Direção cênica Bruno Berger-Gorski
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ELENCO:
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A Duenna - Lidia Schäffer - contralto
Mendoza - Sávio Sperandio - baixo
Don Jerome - Giovanni Tristacci - tenor
Don Ferdinando - Johnny França - barítono
Louisa - Laura Duarte - soprano
Don Antonio - Anibal Mancini - tenor
Clara D’Almanza - Marly Montoni - mezzo-soprano
Don Carlos - Erick Souza - barítono
Padre Elustaf - Mar Oliveira - tenor
Padre Augustin - Eduardo Fujita - barítono
Padre Chartreuse e 2ª Máscara - Gustavo Lassen - baixo
Padre Benedictine e 3ª Máscara - Gustavo Müller- baixo
Lauretta - Rachel Alonso- soprano
Rosina - Débora Dibi - soprano
Lopez e 1ª Máscara - Daniel Umbelino - tenor
Pablo e 1º Noviço - Edilson Junior - tenor
Pedro e 2º Noviço - Dayvisson Santos - tenor
Miguel- Marcello Mesquita - barítono
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Companhia de Dança
Coral Lírico Paulista
Orquestra do Theatro São Pedro
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6 - Manon Lescaut (Ópera) – Resenhas 2015

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Lembro-me de uma ópera em que as coisas começam bem, mas que vão sendo totalmente destruídas ao longo da encenação, terminando num imenso deserto onde um casal se esvai vagarosamente, escoando vertiginosamente para o esquecimento, a desesperança, a perdição, a derrota e a morte.
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Mas antes, tem-se um início com belíssimas passagens de musicalidade exultante, vibrante, onde todos estão felizes, se encontrando, amando, muito sorrindo, vivendo, festejando coisas diversas num ambiente de confraternização e humanidade, de vida e vivacidade, de cortejo de damas e cantorias que exaltam belezas de coisas várias.
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Até que alguns acontecimentos vão, tristemente, corrompendo todo esse primeiro universo festivo e jovial.
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Os elementos se quebram, se desfazem, se erram, se denigrem, se subjugam, se mediocrizam desmazeladamente e, empobrecendo-se, perdem brilho, deixam de vibrar beleza, positivismo e ânimo.
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Desfalecem então, em tortuosos destinos, os antepassados vigores que vão sucumbindo, exaurindo as maravilhas presentes e extensamente sonorizadas num primeiro momento cênico mas que já, nesse ponto do acontecimento, longe se localizam, esquecidas pelos redemoinhos da vida fictícia deste enredo fruto de momento LITERÁRIO criador primeiro, e não OPERÍSTICO, pois, ao contrário do que seria natural de se imaginar, o primórdio da criação se fizera em objeto livro de escritor outrem e não no intensamente revisado libreto formulado para a grandiosa composição do mestre Giacomo Puccini.
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E tudo se encaminha para as dores, soterrados rumores, vistas nuveadas, lágrimas corrediças, descontrole de emoções e enfraquecimento de palpitações que lentamente se paralisam e, mesmo que em algum beijo alguma esperança possa ser transmitida, infelizmente, esta é sofrivelmente demasiadamente pouco suficiente, pois a boca encontra-se exaurida pela falta de um simples gole d`água.
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FICHA TÉCNICA:
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Manon Lescaut de Giacomo Puccini
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Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo
Coro Lírico Municipal de São Paulo
John Neschling – Direção musical e regência (29, 30/8, 1,  5, 8 e 10/9)
Cesare Lievi – Direção cênica
Michelangelo Mazza – Regente assistente (dias 3 e 6/9)
Juan Guillermo Nova – Cenografia
Marina Luxardo – Figurinos
Cesare Agoni – Desenho de luz
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ELENCO:
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Manon Lescaut
Maria José Siri (dias 29/8, 1, 5, 8 e 10/9)
Adriane Queiroz (dias 30/8, 3 e 6/9)
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Des Grieux
Marcello Giordani (dias 29/8, 1, 5, 8 e 10/9)
Martin Muehle (dias 30/8, 3 e 6/9)
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Lescaut - Paulo Szot
Edmondo - Valentino Buzza
Geronte - Saulo Javan
Um acendedor de lampiões - Walter Fawcett 
Professor de dança - Matheus Pompeu
Um músico - Malena Dayen
Um taberneiro - Leonardo Pace

7 - Lohengrin (Ópera) – Resenhas 2015

Ópera estreada em 1850 na Alemanha e que teve como diretor, nada mais, nada menos que Franz Liszt.
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Que época gloriosa para a música clássica essa em que Liszt regia uma obra composta por Richard Wagner. Dois gênios de primeira grandeza somando seus talentos em um único trabalho!
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Mas essa montagem do Municipal estava, ao menos esteticamente, bastante pesada.
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Lembro-me que o fundo do palco era todo coberto por peças de roupas em tecidos escuros, o que dava uma moldura grotesca para tudo que acontecia em cena. Estruturas duras, meio feias, sem poesia, querendo vender uma proposta que não me convenceu.
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Em determinado momento desceu um cubo com penas representando o que seria o famoso cisne presente nessa obra. O cubo também me pareceu bastante estranho, num arranjo estético um pouco mau acabado. As penas coladas no cubo estavam tortas, escassas, mal colocadas e pareciam mesmo que haviam sido coladas ali de qualquer jeito. 
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Um conjunto de elementos metafóricos de extremo mau gosto.
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Os figurinos até não estavam tão estranhos quanto o cenário, mas não conseguiram vencer o conjunto grotesco formado pelo que estava envolvendo toda a encenação.
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Cenário da montagem brasileira (2015)
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Em contraposição a todos os elementos visuais, a parte musical estava esplêndida!
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As óperas de Richard Wagner possuem uma grandiosidade e uma riqueza musical impressionantes! Tudo soa feito para impactar, engolir o ouvinte, catapultando o espectador para dentro do universo ficcional presente no palco.
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Acredito que nenhum tema seja simples, despretensioso, corriqueiro. Todas as ideias musicais foram levadas ao seu máximo. As orquestrações eram grandiosas, intrincadas, com resgates do tema em diversas partes e com roupagens variadas, enormes crescentes e climas sonoros que constantemente soavam envolventes e de difícil decifração de suas harmonias.  
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Contendo três atos, a estória se passa no início século X, numa região onde hoje se encontra a Bélgica. O herdeiro do trono, um rapaz menor de idade, desaparece misteriosamente e o Regente temporário acusa sua irmã de tê-lo assassinado. Nisso chega um cavaleiro que se dispõe a ajudar a princesa a provar sua inocência com a condição de que ela nunca pergunte sua identidade.
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No segundo ato, o Regente, já destronado, e sua esposa vagam sem rumo pelas terras, pois tiveram suas intenções golpistas reveladas, provavelmente, pelo cavaleiro misterioso. Pelo que me lembro, isso não é encenado, mas fica subentendido, como se, entre o Primeiro e o Segundo ato um período de tempo tivesse decorrido, sendo suas consequências reveladas indiretamente pelo rumo tomado pelos personagens. Também ainda nesse ato, a princesa e o cavaleiro se casam.
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No Terceiro Ato, outras ações se passam e a princesa é envenenada. Estando para morrer, ela quebra a promessa feita para seu marido e pergunta sua verdadeira identidade. Assim, quase nos momentos finais da ópera, com a revelação da identidade do protagonista, se dá o que provavelmente seja a passagem mais significativa do espetáculo.
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Foi notável o profissionalismo da encenação!
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Uma composição de primeira grandeza, cantores de enorme qualidade vocal e teatral, orquestra impecável. Um espetáculo que me deixou fortemente a impressão de ter sido feito por pessoas que grande gabarito! Ópera em terras brasileiras, mas que poderia entrar em qualquer casa de espetáculo do mundo que estaria muito bem colocada.
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Realmente só o cenário é que deixou bastante a desejar!
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FICHA TÉCNICA:
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Música e Libreto: Richard Wagner
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Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo
Coro Lírico Municipal de São Paulo
John Neschling – Direção musical e regência (dias 8, 11, 15, 17 e 20/10)
Eduardo Strausser – Regente assistente (dias 10, 13 e 18/10)
Henning Brockhaus – Direção cênica
Valentina Escobar – Assistência de Direção cênica e Coreografia
Yannis Kounellis – Cenógrafo
Patricia Toffolutti – Figurinista
Guido Levi – Desenho de luz
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ELENCO:
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Tomislav Muzek (dias 8, 11, 15, 17 e 20/10)
Viktor Antipenko (dias 10, 13 e 18/10)
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Elsa von Brabant
Marion Ammann (dias 8, 11, 15, 17 e 20/10)
Nathalie Bergeron (dias 10, 13 e 18/10)
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Friedrich von Telramund
Tómas Tómasson (dias 8, 11, 15 e 17/10)
Johmi Steinberg (dias 10, 13, 18 e 20/10)
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Ortrud
Marianne Cornetti (dias 8, 11, 15, 17 e 20/10)
Johanna Rusanen-Kartano (dias 10, 13 e 18/10)
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Heinrich der Vogler
Luiz–Ottavio Faria
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Heerrufer
Carlos Eduardo Marcos
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Die vier Edlen
Miguel Geraldi
Walter Fawcett
Sebastião Teixeira
Leonardo Pace
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Vier Edelknaben
Elaine Caserh
Elaine Moraes
Keila de Morais
Lídia Schäffer
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Cenário de uma montagem russa (1999)