segunda-feira, 31 de outubro de 2016

(Vi)Ver de Verdade

A energia atual, para muitos de nossos iguais, nos convida ao vislumbramento de novas levezas e verdades futuras, mas também nos arrasta ao deslumbramento vazio pela falta da densidade cristã já em processo de passado.
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Cuidemos para não nos tornamos ocos e desinteressantes em conjunto, não nos vendo um pouco mais dentro, nem de nós mesmo e, assim, nem dentro dos conjuntos dos quais queremos fazer parte.
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Sintamo-nos interiormente com prazer e sábia seriedade para, assim, nos vermos ainda melhor no tanto que o lindo espírito atual se nos convida a desvelar... 
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A DESBRAVAR!!!
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terça-feira, 18 de outubro de 2016

Câimbra corriqueira

Todo chão que se toca com o pé guarda, em si, sua cura de uma câimbra corriqueira.

Então, talvez, todo solo tenha sua função de firmeza, independentemente de estar em algum chão batido ou no piso de um apartamento instado no sexto andar.

São apenas relatividades diversas, absolutamente funcionais, empiricamente testadas, porém, de difícil documentação como tantas particularidades de nossas percepções diárias!

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Post 1616

Às vezes fico impressionado por acreditar sentir que a mente é mais profunda que o dito subconsciente ou o inconsciente, mais moldável por influências externas do que aquilo que prega a psicanálise, a psicologia ou outras formas de ciência do ramo.
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É como se caminhássemos por possibilidades que não abrimos por nós mesmos, possibilidades múltiplas que não detemos, nem mesmo parcialmente. Participamos como protagonistas de um roteiro que não escrevemos como elaboradores principais.
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É impressionante as mudanças que uma boa oração é capaz de efetuar nos nossos pensamentos. Por vezes, em apenas um breve sono, acordamos totalmente diferentes, como se uma estrutura basal tivesse sido modificada e, junto com ela, nossas conclusões maduras, certezas absolutas e pensamentos correntes.
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Acredito que exista, sim, algum ponto mais profundo que transcende aquilo que está dentro de nós, mas que, nós não o tocamos de forma direta, nem mesmo por meio dos métodos auto-expressivos desenvolvidos por alguns gênios do fim do século XIX e início do século XX.
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Talvez sejamos, no fundo, apenas animais pseudo-racionais semi-domados, e assim seguimos, mais ou menos, os horizontes que os estados superiores se nos determinam sutilmente.
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Algumas teorias não me bastam, mas acho que sou um quase Junguiano!

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terça-feira, 13 de setembro de 2016

Transcendente Saudade!

Quantas
e
quantas
belíssimas
almas
existiram
por
sem
ter
nenhum
memorial
que
as
vangloriassem
além
das
mentes
e
dos
corações
daqueles
que
as
sucederam?!
 
 
Pois
será
assim
que
ainda
melhor
sucederemos!

domingo, 4 de setembro de 2016

um poema para expurgar

a iminência do apocalipse
sensações de escuridão
o fim do mundo mora dentro de mim
e pulsa silenciosamente
encharcando de medo
todos os entremeios de qualquer dia frio
de qualquer dia em que fico sozinho
esgueirando-se como um nada
por todas as voltas que dou em casa
para todas as coisas que olho
em tudo o que penso
dentro e fora de mim
na hiper-intensidade da solidão
e mesmo quando não penso em nada
ele está anterior ao pensamento
está lá como um irracional silencioso
uma qualquer coisa sem sentido
requerendo que eu
constantemente
me lembre dele
e relembre a mim mesmo
que nada deste medo é verdade
que nada disso vai acontecer
que tudo deve continuar assim
os carros nas ruas
os homens na vida
as montanhas na minha terra
minha casa e minha família
meus poemas tão guardados
minhas músicas de cantos
meu piano que transborda
meus livros carregados
meus cadernos antigos
meus amigos de sempre
e tudo perseverará
mais ou menos
nos mesmos lugares
e por isso
como é desgastante
ter que sempre recordar o lógico
e sempre mais uma vez
e ainda de novo e de novo
pois
ao mínimo descuido
secretamente
dentro de mim
a sensação do fim das coisas
retornará sempre discreta
mas constante e imperativa
imperativa em sua forma silente
mas reticente como o tempo
reticente como um mantra
reticente como uma lembrança
reticente como os oceanos
um moto-contínuo anti-cotidiano
esmagando o correr da vida
aquela lembrança sem perdão
aquele buraco que não se completa
aquele lugar envolto de coisas
que te impedem de chegar até ela
um quase trauma secular
que faz tudo se escurecer
tudo ficar envolto pela ameaça
a velha ameaça de que tudo pode acabar
a qualquer momento
sem explicação
sem controle
em qualquer lugar
sem justificativa
ainda que seja feitiço-refeito
um poema para expurgar

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

POEMA PARA AGOSTO DE 2016

O Agosto infinito chegou ao fim
E todas as coisas respiram um misto de alívio e de dor
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Na memória
Ainda cicatriza o desenho dos dias
A lágrima pela criança que se foi
A lágrima pela explosão artística e esportiva
A lágrima pela decisão pessoal que ainda dói
As mãos trêmulas por aquilo que ainda vem
E a exaustão de sentir os pés pesados
Arrastando no gosto amargo do chão
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O Agosto infinito chegou ao fim...
.
No ar
O semblante da glória e da vergonha
Se mesclam a um único e mesmo suor nacional
Vindo de emoções tão distintas
E de horas tão sublimes e tortuosas
Que me parece que pouca poeira restou assentada
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O chão está limpo
Mas o ar está carregado!
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Tudo agora é em latência
E se digladiam nos céus
A beleza e o horror
Traçando os limites de um novo país
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A nação dorme exausta
A nação não dorme mais
A nação não dormirá nunca mais
A nação é sem volta
E
A Pátria do Evangelho
Fez-se novamente o Coração do Mundo
Riscando mais um traço
No desenho vasto de sua humana missão
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Nossa nação que se abriu
Em lancinantes espetáculos
De dança, choro e grito
Ainda reverbera a proposta marginal
De uma promessa que nunca se realiza
.
O Agosto infinito chegou ao fim...
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O Brasil não é mais o mesmo
O Brasil quebrou cascas de dentro para fora
E agora
O oceano vem banhar um novo litoral
Rasgado de rios que nascem num novo chão
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Mas...
.
Não sei porquê
Ainda permanece a estranha sensação
De que não mudamos tanto assim
E de que ainda muita semeadura
Minguará antes de se tornar vida
Murchando sem poder encantar
O olhar que as espera
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Após um mês que valeu por tantos ciclos
Rasga-se uma página do calendário
Uma descartável convenção social
Que leva embora sulcada em si
Rasuras diversas de nunca se esquecer
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Mas ainda assim prefiro crer que
Neste momento de tamanho tropicalismo
Lançaremos nossos corpos renovados
Em direção a uma alvorada mais possível
Pulsões de um futuro que nascerá
Vindouro de qualquer canto
Onde almas foram tocadas
Onde almas foram despertadas
Pelos tantos diferentes campos humanos
Que fervilharam entre nós
Neste mês sem margens
.
O Agosto infinito chegou ao fim...
.
Será?!


Sincrônico II

No domingo, dia 25, estava eu sentado num bar quando parou um carro no semáforo e dentro dele estava o Agnaldo Rayol.
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Levei um susto, olhei fixamente e ele me acenou com a cabeça.
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Até aí tudo bem, já que encontrar pessoas famosas pela rua não é algo tão incomum assim.
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Mas, qual não foi minha surpresa quando, o cara da mesa do lado vira e diz que ele também se chama Agnaldo Rayol e que é primo do cantor que acabara de passar.
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Fiquei meio incrédulo, mas ele se defendeu dizendo vários nomes de familiares, qual seria seu grau do parentesco com o tenor e etc...
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Seria mais um exemplo de Sincronicidade?!
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Intrigante!
 
 

terça-feira, 30 de agosto de 2016

A la Voltaire...

Hoje, descendo a Augusta, acompanhei uma manifestação Pró-Dilma que caminhava em direção ao centro da cidade.
 
Vi policiais sendo filmados por manifestantes e se sentindo incomodados, vi manifestantes sendo filmados por policiais e se sentindo constrangidos.
 
A tensão mútua no campo onde tanta coisa pode vir à tona para, só assim, ser vista, analisada e resolvida!
 
No fundo, o mais interessante era o fato de todos estarem ali.
 
Acredito que, na política, ninguém precisa ser perfeito.
 
A política é o campo onde é mais permitido a ponderação passional.
 
O estritamente racional cabe mais a Filosofia.
 
Política é, em essência, o ser-humano tentando ser humano, sendo errado ou sendo correto.
 
Sempre foi assim e, por algum tempo, assim será!
 
O amadurecimento político de uma sociedade é penoso e longo.
 
O que não podemos é deixar de dizer, deixar de tentar, deixar de manifestar.
 
A política é o campo da tentativa, o campo do embate, não o campo da perfeição.
 
E acredito que será deste cenário que já vivemos, há alguns anos, que sairão nossos futuros homens de estado, homens de opinião formada, homens de construção e de paz!
 
"Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las..."
 

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Carnavália mais possível...

 
 
Seria
o
Carnaval
uma
espécie
de
Hinduísmo
pós-moderno?!
 
 

sábado, 20 de agosto de 2016

Palavras pequenas... Sentidos inenarráveis!!!

É claro que não somos máquinas exatas geradoras de sentimentos e sensações, e é por isso mesmo que uma das coisas mais complexas para uma alma é sentir o sentido que supera o erro, a falha, a raiva, o desamor!
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A razão descortina, mas a correta sensação escancara!
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Não somos exatos no sentimento e muito menos na razão. O novo caminho capaz de invalidar o passado é algo inédito até que, quase sem querer, chegamos a experienciá-lo dentro de nossos corpos, de nossos espíritos.
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Quando uma nova sensação se faz vislumbrada, quando uma nova sensação se faz vibrada no corpo, sentida em sentido compreendido, eis o primeiro grande passo para a superação rumo a algo mais elevado.
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E isso é de uma complexidade tremenda, pois a venerada razão se explica muito mais facilmente que a profunda e modificadora sensação.

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Um dos pontos mais cruciais do mistério está em saber sentir o mistério na pequenina face dele que se entrega à revelação naquele átomo de segundo.
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Uma centelha de instante que cabe, somente a nós mesmos, sabermos aproveitá-lo!
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sábado, 13 de agosto de 2016

Sincrônico

Ontem, 12 de Agosto, ocorreu-me uma passagem muito interessante daquilo que Jung definiu como Sincronicidade...
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Estava eu na lavanderia de minha casa quando comecei a pensar em uma das alunas do colégio que dou aula, por conta da conversa que tive, há alguns meses, com a professora de matemática na qual elogiamos muito essa estudante.
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Quando saio da lavanderia e passo pela sala, qual não foi minha surpresa quando me deparei com uma atleta dos jogos olímpicos prestes a fazer um salto e que um de seus nomes era exatamente o mesmo desta aluna: CATHERINE.
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Um nome um tanto incomum, ao menos para nós brasileiros, mas que, mesmo assim, ali estava uma alcunha igual à da aluna que eu havia pensado fazia apenas alguns segundos.
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Nesse exato momento, lembrei-me do conceito defendido pelo psicanalista e senti que estava vivendo um exemplo desse intrigante fenômeno que tange nosso dia-a-dia de uma maneira tão sutil que, por vezes, ou não o percebemos, ou o confundimos com a simples coincidência errática!
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Acredito ter experienciado um exemplo de sincronia legítima!
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quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Ouvindo, ocorreu-me isto!

Quantas passagens ditas mágicas e sobrenaturais dos relatos religiosos não são apenas metáforas humanizadas, assim relatadas, para poderem melhor equivaler à grandiosidade do trabalho espiritual que nelas resultou e que, talvez, somente de maneira mitológica, poderiam ser melhor representadas enquanto momento de sublime beleza da história da humanidade?!
 
 
  P.s: E talvez isso fosse, simplesmente, o que era necessário em um tempo passado!!!

sábado, 23 de julho de 2016

Sentido tendência dolorida...

Como
me
tende
a
ser
fácil
sentir
o
que
de
errado
em
coisas
que
aparentam
ser
absolutamente
corretas
!

sexta-feira, 8 de julho de 2016

anjo de minha aldeia (poema ligeiro)

anjo de minha aldeia
tu que muito me abala
o coração que cala
e o olho que pranteia
 
anjo de minha aldeia
tu que espalhas as brasas
caídas de tuas asas
e assim tudo me incendeia
 
anjo de minha aldeia
tu que voas tão distante
feito a ave mais errante
escapada de minha teia
 
anjo de minha aldeia
retorne casto a mim
qual silente querubim
pois o amor inda permeia

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Diálogo interno

 - Quantas variáveis incontroláveis nos perfazem sem que as controlemos.
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 - Mas, mesmo assim, que energia ininterruptamente maravilhosa pode ter o futuro!
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quinta-feira, 30 de junho de 2016

Post 1600 - Coisas Guardadas (Sexta de Carnaval de 2013)

Molhar o chão de cerveja para melhor dançar
Correr por qualquer canto
Parando, pois, em qualquer encanto
Sempre sendo nenhum lugar
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Tentando sentir qualquer coisa
Enquanto vejo o dia chegando
E algum desmando em mim mandando
Rebentando desvarios sem pensar
.
Vãos!
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Coisas Guardadas (27/10/2015)

O que sou eu? Eu sou isso que sinto dentro de mim quando não faço força para ser alguma coisa!

Coisas Guardadas (23/10/2015)

Uma imagem vale mais do que mil palavras, mas 1000 palavras bem escritas podem nos remeter a muito mais do que mil e uma imagens.
 

Coisas Guardadas (Mantiqueira Paulistana)

Gosto de sentir a língua do vento lambendo minha nuca
Sôfrego elemento em sua direção única
Mas que quando apalpando minhas cercanias
Se me multiplica em novas formas nos dias
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Elemento amórfico
Gaseificado liberto
Escudo utópico
O que, em mim, se faz moldura decerto
.
O vento quebra a curva no meu cotovelo
Desenha os ângulos retos dos meus passos
Transpassa ligeiro os meus sutis rastros
Suplantando a saudade do lugar que não estou
.
E feito um casulo novelo
Ando eu
solto
pela rua
Aconchegado em seu ventre errante
Sorrindo em meu aerado semblante que flutua
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Sortido sou traçado múltiplo do espaço urbano
Fluxo de gás e gente se esgueirando sem lugar
Ampliado é o ser que vive
Amalgamado pelo ar.
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Coisas Guardadas (31/08/2015)

Sempre penso demais no passado
Isso não muito me convém
Se caminho melhor descansado
Posso sem ele ir mais além

Coisas Guardadas (Repensado)

É uma pena que as transcrições mais conhecidas do sertão sejam feitas por quem conseguiu sair de lá.
 
 

Coisas Guardadas (06/09/2015 - III)

Como é interessante sentir o passado gradativamente se banhar de nostalgia, por pior que ele tenha sido! Sinto que alguns passados de anos atrás, quando eu já tinha uma certa idade, começam a se banhar de uma luminosidade diferente dentro de minhas memórias e, mesmo tendo sido tempos dos mais difíceis que vivi nesta vida, seus contornos já iniciam um processo de amalgamação que até me fazem sentir alguma saudade!

Coisas Guardadas (06/09/2015 - II)

Elis, a imperatriz da voz feminina brasileira!
 

Coisas Guardadas (06/09/2015)

Tudo seremos tantas coisas que já nem sei!

Coisas Guardadas (05/09/2015)

Será que o mundo se divide entre sensíveis e espertos?

terça-feira, 21 de junho de 2016

Post 1590 - Quase Finalizando um Semestre

Dar aula para crianças e jovens é como maravilhar-se de uma fonte de água frágil e ininterrupta: temos um pequeno espaço de tempo para observar, interferir e até mesmo saciarmo-nos inocentemente dela, pois logo os fluxos nascentes já estarão indo, sem mais controle, sem cessar e sem fim, para outras junções maiores, as quais não mais poderemos moldar como no momento primeiro.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Eu me lembro do dia em que...

Eu me lembro do dia em que, depois de algumas noites submergidos num mar de desvarios, tivemos que voltar à rotina das horas que fluem sem tanta euforia. Lembro-me de termos desligado de uma determinada maneira tão voluptuosa e transgressora naquele tanto de nada demais que fizemos que, voltando ao colégio, sentimos uma vaguidão dolorida que parecia nunca ter fim... Mas nós sabemos que tudo tem fim!
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Nós não acreditamos no infinito. Nós cremos no cíclico. Dentro de nós, dentro do que mais pensamos por nós mesmos, nem Deus é infinito. Deus é cíclico e seus ciclos não são sem fim. Seus ciclos possuem finalidade, possuem começo, desenrolo, finalmentes e apocalipse. Assim sempre foi com todas as coisas visíveis e invisíveis.
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E assim sempre foi conosco, sempre foi com tantas coisas que tantas e tantas pessoas conhecem por aí. Coisas que passam pelos seus dias, pelos seus mundos, pelas suas horas, pelos seus sonhos, pelos seus não sonhos, pelas coisas que vão indo embora sem que tenhamos nem mesmo sentido da maneira como esperávamos ter o direito de sentir.
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Mas desta maneira são inúmeras coisas e assim também foi aquele carnaval de 2015. Cinco dias de imenso desregrado, imenso não horário de tudo, tão inofensivas tentativas, tantas farras, tantas danças, tantos embriagados, tantos vais e vens pelos cantos dos bairros paulistanos e coisas do tipo: o baixo República, o alto Higienópolis, o miolo da Praça do Rotary e a sempre Santa Cecília.
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Mas invariavelmente chega a hora de voltar. Sempre chega a hora de respirar mais compassadamente, mais sutilmente, mais cabisbaixamente e ir adiante no serviço nosso de cada instante e assim tanto e tanto por diante.
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Chegamos como quem havia saído há séculos infinitos de um lugar ainda um pouco desconhecido e sentamos nos espaços cabíveis a um novo funcionário que ainda nem sequer havia completado uma lua grande dentro daquilo.

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Relembrar as pastas, relembrar as pessoas, relembrar o que fazer, como fazer, o tanto a se fazer, os pontos desligados, o curso que não existia, os mais de 200 alunos que invariavelmente chegariam e teriam de ser atendidos e colocados a direcionar suas energias para algo que fizesse o grande ciclo girar.
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Mas como estranho estava aquela vacuitude varrida enormemente aos cantos de nós e de onde pareciam nos cantar melodias dos cinco séculos que apartados dali estivemos ao longo daquela festividade carnal.
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Nossos olhos não se detinham no que devia, nossos pensamentos ainda estavam embevecidos das ruas, do sofá, das voltas, dos cigarros, das cervejas e dos tantos lugares de cantos que se nos habitamos.
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Olhar os pontos, sentir o espaço, os olhares que nos detinham, o volume dos ruídos, as sensações no corpo, o suor, a vontade de sair correndo, a não coisa que nos saía sem pedir permissão, uma outra coisa independente que, em nós, nos controlava, não nos deixando prosseguir naquilo que deveríamos fazer com urgência naquele espaço.
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O rastro, o rasgo, o risco, o posposto, a angústia vazia, uma negridão em nossas cabeças, em nosso corpo, em nossos dentes, em nossas mãos, em nossas unhas, o tremor nas pernas, nas pálpebras, a respiração que não saciava, o volume de tudo o que não queríamos mais, o que não suportávamos mais.
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Tivemos que levantar. Juro que sim! Tivemos que dar uma volta em algum não lugar, em alguma órbita intransponível, em algum pouco espaço permitido naquele novo emprego. E assim foi o jeito feito.
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Saímos da sala dos professores e caminhamos alguns passos pelo corredor com barulhos esparsos de crianças e jovens. Encaminhamo-nos para a direção do primeiro ponto em que lembrávamos de termos estado ali: a janela do segundo andar. Paramos, nos viramos sem querer virar, sem querer nada, sem saber porque estava fazendo aquilo. A única coisa que sabíamos era que aquilo doía e deveria parar.
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E foi então que tive a sensação de ter sido levemente subdividido em duas esferas. Algo em minha memória profunda brotara e eu recobrei de lugares em que me parece que já estive nessa vida, mas lugares que não parecem estar aqui na Terra.
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Campos e profundezas que não pertencem a este mundo, mas são palpáveis. Não fazem parte do plano espiritual, fazem parte de algum outro plano, talvez material, e que, por vezes, fui levado para lá.
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Imagens vagas que para mim, mesmo estando no corredor de olhos abertos, pareciam assaltar-me a vista aberta e me colocarem de frente para tão reconhecível local ao qual era impossível se chegar.
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Um sentimento de engrenagem profunda, de cratera dentro-fora, uma instância silenciosa, um local de gestação de vida, de coisas basilares, colunas que de tão longe-perto nos processam calcadas em outros rincões.
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E foi quando, subitamente, toda a angústia foi exorcizada de minha pele, de minha carne. Senti, de dentro para fora, uma força inundando todo o possível de mim, limpando e dominando meus pensamentos, renovando fortemente toda minha alma que, em segundos, pareceu ter sido profundamente transformada.
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Entendo que tudo possa parecer um grande desvario aos olhos dos que me leem, mas, impressionou-me a intensidade das imagens que vi, o poder da sensação de transformação que se fez mais forte dentro de mim do que a totalidade do que eu poderia realizar. Uma sutil sensação de ter estado lá, de ter sido levado para lá como se fosse uma outra dimensão em que estive algumas vezes.
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Seria, mais ou menos como se, quando eu dormisse, eu acordasse em outro canto e vivesse um pouco aquela realidade, no entanto, eu não teria permissão de trazer as lembranças do que se passou. Sei que existem sonhos que podem parecer tão reais que juramos termos vivido e pode este ser mais um caso, mas enfim...  Algo bastante difícil de entender!
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Voltamos então ao local de onde havíamos saído, ao nosso espaço que nos resta e sentimos uma sensação que nos remetia a alguma pessoa que conhecíamos, mas que não estávamos conseguindo reconhecer.
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Quem era aquela pessoa? De quem era aquela energia? Aquela presença? Aquela alma? Nós podíamos reconhecer aquilo como sendo de alguém próximo, mas não conseguíamos dar nome e rosto àquilo que estávamos sentindo.
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E foi quando, de repente tive a plena convicção de que alma era aquela, de que alma estava ali, de qual ente havia passado naquele momento de dores para mostrar sua presença, sua força, sua continuidade em outro canto, seu amor!
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Aquela energia que senti, de repente, tão bem-acabada, tão precisa, tão pertencente a alguém que não era eu, uma energia que não havia sido inventada por mim, tão humana e tão gostosa de se sentir... Era a energia da minha avó Cândida!
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A partir desse ponto, todo o resto do dia flui bem!
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Cândida Passos de Sousa