terça-feira, 21 de agosto de 2007

Auguras do pensamento

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Às vezes eu acho que a vida se concentra na memória e não no ato de viver o instante. Penso assim porque o instante é muito fugaz e no ato de se viver não temos constantemente a noção de que aquilo é a vida e de que estamos vivendo coisas naquele momento. Estamos sim tomados pelo entorno, e isso é o natural. Nessas horas, apenas vivemos cada passagem e logo aquilo se vai, e o momento da vivência não se configura ou consolida-se instantaneamente em nossas consciências como a vida em si.
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E é aí que eu volto à memória como a verdadeira consistência ou consolidação da vida. A quantidade de vida que temos impressão de termos vivido, é diretamente proporcional à quantidade de vivências que estão armazenadas na nossa cabeça. Podemos ter vivido as coisas mais impressionantes numa determinada época de nossas existências, mas se não nos lembrarmos daquilo com consistência, nada se configurará como percepção estável de vida.
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Vida é bagagem, e a vida se estrutura na lembrança e não no ato de viver.
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Portanto, se queres ter vida, viva com lucidez mesmo as passagens mais entorpecentes dela. Não viva exclusivamente para preservar a memória, porque aí elas podem se tornar vazias e chochas, mas saiba que cada instante só se torna vida consistente para a vida quando está alojada com firmeza no campo das lembranças.
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Cultivamos dia-a-dia um jardim imenso chamado passado.
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Lembro, logo vivo.
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Ããããã, talvez esse texto possa nos mostrar uma nova forma de pensar aquela frase, que diz que “Recordar é viver”, ou talvez quem fez essa frase já tinha noção desse negócio que eu falei aqui.
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Auguras do pensamento. Só.
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Um comentário:

Anônimo disse...

"Vida é bagagem, e a vida se estrutura na lembrança e não no ato de viver."

Já li sobre exatamente isto aqui.
Não lembro qual o autor, mas sei que já li sobre este assunto.

Um texto tipo slide de ppt? rssss

Ficou bom, gostei....