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Será que conseguiremos? Me pergunto agora pois não sei como se farão de mim essas palavras já vívidas em algum lugar.
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Bom, Manuelzão e Miguilim, ou seria melhor dizer, Miguilim e Manuelzão. Todo começo começa no início, nem que esse início já seja formado no eterno. É assim que se mostram as primeiras páginas dessa uma das maravilhas narradas por Guimarães.
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Guimarães é início e fim com propriedade. Transpõe-se para o interior tão conhecido de todos que se sejam capital e de lá começa uma semente meio gente, inteiro menino, no calado do parto depois do parto primeiro, ou seria o derradeiro, já que foi o primeiro e único a ser realmente escolhido. Não sei e assim nos fazemos corretos.
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E assim é menino bom, menino comum. Miguilim aos poucos chega e te olha com inocência. Não pede permissão, por ser tímido, mas ainda assim intimida pelo não olhar. Miguilim piquininim, choroso, pensativo. Menino bom, repito. Tem no irmão menor uma alma de se admirar. Sábio Dito que se foi antes do nosso amigo e deixou dias de dores em cama. Saudade que só se é expressável no português tropical do Mutum.
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Lá tem Mãitina, negra de saberes e embriagez de porão. Sua fogueira do calor vindo do não-quero-saber balbucia o que não se contradiz.
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Também tem Pai e mãe, pessoas respeitáveis. Amor de mãe, respeito de pai. Natural vivível.
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Lá há irmãos de renca, soltos no terreiro, no alpendre humilde. Pequenos, ligeiros, fracos, mas inteiros na mínima infância que tem o pé e a cabeça rente ao chão. Tombos servem de renascença cíclica e cada vez mais.
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Lá vive passarada, cantoria, pássaros que declamam o oculto da mesa do café. Meã avoada que se canaliza no bom humor do que não se deve levar em conta.
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Lá tem tio da traição. Tio de amor no peito. O que é feitível contra o amor? Carta sincera nas mãos e mães do menino. Sim, Miguilim cresce no pedido pedido por ele.
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Mas valha-me pai respeitável, como dito e como o Dito. Vem trabalho no roçado. Lida de família, homem humano, nunca demasiado humano.
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Vem acontecimentos ligeiros, acontecimentos no nem-se-sabem. Chegam e soltam verdades por via das dúvidas. E assim menino vai, no meio do meio, permeando permeado por tudo que por cima proclamou, mas confesso ainda sim que “Chorável, chorei”.
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E um dia muito muda, noutro trabalha sem esbarrar, noutro cresce sempre como em todos, noutro outros se vão, noutros tio volve por conseqüência do amor que contra tudo se faz e nada se há de fazer.
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E, um dia, no fim da cantoria literária, Miguilim se expande para além dos olhos meus, mas resta-se em memória, porto seguro e frágil da vida volátil.
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Então, vira-se página e depara-se com senhor de meia idade. Seria Miguilim no desgaste da dureza da vida. No fim, inicia-se novamente um senhor e sua muito respeitável história. Não acredito que seja digno do quase sinônimo sem h.
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O Manuelzão de fato houve. Personagem visto nas andanças de João, anotado e eternizado nessa uma das tantas estórias - histórias do corpo em bailado ou Corpo de baile, como dizem oficialmente.
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Na Samarra Manuelzão apresenta-se desconfiado, luxuoso de seu pequeno mundo de grandes conquistas. Altivo no cavalo amigo e de lá ele é focado pelas palavras do também grande homem. Iniciam-se as peculiaridades muitas do único acontecimento. Único naquela vida de retidão e boiadas feito corpos maciços na destreza do bem pensar.
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Nele poucas palavras e muitos olhares. Felicidade madura e, por pena, felicidade ceifada. Homem na ferrugem do sentir e por isso cada minimalidade é linda.
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Preparou uma festa de inauguração de uma capela. Capela perto da ida mãe. Promessa dita em pensamento, posta em vista no decorrer dos anos.
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As pessoas chegam de todas as paragens. Um listado enorme de nomes inéditos. João Urugem, Seu Camilo, José-José e muitos vistos, tantos não vistos. O interior se agita na chegança pra festança e o interior dentro do interior também.
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Senhor pensa nos outros, pensa em si. Pensa seu filho também de poucas palavras, mas maldades que podem não poupar. Sua mulher, boa mulher. Admira o conquistado pela geração vinda. Netos esguios de não se conversar.
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Velho Camilo sua insignificância bem-vinda. Sentado nas soleiras, bebida de água ruim. Mas em revoltoses se transforma no bem dizente contador da fantástica história do boi falante que reluzia indomação. Eterno velho de um amor cristal que se estancava no “dizquedizque”, como diz o autor.
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Cristal de Joana Xaviel, mulher de não se achegar. Natural e arredia liderança.
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E assim, com todos esses permeios, rolam-se 3 dias de festanças. Pessoas cantáveis, sanfonas, violas, repentes, versos, rimas rápidas, churrascos, estórias, causos, gente faceira, gente pequena, gente que passa, dormência de gentes, missa de padre, batismo, casório, crismáveis, cânticos, ladainhas, procissão, morro acima, morro abaixo, cachaça, homem bambo, comilança, graúdos, os menos, os mesmos, pensamentos aqui e acolá, ansiedade, conversa em pé de fogueira, ouvidos atentos, roda noite, roda dia, roda vida, chora povo, raia horas, vence medo, fala o filho, vem boiada, “passa galho - de ingazeira - debruçado - no riacho”, nasce ninho, corre monte, soa sino, sua corpo, sente mente, pensa resto, fim de festa, chora gente e em rabeira “ – A boiada vai sair!” Êêêê João, como sempre infinito. Travessia...
Será que conseguiremos? Me pergunto agora pois não sei como se farão de mim essas palavras já vívidas em algum lugar.
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Bom, Manuelzão e Miguilim, ou seria melhor dizer, Miguilim e Manuelzão. Todo começo começa no início, nem que esse início já seja formado no eterno. É assim que se mostram as primeiras páginas dessa uma das maravilhas narradas por Guimarães.
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Guimarães é início e fim com propriedade. Transpõe-se para o interior tão conhecido de todos que se sejam capital e de lá começa uma semente meio gente, inteiro menino, no calado do parto depois do parto primeiro, ou seria o derradeiro, já que foi o primeiro e único a ser realmente escolhido. Não sei e assim nos fazemos corretos.
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E assim é menino bom, menino comum. Miguilim aos poucos chega e te olha com inocência. Não pede permissão, por ser tímido, mas ainda assim intimida pelo não olhar. Miguilim piquininim, choroso, pensativo. Menino bom, repito. Tem no irmão menor uma alma de se admirar. Sábio Dito que se foi antes do nosso amigo e deixou dias de dores em cama. Saudade que só se é expressável no português tropical do Mutum.
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Lá tem Mãitina, negra de saberes e embriagez de porão. Sua fogueira do calor vindo do não-quero-saber balbucia o que não se contradiz.
.
Também tem Pai e mãe, pessoas respeitáveis. Amor de mãe, respeito de pai. Natural vivível.
.
Lá há irmãos de renca, soltos no terreiro, no alpendre humilde. Pequenos, ligeiros, fracos, mas inteiros na mínima infância que tem o pé e a cabeça rente ao chão. Tombos servem de renascença cíclica e cada vez mais.
.
Lá vive passarada, cantoria, pássaros que declamam o oculto da mesa do café. Meã avoada que se canaliza no bom humor do que não se deve levar em conta.
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Lá tem tio da traição. Tio de amor no peito. O que é feitível contra o amor? Carta sincera nas mãos e mães do menino. Sim, Miguilim cresce no pedido pedido por ele.
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Mas valha-me pai respeitável, como dito e como o Dito. Vem trabalho no roçado. Lida de família, homem humano, nunca demasiado humano.
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Vem acontecimentos ligeiros, acontecimentos no nem-se-sabem. Chegam e soltam verdades por via das dúvidas. E assim menino vai, no meio do meio, permeando permeado por tudo que por cima proclamou, mas confesso ainda sim que “Chorável, chorei”.
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E um dia muito muda, noutro trabalha sem esbarrar, noutro cresce sempre como em todos, noutro outros se vão, noutros tio volve por conseqüência do amor que contra tudo se faz e nada se há de fazer.
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E, um dia, no fim da cantoria literária, Miguilim se expande para além dos olhos meus, mas resta-se em memória, porto seguro e frágil da vida volátil.
.
Então, vira-se página e depara-se com senhor de meia idade. Seria Miguilim no desgaste da dureza da vida. No fim, inicia-se novamente um senhor e sua muito respeitável história. Não acredito que seja digno do quase sinônimo sem h.
.
O Manuelzão de fato houve. Personagem visto nas andanças de João, anotado e eternizado nessa uma das tantas estórias - histórias do corpo em bailado ou Corpo de baile, como dizem oficialmente.
.
Na Samarra Manuelzão apresenta-se desconfiado, luxuoso de seu pequeno mundo de grandes conquistas. Altivo no cavalo amigo e de lá ele é focado pelas palavras do também grande homem. Iniciam-se as peculiaridades muitas do único acontecimento. Único naquela vida de retidão e boiadas feito corpos maciços na destreza do bem pensar.
.
Nele poucas palavras e muitos olhares. Felicidade madura e, por pena, felicidade ceifada. Homem na ferrugem do sentir e por isso cada minimalidade é linda.
.
Preparou uma festa de inauguração de uma capela. Capela perto da ida mãe. Promessa dita em pensamento, posta em vista no decorrer dos anos.
.
As pessoas chegam de todas as paragens. Um listado enorme de nomes inéditos. João Urugem, Seu Camilo, José-José e muitos vistos, tantos não vistos. O interior se agita na chegança pra festança e o interior dentro do interior também.
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Senhor pensa nos outros, pensa em si. Pensa seu filho também de poucas palavras, mas maldades que podem não poupar. Sua mulher, boa mulher. Admira o conquistado pela geração vinda. Netos esguios de não se conversar.
.
Velho Camilo sua insignificância bem-vinda. Sentado nas soleiras, bebida de água ruim. Mas em revoltoses se transforma no bem dizente contador da fantástica história do boi falante que reluzia indomação. Eterno velho de um amor cristal que se estancava no “dizquedizque”, como diz o autor.
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Cristal de Joana Xaviel, mulher de não se achegar. Natural e arredia liderança.
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E assim, com todos esses permeios, rolam-se 3 dias de festanças. Pessoas cantáveis, sanfonas, violas, repentes, versos, rimas rápidas, churrascos, estórias, causos, gente faceira, gente pequena, gente que passa, dormência de gentes, missa de padre, batismo, casório, crismáveis, cânticos, ladainhas, procissão, morro acima, morro abaixo, cachaça, homem bambo, comilança, graúdos, os menos, os mesmos, pensamentos aqui e acolá, ansiedade, conversa em pé de fogueira, ouvidos atentos, roda noite, roda dia, roda vida, chora povo, raia horas, vence medo, fala o filho, vem boiada, “passa galho - de ingazeira - debruçado - no riacho”, nasce ninho, corre monte, soa sino, sua corpo, sente mente, pensa resto, fim de festa, chora gente e em rabeira “ – A boiada vai sair!” Êêêê João, como sempre infinito. Travessia...
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Um comentário:
Uma resenha muito bem elaborada.
Palavra de professora....rssss
Dá até vontade de ler o livro.
"O que é feitível contra o amor? Carta sincera nas mãos e mães do menino. Sim, Miguilim cresce no pedido pedido por ele."
"mas confesso ainda sim que “Chorável, chorei”.
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E um dia muito muda, noutro trabalha sem esbarrar, noutro cresce sempre como em todos, noutro outros se vão, noutros tio volve por conseqüência do amor que contra tudo se faz e nada se há de fazer.
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E, um dia, no fim da cantoria literária, Miguilim se expande para além dos olhos meus, mas resta-se em memória, porto seguro e frágil da vida volátil."
beijo, teacher H.S.
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