quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Texto para o Jornal da FFLCH

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Não sei se estou certo, mas gostaria de dizer algumas palavras que me passaram pela cabeça enquanto estava lendo o jornal Contraponto da Faculdade de Comunicação e Filosofia da PUC. Obviamente o jornal em questão não foi o elemento específico que me levou a pensar isso, mas como todo texto necessita de um início, faço deste Contraponto, o meu.
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Sou estudante do segundo ano de Ciências Sociais da FFLCH-USP e confesso que não fui um membro muito participante nos acontecimentos que se passaram nesses últimos meses na nossa universidade, mas nem por isso estou alheio à situação.
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Vendo de onde vejo, tenho a impressão, observando os movimentos humanos dentro desta grande movimentação, que há uma tentativa muito válida nos estudantes de negar e fazer rupturas diversas como forma de manifestar insatisfação contra as medidas políticas tomadas pelos governantes, contra o marasmo em geral e também, por que não, contra o individualismo dito “esperto” que se instaura na nossa sociedade.
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Esse movimento de individualização ou reserva de muitos, me parece natural já que, frente ao tamanho e velocidade do mundo de hoje, as pessoas tendem a se fecharem em pequenos grupos e lutarem por si para assegurarem a melhor vida possível que elas podem se proporcionar. Sou contra esse movimento apesar de seu caráter auto-preservativo e, por isso, acho muito válido essa negação em prol de muitos, o que implica, necessariamente numa crença de que, por menores que somos diante dessa turbulência comandada pelos grandes detentores do capital, ainda devemos acreditar na união e sua força. Esses dois lados que tentei demonstrar aqui podem ser ilustrados pelos movimentos de negação, negação da negação e o da negação do movimento de negação da negação. Acho que essa seqüência ilustra bem o tamanho da convicção que cada lado tem em sua maneira de pensar.
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Mas a minha intenção não é esmiuçar o dito acima, nem tampouco defender o lado do qual eu acredito fazer parte, mas sim propor uma constatação que, ao meu ver, pode cair como uma luva para ambas as partes.
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Comecei a pensar sobre esse assunto quando estava ouvindo uma das discussões que se passam no hall de entrada do prédio das Sociais/ Filosofia e me chamou a atenção a grande capacidade que as pessoas têm de se expressar, mas, junto com isso, achei estranha a dificuldade que muitos têm de ouvir. Argumentos se repetem de diversas maneiras diferentes, todos muito bem pensados e eloqüentemente expressados, mas dificilmente vejo alteração e progressão nas discussões e isso, pelo que pude perceber, é fruto de um atrofia da capacidade de ouvir e compreender o que o outro diz.
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Talvez possamos ir além deste ponto e dizer ainda outras considerações baseadas obviamente em constatações próprias e, por isso, possivelmente enviesadas ou simplistas, mas nem por isso inválidas. Talvez esse “não saber ouvir” possa ser traduzido como: “não querer ouvir” que pode ser traduzido como: “intolerância” ou sentimento blasé em relação à quantidade de estímulos falsos e verdadeiros que chegam até nós nos dias de hoje.
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Todas essas possibilidades levantadas só poderão ser realmente validadas quando pensadas por cada um de nós dentro dos conhecimentos que temos de nossas próprias situações e, só então, ele poderá, caso não seja negado pela maioria, ser validado e tido como um geral, porém simples, fato.
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Mas, como esse processo levaria um certo tempo, talvez um bocado de pesquisa e, com certeza, muita discussão, prefiro e tenho só a intenção de que este artigo seja simplesmente e tolerantemente lido. Espero também que cada um, num movimento próprio, se proponha a observar essa constatação fruto de uma impressão ou observação individual e que essas palavras possam render frutos em discussões num futuro recente.
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Digo recente porque a unidade básica da sociedade e objeto mínimo de estudo da sociologia é o indivíduo e, a movimentação de cada um, é o passo primordial para a revolução do todo. No caso levantado, ainda podemos dizer mais. Nessa situação de discussão teórica no microcosmo acadêmico, a modificação proposta a cada indivíduo seria fator determinante ou até catalisador das melhorias almejadas por ambas as partes.
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Devemos tomar cuidado para que o sentimento de coletividade não se torne uma semente que cada indivíduo só aceita regar e cuidar intolerantemente à sua maneira.
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p.s: esse artigo não foi enviado.
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