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O existencialismo é um humanismo (por Clóvis Brondani)
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Neste livro, retirado de uma palestra proferida, Sartre tenta repensar sua filosofia, procurando explicar por que considera a filosofia existencialista um humanismo.
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Sartre inicia afirmando que o homem não nasce com essência alguma. Inicialmente apenas existe, aparece, está aí, jogado, e só depois será alguma coisa, dependendo do que faça de si mesmo.
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A existência do homem é uma condição para ele construir-se como homem. E isto não quer dizer apenas o desenvolvimento biológico. O homem deve construir-se a partir de seus planos, a partir da responsabilidade que tem por si e pelos demais. Esta responsabilidade faz o homem sentir-se em contato com o mundo que o cerca, e ser tocado pelos problemas da sociedade. Isto lhe gera angústia, que “não deve levar a um quietismo, e sim à ação, buscando tornar-se útil à sociedade”.
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“O homem está condenado à liberdade”. Tal é a máxima sartreana, inúmeras vezes citada, que se tornou um lugar comum ao se falar em liberdade. Por que condenado? Afirma Sartre, que a essência do homem é liberdade. Os homens fazem a partir da liberdade, o que bem entendem de si mesmos.
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Esta liberdade não deve Ter limites, não está vinculada a nenhuma lei moral. Isto não quer dizer que seja confundida com libertinagem. Liberdade absoluta só existe nao projeto fundamental, que é escolha incondicionada. Todas as outras escolhas estão condicionadas a esta escolha fundamental. Sartre procurou dar à liberdade um caráter social, vinculando-a à responsabilidade que o homem deve sentir pela humanidade.
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Por sua liberdade o homem é responsável por tudo o que lhe aconteça. A própria negação da liberdade é uma situação de escolha. O homem escolhe, é livre, mesmo ao escolher não ser livre, pois este é o seu projeto, sua escolha fundamental, ainda que neste caso seja uma escolha covarde.
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O medo da liberdade, a fuga da angústia que ela provoca leva o homem à atitude de má fé. Esta má-fé é uma atitude paradoxal, irresponsável, uma mentira , uma ilusão de responsabilidade para com o homem e com o mundo. É uma mentira que o homem conta para si próprio. É a atitude de quem finge escolher.
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O homem que recusa a si mesmo naquilo que fundamentalmente o caracteriza a si mesmo, ou seja, a liberdade, torna-se “sujo”, recusa a dimensão do para-si, e reduz-se à facticidade, é o nojento.
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É através da atitude de assumir o risco da liberdade , e sua conseqüente responsabilidade para com o homem e com o mundo que o homem supera a má-fé. Ao assumir a liberdade, com todo o seu peso e angústia, o homem assume a responsabilidade para com toda a humanidade. “...nossa responsabilidade é muito maior do que poderíamos supor, porque ela envolve toda a humanidade”.
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O existencialismo sartreano é uma moral de ação, que vê o ato humano como definidor do homem. O que importa é o que o homem faz com o que fizeram dele, diz Sartre.
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O existencialista ateu pensa que é incomodativo que deus não exista, pois assim não existe a natureza humana, que teria sido criada pôr deus. Assim não existe nem o bem a priori. Tudo está pôr se fazer.
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Se deus não existe não há valores, só há liberdade. Então não há desculpas para o homem.
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Nem a paixão pode ser culpada pêlos atos humanos. O homem é totalmente responsável pôr si mesmo.
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O homem é condenado a inventar o homem. O homem é condenado à liberdade. Condenado pôr não ter se criado, e livre pôr que é responsável pelo que faz.
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A moral existencialista é moral de ação. Pois o homem é seu projeto e deve comprometer-se com os outros.
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O que o homem faz de si, está fazendo pêlos outros também. Pois sou eu que faço a natureza humana.
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Sartre afirma que os existencialistas foram criticados por transformar covardes em heróis, pois em seus romances e livros retratam um homem que foge às normas e ao mundo burguês. Mas esses covardes são covardes por que querem ser, e não por que são determinados. Esses personagens existencialistas foram justamente os que tiveram coragem em ver a realidade de que as normas existem apenas para nos livrar da angústia de que nossa existência é inútil. E assim ousaram não respeitar as regras. Pois para Sartre os valores nada mais são do que formas que o homem encontra para fugir da gratuidade de sua existência.
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O existencialismo pretende que o homem se construa , ninguém nasce covarde, pois ninguém nasce com essência. O homem se constrói.
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Assim o homem se define pela ação. Então, o existencialismo leva á ação e ao otimismo não ao quietismo.
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O homem nada mais é do que uma série de empreendimentos, que ele é a soma.
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Aqueles que criticam Sartre e os existencialistas querem pensar que quem nasce fraco não pode tornar-se forte. Assim é melhor, pois , é uma desculpa para não lutar.
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O covarde se faz covarde, o herói se faz herói.
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Respondendo á critica que ele encerra o homem na subjetividade individual:
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- o existencialismo parte da subjetividade porque quer partir da verdade, e não pode haver outra que “penso, logo existo”.
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- o existencialismo é a única teoria que dá dignidade ao homem, e não faz dele um objeto.
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- o cogito existencialista refere-se também ao outro. O homem descobre a si mesmo e ao outro.
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A única condição humana é o estar no mundo, o lutar, o viver com os outros e o ser mortal. Esta seria a única condição que Sartre aceita para o homem. Condição que seria igual para todos.
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Covardes são que escondem sua própria liberdade. E aqueles que tentaram demonstrar que sua existência era necessária, pois não adianta fugir, nossa existência não tem sentido, e covardes são os que se apegam ao mundo da moral, do direito ou da religião, como uma forma de fuga dessa realidade.
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Sartre também expõe que existem dois tipos de humanismo, o clássico e o existencialista.
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Clássico: dar um valor ao homem segundo as mais altas ações humanas. Conduz à um humanismo fechado como o de Comte e o do fascismo. Este humanismo crê numa natureza humana.
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Existencialista: o homem é um constante projetar-se. É perdendo-se fora de si que ele se faz.
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O humanismo existencialista não visa mergulhar o homem no desespero.
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É preciso que o homem se reencontre a si próprio, e se convença de que nada pode salvá-lo de si mesmo, nem mesmo uma prova da existência de deus.
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Neste livro, retirado de uma palestra proferida, Sartre tenta repensar sua filosofia, procurando explicar por que considera a filosofia existencialista um humanismo.
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Sartre inicia afirmando que o homem não nasce com essência alguma. Inicialmente apenas existe, aparece, está aí, jogado, e só depois será alguma coisa, dependendo do que faça de si mesmo.
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A existência do homem é uma condição para ele construir-se como homem. E isto não quer dizer apenas o desenvolvimento biológico. O homem deve construir-se a partir de seus planos, a partir da responsabilidade que tem por si e pelos demais. Esta responsabilidade faz o homem sentir-se em contato com o mundo que o cerca, e ser tocado pelos problemas da sociedade. Isto lhe gera angústia, que “não deve levar a um quietismo, e sim à ação, buscando tornar-se útil à sociedade”.
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“O homem está condenado à liberdade”. Tal é a máxima sartreana, inúmeras vezes citada, que se tornou um lugar comum ao se falar em liberdade. Por que condenado? Afirma Sartre, que a essência do homem é liberdade. Os homens fazem a partir da liberdade, o que bem entendem de si mesmos.
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Esta liberdade não deve Ter limites, não está vinculada a nenhuma lei moral. Isto não quer dizer que seja confundida com libertinagem. Liberdade absoluta só existe nao projeto fundamental, que é escolha incondicionada. Todas as outras escolhas estão condicionadas a esta escolha fundamental. Sartre procurou dar à liberdade um caráter social, vinculando-a à responsabilidade que o homem deve sentir pela humanidade.
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Por sua liberdade o homem é responsável por tudo o que lhe aconteça. A própria negação da liberdade é uma situação de escolha. O homem escolhe, é livre, mesmo ao escolher não ser livre, pois este é o seu projeto, sua escolha fundamental, ainda que neste caso seja uma escolha covarde.
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O medo da liberdade, a fuga da angústia que ela provoca leva o homem à atitude de má fé. Esta má-fé é uma atitude paradoxal, irresponsável, uma mentira , uma ilusão de responsabilidade para com o homem e com o mundo. É uma mentira que o homem conta para si próprio. É a atitude de quem finge escolher.
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O homem que recusa a si mesmo naquilo que fundamentalmente o caracteriza a si mesmo, ou seja, a liberdade, torna-se “sujo”, recusa a dimensão do para-si, e reduz-se à facticidade, é o nojento.
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É através da atitude de assumir o risco da liberdade , e sua conseqüente responsabilidade para com o homem e com o mundo que o homem supera a má-fé. Ao assumir a liberdade, com todo o seu peso e angústia, o homem assume a responsabilidade para com toda a humanidade. “...nossa responsabilidade é muito maior do que poderíamos supor, porque ela envolve toda a humanidade”.
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O existencialismo sartreano é uma moral de ação, que vê o ato humano como definidor do homem. O que importa é o que o homem faz com o que fizeram dele, diz Sartre.
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O existencialista ateu pensa que é incomodativo que deus não exista, pois assim não existe a natureza humana, que teria sido criada pôr deus. Assim não existe nem o bem a priori. Tudo está pôr se fazer.
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Se deus não existe não há valores, só há liberdade. Então não há desculpas para o homem.
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Nem a paixão pode ser culpada pêlos atos humanos. O homem é totalmente responsável pôr si mesmo.
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O homem é condenado a inventar o homem. O homem é condenado à liberdade. Condenado pôr não ter se criado, e livre pôr que é responsável pelo que faz.
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A moral existencialista é moral de ação. Pois o homem é seu projeto e deve comprometer-se com os outros.
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O que o homem faz de si, está fazendo pêlos outros também. Pois sou eu que faço a natureza humana.
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Sartre afirma que os existencialistas foram criticados por transformar covardes em heróis, pois em seus romances e livros retratam um homem que foge às normas e ao mundo burguês. Mas esses covardes são covardes por que querem ser, e não por que são determinados. Esses personagens existencialistas foram justamente os que tiveram coragem em ver a realidade de que as normas existem apenas para nos livrar da angústia de que nossa existência é inútil. E assim ousaram não respeitar as regras. Pois para Sartre os valores nada mais são do que formas que o homem encontra para fugir da gratuidade de sua existência.
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O existencialismo pretende que o homem se construa , ninguém nasce covarde, pois ninguém nasce com essência. O homem se constrói.
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Assim o homem se define pela ação. Então, o existencialismo leva á ação e ao otimismo não ao quietismo.
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O homem nada mais é do que uma série de empreendimentos, que ele é a soma.
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Aqueles que criticam Sartre e os existencialistas querem pensar que quem nasce fraco não pode tornar-se forte. Assim é melhor, pois , é uma desculpa para não lutar.
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O covarde se faz covarde, o herói se faz herói.
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Respondendo á critica que ele encerra o homem na subjetividade individual:
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- o existencialismo parte da subjetividade porque quer partir da verdade, e não pode haver outra que “penso, logo existo”.
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- o existencialismo é a única teoria que dá dignidade ao homem, e não faz dele um objeto.
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- o cogito existencialista refere-se também ao outro. O homem descobre a si mesmo e ao outro.
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A única condição humana é o estar no mundo, o lutar, o viver com os outros e o ser mortal. Esta seria a única condição que Sartre aceita para o homem. Condição que seria igual para todos.
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Covardes são que escondem sua própria liberdade. E aqueles que tentaram demonstrar que sua existência era necessária, pois não adianta fugir, nossa existência não tem sentido, e covardes são os que se apegam ao mundo da moral, do direito ou da religião, como uma forma de fuga dessa realidade.
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Sartre também expõe que existem dois tipos de humanismo, o clássico e o existencialista.
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Clássico: dar um valor ao homem segundo as mais altas ações humanas. Conduz à um humanismo fechado como o de Comte e o do fascismo. Este humanismo crê numa natureza humana.
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Existencialista: o homem é um constante projetar-se. É perdendo-se fora de si que ele se faz.
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O humanismo existencialista não visa mergulhar o homem no desespero.
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É preciso que o homem se reencontre a si próprio, e se convença de que nada pode salvá-lo de si mesmo, nem mesmo uma prova da existência de deus.
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