segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Análise

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Da maneira como eu escrevia
Eu não escrevo mais.
Eu não sei se é porque me tornei mais burro
Com o passar dos goles
Ou se porque agora eu não acredito em poemas viscerais.
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Meus poemas são contidos
Minha idade se adiantou além do tempo
Meu olhar se cristalizou
Asfixiado.
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Mas entre a arte e a felicidade
Eu fico com a segunda.
Não trocaria minha vida
Pela de Fernando Pessoa.
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Prefiro meu olhar convicto
Que o despreparado frescor
Que traz rimas
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E lágrimas...
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Prefiro o duradouro da vida
Ao gozo absurdo das folhas preenchidas.
Prefiro calar-me sem saber
Que definir-se simplesmente pela beleza vil da definição.
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Aquieto-me meu semblante
Destituo-me de pavores
Calando mínimo os alvoroços
Que se solidificariam em outras épocas.
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II
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Mas...
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Creio que não creio nisso ou naquilo
Creio que ainda poderia caso pudesse
Creio que o apreendido
Dança em minhas mãos conforme minha vontade
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Meu pensar já ultrapassou a barreira da crença
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Meus estados não dependem do entorno
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Se algum dia sonhei com a profundidade
Nunca sequer eu havia imaginado esta que me encontro
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Palavras se tornam pequenas e incompletas
Para coisas das mais belas e horríveis
Que se passam dentro de mim
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Mais eterna ainda se mostrou a busca
Que antes
Achava eu
Um dia ter fim
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Bobagem
Não terá
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Hoje em dia creio na manipulação
Manipulação da felicidade
Da palavra que jorra
Da palavra que cala
Do olhar, do beijo e do amor
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Creio serem diversas coisas,
Antes expressivas,
Hoje somentemente brincáveis
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Brinquedos de vida
Truques interessantes de controle de si
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Divertidos como os deuses do meu sonho me mostraram serem
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Manipula-te pela diversão de sentir,
Aquilo que te era tão caro e pesado,
Hoje pequenino e sorridente
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Assim é...
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Não acredito mais em poemas viscerais
Mas isso não significa que eu não possa fazê-los
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Manipulo-me a sensação de poder
Semente da possibilidade realizante
Manipulo-me que sim
E assim sim, enfim.
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O mundo se resume em duas instâncias:
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A intenção
Que é o cerne regente
E ponto primordial de avaliação
Do homem humano
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E
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A impressão
Que é o cerne regente
E ponto primordial de avaliação
Do mundo pelo homem
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Dentro e fora se intercambiam
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O interno é absoluto em si
Mas a realidade também.
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Nem o que sou se expressa totalmente no espaço
Nem o espaço se coloca inteiramente em mim
Mas há a infinita troca
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E esses movimentos se resumem
Na intenção
E na impressão.
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Elas resumem a análise do mundo-homem.
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III
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Dizem que de boas intenções o inferno está cheio.
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E que bom, né, gente!!!
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Afinal,
Com essas boas intenções
Cada um já começa a escrever o caminho
Para sair das suas peculiares condições.
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IV
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Meus poemas já não são mais os mesmos.
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Um comentário:

SuEli disse...

Bom Dia, Wagner.

Eu também sempre escolho SER FELIZ, pois de nada adianta uma carreira bem sucedida, se nela não houver FELICIDADE.

Uma abençoada semana para todos vocês,

Fiquem com Deus e Sejam Felizes,

Beijos,