Estava com bastante expectativa com relação ao filme “O Palhaço”, onde Selton Mello faz o personagem principal: Benjamin, o palhaço Pangaré. Além de ator, ele foi o diretor e também o roteirista em parceria com Marcelo Vindicatto.
Achei interessante um filme que se propunha a retratar o Brasil do interior, dos artistas que rodam por estradas de terra, levando de cidade em cidade a magia do circo. Mas confesso que não gostei muito do resultado!
Mas antes vou falar dos lados positivos!
A trilha sonora estava primorosa com peças que iam do humor ao drama, como pediam as cenas da película!
Os figurinos eram muito bem feitos e lindíssimos, mesmo simples!
Os atores convidados, que fizeram participações especial, e não faziam parte da trupe do Circo Esperança, também foram um show a parte:
Moacir Franco como o juiz ranzinza que amava seu gato, acima de sua própria mulher.
Ferrugem como o funcionário público brincalhão.
Tonico Pereira como os irmãos que moravam numa oficina isolada do mundo, no interior de Minas Gerais, provavelmente.
Fabiana Karla como a possível prostituta que se encanta com os desvarios do personagem principal.
Jorge Loredo, o Zé Bonitinho, que faz um piadista vaidoso.
Entre outros!
Mas com todos estes pontos positivos, o que não me agradou na película está justamente no seu centro: o conflito interno do palhaço que não se vê em sua profissão, não possui CPF, nem comprovante de residência! Tem apenas uma certidão de nascimento velha.
Talvez haja algo de autobiográfico neste filme! Selton Mello, como declarou na capa da revista Bravo!, se não me engano, passou por um período de crise e depressão, declarando que tomou mais cuidado com seus personagens que com ele mesmo!
Mas mesmo com este forte apelo, me parece que a película flui de maneira meio solta demais! Algumas cenas ficam meio jogadas: como a briga que acontece no bar, ou a revolta da trupe contra uma mulher que os roubava!
Alguns personagens não estão tão bem em seus papéis!
O próprio personagem principal poderia ter sido mais explorado! Entendo que o silêncio diz muito, mas o excesso de silêncio deixou-o vazio. Como ele pensava sua literal e pessoal falta de identidade? Como ele via sua vida? O que ele queria modificar, refazer, conquistar, além do que já tinha? Um ventilador, como mostra o filme? Um CPF? Uma namorada? Será que seu conflito poderia ser realmente sanado, simplesmente vendo um homem contando piadas numa mesa de jantar? Isso é suficiente para fazer ele enxergar a beleza de fazer os outros rirem?
Monta-se um belo contexto, mas o núcleo não deslancha como seria de se esperar!
Além disso, você se propor a colocar um palhaço em cena, mostrar seu trabalho, o compromisso de ser engraçado é presente, mas isso não aconteceu realmente. O número do circo, apesar de bem montado, não me fez rir realmente! Não me tocou e acho que à platéia também não!
Há algumas propostas bonitas, como colocar uma criança honesta no lugar da trambiqueira mulher que bailava e era tida como corajosa! Ou mostrar as fraquezas do homem mais forte do mundo e outras, mas as coisas estavam meio desamarradas!
É isso! Espero não estar sendo injusto! A Veja SP até colocou o filme entre os melhores em cartaz, mas eu, pessoalmente, não gostei tanto assim!
Direção: Selton Mello
Roteiro: Selton Mello e Marcelo Vindicatto
Produçao: Vânia Catani
Dir. de Fotografia: Adrian Teijido
Dir. de Arte: Claudio Amaral Peixoto
Edição: Marília Moraes e Selton Mello
Trilha Sonora: Plínio Profeta
Som Direto: George Saldanha
Figurino: Kika Lopes
Maquiagem: Marlene Moura e Rubens Liborio
Co-Produção: Telecine, Locall, Imagem Filmes
Patrocínio: Prefeitura Municipal de Paulínia, Fundo Setorial Audiovisual, MRS Logística, EMS, Toyota, AMBEV, Oi, Adidas, Santander, Cemig e Governo de Minas
Apoio Cultural: Azul Linhas Aéreas, Delphi e Oi Futuro

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