segunda-feira, 31 de outubro de 2011

O Guarani – Carlos Gomes


No Teatro São Pedro, aqui perto de casa, na quarta-feira, dia 26 de Outubro, fui ver a ópera O Guarani, de Carlos Gomes, baseada na obra de José de Alencar.

Esta foi a primeira ópera que vi na vida! Pude então, enfim, entender, qual é a proposta de uma ópera!

Achei fantástica a união de atuação, música, orquestra, vozes, atores, cenários, enredo, conflitos, tudo junto no palco!

Ela se divide em 4 atos que totalizam por volta de três horas de espetáculo.

Sua estréia ocorreu no teatro “Alla Scala”, na cidade de Milão, em 19 de março de 1870, alcançando grande sucesso. À partir daí, ganhou novas e novas montagens em diversos lugares do mundo, tornando-se a obra mais famosa de Carlos Gomes. O libreto é de Antonio Scalvini e Carlo d’Ormeville.

As músicas são belíssimas! Cantadas em italiano, sim, mas, o tempo inteiro correu uma legenda projetada num quadro logo acima do palco do teatro. Deu pra entender tudo!

Os cantores estavam muito bem caracterizados nos personagens! Tenores, baixos, barítonos e a soprano principal, Edna D'Oliveira que fazia Cecília, o amor de Peri! 



Como o cacique da tribo indígena, o baixo-barítono Licio Bruno deu um show a parte!

A estória todo mundo já conhece! É uma trama de acontecimentos paralelos. Não há somente uma linha condutora e os conflitos chegam de diversos lados!

A única coisa que não gostei, foi que os índios eram tratados excessivamente como vilões, na minha opinião! Quando na verdade, a revolta da tribo, se devia à morte acidental de uma índia Aimoré por um português.

Além deste ponto, outro que poderia ter sido melhorado, foi a roupa usada pelo personagem principal. O tenor que fez o Peri estava com uma roupa muito feia, transparente! Ele era meio gordo e o personagem é um índio forte e heróico. Isso não combinou muito, mas sua voz deu um show a parte!

No entanto, isso não impediu de ser magnífico!

Batemos palma diversas vezes ao final de cada cena! E, no fim, o teatro lotado, ficou totalmente de pé e aplaudiu por mais de cinco minutos! Foi demais!

Que força pode conseguir uma ópera quando bem montada!

O maestro Roberto Duarte, diretor musical e regente, ganhou diversos prêmios com seu trabalho de restauração desta ópera que, por diversas vezes, foi recortada, editada e modificada.


O cenário era simples, com pinturas em preto e branco, modernas, que ganhavam tonalidades diferentes conforme se projetavam luzes sobre os tecidos!

Pelo que o li no livro de apresentação, só havia feras da cena lírica brasileira!

Não acredito que esta montagem ficou apenas cinco dias em cartaz! Quase não consegui ingresso!

Mas acredito que, pelo gabarito dos envolvidos, talvez esta passagem pelo Teatro São Pedro foi uma etapa que antecede a ida deste mesmo espetáculo para outro local maior. Talvez o Teatro Municipal de São Paulo.

Foi marcante!!!




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