De início
algumas frases que achei na Internet, onde figuras famosas falam sobre Milton:
- Elis Regina: "Se Deus cantasse, seria
com a voz do Milton".
- Tom Jobim: "Rei da mata brasileira,
uirapuru verdadeiro".
- Chico Buarque: "Bituca manda em
mim".
- Caetano Veloso: "Um talento na área da
genialidade, uma coisa meio espiritual".
Um show com 48
músicas do Milton cantadas por belas vozes, num belo teatro, com uma bela
montagem, com uma bela regulagem de som, com belos instrumentos musicais, num
belo cenário tocado ao Barroco...
Mas é meio que só
isso!
É como se juntasse
um monte de artistas e músicos e fizessem uma Jam organizada, onde uma música
vem depois da outra e depois da outra e outra e outra e assim por diante!
Houve muito
pouca preocupação em amarrar os conteúdos por uma trama condutora, algo que
justificasse este ou aquele canto em determinado ponto do espetáculo.
É triste dizer,
mas é um espetáculo claramente comercial! Não tentam disfarçar isso! Até mesmo
o casal bonitinho cantando canção de amor, enquanto trocam carícias meigas e
inocentinas, está colocado no palco.
Ainda que
tivessem assumido que não queriam tecer uma linha de ligação entre tudo, teria
sido menos pior. Mas os diretores queriam colocar alguma temática como pano de
fundo para o que seria cantado. O problema e que não convenceu!
O ciclo é
baseado nas estações do ano, mas tudo se passa de uma maneira que não pareceu
querer ser percebida. Primeiro que esta idéia foi mostrada somente em rápidas
luzes com os nomes das estações que eram projetados no cenário. Mas nem foi
isso o pior. O pior foi que as músicas não se encaixavam realmente ao que se
imagina de cada uma das estações.
Li neste site (http://www.globoteatro.com.br/reportagem-1264-milton-nascimento.htm) o seguinte
parágrafo:
_______________________
“Enquanto
composições que remetem a um solar imaginário interiorano ('Bola de Meia, Bola
de Gude', 'Aqui é o País do Futebol') compõem o 'Verão`, 'A Cigarra', 'Um
Girassol da Cor do seu Cabelo' e 'Nuvem Cigana' dão colorido à Primavera.
Clássicos que atravessaram gerações ('Cais', 'Caçador de Mim', 'Encontros e
Despedidas' e 'Faca Amolada') moldam o Outono e continuam pelo Inverno, com
'Nada Será como Antes' e 'O que foi Feito Devera'.”
______________________
Até entendo a
relação de algumas das músicas listadas com as estações, mas agora, alguém
poderia me explicar por que 'Nada Será como Antes' e 'O que foi Feito Devera'
retratam o Inverno? E ainda são colocadas mais pro fim do espetáculo? Essas
deveriam ser a Primavera, a renovação, a esperança de um futuro melhor, de uma
nova nação. Um espetáculo que termina no Inverno já não é uma boa proposta.
Agora, num inverno onde são cantadas músicas de esperança, quando outras
músicas de esperança foram cantadas em outras estações, daí já é estranho
demais!
Havia mais músicas
que não se encaixavam com a temática do momento do espetáculo, mas não me
lembro agora exatamente do título de cada uma delas, afinal, o programa tinha
acabado e ninguém repôs, mesmo se tratando de um espetáculo grandioso e
bastante caro!
Acho que os
diretores deveriam ter optado, ou por escolher melhor as músicas, ou por não
colocar esta proposta de relacionar temas com estações do ano, que só serviu
para enfraquecer o (não) conceito da obra.
É preciso dizer
que o “Ser Minas Tão Gerais” é muitas vezes mais tocante, mais de raiz, onde
são levadas ao palco crianças de comunidades carentes, uma trupe de teatro do
interior de Minas e uma estória de loucos que esperam um messias que chegará e
modificará suas vidas! Justamente Milton! Este sim é de arrebatar!
Mas não posso
dizer que não gostei, apesar das críticas aqui colocadas!
Emocionei-me
bastante, já que estavam ali músicas que gosto muito, sendo executadas com
qualidade técnica e mesmo um tanto de alma!
Especialmente as
vozes foram um show a parte! Todos cantavam muito bem! Alguns com mais força
dramática do que outros, mas todos demonstraram muita técnica, vontade e prazer
de estarem ali.
Ficha técnica
Criação e
Direção:
Charles Möeller
& Claudio Botelho
Arranjos
Musicais:
Delia Fischer
Arranjos Vocais:
Jules Vandystadt
Cenografia:
Rogério Falcão
Figurinos:
Charles Möeller
Iluminação:
Paulo Cesar
Medeiros
Design de Som:
Marcelo Claret
Coordenação
Artística:
Tina Salles
Direção Musical:
Claudio Botelho
Direção:
Charles Möeller
Realização:
Möeller &
Botelho
Geo Eventos
Elenco:
Claudio Lins
Marya Bravo
Delia Fischer
Cássia Raquel
Estrela Blanco
Jonas Hammar
Jules Vandystadt
Lui Coimbra
Pedro Aune
Pedro Sol
Sergio Dalcin
Tatih Köhler
Whatson Cardozo
Wladimir Pinheiro
Cena onde é cantada a música "Milagre dos Peixes". Pra mim, o momento mais emocionante do espetáculo!


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