quarta-feira, 24 de abril de 2013

Milton Nascimento – Nada será como antes


De início algumas frases que achei na Internet, onde figuras famosas falam sobre Milton:

 - Elis Regina: "Se Deus cantasse, seria com a voz do Milton".

 - Tom Jobim: "Rei da mata brasileira, uirapuru verdadeiro".

 - Chico Buarque: "Bituca manda em mim".

 - Caetano Veloso: "Um talento na área da genialidade, uma coisa meio espiritual".





Um show com 48 músicas do Milton cantadas por belas vozes, num belo teatro, com uma bela montagem, com uma bela regulagem de som, com belos instrumentos musicais, num belo cenário tocado ao Barroco...

Mas é meio que só isso!

É como se juntasse um monte de artistas e músicos e fizessem uma Jam organizada, onde uma música vem depois da outra e depois da outra e outra e outra e assim por diante!

Houve muito pouca preocupação em amarrar os conteúdos por uma trama condutora, algo que justificasse este ou aquele canto em determinado ponto do espetáculo.

É triste dizer, mas é um espetáculo claramente comercial! Não tentam disfarçar isso! Até mesmo o casal bonitinho cantando canção de amor, enquanto trocam carícias meigas e inocentinas, está colocado no palco.

Ainda que tivessem assumido que não queriam tecer uma linha de ligação entre tudo, teria sido menos pior. Mas os diretores queriam colocar alguma temática como pano de fundo para o que seria cantado. O problema e que não convenceu!

O ciclo é baseado nas estações do ano, mas tudo se passa de uma maneira que não pareceu querer ser percebida. Primeiro que esta idéia foi mostrada somente em rápidas luzes com os nomes das estações que eram projetados no cenário. Mas nem foi isso o pior. O pior foi que as músicas não se encaixavam realmente ao que se imagina de cada uma das estações.

_______________________


“Enquanto composições que remetem a um solar imaginário interiorano ('Bola de Meia, Bola de Gude', 'Aqui é o País do Futebol') compõem o 'Verão`, 'A Cigarra', 'Um Girassol da Cor do seu Cabelo' e 'Nuvem Cigana' dão colorido à Primavera. Clássicos que atravessaram gerações ('Cais', 'Caçador de Mim', 'Encontros e Despedidas' e 'Faca Amolada') moldam o Outono e continuam pelo Inverno, com 'Nada Será como Antes' e 'O que foi Feito Devera'.”

______________________


Até entendo a relação de algumas das músicas listadas com as estações, mas agora, alguém poderia me explicar por que 'Nada Será como Antes' e 'O que foi Feito Devera' retratam o Inverno? E ainda são colocadas mais pro fim do espetáculo? Essas deveriam ser a Primavera, a renovação, a esperança de um futuro melhor, de uma nova nação. Um espetáculo que termina no Inverno já não é uma boa proposta. Agora, num inverno onde são cantadas músicas de esperança, quando outras músicas de esperança foram cantadas em outras estações, daí já é estranho demais!

Havia mais músicas que não se encaixavam com a temática do momento do espetáculo, mas não me lembro agora exatamente do título de cada uma delas, afinal, o programa tinha acabado e ninguém repôs, mesmo se tratando de um espetáculo grandioso e bastante caro!

Acho que os diretores deveriam ter optado, ou por escolher melhor as músicas, ou por não colocar esta proposta de relacionar temas com estações do ano, que só serviu para enfraquecer o (não) conceito da obra.

É preciso dizer que o “Ser Minas Tão Gerais” é muitas vezes mais tocante, mais de raiz, onde são levadas ao palco crianças de comunidades carentes, uma trupe de teatro do interior de Minas e uma estória de loucos que esperam um messias que chegará e modificará suas vidas! Justamente Milton! Este sim é de arrebatar!

Mas não posso dizer que não gostei, apesar das críticas aqui colocadas!

Emocionei-me bastante, já que estavam ali músicas que gosto muito, sendo executadas com qualidade técnica e mesmo um tanto de alma!

Especialmente as vozes foram um show a parte! Todos cantavam muito bem! Alguns com mais força dramática do que outros, mas todos demonstraram muita técnica, vontade e prazer de estarem ali.


Ficha técnica

Criação e Direção:                     
Charles Möeller & Claudio Botelho

Arranjos Musicais:
Delia Fischer

Arranjos Vocais:
Jules Vandystadt

Cenografia:
Rogério Falcão

Figurinos:
Charles Möeller

Iluminação:
Paulo Cesar Medeiros

Design de Som:
Marcelo Claret

Coordenação Artística:
Tina Salles

Direção Musical:
Claudio Botelho

Direção:
Charles Möeller

Realização:
Möeller & Botelho
Geo Eventos

Elenco:
Claudio Lins
Marya Bravo
Delia Fischer
Cássia Raquel
Estrela Blanco
Jonas Hammar
Jules Vandystadt
Lui Coimbra
Pedro Aune
Pedro Sol
Sergio Dalcin
Tatih Köhler
Whatson Cardozo
Wladimir Pinheiro



Cena onde é cantada a música "Milagre dos Peixes". Pra mim, o momento mais emocionante do espetáculo!

Nenhum comentário: