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Quantos novos e diferentes heróis e vilões das novelas retratam nossa própria visão mais ampla de uma realidade atual cada vez mais complexa?
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Vilões que são mocinhos para aqueles que lhe são próximos. Mocinhos com faces de vilania quando observados mais de perto.
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Ou mesmo vilões traumatizados, vilões injustiçados, vilões humanizados pelos autores, vilões que trazem alguma justificativa para amenizar seus comportamentos, um motivo para não serem tão bons assim.
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Seria esse o reflexo de um processo de atualização e ampliação da moral humana?
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Um processo de transmutação da consciência em relação a natural falibilidade do homem encarnado? Um processo que levaria à construção de uma nova tolerância calcada no entendimento de que cada alma é um universo a ser antes interpretado do que julgado sem conhecimento de causa.
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Isso tudo seria a reinterpretação do bem e do mal, a proposição de um ser largamente mais complexo, com mais nuances a serem observadas e sentidas, com mais verdades internas dignas de serem ouvidas, dignas de ganharem voz e vez na consciência dos outros.
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A verdade que, ainda que não impoluta, ainda que não ilesa de erros e equívocos, possui sua lógica própria, sua razão individual que a vida cuidou de construir, ainda que por meio da destruição.
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Tudo isso estaria muito bem se fosse a verdade profunda por detrás deste fenômeno observado nas novelas, séries e minisséries atuais. Mas...
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Seria esse processo fruto de um neo altruísmo pós-moderno?
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Ou seria esse sentimento coletivo de revalorização apenas uma outra forma de egoísmo velado que estaria gritando de uma nova maneira, por todos os lados, em todos os cantos?
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O egoísmo que agora é defendido por todas as bocas, o mesmo egoísmo que valida os vandalismos arruaceiros camuflados de protestos democráticos que tomam as ruas das cidades. O egoísmo que quer reinterpretar e subverter os valores a seu bel prazer.
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Seria isso?
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Seria está mudança interpretativa apenas o egoísmo que está querendo se fazer ouvir mas que, no entanto, não tem a mínima vontade de escutar aquilo que o próximo tem a dizer? A soberba que quer errar ou acertar sem compromisso com seus atos.
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Ou mesmo o pedantismo que se acha no direito de estar errado!
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A egolatria que gera afeição pelo vilão!
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Seria isso que está por detrás desse fenômeno de remoldagem dos papéis icônicos de bem e mal?
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Seria tudo isso apenas a prepotência que não quer mudar de ideia e nem ser julgada e que, por isso, prefere deturpar a noção de certo e errado, afeiçoando-se pela vilania por outros motivos que não sejam a tolerância supracitada?
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A presunção afeiçoando-se pelo obscuro numa tentativa de enviesar a própria consciência, tentando deturpar a moral e assim se permitir também estar errada, como os vilões que se safam, os vilões que têm motivos para serem como são.
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Seria um processo de ampliação da capacidade interpretativa do ser-humano tolerante, ou apenas uma nova leitura coletiva que visa permitir a prepotência e a vaidade, permitir o erro em conjunto para que ninguém possa apontar a falha alheia?
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A subversão da ética, a perversão da moral!
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Um processo que traz uma nova permissão para o erro, justificativas para a inveja, amalgamas para a culpa, uma recente admiração da canalhice, a subvalorização dos acertos alheios ou a hipertrofia das próprias glórias de pouco valor.
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Esta reinterpretação tende a moldar o mundo a sua própria vontade, minimizando o autoesforço de melhoria, diminuindo a dor ao máximo, construindo milhares de ilhas solitárias de prazer, milhões de vácuos hedonistas que vegetam em movimento pelas baladas, pelas empresas, pelas casas, pelas redes sociais.
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Vácuos personais vagando pelo tão valorizado liberalismo, cambeteando pela tão esperada e deturpada Nova Era.
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Mas...
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Questionando um pouco mais profundamente, seria este um fenômeno realmente novo? Ou seria tudo isso fruto das novas mídias que conseguiram dar vazão a uma voz e a uma lógica que por séculos ficaram aprisionadas na periferia do Capitalismo, do Cristianismo e do Eurocentrismo?
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Seria o egoísmo e o narcisismo contemporâneos que estão redesenhando funções longamente estabelecidas ao longo da história ou é simplesmente o mundo que está começando a se conhecer mais amplamente?
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Acho que é um pouco de tudo isso e mais um pouco!
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Quantos novos e diferentes heróis e vilões das novelas retratam nossa própria visão mais ampla de uma realidade atual cada vez mais complexa?
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Vilões que são mocinhos para aqueles que lhe são próximos. Mocinhos com faces de vilania quando observados mais de perto.
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Ou mesmo vilões traumatizados, vilões injustiçados, vilões humanizados pelos autores, vilões que trazem alguma justificativa para amenizar seus comportamentos, um motivo para não serem tão bons assim.
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Seria esse o reflexo de um processo de atualização e ampliação da moral humana?
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Um processo de transmutação da consciência em relação a natural falibilidade do homem encarnado? Um processo que levaria à construção de uma nova tolerância calcada no entendimento de que cada alma é um universo a ser antes interpretado do que julgado sem conhecimento de causa.
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Isso tudo seria a reinterpretação do bem e do mal, a proposição de um ser largamente mais complexo, com mais nuances a serem observadas e sentidas, com mais verdades internas dignas de serem ouvidas, dignas de ganharem voz e vez na consciência dos outros.
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A verdade que, ainda que não impoluta, ainda que não ilesa de erros e equívocos, possui sua lógica própria, sua razão individual que a vida cuidou de construir, ainda que por meio da destruição.
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Tudo isso estaria muito bem se fosse a verdade profunda por detrás deste fenômeno observado nas novelas, séries e minisséries atuais. Mas...
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Seria esse processo fruto de um neo altruísmo pós-moderno?
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Ou seria esse sentimento coletivo de revalorização apenas uma outra forma de egoísmo velado que estaria gritando de uma nova maneira, por todos os lados, em todos os cantos?
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O egoísmo que agora é defendido por todas as bocas, o mesmo egoísmo que valida os vandalismos arruaceiros camuflados de protestos democráticos que tomam as ruas das cidades. O egoísmo que quer reinterpretar e subverter os valores a seu bel prazer.
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Seria isso?
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Seria está mudança interpretativa apenas o egoísmo que está querendo se fazer ouvir mas que, no entanto, não tem a mínima vontade de escutar aquilo que o próximo tem a dizer? A soberba que quer errar ou acertar sem compromisso com seus atos.
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Ou mesmo o pedantismo que se acha no direito de estar errado!
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A egolatria que gera afeição pelo vilão!
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Seria isso que está por detrás desse fenômeno de remoldagem dos papéis icônicos de bem e mal?
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Seria tudo isso apenas a prepotência que não quer mudar de ideia e nem ser julgada e que, por isso, prefere deturpar a noção de certo e errado, afeiçoando-se pela vilania por outros motivos que não sejam a tolerância supracitada?
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A presunção afeiçoando-se pelo obscuro numa tentativa de enviesar a própria consciência, tentando deturpar a moral e assim se permitir também estar errada, como os vilões que se safam, os vilões que têm motivos para serem como são.
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Seria um processo de ampliação da capacidade interpretativa do ser-humano tolerante, ou apenas uma nova leitura coletiva que visa permitir a prepotência e a vaidade, permitir o erro em conjunto para que ninguém possa apontar a falha alheia?
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A subversão da ética, a perversão da moral!
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Um processo que traz uma nova permissão para o erro, justificativas para a inveja, amalgamas para a culpa, uma recente admiração da canalhice, a subvalorização dos acertos alheios ou a hipertrofia das próprias glórias de pouco valor.
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Esta reinterpretação tende a moldar o mundo a sua própria vontade, minimizando o autoesforço de melhoria, diminuindo a dor ao máximo, construindo milhares de ilhas solitárias de prazer, milhões de vácuos hedonistas que vegetam em movimento pelas baladas, pelas empresas, pelas casas, pelas redes sociais.
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Vácuos personais vagando pelo tão valorizado liberalismo, cambeteando pela tão esperada e deturpada Nova Era.
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Mas...
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Questionando um pouco mais profundamente, seria este um fenômeno realmente novo? Ou seria tudo isso fruto das novas mídias que conseguiram dar vazão a uma voz e a uma lógica que por séculos ficaram aprisionadas na periferia do Capitalismo, do Cristianismo e do Eurocentrismo?
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Seria o egoísmo e o narcisismo contemporâneos que estão redesenhando funções longamente estabelecidas ao longo da história ou é simplesmente o mundo que está começando a se conhecer mais amplamente?
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Acho que é um pouco de tudo isso e mais um pouco!
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