quinta-feira, 22 de outubro de 2015

O Homem dos 40 Escudos (Livro)

 
Neste livro, Voltaire, revoltado com as novas decisões tomadas pelos ministros parisienses de taxar ainda mais os produtores rurais em benefício da burguesia industrial urbana, resolve criar um personagem que representaria o francês de classe média, utilizando-o como metáfora da própria sociedade francesa da época.
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Este homem dos 40 escudos, a meu ver, seria uma peça humana a ser moldada, este foi o conceito criativo por detrás da obra. E esse homem deveria ser reconstruído de forma a ampliar sua visão de mundo, fornecendo a ele o conhecimento, a sabedoria, além de novas ideias que pudessem torná-lo alguém melhor, alguém com opiniões mais fortes, alguém que pudesse se defender das armadilhas da política econômica praticada na época.
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Pelo menos é assim que me lembro desse livro: uma espécie de manual de formação humana.
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A meu ver, foi um trabalho um tanto presunçoso de seu autor que, por meio de algumas situações hipotéticas, pretendeu recriar uma alma. Senti que Voltaire teve levemente essa pretensão, ainda que ela estivesse circunscrita no universo literário. A meu ver, o escritor julgou que, nesta obra, estaria sintetizada uma maneira capaz de formar seres humanos melhores!
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Como ponto inicial da narrativa, o autor, hipoteticamente, divide todo o dinheiro da nação francesa pela quantidade de habitantes daquele país e chega a uma suposta quantia de 40 escudos.
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A partir daí, o autor vai redesenhando as linhas do destino de seu personagem, colocando-o defronte a outros personagens hipotéticos da época, como é o caso do Geômetra. É mesmo uma espécie de manual de reformulação do homem mediano por meio da educação e das ideias iluministas defendidas na França de 1700.
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No entanto, Voltaire vai além disso.
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O tal “Homem dos 40 escudos” também serviu a seu autor como ponto de partida para se discutir a política de seu tempo, o excesso de impostos pagos pela população, o gritante acúmulo de riqueza, além de outros assuntos concernentes ao século XVIII europeu. Um passeio filosófico dotado de fina ironia, como é característico de François Marie Arouet.
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Além desses dois aspectos já pontuados, o livro possui também passagens mais diretas nas quais são atacadas autoridades da época, médicos e integrantes da Igreja Católica. Dessa maneira, o autor espalha sua crítica sobre os vários aspectos que influenciariam este espaço no qual seu personagem estaria inserido.
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Um texto ágil, simples, direto, inventivo e dotado de um engajamento literário de fácil entendimento. Prova disso foram as 10 edições da obra que saíram somente em seu ano de lançamento.
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Voltaire, como poucos, soube trabalhar com o espírito de seu tempo e de seu espaço!
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