quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

O Livro da Filosofia (Livro) – Resenhas 2015

Sócrates
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Uma deliciosa e didática obra sobre a história do pensamento filosófico escrita de maneira direta, séria, bem colocada, inteligente e com sutis toques de humor.
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Conhecimento decupado que ajuda a entender o espírito da Filosofia, o intrigante universo das percepções humanas e os diversos caminhos investigativos adotados pelas brilhantes mentes que habitaram este planeta ao longo dos milênios de História.
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Oito especialistas participaram da escrita desta obra que me acompanhou por diversos dias no ano de 2015.
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São eles:
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Will Buckingham
Douglas Burnham
Clive Hill
Peter J. King
John Marenbon
Marcus Weeks
Richard Osborne
Stephanie Chilman
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Trata-se de um livro que se propõe a pincelar informações pontuais constituintes de uma riquíssima e longeva área do conhecimento humano, exigindo, portanto, uma longa e pacienciosa leitura. No entanto, as páginas possuem formas claras de organizar o que é dito e a atrativa linguagem dá conta de ser precisa e sucinta, mesmo na tradução de construções filosóficas que necessitariam de vastos parágrafos para serem estabelecidas.
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A obra também é fartamente composta por ilustrações bastante esclarecedoras que ajudam no entendimento de alguns conceitos filosóficos que, por vezes, podem ser extremamente complexos, como é o caso de algumas ideias tecidas por filósofos mais próximos dos dias atuais.
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O “Livro da Filosofia” ajudou-me bastante na montagem de um painel geral sobre esta área do conhecimento que sempre muito me encantou, mas que, a despeito da extensa procura, não havia ainda encontrado exemplar que me ajudasse a tecer uma visão, ainda que superficial, sobre este longo processo de interpretação da verdade ou da construção das verdades que nos constituem a medida que nós as constituímos.
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Possui mais de 350 páginas que dividem os filósofos em Seis grandes períodos de tempo listados e subdivididos abaixo:
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O Mundo Antigo

(700 a.c a 250 d.c – 950 anos)
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Composto por 17 filósofos principais, são eles:
Tales de Mileto, Lao-Tsé, Pitágoras, Sidarta Gautama, Confúcio, Heráclito, Parmênides, Protágoras, Mozi, Demócrito, Leucipo, Sócrates, Platão, Aristóteles, Epicuro, Diógenes de Sinope, Zenão de Cítio.
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Sidarta Gautama
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Os autores optaram por não colocar Jesus Cristo, pois, ao contrário de Buda que apresentou suas descobertas como uma filosofia, Cristo colocou suas palavras como fundadoras de uma religião a ser seguida e não simplesmente como uma forma de pensamento.
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A contraposição entre Platão e Aristóteles é o marco fundacional da Filosofia do Ocidente. No encontro destas duas personalidades está contida a base principal que definiria as duas linhas primordiais a serem exploradas pelos próximos 2000 anos: o Platonismo e o Aristotelismo.
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É surpreendente como a sabedoria do acaso consegue, por vezes, realizar extraordinários encontros de inteligências complementares num pequeno espaço/tempo. Isso nos leva mesmo a crer que a humanidade possa estar sendo regida por uma sutil força que, apesar do caos reinante na maioria das situações, ainda consegue vivificar seu longo planejamento.
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Num passado distante, dois homens fundamentais se encontram, debatem, descobrem e registram ideias contrapostas que serviriam de embasamento para as discussões que viriam a ser estabelecidas ao longo dos tantos e tantos anos que se sucederiam a este maravilhoso arranjo que colocou Platão e Aristóteles juntos numa antiguidade intocável.
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Platão defendia que “o conhecimento na terra são sombras” de uma realidade maior sobre a qual pouco conhecemos. Já Aristóteles dizia que “A verdade está no mundo a nossa volta” e que é pela observação desse mundo físico que poderíamos descobrir as grandes verdades.
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Platão e Aristóteles
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Especificamente sobre Aristóteles, é interessante dizer que ele foi tão visionário e perseguidor desta verdade residente no mundo físico que chegou mesmo a iniciar uma extensa catalogação das espécies de seres vivos, o que iria antecipar, em mais de 2000 anos aquilo que Darwin completaria em sua magistral obra: A Origem das Espécies. A respeito do filósofo, Darwin chegou a declarar: “Lineu e Cuvier têm sido meus dois deuses, embora de maneiras bem diferentes, mas são meros alunos diante do velho Aristóteles”.
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Retornando a contraposição entre filósofos iniciada anteriormente, no fundo, parece-me que nenhum dos dois esteve errado em sua conceituação filosófica. Na minha opinião, talvez Platão estivesse mais profundamente certo, no entanto, muito mais proveitoso para as ciências foi a crença aristotélica que estimulou a investigação voltada ao mundo tangível disposto a nossa volta.
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Neste painel seminal, o mais importante, realmente, não foi estabelecer quem era o detentor da verdade. O fundamental dessas duas colocações é justamente a contraposição complementar que existe entre elas, uma oposição intrigante que se estabelece somente com a existência das duas, estabelecendo um princípio profundo, capaz de abarcar uma infinidade de mentes e descobertas que ainda estavam por vir. Isso sim foi fantástico e absolutamente verdadeiro enquanto história!
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Continuando o passeio pelos nomes supracitados, ainda nesta época antiga, estão colocadas, além deste ponto anterior, outras tantas pedras fundacionais da humanidade que viria a se complexificar após estes primórdios.
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Lao-Tsé
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Lao-Tsé, Sidarta Gautama e Confúcio também fazem parte deste período, fundando as profundezas de linhas que viriam a ser algumas das mais influentes formas de pensamento espiritualista de todos os tempos. E, observando essas construções conceituais estabelecidas por estes três grandes nomes, é interessante notar como, em muitas filosofias orientalistas, a figura de Deus torna-se dispensável, ao contrário dos fundamentos ocidentais. O Taoísmo, o Budismo e o Confucionismo não se preocupam em definir como seria a figura divina. Para estas correntes, é mais necessário ao homem ter uma boa conduta e um profundo autoconhecimento, do que necessariamente ter uma ideia formatada de algo que possa se aproximar da realidade do elemento criador de todas as coisas. Algo por muito tempo impensável aos nossos anseios ocidentalistas por explicações que conseguissem preencher as lacunas misteriosas do mundo a nossa volta.
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Confúcio
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Também é necessário falar de Pitágoras que foi magistral na combinação entre ciência e religião. Dizem que o filósofo teve suas primeiras noções de geometria durante uma viagem ao místico e científico Egito Antigo, assim como Tales de Mileto fundador da escola onde ele provavelmente iria estudar. Pitágoras buscava um pensamento bastante exato (“A razão é imortal, todo o resto é mortal”) e conseguiu dar prosseguimento a diversas descobertas, a meu ver, de natureza cientifico-intuitivas sobre a matemática, a acústica (“Há geometria no som das cordas, há música no espaçamento das esferas”), o número como sendo o regente de todas as coisas, além de lançar as bases do que é considerado o pensamento dedutivo.
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Pitágoras
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Além de toda essa relevância científica, Pitágoras também foi o fundador de uma comunidade científica regida por regras de conduta, dieta rígida e que tinha nele uma espécie de messias, procurando ler o universo a sua volta como dotado de uma ordem intrínseca. O filósofo, inclusive, acreditava em reencarnação, na transmigração das almas e dizia que nosso objetivo de vida seria conseguir a libertação desse ciclo de reencarnações no qual ainda estamos subjugados.  
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Enfim, é extremamente intrigante e impressionante a magnitude das almas que reencarnaram nessas épocas fundacionais da História Humana. É por esta conjunção de beleza e distanciamento temporal que vários destes personagens atingiram mesmo o status de seres quase mitológicos.
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Alguns outros surpreendentes conceitos desenvolvidos pelos filósofos desta época:
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- Tudo é composto de água – Tales de Mileto (624 a 546 a.c)
- Tudo é fluxo – Heráclito (535 a 475 a.c)
- Tudo é uno – Parmênides (515 a 445 a.c)
- O homem é a medida de todas as coisas – Pratágoras (490 a 420 a.c)
- Nada existe, exceto átomos e espaço vazio – Demócrito (460 a 371 a.c) e Leucipo (Início do século V a.c)
- A vida irrefletida não vale a pena ser vivida - Sócrates (469 a 399 a.c)
- A morte não é nada para nós – Epicuro (341 a 270 a.c)
- Tem mais quem se satisfaz com mínimo – Diógenes de Sínope (404 a 323 a.c)
- O objetivo da vida é viver de acordo com a natureza – Zenão de Cítio (332 a 265 a.c)
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O Mundo Medieval
(250 a 1500 – 1250 anos)
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Composto por 10 filósofos, são eles:
Santo Agostinho, Boécio, Avicena, Santo Ancelmo, Averróis, Moisés Maimônides, Jalal ad-Din Muhammad Rumi, São Tomás de Aquino, Nicolau de Cusa e Erasmo de Roterdã.
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É interessante pensar que nos 350 anos anteriores pertencentes ao Mundo Antigo, a humanidade teve mais nomes de destaque no campo filosófico do que nos 1250 anos posteriores que abarcam a sombria Idade Média.
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Neste livro, apesar do Mundo Antigo ter sido estabelecido de 700 antes de Cristo até 250 depois de Yeshua ben Joseph, os filósofos listados abarcam um período mais restrito que vai do nascimento de Tales de Mileto em 624 a.c até a morte de Zenão de Cítio em 265 a.c, ou seja, somente 359 anos de história. Do Mundo Antigo para o Mundo Medieval parece ter havido um recolhimento da humanidade ocidental, diminuindo sua pulsação criativa.
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Santo Agostinho
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Também foi interessante notar como o Catolicismo estreitou o leque de assuntos tratados pelos filósofos e como o conhecimento produzido na Antiguidade chegou até os dias de hoje não pelos Cristãos, mas pelos Muçulmanos que captaram diversas obras e as traduziram para suas línguas antes destes mesmo escritos retornarem à Europa no Renascimento.
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Se não fosse pelos Muçulmanos, provavelmente o conhecimento humano estaria um tanto mais atrasado nos dias de hoje.
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A Renascença e a Idade da Razão
(1500 a 1750 – 250 anos)
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Composto por 10 filósofos, são eles:
Nicolau Maquiavel, Michel de Montaigne, Francis Bacon, Thomas Hobbes, René Descartes, Blaise Pascal, Bento de Espinosa, John Locke, Gottfried Leibniz, George Barkeley.
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Nesta época, nota-se o reavivamento do pensamento ocidental, um novo despertar científico e filosófico que se alimentaria da Antiguidade para lançar as novas bases do que seria extensamente desenvolvido nos séculos que se seguiriam.
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Nicolau Maquiavel
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- Maquiavel e sua maneira prática de observar as coisas, desnudando a hipocrisia.
- Hobbes e seu olhar desencantado sobre o mundo a sua volta.
- Descartes e o estímulo da dúvida sobre todas as coisas.
- Locke e a experienciação como construtora mais profunda do ser humano.

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A Era da Revolução
(1750 a 1900 – 150 anos)
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Composto por 19 filósofos, são eles:
Voltaire, David Hume, Jean-Jacques Rousseau, Adam Smith, Immanuel Kant, Edmund Burke, Jeremy Bentham, Mary Wollstonecraft, Johann Gottlieb Fichte, Friedrich Schlegel, Georg Hegel, Arthur Schopenhauer, Ludwig Andreas Feuerbach, John Stuart Mill, Soren Kierkegaard, Karl Marx, Henry David Thoreau, Charles Sanders Peirce, William James.
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Jean-Jacques Rousseau
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Uma Era fundamental para o que viríamos a pensar e a crer nos anos que se seguiriam.
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- Voltaire e sua vida além de sua época.
- Rousseau e sua genialidade na observação do desenvolvimento social.
- Adam Smith e sua leitura científica de uma economia em construção.
- Kant e seu delicado arranjo entre o conhecimento humano e as coisas como elas são em si mesmas.
- Hegel e o homem como espírito subjulgado às verdades da época em que vive.
- Schopenhauer e a noção de que somos limitados em nossas observações e em nossas vontades, nos restando nossos limites como sendo os limites do mundo.
- Kierkegaard e a liberdade inalienável a nos causar angústia.
- Marx e a poderosa construção filosófica, científica e política que iria redefinir, por séculos, a história da humanidade, do Oriente ao Ocidente.
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Diversos grandes nomes acumulados num tempo relativamente curto da história!
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Karl Marx
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O Mundo Moderno
(1900 a 1950 – 50 anos)
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Composto por 32 filósofos, são eles:
Friedrich Nietzsche, Ahad Ha`am, Ferdinand de Saussure, Edmund Husserl, Henri Bergson, John Dewey, George Santayana, Miguel de Unamuno, William do Bois, Bertrand Russel, Max Scheler, Karl Jaspers, José Ortega y Gasset, Hajime Tanabe, Ludwig Wittgenstein, Martin Heidegger, Tetsuro Watsuji, Rudolf Carnap, Walter Benjamin, Herbet Marcuse, Hans-Georg Gadamer, Karl Popper, Theodor Adorno, Jean-Paul Sartre, Hannah Arendt, Emmanuel Levinas, Maurice Merleau-Ponty, Simone de Beauvoir, Willard van Orman Quine, Isaiah Berlin, Arne Naess, Albert Camus.
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Nietzsche, apesar de estar temporalmente na divisão anterior, foi aqui colocado como figura inaugural do Mundo Moderno da Filosofia. Vou tratar mais extensamente dele, mesmo além do que foi descrito no livro em questão, por ser uma figura que me toca sobremaneira.
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Construtor de uma crítica ácida a diversos aspectos do ser humano, este filósofo magistral foi responsável por estabelecer alguns passos ainda além das tantas verdades elaboradas nos milênios que o antecederam.
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Nietzsche foi tão genial que Freud chegou a declarar a seguinte frase: “O grau de introspecção alcançado por Nietzsche nunca foi atingido por ninguém”.
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Sua vida não deve ter sido muito feliz, mas sua obra foi e ainda é estupenda! Sua importância é tão grande que alguns dizem ter sido ele a reencarnação de Aristóteles.
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Será?! Acho que não!

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Friedrich Nietzsche
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Obras de Nietzsche organizada pelos anos em que foram escritas:
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1872 - O Nascimento da Tragédia no Espírito da Música
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1873 - A Filosofia na Idade Trágica dos Gregos
1873 - Sobre a verdade e a mentira em sentido extramoral
1873 - David Strauss, o Confessor e o Escritor. Dos Usos e Desvantagens da História
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1874 - Para a Vida
1874 - Schopenhauer como Educador
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1876 - Richard Wagner em Bayreuth
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1881 - Aurora, Reflexões sobre Preconceitos Morais
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1882 - A Gaia Ciência, traduzida também com Alegre Sabedoria, ou Ciência Gaiata
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1883-85 - Assim Falou Zaratustra, um Livro para Todos e para Ninguém
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1886 - Humano, Demasiado Humano, um Livro para Espíritos Livres (a versão final saiu nesse ano)
1886 - Além do Bem e do Mal, Prelúdio a uma Filosofia do Futuro
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1887 - Genealogia da Moral, uma Polêmica
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1888 - O Crepúsculo dos Ídolos, ou como Filosofar com o Martelo
1888 - O Caso Wagner, um Problema para Músicos
1888 - O Anticristo - Praga contra o Cristianismo
1888 - Ecce Homo, de como a gente se torna o que a gente é
1888 - Nietzsche contra Wagner
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Em Ecco Homo, Nietzsche faz uma releitura de suas obras passadas e chega a proferir em tom premonitório, embebido até as últimas consequências em sua megalomania apocalíptica:
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"Conheço minha sina. Um dia, meu nome será ligado à lembrança de algo tremendo — de uma crise como jamais houve sobre a Terra, da mais profunda colisão de consciências, de uma decisão conjurada contra tudo o que até então foi acreditado, santificado, requerido. (...) Tenho um medo pavoroso de que um dia me declarem santo: perceberão que público este livro antes, ele deve evitar que se cometam abusos comigo. (...) Pois quando a verdade sair em luta contra a mentira de milênios, teremos comoções, um espasmo de terremoto, um deslocamento de montes e vales como jamais foi sonhado. A noção de política estará então completamente dissolvida em uma guerra de espíritos, todas as formações de poder da velha sociedade terão explodido pelos ares — todas se baseiam inteiramente na mentira: haverá guerras como ainda não houve sobre a Terra."
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Depois do exaustivo e cabalístico ano de 1888, Nietzsche sucumbiu num colapso mental e nunca mais voltou a produzir.
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Mas, em tal ponto da vida, já havia deixado as bases para o que seria uma reformulação de tantas e tantas coisas que, ainda nos dias de hoje, se fazem pertencentes ao futuro.
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Além do gigante Nietzsche, temos outros que o sucederam em tempo e em influência:
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Jean-Paul Sartre
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- Saussure e as bases da belíssima e delicada Semiótica.
- Unamuno e sua Filosofia espiritualista atualizando a interpretação do sofrimento na construção do ser humano.
- William du Bois e a filosofia se debruçando, talvez pela primeira vez, sobre a segregação racial.
- Russel e a ressignificação do trabalho na vida do homem.
- Wittgenstein e a linguagem como estrutura sobre a qual se constrói o mundo.
- Heidegger e a necessidade da Filosofia se voltar para o próprio homem.
- Walter Benjamin e a valorização do amor incondicional como lupa capaz de nos revelar verdadeiramente o ser humano.
- Adorno e o valor da inteligência, em conjunto com a emoção, no direcionamento de nossa conduta.
- Sartre e a necessidade de se criar um propósito para a existência, pois ela não possui um que lhe seja inextricável.
- Simone de Beauvoir e as bases filosóficas para feminismo vindouro.
- Albert Camus e o desapego à necessidade de significação da vida.
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Simone de Beauvoir
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Filosofia Contemporânea
(1950 até os dias atuais – 66 anos)
 
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Composto por 20 filósofos, são eles: Roland Barthes, Mary Midgley, Thomas Kuhn, John Rawls, Richard Wollheim, Paul Feyerabend, Jean-François Lyotard, Frantz Fanon, Michel Foucault, Noam Chomsky, Jürgen Habermas, Jacques Derrida, Richard Rorty, Luce Irigaray, Edward Said, Hélène Cixous, Julia Kristeva, Henry Odera Oruka, Peter Singer, Slavoj Žižek.
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Michel Foucault
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E assim chegamos até nossos dias, vencendo os destroços filosóficos que nos restam após tantos e tantos anos de exercício filosófico levado a cabo pelas múltiplas mentes que se entrelaçaram e se conversaram por meio das ideias a respeito de tudo aquilo sobre o qual é possível se refletir.
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- Foucault e seu extenso trabalho de levantamento arqueológico do conhecimento, formando tratados inquestionáveis a respeito do Homem, da Sociedade, da Política e da Filosofia.
- Chomsky e a possibilidade de escolhermos o conforto da ignorância.
- Habermas e a necessidade social de questionamento das estruturas e tradições que formam a própria sociedade.
- Derrida e a angustiosa e infinita construção textual que tangeria todas as coisas.
- Peter Singer e a bonita noção de que os animais são iguais a nós no sofrimento, colocando a dor como um amplo parâmetro balizador das ações que influenciam os seres vivos.
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Após esta extensa viagem por tantos e tantos nomes, o livro entra em suas últimas quatro partes que são: Outros Pensadores, Glossário, Índice e Agradecimentos.
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Na parte denominada de “Outros Pensadores” estão listados 59 nomes de filósofos pertencentes a todos os períodos já listados e que aqui foram considerados de importância mediana dentro do contexto da época em que viveram, não entrando no corpo principal do livro, mas também não ficando excluídos desta obra, estando, portanto posicionados nesta parte final.
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São eles: Anaximandro, Anaxímenes de Mileto, Anaxágoras, Empédocles, Zenão de Eleia, Pirro, Plotino, Wang Bi, Jâmblico, Hipátia de Alexandria, Proclo de Lício, João Filopono, Al-Kindi, Johannes Scotus Eriugena, Al-Farabi, Al-Ghazali, Pedro Abelardo, Robert Grosseteste, Ibn Bajja, Ramon Llull, Meister Eckhart, John Duns Scotus, Guilherme de Ockham, Nicolau de Autrecourt, Moisés de Narbonne, Giovanni Pico della Mirandola, Francisco de Vitoria, Francisco Suárez, Bernard Mandeville, Julien Offray de la Mettrie, Nicolas de Condorcet, Joseph de Maistre, Freidrich Schelling, Auguste Comte, Ralph Waldo Emerson, Henry Sidgwick, Franz Brentano, Gottlob Frege, Alfred North Whitehead, Nishida Kitaro, Ernst Cassirer, Gaston Bachelard, Ernst Bloch, Gilbert Ryle, Michael Oakeshott, Ayn Rand, John Langshaw Austin, Donald Davidson, Louis Althusser, Edgar Morin, René Girard, Gilles Deleuze, Niklas Luhmann, Michel Serres, Daniel Dennett, Marcel Gauchet, Martha Nussbaum, Isabelle Stengers.
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E por último, ao menos nesta minha listagem, o corajoso Giordano Bruno, homem a frente de seu tempo e que, não sei por quê, não foi colocado no corpo principal do texto. 
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Pelo mesmo motivo de Nietzsche, tratarei desta figura um pouco mais extensamente do que foi tratada no livro.
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Giordano (1548 a 1600), segundo a Wikipédia, foi acusado dos seguintes crimes pela Inquisição Romana:
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1) Sustentar opiniões contrárias à fé católica e contestar seus ministros.
2) Sustentar opiniões contrárias à fé católica sobre a Trindade, a divindade de Cristo e a encarnação.
3) Sustentar opiniões contrárias à fé católica sobre Jesus como Cristo.
4) Sustentar opiniões contrárias à fé católica sobre a virgindade de Maria, mãe de Jesus.
5) Sustentar opiniões contrárias à fé católica tanto sobre a Transubstanciação quanto a Missa.
6) Reivindicar a existência de uma pluralidade de mundos e suas eternidades.
7) Acreditar em metempsicose e na transmigração da alma humana em brutos.
8) Envolvimento com magia e adivinhação.
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Alma hilozoísta (defendia que tudo possuía vida), panpsiquista (acreditava que tudo tem uma natureza psíquica, uma alma), mística, científica, defensora de uma proposta que enxergava o Universo como um conjunto infinito composto por diversos planetas habitados, o que seria uma antecipação das ideias de Galileu.
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Giordano foi um incessante crítico da realidade vigente na época de sua existência, enfrentando as instituições, mudando constantemente de país por conta das perseguições da Igreja Católica. No entanto, a despeito das atribulações da vida, nunca deixou de sonhar, elaborar e defender sua rica e inovadora concepção universal.
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Giordano era defensor de uma concepção cosmológica que propunha a ideia de um Universo aberto, em constante mudança, não contentor de uma sistemática eterna e inalterável, ao contrário do que defendia o Catolicismo.
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Provocativo, moderno, Bruno foi tão destemido que, mesmo diante da leitura de sua sentença, ainda lançou desafios aos executores que, por fim, tiveram que amarrar um pedaço de madeira em sua boca a fim de calá-lo.
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Um belo exemplo da maravilha catártica advinda da certeza plena perante os desvios e dificuldade da vida. Uma força capaz de nos levar adiante, mesmo nos momentos em que ameaçam nosso bem maior.
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Giordano Bruno
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Frases atribuídas a Giordano:
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"Nós declaramos esse espaço infinito, dado que não há qualquer razão, conveniência, possibilidade, sentido ou natureza que lhe trace um limite."
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"A Terra e os astros (...), como eles dispensam vida e alimento às coisas, restituindo toda matéria que emprestam, são eles próprios dotados de vida, em uma medida bem maior ainda; e sendo vivos, é de maneira voluntária, ordenada e natural, segundo um princípio intrínseco, que eles se movem em direção às coisas e aos espaços que lhes convêm”.
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"Sim, uma coisa, por minúscula que seja, encerra em si uma parte de substância espiritual, a qual, se encontra o sujeito [suporte] adequado, torna-se planta, animal (...); porque o espírito se encontra em todas as coisas, e não há mínimo corpúsculo que não o contenha em certa medida e que não seja por ele animado."
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"E o que se pode dizer de cada parcela do grande Todo, átomo, mônada, pode se dizer do universo como totalidade. O mundo abriga em seu coração a Alma do mundo".
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"O mundo é infinito porque Deus é infinito. Como acreditar que Deus, ser infinito, possa ter se limitado a si mesmo criando um mundo fechado e limitado?"
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"Não é fora de nós que devemos procurar a divindade, pois que ela está do nosso lado, ou melhor, em nosso foro interior, mais intimamente em nós do que estamos em nós mesmos."
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Eis aí um apanhado geral deste que talvez tenha sido o livro mais importante que li no ano de 2015.
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E, para fazer jus a essa importância, eis a que talvez seja a maior resenha já escrita neste blog.
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