Eu sou e não me resta nenhum
questão.
Me resta?
Pois assim sou de resto e, deste
jeito, resigno-me aqui.
Lembro que quando não estava
naquele lugar, fui tão mais presente lá. Caminhava livre por aquelas ruas e
lugarejos.
Tão fixos são os lugares que me
desvencilho com prazer daquele marasmo.
Não basta estar para se viver o
entorno. Isto é muito pouco.
Não estava e por isso me lembro tão
bem daquelas esquinas. Não haviam muitas, na verdade.
Esquina é qualquer lugar onde se
cai em desuso de si por instantes.
Fiz um monte delas naquela cidadezinha.
Encruzilhadas do humano. Encruzilhadas de mim.
Pouco que sou, nem pude enfrentar
tanta coisa que por lá havia. Então, resignei-me nos cantos.
Fundei minhas esquinas nos lugares
que me pareceram corretos e deixei um pedaço de dúvida caída em cada canto.
Fui povoando com pequenas estórias
o inventário de novos seres e assim foram nascendo aqueles que me faziam
felizes, mesmo estando eles, às vezes, tão mal de si.
Mas o que se faz é o que se gosta,
e eu invento dúvidas onde nascem seres que habitam minhas esquinas.
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