sábado, 18 de março de 2017

Folhas avulsas 14 (Escrito em 2008) - 12 anos de Blog

Eu sou e não me resta nenhum questão.

Me resta?

Pois assim sou de resto e, deste jeito, resigno-me aqui.

Lembro que quando não estava naquele lugar, fui tão mais presente lá. Caminhava livre por aquelas ruas e lugarejos.

Tão fixos são os lugares que me desvencilho com prazer daquele marasmo.

Não basta estar para se viver o entorno. Isto é muito pouco.

Não estava e por isso me lembro tão bem daquelas esquinas. Não haviam muitas, na verdade.

Esquina é qualquer lugar onde se cai em desuso de si por instantes.

Fiz um monte delas naquela cidadezinha. Encruzilhadas do humano. Encruzilhadas de mim.

Pouco que sou, nem pude enfrentar tanta coisa que por lá havia. Então, resignei-me nos cantos.

Fundei minhas esquinas nos lugares que me pareceram corretos e deixei um pedaço de dúvida caída em cada canto.

Fui povoando com pequenas estórias o inventário de novos seres e assim foram nascendo aqueles que me faziam felizes, mesmo estando eles, às vezes, tão mal de si.


Mas o que se faz é o que se gosta, e eu invento dúvidas onde nascem seres que habitam minhas esquinas.

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