Eu sou uma alma vazia e sozinha. Não
sinto a companhia de Deus, nem de ninguém. Sou solitário... No fundo, somos solitários.
Devemos estabelecer laços para amenizar a solidão. Devemos tentar acreditar na
comunhão das almas para nos enganar e esquecer um pouco este estado lastimável
de solidão.
No fundo, estamos sós. Ninguém nos
segue sempre. Mesmo Deus não está humanamente presente. Deus se esgueira pela
fragilidade das palavras e não está inteiro. Está na hipótese e a hipótese se
caracteriza pela negação da certeza e, se não há certeza, não há fato.
E se não há fato, não me basta.
Tenho um aperto no coração. Não
posso me matar, não posso sentir com intensidade.
Devo estar: comedido, esguio,
pequeno, cerzido, podado, retraído, controlado. Não posso pensar o que penso,
nem sentir o que sinto, pois não me faz bem. Devo me vigiar, punir minhas
naturalidades que se exacerbam.
Fico pensando quando vai encerrar
tudo isso. Nunca. Ainda vai demorar até que eu deixe desistir.
E por que passar por tudo isso?
Deus não precisava ter me criado e eu, sinceramente, agora, não me sinto
lisonjeado por isso.
Penso, dispenso, cogito, não
acredito... Sou sempre assim!
As palavras são caminhos para o
erro, mas eu gosto delas. O que hei de fazer? Gosto do pensamento e isso é
natural em mim. Não há certezas e tudo é questão de se enganar.
Comentário atual:
Provavelmente esse texto foi escrito para não ser publicado na época, mas agora
tudo bem! Já é passado!
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