segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Os sonhos não envelhecem - Histórias do Clube da Esquina




Trata-se de um livro onde memórias e fantasias se misturam para esboçar o mosaico inicial donde surgiu Milton Nascimento, Lô Borges, Márcio Borges, Beto Guedes, Toninho Horta, Wagner Tiso, Fernando Brant e outros integrantes do mais importante movimento musical surgido em Minas e um dos mais importantes do Brasil.

Escrito por Márcio Borges, ele relata acontecimentos de uma época, na BH do fim dos anos 60, início dos 70. Márcio Borges declama com entusiasmo e paixão, numa escrita bem colocada e inspirada, as rodas de músico onde se criaram instrumentistas excepcionais, o comportamento de uma geração, a boemia de uma Belo Horizonte misto de metrópole e cidade interiorana, a efervescência cultural de um povo que tinha o que dizer, ouvia o rock vindo de fora, mas que não podia se manifestar por conta do regime militar que reinava na época.

Também está retratada a mineiridade da família Borges, a amizade de garotos de diversas idades, suas confusões, os porres, as traquinagens dos mais novos e as aventuras dos que já tinham perdido a inocência inicial.

Márcio Borges é a força primeira de tudo isso! Letrista, e núcleo de alguns inícios, ninguém melhor do que ele para relatar QUASE tudo o que aconteceu naquele Edifício Levy e mediações!

Encantado por cinema, Márcio, que já conhecia Bituca (Milton Nascimento), resolve levá-lo para ver Jules e Jim num sala Cult da cidade. Os dois entram na sessão de cinema à tarde e se sentem tão envolvidos e encantados pela obra que resolvem vê-la outras vezes e só saem de lá tarde da noite embebidos de uma sensação única de amor e amizade, que é justamente o que é tratado no filme.


Após esse acontecimento, os dois seguem direto para o apartamento da família Borges e o Márcio resolve propor ao Milton que eles deveriam escrever músicas. E assim se faz, dando o pontapé inicial a uns dos mais criativos cancioneiros populares do Brasil, inspirador de tantos outros grupos e cantores de gerações conseqüentes e que é considerado por alguns como o movimento musical mais influente pós-Bossa Nova: O Clube da Esquina.

Há dois relatos interessantes de sonhos que o Márcio e o Milton tiveram em momentos próximos, depois que começaram a fazer suas parcerias e a exercer mais suas criatividades artísticas. Ambos sonharam ou tiveram visões com seres superiores, cada um a sua maneira. Márcio, enquanto dormia, sonhou que era levado para cima, para um lugar de luz e uma voz o disse: Faça sua vida como se fosse uma obra de arte. Já Milton, estava acordado, deitado ao lado de sua companheira, na época, e sentiu que saiu de seu corpo, foi levado também para cima, para um lugar iluminado e lá um ser o perguntou: Você quer ficar aqui ou quer voltar e realizar sua obra? E ele respondeu que queria voltar! Então retornou ao seu corpo e perguntou para a pessoa que estava ao seu lado se ela tinha notado alguma coisa estranha com ele, então a mulher disse que não. Não sei se foram exatamente essas as palavras ouvidas por cada um, mas os relatos ocorreram nesta direção. Achei interessantíssimo!!!


Márcio relata como Milton possuía um sentido de composição totalmente original, único, com melodias intrincadas e que soavam diferentes aos ouvidos. Seu violão era desconstruído, sua voz era inaugural. Enfim, ali, por ajuda de seu amigo, começou a desabrochar uma flor inovadora e única da MPB que já detinha, em si, muito do que o destacaria no cenário nacional e internacional.

Tanto é que, passaram-se somente dois anos e pouco desde a ida de Milton para o Rio de janeiro, onde ele foi começar a viver de música, até o momento dele gravar com grandes Jazzista do exterior que ficaram boquiabertos com o tipo de som que ele compunha e, juntamente com seus amigos do Som Imaginário, tudo aquilo ganhava vida.

Um salto quase inimaginário, dado o curto espaço de tempo!

O prefácio é de Caetano Veloso. Nele, o artista baiano relata aquilo que acredita ser verdade: que Minas é um estado onde as coisas se amadurecem mais, antes de se mostrarem aos olhos dos outros e, de uma certa maneira, isso é verdade!

O início da carreira de Milton Nascimento se dá um pouco depois do início de outros grandes como o próprio Caetano, Gilberto Gil e Chico Buarque. Além disso, as influências que Milton deixou, permaneceram ainda mais uns bons anos, antes que o Clube da Esquina, propriamente dito, saísse e se mostrasse para o país, o que aconteceu em 1972, causando espanto e um posterior fascínio por parte da crítica e do público.

O livro possui três grandes partes, subdivididas em capítulos organizados em ordem cronológica e dotados de certo ar romanesco:

I. PRÉ-HISTÓRIA
           
1. Edifício Levy         21
2. Jules e Jim   43
3. Viagem a Três Pontas        63
4. Festival da fome     81
5. O vendedor de sonhos       105
6. Outras vozes           115
7. Cidade vazia          123


II. HISTÓRIA
           
1. Travessia     155
2. Vera Cruz   175
3. Beco do Mota        193
4. Os deuses e os mortos        211
5. Para Lennon e McCartney 237
6. Mar azul      255
7. Nada será como antes        271


III. OUTRA HISTÓRIA     

1. Milagre dos peixes 303
2. Cran circo   315
3. Pão e água  323
4. A Via Láctea          333
5. The Corner Club     347

…e lá se vai mais um dia       351

Posfácio (Milton Nascimento)           371


A maneira como as coisas foram acontecendo, a naturalidade dos processo de criação, a sinergia narrada nos momentos de compor as músicas Clube da Esquina número 1 e o Clube da Esquina número dois, ambas de Milton, Lô e Márcio e ambas feitas da mesma maneira... Muito bonito de se saber!!!


Nos dois casos destas músicas-manifesto, ocorreu de Lô Borges se encantar por uma seqüência de acordes, então ele mostrava para Milton, que iniciava lentamente a construção da melodia, enquanto Lô ficava repetindo a levada no violão e, depois da linha pronta, Márcio Borges levava aquilo tudo pra colocar as palavras.

A diferença é que a Clube da Esquina 1 nasceu direto, com o Márcio colocando a letra logo depois de composta a melodia. Já o número 2, Lô e Bituca decretaram que aquela não iria ter letra e assim se deu, até que, depois de algum tempo, Nana Caymmi pediu a Márcio que colocasse letra, sem que os dois compositores soubessem, pois ela queria muito cantar aquele tema. E então se fez. Novamente fechou-se o ciclo de composição com a participação dessas três importantes figuras do Clube.

Este processo criativo, as reuniões musicais no quarto dos meninos da graaande família Borges (11 filho), o universo artístico no qual eles estavam embebidos naquela época, um útero criativo em que descansavam, se desafiavam e se faziam gente, além do resultado de tudo que se formou ali, essas coisas me encantam demais! Li em três dias as 370 páginas e nem senti.

Gostei demais da conta!!!



Passageiro do Fim do Dia



Romance de Rubens Figueiredo que narra a trajetória de Pedro, funcionário de um sebo localizado no centro de uma cidade grande. O personagem principal vai todos os finais de semana para o Bairro do Tirol, a fim de passar seus dias de folga com sua namorada Rosane.

O autor traça um paralelo entre a condição humana na sociedade atual e as Leis do Darwinismo, que nos nivela a todos, como se fôssemos simples animais, mais adaptados ou menos adaptados à realidade e suas regras. 

Quando comecei a ler, achei que esse interessantíssimo paralelo seria mais bem explorado, o que não aconteceu. Houve partes em que foram construídos paralelos entre Pedro e um cachorro, a condição de conforto do cachorro que gostava de sentir o vento no rosto, sentado no banco de um carro talvez importado, e o próprio Pedro que também gostava de sentir o vento sentado no banco de um circular lotado de gente. Também houve passagens de outros relatos de caçadas naturais, animais que por vezes eram presas, outros predadores, a luta pela vida, pela sobrevivência, mas, infelizmente, não foi além disso. Não que isso não fosse o bastante, mas é que isso ficou muito restrito dentro do livro. O autor trabalhou pouco com essa idéia.


Rubens Figueiredo se focou muito no relato da pobreza, fato que em nada soa inovador e deixou de lado este forte paralelo bastante interessante que poderia ter sido mais acirradamente colocado, dispondo o homem no mesmo nível de animais numa selva, a selva urbana; sermos vencedores ou perdedores, a vitória dos mais adaptados, a derrota dos que não conseguiam se permear internamente pelas regras do existir em sociedade.

Houve sim, um pouco disso, como quando é dito sobre Pedro e seu amigo. Pedro começou a faculdade de direito, numa universidade pública, juntamente com seu amigo, no entanto, desistiu, ao contrário do outro. Por esse fato, hoje Pedro não tem dinheiro, nem sucesso e trabalha em sociedade com este mesmo amigo, mas numa posição que se configura mais como a de um empregado.

A pobreza constantemente narrada, descrita, esmiuçada, o pé rachado do velho doente que sofreu injustiças da vida, o sofá rasgado, a parede sem pintura, a periferia em guerra, o ônibus apertado, a tristeza de todos, os cabelos mal lavados, o dentes sujos e coisas do tipo, a constância desses elementos, e muito só desses elementos tornou-se enfadonha. Uma pena!

Não entendi se isso foi uma opção romanesca do escritor, se ele acreditou que as dicas dadas já seriam suficientes para amarrar esta sacada criativa, entre Darwinismo e a vida atual, ou se ele simplesmente não notou que os poucos pontos colocados não eram suficientes para dar a sinergia necessária entre os relatos de um homem comum, que desistiu de sua faculdade de direito e sofreu um acidente, e a viagem que Darwin, em pesquisa de campo, fez naquelas terras por onde seu ônibus estava passando.

Fui com tão bons olhos para a obra e me frustrei!




Pétalas Esparsas


Mais um livro de Benita Carneiro que chega até minhas mãos.

Como diz o nome, trata-se de uma coletânea de poesias agrupadas, mas que já existiam separadamente.

Benita resolveu reunir alguns escritos, sem pretensão de construir um eixo temático que os unisse; ou talvez este não-eixo, batizado de Pétalas Esparsas, fosse justamente o elo de união deste disperso de intenções e pretensões que conduzem esta obra.

São mais de 108 páginas, contendo cerca de 120 poesias que tratam sobre personalidades da cidade de Itanhandu, lembranças da infância, tristezas, alegrias, estações do ano, tudo em versos rimados, como é de costume, em diferentes formas e esquemas, dotados de diferentes ritmos.

Mais uma singela obra desta poeta itanhanduense!



Separados pelo Inverno





Um filme iraniano e só por isso já merece bastante respeito. Porque se já é difícil fazer filme no Brasil, imagine no Irã.

Conta a estória de um homem que não consegue emprego, Marhad, um típico jovem adulto iraniano que, depois de trabalhar de mecânico, resolve tentar emprego numa cidade maior, Teerã. Lá não consegue se colocar e trabalha em subempregos até que um homem que ele conheceu na capital arranja uma colocação para ele numa oficina.

Sozinho, longe de sua mulher, Marhad começa a se engraçar por uma jovem senhora casada, Mitra Hajjar, cujo marido também saiu de casa para tentar arranjar emprego em outro local.

Ao mesmo tempo, sua mulher, sozinha, também começa a ser paquerada por outro homem que chega a sua cidade.

É impactante pensar que um filme rodado no Irã traga uma temática tão modernamente ocidental para as telas. Acho que este é o ponto forte da película: este retrato atualizado de fatos que, provavelmente, estejam acontecendo no Irã apesar de todo o regime político e religioso.

Os atores são amadores e a encenação soa natural, não parecem estarem em frente às câmeras, e isso me encanta bastante! Agora não sei se esta naturalidade vem deste não profissionalismo benéfico ou do fato de eu não ser um iraniano e não saber como os iranianos se comportam por detrás ou em frente as câmeras.

O filme não foi dos que mais me agradou, mas por este conjunto de forças aqui colocados, este conjunto de desafios reunidos e superados, achei uma obra bastante interessante!

  
FICHA TÉCNICA
Diretor: Rafi Pitts
Elenco: Mitra Hajjar, Ali Nicksaulat, Said Orkani, Hashem Abdi, Zahra Jafari, Naser Madahi, Safari Ghassemi, Valiollah Sali, Hossein Hadgbegi, Mohammad Nazari, Leila Solymani
Produção: Rafi Pitts
Roteiro: Mahmoud Dowlatabadi, Rafi Pitts
Trilha Sonora: Hossein Alizadeh, Mohammad Reza Shajarian
Duração: 85 min.
Ano: 2006
País: Irã
Gênero: Drama
Cor: Colorido
Distribuidora: Pandora Filmes
Classificação: 10 anos




SER MINAS TÃO GERAIS





Por indicação de uma amiga de infância, fiquei sabendo deste espetáculo que reunia coisas que eu gosto demais da conta!!!

Sabia que ia ter Milton Nascimento, Crianças, Minas Gerais, Cultura Popular, Vale do Jequitinhonha, Teatro, Música, Poesia, Carlos Drummond de Andrade...Tudo junto!!!

Enfim, eu não poderia deixar de ir...

Então, eu fui!

E foi simplesmente uma das coisas mais lindas que já vi na minha vida! Uma energia clara, de felicidade de todos aqueles que estavam envolvidos pela arte ali no palco!

Senti uma legitimidade profunda naqueles artistas, coisa cada vez mais rara de se ver!

Sei que estavam ali também pela grana, que são conhecedores, pelo menos os adultos ali envolvidos, do apelo artístico que a reunião dos elementos compositores desta obra é capaz de gerar e, por conseqüência, atrair público e ampliar temporadas. Sei de tudo isso! Sei que é uma super sacada ligar músicas do Milton com trechos de poesias do Drummond, colocar crianças de uma região pobre no palco e chamar tudo isso pelo cativante título de: Ser Minas Tão Gerais!!!

Mas isso não tirou a intensidade do meu encanto, já que tudo vibrava com uma beleza mais ampla do que a simples conveniência dos elementos ali reunidos.

Foi uma viagem, um sonho que eu não queria que acabasse!!!

Foi um dos espetáculos que mais me emocionaram, senão o que mais me emocionou em toda minha vida! Chorei de emoção pela beleza de tudo aquilo, desde o início até o fim! Tinha horas que eu imaginava que eu já tinha chorado o suficiente, mas daí acontecia uma coisa nova, começava alguma nova música, ou eu via algo comovente no palco e pronto, eu recomeçava meu pranto!

Mas não chorei de tristeza, de lamentação por tudo aquilo ser um sonho cultural num país pobre de educação, que não valoriza sua cultura, que não dá espaço para tantos artistas belíssimos que temos por aí espalhados!

Nada disso!

Chorei pela beleza daquelas coisas todas reunidas que já listei aqui!

Posso dizer que não foi a maior produção que já vi, ou que este foi o espetáculo mais elaborado que assisti. Não foi nada disso!

O que me emocionou muito foi justamente e reunião dos elementos que me levaram a ir ver!

As músicas do Milton, o coro dos Meninos do Araçuaí, uma cidade pobre que fica no norte de Minas, na região do Vale do Jequitinhonha e redondezas. A simplicidade e a veracidade da cultura popular, os cânticos tradicionais do norte do estado onde nasci, a trupe de teatro idealizadora do espetáculo, o grupo “Ponto de Partida”, uma reunião de guerreiros da arte, que resolveram fazer algo por sua cidade, Barbacena, então cresceram, apareceram, mas nunca abandonaram seu local de origem!

Milton Nascimento estava no palco como ator, mas, na verdade era simplesmente ele mesmo no meio do palco, como ele sempre é!

A estória conta sobre um grupo de loucos, figuras que toda cidadezinha tem. Este grupo fala aos ventos sobre um homem, uma lenda que dizem ter engolido um passarinho quando criança, e este bichinho parou em sua garganta, por isso quando ele canta, traz a esperança e tem uma voz lindíssima!

Daí todos estes loucos ficam perguntando uns aos outros, procurando onde está este homem, quando que ele vai voltar pra cantar pra eles?!

Aos poucos vai se entendendo que este homem é o Milton Nascimento que eles não reconhecem logo de cara, até que uma mulher, com alma de menina pequena, desconfia que ele tenha voltado e pede a Milton que cante alguma coisa, daí ela o reconhece e chama todos para vê-lo.

Nisso eles condecoram Milton com um cajado enfeitado com elementos de folia de reis, e uma espécie de xale marrom. Daí se iniciam outras muitas canções, toque de tambores, sapateado. Uma coisa lindíssima!

Eram umas 60 pessoas no palco, dançando e cantando músicas do Milton. Crianças e adultos num ritual para festejar o retorno do tal homem que trazia a alegria! Além disso, o espetáculo comemorava os 70 anos de vida e os 50 de carreira deste mestre da MPB, inovador em tantos pontos e imprescindível para a música brasileira!

Houve também brincadeiras com versos do Drummond. Já em outras partes são recitadas coisas sérias deste mesmo escritor. E nesse mar de coisas tão bonitas, o espetáculo foi chegando ao fim, num crescente de forças, justamente com estes elementos que citei: os tambores, o sapateados, os cantos em coro, abrindo vozes, e todos no palco, tendo Milton ao fundo, como se fossem o exército da alegria e seu comandante!

A parte instrumental estava belíssima! Cinco músicos: violão, baixo, sopros, bateria e percussão, colocados junto da platéia, que tiravam um som muito bem ensaiado, regulado! Todos no palco tinham microfones, acho que menos as crianças! A sonorização e o equilíbrio de volumes estava muito bem feita!

Como foi lindo! Foi tão lindo que eu não queria que acabasse nunca mais! O único ponto menos tocante do espetáculo é que há pouca estória. Os elementos, músicas e poemas, são jogados com ganchos de enredo bastante fracos. Pareceu um pouco que os elementos estavam meio dispersos. Por qualquer pretexto já se iniciava uma nova música, ou um novo poema. Acredito que a proposta seja mesmo essa: um musical despretensioso neste sentido. Mas, com um pouco mais de esforço, conseguiria-se uma coesão maior entre as passagens, o que ajudaria a engrandecer o todo e a envolver mais o público.

No fim, depois de cantarem Coração Civil (São José da Costa Rica, coração civil / Me inspire no meu sonho de amor Brasil / Se o poeta é o que sonha o que vai ser real / Vou sonhar coisas boas que o homem faz / E esperar pelos frutos no quintal), todos aplaudiram de pé. Muita gente se emocionou, adultos e crianças!

E, a pedido de uma das senhoras integrantes do “Ponto de Partida”, todos nós cantamos com Milton Nascimento a música “Nos Bailes da Vida”.

Foi DEMAIS!!! Uma noite inesquecível!!!


EQUIPE:

Concepção . Ponto de Partida 

Roteiro, pesquisa musical e direção geral . Regina Bertola 

Assistente de direção . Lido Loschi 

Direção de vídeo . Éder Santos 

Direção de fotografia . Evandro Rogers 

Direção musical e arranjos . Gilvan de Oliveira 

Preparação vocal e pesquisa . Babaya 

Iluminação . Jorginho de Carvalho 

Assistente de iluminação . Rony Rodrigues 

Figurinos . Alexandre Rousset e Tereza Bruzzi 

Confecção de figurinos . Vera Viol 

Preparação corporal . Wagner Moreira 

Coreografias . Wagner Moreira e Ponto de Partida 

Sonorização de palco . Murillo Corrêa e Cia 

Projeto gráfico . Gutt Chartone 

Fotos . Rodrigo Dai 

Produção executiva do DVD . Camisa Listrada e Ponto de Partida 

Assistente de produção . Fátima Jorge 

Direção de produção . Cristina Lima 

Parceria . CPCD 

Produção geral e realização . Ponto de Partida 




Roteiro

Cais (instrumental) - Milton Nascimento e Ronaldo Bastos 

Notícias do Brasil (Os Pássaros) - Milton Nascimento e Fernando Brant 

Ainda bem não cheguei - Dom. púb. da região do Vale- recolhido por Frei Chico e Lira
Marques 

Circo Marimbondo - Milton Nascimento e Ronaldo Bastos 

Cidadezinha qualquer - Carlos Drummond de Andrade 

Roupa Nova - Milton Nascimento e Fernando Brant 

Uma pedra no meio do caminho - Carlos Drummond de Andrade 

Itamarandiba - Milton Nascimento e Fernando Brant    

Beira mar - Dom. público da região do vale recolhido por Frei Chico e Lira Marques 

Fragmentos de poemas - Carlos Drummond de Andrade 

Encontros e despedidas - Milton Nascimento e Fernando Brant 

O cio da terra - Milton Nascimento e Chico Buarque 

O vôo sobre as igrejas - Fragmentos Carlos Drummond de Andrade 

Boi Janeiro - Domínio público da região do Vale 

Coisas de Minas - Milton Nascimento e Wilson Lopes 

Maria solidária - Milton Nascimento e Fernando Brant 

O amor bate na aorta - Fragmentos. Carlos Drummond de Andrade 

Paula e Bebeto - Milton Nascimento e Caetano Veloso 

Brincadeiras de roda - Região do Vale 

Canção para Ninar Mulher - Carlos Drummond de Andrade 

Sentinela - Milton Nascimento e Fernando Brant 

Congadas - Festa do rosário 

Veveco, panelas e canelas - Milton Nascimento e Fernando Brant 

Bola de meia, bola de gude (vinheta) - Milton Nascimento e Fernando Brant 

Nosso Tempo, Companheiros escutai-me e Medo - Frag. Carlos Drummond de Andrade 

O Rouxinol (The Nightngale) - Milton Nascimento 

Canção Amiga - Milton Nascimento sobre poema de Carlos Drummond de Andrade 

O vendedor de sonhos - Milton Nascimento e Fernando Brant 

Ponta de areia - Milton Nascimento e Fernando Brant 

Canto ao homem do povo - Charles Chaplin - Frag. Carlos Drummond de Andrade 

A primeira estrela - Milton Nascimento, Tavinho Moura e Túlio Mourão 

Os tambores de Minas (Minas drums) - Milton Nascimento e Márcio Borges 

Raça - Milton Nascimento e Fernando Brant 

Louva a Deus (The praying mantis) - Milton Nascimento e Fernando Brant 

Visões - Fragmentos. Carlos Drummond de Andrade 

Coração civil - Milton Nascimento e Fernando Brant



Show do Milton Nascimento em Três Pontas



Não vou falar muito desse show até porque não me lembro bem da seqüência das músicas. Lembro-me que começava com cais e o Milton iniciava seu falsete ainda fora do palco. Mas enfim, não quero me alongar porque não tenho nenhum material falando do show, e essa pseudo-resenha vai ficar mais com cara de diário.

Mas quero deixar registrado aqui essa passagem!

Não sei como ficamos sabendo, meus pais e eu, que o Milton Nascimento iria fazer show em Três Pontas, a cidade para onde ele se mudou com dois anos de idade, cresceu, se fez gente e conheceu seu parceiro mais antigo: Wagner Tiso. Terra em que mora sua mãe de criação, Líliam Silva Campos, que serviu de inspiração para seu canto, seu falsete feminino e outras influências que o constituíram.

O show era pra homenagear seus 70 anos de vida e 50 de carreira.

Foi o melhor show que eu já vi dele. Já vi um em Ouro Preto, no encerramento do festival Tudo é Jazz de 2008, com seus parceiros jazzista, dos Estados Unidos. Vi outro no Festival Música do Mundo, em 2009 e agora este.

Ele cantou músicas lado B como Vera Cruz, Lilia, uma instrumental que compôs em homenagem a sua mãe. Uma música de compasso composto, acredito que 5 por 8. Além de Clube da Esquina, para Lennon e McCartney. Teve participação do Lô Borges, uma figura muito simpática e grande parceiro na elaboração dos álbuns Clube da Esquina 1 e 2.

O parque estava não muito cheio. Os camarotes estavam lotados de amigos, parentes e pessoas da cidade! Estava um clima super legal! Uma noite muito agradável!




Som Imaginário - Instrumental SESC Brasil





Numa segunda-feira qualquer, fui ver o Show do grupo Som Imaginário, de graça aqui no SESC Consolação. O grupo estava com sua formação original. Som Imaginário foi o pessoal responsável por acompanhar Milton Nascimento nos primeiros anos de sua carreira, e é um dos mais importantes grupos instrumentais da MPB.

O show era uma comemoração aos 40 anos do primeiro LP e trouxe diversos sucessos deles e de outros nomes da MPB: 



Nova Estrela (Wagner Tiso)
Armina (Wagner Tiso)
Banda da Capital (Wagner Tiso/Nivaldo Ornelas)
Tarde (Milton Nascimento e Marcio Borges)
Vera Cruz (Milton Nascimento/ Fernando Brant)
Canto Latino (Milton Nascimento/ Ruy Guerra)
A3 (Wagner Tiso)
Bolero (Wagner Tiso/Tavito/Luiz Alves/Robertinho Silva/Milton Nascimento)
Milagre dos Peixes (Milton Nascimento/ Fernando Brant)



Os arranjos soam belíssimos e as composições próprias mais ousadas, algumas do álbum “Matança do Porco” considerado o mais psicodélico do grupo, são bastante modernas e com partes diferentes, em compassos diferentes, com harmonias muito interessantes e características sonoras que mesclam o Jazz, a Bossa Nova, Rock Progressivo, a Música Clássica e outros elementos.

Uma sonoridade muito muito rica!!!


Os integrantes são:

Wagner Tiso (piano)
Robertinho Silva (percussão)
Luiz Alves (baixo)
Nivaldo Ornelas (sopros)
Tavito (violão)




Tropicália (Documentário)






Um movimento nascido da necessidade de se fazer algo diferente, de mesclar elementos já presentes na cultural mestiça do Brasil. Um grito diferente da juventude da época!

Caetano e Gil apontaram, no cenário brasileiro, nos festivais de música, cresceram, reuniram amigos e colegas que comungavam dos mesmo ideais meio anárquico-musicais e daí nasceu um retrato miscigenado do Brasil da época.


Baseado numa instalação de Hélio Oiticica, reforçado pela música de Caetano Veloso, a Tropicália foi um instante relâmpago que abalou as estruturas culturais do país, consolidando-se no antológico álbum de sobrenome Panis et Circences. Além da música, ela se espalhou também pelo cinema (Glauber Rocha), teatro (Zé Celso) e outros âmbitos culturais. Assim foi este relâmpago baiano, paulista, nordestino, brasileiro.

O documentário possui uma narrativa que se propõe temporalmente linear, apesar de esteticamente bastante desconstruído. Esta narrativa se divide, a meu ver, em dois blocos:

O primeiro que passa cronologicamente pelos anos de 1967, 1968 e 1969, englobando o despertar dos artistas, o festival de “Alegria, Alegria” e “Domingo no Parque”, o AI 5, o lançamento do álbum, o exílio de Gil e Caetano e assim por diante, onde todas as narrações são em Off e a linguagem é bastante anarquista.

E uma segunda parte em que as coisas se assentam e os artistas envolvidos dão as caras para falar, já hoje em dia, do que pensam de tudo aquilo que se passou com eles, por eles, ou também, por cima deles e de uma boa parte da sociedade!!!

O material é riquíssimo! Cenas incríveis, entrevistas da época do exílio, fotos do cotidiano, músicas fantásticas, de uma riqueza muito grande! Tudo ali colocado no balanço do tempo, numa espécie de carnaval cultural, que fazia seus membros enquanto estes o faziam!

Um ótimo documentário sobre uma espécie de segundo manifesto antropofágico no país do canibalismo cultural por excelência!





FICHA TÉCNICA
Diretor: Marcelo Machado
Produção: Denise Gomes, Paula Cosenza
Roteiro: Di Moretti, Marcelo Machado
Trilha Sonora: Kassin
Duração: 82 min.
Ano: 2012
País: Brasil
Gênero: Documentário
Cor: Colorido
Distribuidora: Imagem Filmes
Classificação: 12 anos