segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Passageiro do Fim do Dia



Romance de Rubens Figueiredo que narra a trajetória de Pedro, funcionário de um sebo localizado no centro de uma cidade grande. O personagem principal vai todos os finais de semana para o Bairro do Tirol, a fim de passar seus dias de folga com sua namorada Rosane.

O autor traça um paralelo entre a condição humana na sociedade atual e as Leis do Darwinismo, que nos nivela a todos, como se fôssemos simples animais, mais adaptados ou menos adaptados à realidade e suas regras. 

Quando comecei a ler, achei que esse interessantíssimo paralelo seria mais bem explorado, o que não aconteceu. Houve partes em que foram construídos paralelos entre Pedro e um cachorro, a condição de conforto do cachorro que gostava de sentir o vento no rosto, sentado no banco de um carro talvez importado, e o próprio Pedro que também gostava de sentir o vento sentado no banco de um circular lotado de gente. Também houve passagens de outros relatos de caçadas naturais, animais que por vezes eram presas, outros predadores, a luta pela vida, pela sobrevivência, mas, infelizmente, não foi além disso. Não que isso não fosse o bastante, mas é que isso ficou muito restrito dentro do livro. O autor trabalhou pouco com essa idéia.


Rubens Figueiredo se focou muito no relato da pobreza, fato que em nada soa inovador e deixou de lado este forte paralelo bastante interessante que poderia ter sido mais acirradamente colocado, dispondo o homem no mesmo nível de animais numa selva, a selva urbana; sermos vencedores ou perdedores, a vitória dos mais adaptados, a derrota dos que não conseguiam se permear internamente pelas regras do existir em sociedade.

Houve sim, um pouco disso, como quando é dito sobre Pedro e seu amigo. Pedro começou a faculdade de direito, numa universidade pública, juntamente com seu amigo, no entanto, desistiu, ao contrário do outro. Por esse fato, hoje Pedro não tem dinheiro, nem sucesso e trabalha em sociedade com este mesmo amigo, mas numa posição que se configura mais como a de um empregado.

A pobreza constantemente narrada, descrita, esmiuçada, o pé rachado do velho doente que sofreu injustiças da vida, o sofá rasgado, a parede sem pintura, a periferia em guerra, o ônibus apertado, a tristeza de todos, os cabelos mal lavados, o dentes sujos e coisas do tipo, a constância desses elementos, e muito só desses elementos tornou-se enfadonha. Uma pena!

Não entendi se isso foi uma opção romanesca do escritor, se ele acreditou que as dicas dadas já seriam suficientes para amarrar esta sacada criativa, entre Darwinismo e a vida atual, ou se ele simplesmente não notou que os poucos pontos colocados não eram suficientes para dar a sinergia necessária entre os relatos de um homem comum, que desistiu de sua faculdade de direito e sofreu um acidente, e a viagem que Darwin, em pesquisa de campo, fez naquelas terras por onde seu ônibus estava passando.

Fui com tão bons olhos para a obra e me frustrei!




Nenhum comentário: