Romance
de Rubens Figueiredo que narra a trajetória de Pedro, funcionário de um sebo localizado
no centro de uma cidade grande. O personagem principal vai todos os finais de
semana para o Bairro do Tirol, a fim de passar seus dias de folga com sua
namorada Rosane.
O
autor traça um paralelo entre a condição humana na sociedade atual e as Leis do
Darwinismo, que nos nivela a todos, como se fôssemos simples animais, mais
adaptados ou menos adaptados à realidade e suas regras.
Quando
comecei a ler, achei que esse interessantíssimo paralelo seria mais bem
explorado, o que não aconteceu. Houve partes em que foram construídos paralelos
entre Pedro e um cachorro, a condição de conforto do cachorro que gostava de
sentir o vento no rosto, sentado no banco de um carro talvez importado, e o
próprio Pedro que também gostava de sentir o vento sentado no banco de um
circular lotado de gente. Também houve passagens de outros relatos de caçadas
naturais, animais que por vezes eram presas, outros predadores, a luta pela
vida, pela sobrevivência, mas, infelizmente, não foi além disso. Não que isso
não fosse o bastante, mas é que isso ficou muito restrito dentro do livro. O
autor trabalhou pouco com essa idéia.
Rubens
Figueiredo se focou muito no relato da pobreza, fato que em nada soa inovador e
deixou de lado este forte paralelo bastante interessante que poderia ter sido
mais acirradamente colocado, dispondo o homem no mesmo nível de animais numa
selva, a selva urbana; sermos vencedores ou perdedores, a vitória dos mais
adaptados, a derrota dos que não conseguiam se permear internamente pelas
regras do existir em sociedade.
Houve
sim, um pouco disso, como quando é dito sobre Pedro e seu amigo. Pedro começou
a faculdade de direito, numa universidade pública, juntamente com seu amigo, no
entanto, desistiu, ao contrário do outro. Por esse fato, hoje Pedro não tem
dinheiro, nem sucesso e trabalha em sociedade com este mesmo amigo, mas numa
posição que se configura mais como a de um empregado.
A
pobreza constantemente narrada, descrita, esmiuçada, o pé rachado do velho
doente que sofreu injustiças da vida, o sofá rasgado, a parede sem pintura, a
periferia em guerra, o ônibus apertado, a tristeza de todos, os cabelos mal lavados,
o dentes sujos e coisas do tipo, a constância desses elementos, e muito só
desses elementos tornou-se enfadonha. Uma pena!
Não
entendi se isso foi uma opção romanesca do escritor, se ele acreditou que as
dicas dadas já seriam suficientes para amarrar esta sacada criativa, entre
Darwinismo e a vida atual, ou se ele simplesmente não notou que os poucos
pontos colocados não eram suficientes para dar a sinergia necessária entre os
relatos de um homem comum, que desistiu de sua faculdade de direito e sofreu um
acidente, e a viagem que Darwin, em pesquisa de campo, fez naquelas terras por
onde seu ônibus estava passando.
Fui
com tão bons olhos para a obra e me frustrei!


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