quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Resenhas 2013 - Cabaré Brasil


Um espetáculo com Máscaras Balinesas e cenas envolvendo os famosos personagens da Commedia Dell Arte, como: Arlequín, Brighella, Colombina, Dottore, Os Enamorados, Pagliaccio e Pantalone.

A Commedia Dell Arte foi uma forma teatral que teve início no século XV na Europa, mais especificamente na Itália e tinha como grande característica a improvisação, onde os atores seguiam um roteiro pré-estabelecido, mas tinham liberdade para improvisarem suas falas a fim de fazer acontecer o enredo planejado. Eram trupes itinerantes, com palcos improvisados que podiam ser: praças, espaços abertos, ruas ou onde mais fosse possível encenar.

Alguns dizem que os artistas da Commedia Dell Arte foram os primeiros a conseguirem sobreviver de sua própria arte. Tenho cá minhas dúvidas se foram realmente os primeiro, mas, como pessoas, com mais experiência, afirmam este fato, quem sou eu para duvidar!

A peça foi o resultado de meses de pesquisa do diretor Augusto Marin junto aos alunos que participaram do Projeto Teatro Cidadão do Commune Coletivo Teatral e do “Ponto de Cultura”, realizado também pelo Commune, em parceria com a Secretaria de Estado da Cultura do Estado de São Paulo e do MinC.

Com duração de uma hora e meia, onde os personagens se revezavam no palco contando histórias cômicas de seus cotidianos, esta peça me impressionou pela magia das máscaras usadas. É impressionante como a máscara tem força expressiva e envolve, transformando qualquer pessoa, às vezes sem muita preparação, num gigante em cena.

Por transformar a face do ator em algo encoberto, velado, misteriosos, isso nos retira um pouco a noção das expressões humanas que nos são tão conhecidas e que às vezes nos apegamos tanto para julgar se tal ator é bom ou ruim.

Ao mesmo tempo, por cima do mistério que a máscara encobre, existe a força do grotesco imutável retratado nelas. Quem já viu uma máscara de Commedia Dell Arte sabe como são bizarras suas formas. E por tanto que se faça em cena, aquele objeto imóvel, sobre o rosto do ator, torna-se uma espécie de uma entidade artística que incorporou naquela pessoa. Não vemos mais as pessoas, mas sim seres mágicos ganhando vida no meio do palco!

Cobrindo principalmente a região dos olhos e deixando a parte da boca de fora, o ator não é mais ele mesmo, mas um personagem histórico do imaginário popular, que se confunde com a trajetória do teatro no final da Idade Média. E como a magia está em tudo, provavelmente estes entes teatrais devem se fazer sentir por meio destes objetos. Mais uma das mágicas misteriosas que a arte nos presenteia!

Não sei qual é a verdade por detrás disso tudo, mas, pelo menos, eu acredito ter sentido alguma coisa diferente nesta peça. Foi uma experiência surreal!

Assim como no Projeto Delas, neste caso também fiquei responsável pela parte musical, assinando a direção, coordenando o repertório, ensaiando as cantoras e tocando piano no momento da apresentação que aconteceu no dia 12/12/2013.

As músicas foram: Abre Alas; Isso aqui o que é; Se acaso você chegasse; A história de Lily Braun; Quem te viu, quem te vê; O mundo é um moinho; Falsa Baiana e Jou Jou, meu balangandã.

Seguindo as festividades, após o encerramento, todo o teatro se transformou numa grande festa com DJ’s, muita música eletrônica dos anos 80, Samba Rock e assim por diante!

Foi uma experiência incrível!

Como estava muito perto dos atores, dentro do palco, pude sentir com mais força o encanto do universo da Commedia Dell Arte.

Certas manifestações não permanecem vivas e fortes por mais de 400 anos a toa, e pude ter certeza disso ao ver o quão tocante ainda podem ser personagens criados nos séculos XVI e XVII, num outro contexto histórico, num outro mundo humano, num outro país, mas, ainda assim, possuem força para nos absorver a uma realidade paralela: a realidade do palco!!!



Resenhas 2013 - @M@R


Este é o livro que contém os textos que deram origem ao espetáculo “Delas, um acontecimento cênico-musical”, do qual eu fui pianista e diretor musical.

Esta obra, de autoria da escritora e advogada Helga Bevilacqua, procura abarcar inspirações extraídas de seu cotidiano, de suas observações das pessoas e principalmente das figuras femininas que viviam e vivem próximas ou mesmo dentro da autora.

E foi extraindo delas que moram dentro dela que surgindo se firmou o espetáculo e, quase simultaneamente, este livro de textos rápidos, diretos, de linguagem simples, de fácil entendimento, porém com profundidade e uma riqueza de assuntos que, acredito eu, veio da despretensão do tempo de escrita, afinal, tudo começou como uma simples brincadeira esparsa.

Trata-se de um livro múltiplo onde ficção e realidade se misturam. Sendo assim, não sabemos o que foi vivido pela artista, ou o que, simplesmente foi vivido enquanto ela os imaginou no individual ato da criação.

São diversos os casos de amor e desamor que se desenrolam ao longo das quase 130 páginas, onde muitas mulheres comuns, viventes neste mundo Pós-Moderno, sofrem, gostam, desgostam, tentam, se frustram, mas renascem e seguem adiante.

Além do prefácio, escrito pela própria autora, o livro possui os seguintes textos:


  1. @M@R (que dá nome a obra)
  2. Sujeito a guincho
  3. Veloz
  4. Amor na terceira pessoa do singular
  5. Partida
  6. Vazios
  7. Manteiga
  8. Menino da chuva
  9. Ele e sua coca-cola
  10. Quadrilha Moderna
  11. O conto do abismo
  12. Rivotril
  13. Antônia
  14. Sobre a mesa
  15. A camisa
  16. A qualquer preço
  17. Amargo
  18. O beijo
  19. A raiva é um sentimento de unhas bem vermelhas
  20. Tango
  21. Cinema
  22. A sorrir
  23. Luna


Não há seqüência cronológica. O intuito foi simplesmente dar vazão a uma vontade que por tanto tempo ficou reprimida num cotidiano de um mundo corporativo, até o momento em que ela decidiu dar um basta, largar tudo e investir pesado no projeto para viver este sonho que se concretizou também por meio deste livro.

Uma leitura muito gostosa!!!



domingo, 19 de janeiro de 2014

Ideal


 - De quantas coisas a arte é a redenção?


sábado, 30 de novembro de 2013

Estimação


A unha do dedo do gato
Marcando o passo reverso
Da pata felina esquiva
Que começa no término
E termina no início contexto
De um novo início contrário
Da unha do dedo do gato
Que rasga o traço inverso
No chão de taco repleto
Do apartamento convexo
Pelos armários contrários 
E estantes estanques 
Dos tanques trancados
Eletrodomesticamente pacificados
E passando pelos caminhos inócuos
Inumanos trajetos
Detalhes de traços auspiciosos
Do mapa do além chegar
Por cima e abaixo
Por entre e no sobre
Brincando reinando coragem
Do mundo a margem
Chegando chegado
Chocando a carência do espaço
E rasgando o sofá sofisma
Que eleva leve profunda ferida
E defere as muitas mais sentidas
Pancadas desfechos de punhos
Das litúrgicas vilanias do ritual
Num cotidiano de angústia viril
Do tão sapiens animal 
Lançado na unha do dedo do gato senil



Sinistro bichano sensível
Que guarda seu mundo possível
Prostrada a vingança temível
Num risco possível
Na unha do dedo
Da pata da perna do gato
Vem chegando sorrateiro
Traçado ardiloso do ser
Que destina seu foco
No véu do espaço que vibra
Num vento que bate na noite
Vedando a fera do risco
Da unha do dedo do gato
Que pula e que finge
Sinceridades que fingem
Que sentem que fingem
Que sentem e que vão
Que fingem fingir
Que querem o que falta
E falta seu ponto
Persegue o ponto
O ponto riscado futuro
Pela unha do dedo
Da pata da perna do gato
Do bicho preto no escuro
Que chega pequeno soturno
Ao leito do véu e do sonho
Querendo fingido
Fingindo fingir
Querendo querer
Ao quarto fechado e abafo
Do grito oco em frangalhos
Na vestimenta em farrapos
Sobre o olho fechado
O corte felino
O porte ferido
O laminado deferido
Pela unha do dedo
Da pata da perna
Do gato espancado



Mas nunca mais






P.s: Terminantemente beber e escrever não me gera resultados muito satisfatórios!


sábado, 16 de novembro de 2013

Jazz com colegas I



Speak No Evil - Wayne Shorter


Jazz com colegas II



Chitlins con Carne - Kenny Burrell



Jazz com colegas III



Epistrophy - Thelonious



Generações!


Hoje, dia 16/11/2013, eu tenho EXATAMENTE a idade que meu pai tinha quando eu nasci:

"30 anos e 10 dias"

Ou seja, hoje ele tem exatamente o dobro da minha idade, ou eu a metade da idade dele:

"60 anos e 20 dias"

Como os tempos e as coisas mudam!


sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Com medidas comedidas!



Qualquer escolha encarnada, ainda que mais densa, é menos determinista que concertos conscientes da alma após a morte.

Estamos no tempo do risco e da vontade, o risco de ter vontades.

Estamos no reino da tentativa e da tolerância comedida e medida por outros.

Estamos escrevendo a história firmada e marcada para sempre, que só se remarca aqui, pois esta é a natureza da energia...

quanto mais risco e menos consciência, maior a tolerância para com o errante correto ou erradio.



quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Palavras para Benita Carneiro



Texto feito a pedido da Secretaria de Turismo de Itanhandu - MG


Benita Carneiro é uma figura única na cidade de Itanhandu. Ela retrata, em seu modo de ser, de se portar, e também de sonhar, uma época em que nosso município vivia uma efervescência cultural, que, a meu ver, era muito mais intensa do que a que presenciamos nos dias atuais. Benita é a memória viva de um tempo em que o Festival da Canção contava com a presença de todas as classes sociais; grandes bailes e encontros literários aconteciam no CRI, atraindo para a cidade artistas de vários ramos, como: poetas, atores, atrizes, músicos, além de políticos e empresários.

Esta poeta é o retrato vivo de uma nostalgia, de um Brasil onde as cabeças não se aglomeravam nos grandes centros e nem se perdiam da paz necessária para nascer a criação. Um passado onde os artistas não perseguiam o reconhecimento imediatista, não se colocavam a qualquer proposta que lhes aparecessem. Um Brasil de arte mais legítima, de poemas com mais poesia, de romances com menos pressa de acabar para serem lidos, de música com mais toque e encanto, de teatros com menos patrocínios tremendos que privilegiam os que não precisam mais serem privilegiados, de obras que visavam mais a expressão do artista e menos a reprodução de fórmulas de sucesso para que este mesmo e angustiante sucesso seja ansiosamente alimentado, já que, viver sem ele, parece insuportável.

Benita não traz isso. Benita é o oposto disso. Ela é de outro tempo. Benita se resguarda calmamente, ainda que de maneira sempre intensa, num passado recente, mas já tão distante de nossa realidade contemporânea.  

Foi, por muitos anos, professora de datilografia, ensinando gerações a, se não a arte do poema, pelos menos os meios para que estes possíveis poemas viessem ao mundo. Mora, e sempre morou, numa casa bastante humilde e aconchegante na periferia da cidade e traz poesias organizadas a décadas em livros imaginados por ela, vivos em seu dia-a-dia.

Num mundo em que personalidades têm suas biografias preparadas, por outros, pela simples iminência de sua morte, sonhar por anos e anos a fio com a realização de uma obra, e aguardá-la no aconchego do saber solitário de suas presenças, é ir na contramão de uma realidade volátil, pretensiosa e desumana. E é justamente neste resguardo sonhador que seu mundo se alimenta e se atualiza. Um mundo de um tempo próprio e intrigante que nos convida silenciosamente a se aproximar e tomar contato. E, por mais inusitado que pareça, esta senhora de mais de 80 anos mantém-se extremamente atualizada e jovial, pois seu espírito assim o é, e por isso vai adiante.

Benita, apesar de ter concluído seus estudos já com idade bastante avançada, nunca deixou de escrever seus poemas sonhados, construindo assim, ao longo dos anos, uma vasta obra, de linguagem simples e acessível, com mais de 20 livros de poemas adultos e infantis. No entanto, a despeito desta vasta produção, apenas dois de seus títulos foram publicados, sendo que seus exemplares se perderam com o passar dos anos.

Sua literatura é da simplicidade das raízes, dos sonhos nobres, de uma Itanhandu diferente, com menos loucura e mais liberdade. Uma Itanhandu que não se perdia, que ouvia mais e julgava menos. Uma Itanhandu menos careta. Palavras de um tempo em que as montanhas falavam coisas para aqueles que ainda paravam para ouvir. Palavras metrificadas e rimadas, por seu coração, e de forma natural. E é assim que acontece com a Benita, pois, como ela mesma diz: “Eu já nasci com a métrica e a rima dentro de mim. Quando penso num verso, ele já vem metrificado”.

Além disso, acredito piamente que sua maneira de escrever, por estar em contraste com a produção poética atual, mantendo um caráter simples, interiorano e tendo, em diversos pontos, referências primordiais, bem como por trazer de volta uma tradição de oralidade já perdida na poesia contemporânea, forma um material extremamente rico e interessante que, juntamente com a figura da autora, se fazem num todo tocante e de vasta sensibilização.

Se nós, seus conterrâneos, não soubermos valorizar o que no solo de nossa terra brotou, que valor podemos pedir que os outros nos deem. E é sempre muito bom que este valor seja dado em vida! Que este valor seja falado, conversado, discutido, valorizado, pois esta artista merece este espaço. Além disso, conhecer Benita Carneiro e outros que viveram e fizeram a história de nossa pequena cidade, pode servir de referência para que novas gerações se espelhem e inspirem em exemplos vívidos de nosso lugar!


Wagner Passos – 17/10/2013

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Porão Digital


Hoje resolvi fazer uma super limpeza no computador e rapidamente já tinha deletado quase 2 Gigas de memória. Nessa leva, foram todas as pastas das duas faculdades que cursei: a FFLCH e a ESPM.

Notei como as coisas da ESPM não me acrescentaram em quase nada. Um curso raso, que poderia ser facilmente substituído por uma pós, que passaria bem mais rapidamente!

Também percebi, revendo planilhas de notas, que fui um aluno bem melhor do que havia pensado. Fiquei contente com esta velha novidade que, de fato, desconhecia!

Abaixo, uma capa de um trabalho de WEB II. Esse era o modelo de capa que usei para a grande maioria dos trabalhos feitos. 

Aliás, muitos e muitos trabalhos!

Mas, passou passado!




segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Pra dizer um pouco mais


Nos últimos anos, a única música que ouvi mais de 20 vezes seguidas, um dia desses atrás foi Estate do João Gilberto.

Ouvi numa tentativa de controle da paz. 

Uma paz consciente de mim, e perdurável na sua sensação, ainda que sapiente de seu/meu estado de não-paz. 

Mas Paz que se cria e se sabe manter!

Porque, como penso aqui no peito: 

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 - Ninguém peca 
quando ouve João Gilberto. 

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E eu também não me peco! 

Não me perco!

E sou grato por isso!




sábado, 7 de setembro de 2013

Estranhas Dores de um Qualquer


A dor exterior, como a de um machucado, por exemplo, a pobreza, a perda de entes queridos, a porrada que se levou na escola, a briga com o amor da sua vida, e outros tipos de incômodos cotidianos têm, em muitos casos, uma vantagem em relação as dores da alma, as chamadas angústias, as depressões, o pânico, os TOC’s, as neuroses, pois aquelas são mais visíveis e mais compreensíveis do que estas. Por vezes, a dor interna, própria, individual e pouco reconhecida socialmente torna-se difícil de ser assimilada pelos outros e por isso o angustiado sofre mais sozinho, envergonhado, tendo sua dor menos legitimada.


É como se fosse mais permitido falar de dificuldades cotidianescas do que dificuldades de sensações e das profundezas inventivas da alma. Estas podem parecer balela, invenção de gente desocupada, viagens sem fundamento. No entanto, esquecemos que, por vezes, elas podem ser as mais constantes, incompatilháveis e por isso insolúveis. Dores assim podem nos perseguir desde o momento que se levantamos, até quando nos deitamos, e podem ser as mais difíceis de seres superadas, esquecidas ou simplesmente desinventadas.

Ano de 2000 e poucos


“O pensamento ocidental está estilhaçado. Até 1960 tivemos grandes filósofos. Hoje é a época dos grandes cientistas. E a ciência, ou as ciências, não pensa o que devemos ser.” 

José Arthur Giannotti, numa belíssima entrevista para a Revista E do SESC.



quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Jam Jazz I


Will You Still Be Mine (Matt Dennis)


Conservatório Souza Lima 




Jazz Performance II - Junho de 2013


Jam Jazz II


Scrapple From The Apple (Charlie Parker) 

Conservatório Souza Lima




Jazz Performance II - Junho de 2013



sexta-feira, 30 de agosto de 2013

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Sim & Sim


A coisa mais importante para uma alma é a humildade e a resignação.


A segunda mais importante é saber se revoltar e se indignar!



Ciência Arriscada


O problema das experiências com os espíritos é que elas não podem ainda serem realmente chamadas de científicas. Ter as condições materiais adequadas para a realização não inibem as variáveis mais importantes, que são aquelas que envolvem seres de planos diferentes, dotados de inteligência e livre-arbítrio.

Ao contrário das experiências envolvendo seres unicelulares, ou mesmo vírus, ou outros animais dotados de inteligências distintas do padrão humano; ou ainda substâncias químicas e coisas do tipo, que têm padrões de procedimento que podem gerar resultados controlados; experiências como as realizadas à época da fundação da doutrina espírita, como foi o caso das mesas que levitavam, são de natureza diferente.

Suas variáveis são abertas, são mais sutis, não dependem unicamente de um padrão de funcionamento natural das coisas. Dependem da escolha de uma alma, ou do conjunto de almas que pertencem a outro plano e são dotadas de inteligência humanizada, desvinculada de controles que sejam possíveis dentro de um ambiente laboratorial.

Não é controlando simplesmente temperatura e pressão, ou mesmo o Ph, ou o fator do reagente químico, ou a alimentação da cobaia, ou ainda o questionário a ser aplicado na amostra que se consegue fechar as possibilidades de resultado.

Essas experiências envolvem almas, que pensam, que querem, que não querem, que vêm e vão, que estão ou não aptas a ajudar naquele momento. Além disso, estas almas podem estar sob a regência de leis superiores que impedem certos tipos de manifestações de acordo com suas finalidades, ou mesmo que, simplesmente não permitem certas intervenções que podem, por exemplo, chocar e se impor como demonstrativos de uma verdade que dá a cada um a liberdade de crer ou não.

Portanto, essas experiências não são científicas, no entanto, não significam que não possam ter contribuído, e muito, com os novos rumos de algumas áreas do conhecimento científico.

Além disso, este texto fala de coisas tão arriscadas que ele pode estar totalmente errado. Principalmente no que se refere a leis superiores que regem o plano espiritual. Às vezes, novas posturas possam passar a ser permitidas com o passar dos anos.

Quem sabe?! Eu adoraria!


Justo. Não largo!


Terminantemente a vida não é uma máquina de perpetuar a lógica ou a justiça. O acaso existe, nem tudo é controlável. Aliás, as coisas são muito mais frutos de um caos organizado do que de uma ordenação que se faz presente e maciça aqui nesta faixa de vibração da criação.

Mesmo o livre-arbítrio, que dizem ser o maior dos presentes, ou mesmo a maior das perdições, está cada dia mais sendo podado pelas novas descobertas das neurociências, que segregam o homem a um novo patamar de animalização, o que gera uma necessidade de novas colocações sobre o que vem a ser, desde sempre, a liberdade de escolhas e ações que algumas religiões, há tanto tempo, nos apresentam.

Apesar deste pseudo-niilismo que vivemos, é interessante pensar como nos propõem a resignação através da crença de algum tipo misterioso de ordenação do cosmos, a crença de que há uma justiça silenciosa, uma organização do universo baseada na postura das pessoas, aquele discurso de faça o bem e você receberá o bem, emane coisas boas e essas coisas boas voltarão para você.

Por vezes é um pouco difícil acreditar nisso. Mas também não acho tudo isso uma grande bobagem! A justiça é por vezes tardia, ou mesmo tão tardia que só recebemos quando já não se está mais por aqui.

Mas antes de casos extremos, acredito sim que, em longo prazo, algum tipo de justiça silenciosa se faça presente nos caminhos tortos de todos nós seres encarnados.

A Lei da Atração é lei, ainda que não científica.

E isso pode, por vezes, ser sutilmente notado. Vai de cada pessoa saber notar como.

SABER SABER!

E mais, saber ver se o que se nota é verdadeiro, ou apenas uma tentativa de ordenação de coisas vindas ao acaso. Corremos também este risco quando procuramos demais, ou quando, como agora, detemos conhecimentos que pessoas de épocas passadas não tinham.

No entanto, mais do que ser comprovada, esta justiça deve ser aceita como verdade sutil, e crescente conforme subimos os degraus da evolução. Uma verdade que serve para preservarmo-nos de certos tipos de angústias. Verdades voláteis que sustentam outras mais perpétuas!

A justiça maior se faz dentro de si e, se crer nesta justiça, ainda que tardia, nos faz pessoas melhores em nós mesmo, e com os outros, eis então uma verdade a ser mais alimentada do que negada ou posta a prova a todo momento.


Que dure dez, vinte, trinta dias ou anos para que algum retorno exista, ainda assim, outros tipos de recompensas podem estar sendo construídas dentro e fora de nós, vindo ao nosso encontro, e já sendo vividas em partes diversas de nossas vidas. Nem sempre acontece da maneira que esperamos ou merecemos, mas, merecer-se a si mesmo, na justiça pessoal que se construiu dentro da própria consciência, é a maior das leis.

Bem fazer o Bem


Aquele que dá comida aos pobres não é detentor de um grande mérito se ele faz isso simplesmente por fazer, ou sem que haja algum ato verdadeiro de doação, de abnegação, de dispêndio de alguma parcela de sua energia legítima para o cultivo da caridade. Não é detentor de grande mérito aquele que realiza ações deste tipo sem que elas exijam algum sacrifício verdadeiro de seu Eu.

Fazer isso, não é tanto colocar-se como caridoso, mas simplesmente executar a justiça. Não é um ato de benevolência, mas simplesmente fazer o necessário. E o necessário tem que ser feito. O necessário não deve tanto ser aplaudido, mas realizado. Não deve ser considerado esplendido, já que é óbvio, quase ordinário.

Quero deixar claro que não pretendo aqui desqualificar ações diversas de doação, de qualquer tipo que elas sejam. Quero somente revalorizar estas ações. Ações deste tipo têm que ser feitas. Não é tanto uma questão de escolha, mas de precisão. Doar é uma tentativa de minimizar as injustiças variadas que se multiplicam neste estágio da existência das almas.

O MUNDO DOS ENCARNADOS NÃO É JUSTO!

E talvez a justiça plena também não esteja logo ali encima, mas muito mais acima do que logo ali acima de nós!

Também é necessário dizer que, piores do que os que se encaixam no exemplo acima, são aqueles que podem realizar algum ato minimamente altruísta, sendo ele de que espécie for e, mesmo assim, não o fazem. Mas esses não são objeto de discussão. Estes estão errados, e em relação a isso me parece haver certo tipo de consenso crescente.

Mas voltando aos citados mais no início...

Dar um saco de arroz podendo comprar outros 10; comprar comida aos pobres com algum dinheiro que já se sabe que irá sobrar; doar agasalhos velhos ou roupas que ninguém mais quer usar porque são de modas ultrapassadas; estas, além de outras atitudes que seguem este mesmo tipo de postura, não demonstram nenhum desprendimento profundo, nenhuma doação legítima, nenhum ato de grandeza que mereça realmente este título.

Têm seu valor, sim, mas podemos fazer melhor do que isso!

Além disso, há múltiplas interpretações a respeito dessas atitudes:

Doar aquilo que não vai fazer falta pode ser simplesmente um ato de desovar coisas e ganhar mais espaço para adquirir novas.

Ou mesmo, doar aquilo que não vai faltar, pode ser somente um ato corriqueiro que ajuda a aliviar a consciência, já que, em para algumas cabeças, fazer isso é fazer mais do que os outros, e fazer mais do que os outros te faz melhor que a média. E afinal, quem não quer ser melhor do que a média?! Ou ainda, por que ser realmente bom se ser um somente medianamente correto dá menos trabalho?!

Tudo isso é uma grande mentira maquiada!

Praticar a pseudo-caridade só te coloca um pouco menos errado: um mero detentor de uma paz quebradiça... Se ainda para tanto for capaz.

Não é o que se faz, mas como se faz. Não é o quanto se faz, mas o quanto aquilo que foi feito teve a participação legítima de teu querer, de teu sentimento, de tua doação profunda. O tanto não importa... Pode-se doar um pouco de arroz pro vizinho pobre, e isso ser muito mais representativo para a própria pessoa que dá, do que o caso de um grande artista que doa Um Milhão para alguma campanha internacional.

Os casos de doação rasa, os patrocínios interesseiros, as campanhas hiper-aclamadas, ou mesmo o quilo de sal mais barato que se levou para o show de fulano-famoso, não devem ser vangloriados, supervalorizados, aplaudidos ou gritados da boca para fora, porque, mesmo o elogio direcionado ao outro, sem a ação própria da pessoa que parabeniza, pode ser uma forma de aliviar a consciência ou melhorar a própria moral individualista perante aqueles que nos cercam.

Ao mesmo tempo, é óbvio que alguns atos “máximos” de doação, aparentemente inquestionáveis, não devem ser realizados sem olhar a quem.

“Fazer o bem sem olhar a quem” não é mais uma máxima tão impoluta assim. A falsidade usa máscaras múltiplas.

Fazer o bem é fazer bem o bem, fazer o bem de maneira exata, correta, inteligente, e para isso é necessário ponderar alguns fatores para saber quando, como e principalmente a quem fazer.

Por mais legítimo, belo e profundo que seja o ato em si, se este ato for feito sem maturidade, com inocência errada, ele pode gerar o comodismo daquele que recebe, ou o uso indevido do que recebeu, e assim a intenção não completa seu ciclo de recebimento e realização, de verdadeira DOAÇÃO!

A caridade medíocre ainda é um ato de mediocridade. A caridade deve ser realizada sempre acima do possível, com envolvimento e desprendimento daquele que a realiza.  Mas deve ser planejada, bem direcionada, para ser corretamente valorizada.

Os atos de doação ainda que realizados, podem ser vazios de significado profundo e tendem a não alimentar corretamente aquele que realiza. Ao que recebe, não fará tanta diferença a intenção daquele que doa, mas para o doador, se este tiver sensibilidade suficiente, ele saberá valorizar em si, o tamanho de sua grandeza.

E quando a grandeza é verdadeira, ela não precisa de holofotes, aplausos, vozerio, campanhas alarmantes, basta ser realizada, pois, em grande ou pequena escala, ela se chama e se sabe simplesmente: GRANDEZA!!!