terça-feira, 17 de outubro de 2017

- Não, minha mãe, não! (Post 1800)

 - Não, minha mãe.
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Eu não posso te contar o que passei no oitavo mês deste ano de 2017. E eu não posso te contar porque você não merece saber das barbáries nas quais foram capazes de lançar teu único filho. Não, minha mãe, eu não teria coragem de te narrar o que passei, o que pensei, o que senti, pois tu ficarias muito temorosa e preocupada com o estado de tua cria.
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Sei que sentiste meu estado, minha devassidão, minhas olheiras, meus desânimos, meu olhar pesaroso e profundo. Minha magreza! Há décadas não pesava tão pouco. Sei que sentiste que teu filho não estava bem, mas sei que tu te calaste voluntariamente, pois intuíste que o caso, desta vez, não seria também para ti. Desta vez, minha mãe, o meu caminho era solitário e eu deveria passar por mim mesmo. Só!
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Minha mãe, o teu filho lutou, por dias e dias a fio, por madrugadas e madrugadas insones, contra criaturas de não se ver, contra imaginações de não se pensar, contra fatos de não se crer. Minha mãe, por semanas eu não fui mais eu mesmo, eu não fui teu filho, pois teu filho não seria o que eu me tornei em tamanho baixio de vibrações.
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Minha mãe, eu não te contaria sobre o que passei, pois não se conta à uma mãe passagens em que seu filho lutou contra inimigos invisíveis, inimigos mais fortes do que ele, inimigos de não se crer. Não, minha mãe! Não se conta a uma mãe a realidade de seu rebento quando este é retorcido sem piedade por forças que não vingam na eternidade. Não se conta a uma mãe o lamaçal de ideias no qual seu filho se contaminou, se sujou, se desfez e se perdeu.
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Minha mãe, eu tremia como um silencioso pecador em meio às súplicas e orações fervorosas que insisti em balbuciar nas madrugadas, enquanto tentei vencer meus inimigos somente com orações. E como disse Aldir: “só quem tentou sabe como dói”!
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E como me doeu insistir nas orações que meus avós me ensinaram. Como me doeu tentar desesperadamente alcançar uma vela piedosa, arrastar-me ensandecidamente em direção ao meu altar e ainda, sem poder sentir os pés firmados, ter de firmar minha carta de luz a fim de conseguir alguma proteção naquele vácuo caótico de inconclusões no qual eu fui lançado contra a minha vontade e contra a minha culpa.
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Não, minha mãe, eu não tive culpa! Não desta vez!
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Desta vez eu estava correto.
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Minha mãe, eu senti o pior que existe dentro dos piores mundos. Os pesos assentavam doloridamente em calores que me inundavam as costas e só me restava imaginar-me dentro de redomas de amor inquebrantáveis onde eu, ainda eu pecasse, teria o perdão indelével dos que se fazem acima dos céus.
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Minha mãe, os pesos se assentavam em meus olhares e em meus pensamentos logo após longos momentos em que eu pedia misericórdia. Após longas orações, eu sentia pousar sobre meus ombros o rumor silencioso dos horrores: os horrores que nenhum homem merece sentir. Nem mesmo os piores de nós, minha mãe!
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Mas devo te dizer, se pudesse contar, que senti tuas lágrimas correndo quando olhaste dentro dos meus olhos num daqueles dias e sei que tu sabias, ainda que a distância, o que mais ou menos se passava comigo. Seu filho estava não sendo gente de vida.
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Teu filho não era mais teu filho!
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Minha mãe, eu perdi minhas essências. Eu perdi minha arte, eu perdi minha voz, eu perdi meu piano, minha mãe. Eu perdi meu amor pelas crianças, meu amor pela arte de ensinar, pela missão de levar a arte a todos os pequeninos que me aguardam todas as manhãs.
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Minha mãe, eu perdi minha literatura que cultivo, insistentemente, ao longo de tantos e tantos anos. Eu perdi minha poesia, eu perdi meu passo, minha mente, meus sonhos, meu olhar. Eu não conseguia olhar um pouco mais adiante, eu não conseguia elevar meu semblante e fitar o horizonte.
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Eu só podia perambular pelas ruas e pelas madrugadas esgueirando feito uma não-pessoa que tentava escapar da prisão de não querer estar dentro de si mesmo. Eu andava perdidamente pelas calçadas, parando meu olhar e minha ansiedade em cantos diversos procurando esquecer aquilo tudo que gritava dentro de minha cabeça.
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Eu tive medo de fechar meus olhos!
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Eu tive medo do que estava dentro de mim.
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Eu quis ter pensamentos de ensandecer a razão!
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Eu quis destruir todas as coisas. Eu quis querer o que eu não queria. Eu tive meu querer modificado. Eu tive minhas profundidades mexidas. Eu duvidei de minha índole.
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E eu, que tanto gosto e aprecio os momentos de silêncio e introspecção, não conseguia mais gostar de estar silente e alimentando meus longos e ricos monólogos internos que a tantas e tantas e tantas belas conclusões já me elevaram.
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Eu não queria estar dentro de mim mesmo. Eu não queria ser eu mesmo, não queria ser quem eu estava, quem eu era, onde eu habitava.
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Não queria trabalhar onde trabalho, não queria estar dentro de meu corpo, não queria ter a história que tenho, não queria ter os olhos que me vejo, os cabelos que me cobrem, a boca que me expressa, os pensamentos e as capacidades que tenho.
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Minha mãe, eu não queria ter as pernas que me levam, a barriga que me preenche, as curvas que me habitam, as mãos que me definem.
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Mãe, minhas mãos perderam a riquezas de suas linhas! Minhas mãos tiveram seus traços apagados e minha palma tornou algo esbranquiçado e sem definições. Minhas possibilidades viventes foram manchadas de vazios sem história. Minha origem e meu destino foram lançados ao limbo dos homens sem batismo!
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Minha mãe, eu não quis ser quem eu sou e peço lhe perdão pelo que senti!
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Eu queria ser outra coisa. Eu queria me transmutar em múltiplas possibilidades de seres que seriam os ideais que eu construía dentro de mim ao imaginar o que estas pessoas poderiam ser nos diferentes aspectos que englobam os seres encarnados. Eu quis ser muitos erros, eu quis me jogar a desatino.
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Minha mãe, eu perdi meu nome. Eu perdi minha idade. Eu perdi minha voz interna. Eu perdi minha pulsação. Eu perdi tudo.
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Minha mãe, eu morri!
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Minha mãe, eu morri!
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Minha mãe, eu morri!
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Minha mãe, eu descri de minha bondade, de minha Cristandade. Eu descri de tantas e tantas capacidades de sentimentos belos que já vivifiquei dentro de mim. Eu descri de minhas raízes, de meus avós e de suas fés que em mim vingaram enquanto reversão de doenças incuráveis. Eu descri das orações que já haviam sido feitas por mim.
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Minha mãe, eu não sei onde cheguei. Me desculpe por isso!
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Minha mãe, eu senti o que nenhum homem digno deve sentir. Nenhum ser encarnado é indigno o suficiente para merecer sentir o que eu senti. Eu cheguei a locais internos dentro de meu ser que nenhum homem de bem deve chegar. Nenhum ser que habita um corpo merece passar pelo que se instaurou dentro de mim.
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Minha mãe, eu senti vergonha de ti, de meu pai e de todos os que me antecederam nessa imensa e bela hierarquia na qual eu tanto faço questão de me inserir: a hierarquia das belas almas que me antecederam.
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Minha mãe, tua cria virou bicho. Teu filho virou oposto, virou o que eu nunca fui! Virou o que você nunca me ensinou a ser.
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Mas minha mãe, eu saí de lá!
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E eu fui ao encontro daquilo que eu sabia que nunca mudaria e, quando cheguei em frente, eu disse:

 - Eu vim aqui para ver que tem coisas que não mudam nunca! E também hoje sei que, depois que visualizamos a verdadeira face do medo, entendemos que há coisas que não são tão amedrontadoras assim!
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Minha mãe, foram aproximadamente 40 dias abaixo das coisas vivas!
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Minha mãe, foram demasiadas coisas... Mas eu saí de lá!
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Eu saí com a ajuda dos que me guardam e me regem no ainda mais profundo que ainda mais se aprofunda dentro do mais profundo imenso mundo que se me habita dentro de minha tão surrada alma!
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Minha mãe, meus espaços são infinitos e redimíveis ainda mais além do que eu pensei que fossem. Eu sou ainda mais múltiplo e reestruturante do que jamais pensei que seria.
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Eu sou maior do que eu imaginei que eu era. Eu sou mais forte do que sequer algum dia eu achei que fosse capaz de ser.
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Minha mãe, eu fui fênix!
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Minha mãe, eu sou escorpiano!
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Minha mãe, eu sou assim, eu sou ainda mais assim do que eu já fui algum dia.
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Minha mãe, eu renasci das cinzas. Eu renasci das cinzas surradas de um solitário indigno que, apesar de tudo, não se afastou de sua fé.
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Minha mãe, a cada manhã que eu vencia uma noite de provações, eu dedicava minha aguerrida luta de orações aos meus avós que se me olham de meu altar.
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Eu dediquei cada manhã descortinada às almas que me antecederam.
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Eu dediquei cada força retirada, cada força inventada, cada força parida a fórceps, cada uma das forças geradas a ferro e fogo eu dediquei aos meu ancestrais.
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Eu dediquei cada amanhecer àqueles que firmaram os passos que acabaram fazendo, por acaso, destino ou desatino, eu me tornar quem eu sou.
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Dediquei àqueles que viveram e adormeceram na esperança da salvação.
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E eu dediquei cada aurora adentrada em nome da esperança de poder um dia também estar junto de todos os que me geraram.
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E não adianta surrar, pois a fé é feita daquilo que se quer fazer de si. A fé é feita daquilo que se vai fazendo de si do jeito que sua própria vontade quer. A fé persiste porque quer. A fé insiste porque é da natureza da fé ser assim. A fé não é razão, mas ela se alimenta da razão. A fé também não é sentimento, mas ela se alimenta dos sentimentos, assim como serve de alimento para eles. A fé é uma pulsação incandescente que os mais sãos dentre os insanos preferem manter. A fé é nela mesma. A fé talvez seja a coisa que mais existe em si mesma, sobrevivendo de si. A fé é feita de migalhas inquebráveis, átomos sem divisão que vamos amontoando constantemente ao longo da vida, simplesmente porque é assim que queremos fazer. A fé se faz porque o sujeito da fé quer fazê-la enquanto fé e não enquanto compensação. A fé se faz da própria fé. A FÉ APENAS É!
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E eu senti a renovação diária miraculosa que se efetuou dentro de mim, enquanto eu lutava bravamente para me agarrar nas esparsas novidades brilhantes que iam se me plantando nos dias de Setembro.

Minha mãe, eu saí de lá, mas saiba que ainda estou em processo.
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Acredito, minha mãe, que a maioria de minhas vergonhas já as coloquei para fora, mas o caminho é imenso.
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O caminho é gigantesco, mas, como disse João: o que a vida quer da gente é coragem!
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E isso, você me ensinou a ter, minha mãe!
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domingo, 24 de setembro de 2017

Diagrama Vital (Coisas Antigas - 2014)

Talvez, em proporções e posições gerais, o tamanho externo e interno das partes do corpo seja o diagrama perfeito das importâncias e funções de cada elemento de uma alma inteira. 
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O corpo físico pode ser a chance de, por uma estrutura física firme, uma alma poder se testar e se fazer segundo a imagem e semelhança dos seres supremos. 
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Seres supremos que transcenderam as formas, justamente por terem se feito e se aperfeiçoado através delas, estruturando-se nelas.

Neo-Feudalismo (Coisas Antigas - 2014)

Teriam as vilas urbanas algo de feudo? 
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Seriam uma neo-proteção contra a invasão dos bárbaros contemporâneos?
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As novas muralhas contra os árabes pluri-nacionais do terceiro milênio? 
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Uma reunião exclusivista de alguns escolhidos frente ao caos que nos rodeia? 
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E, nestes mosteiros urbanos pós-modernos, qual seria a santidade em culto inculto: 
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o Status e/ou o Medo?
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"Quando chove, tudo faz tanto tempo" (Coisas Antigas - 2014)

Gostaria de saber o que muda na energia geral dos ambientes abertos quando chove.
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O que seria sentido sutil na visão astral dos lugares quando o ar se adensa com a chuva que cai?

Goticular (Coisas Antigas - 2014)

Quando choro, meu choro é o que há de mais verdadeiro em mim. 
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Nunca choro sem querer, sem estar profundamente dentro. 
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E não quero saber se sou profundo para o alheio mundo. 
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Nessas horas, sou profundo para mim, e isso me é suficientemente fundo. 
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Nessas horas, não quero saber de nada! 
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Nestas horas, apenas choro, e isto me basta, eternamente, naquele instante breve . 
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Pois, quando choro, meu choro é o que há de mais verdadeiro dentro do meu mundo em mim.

cALADO (Coisas Antigas - 2014)

O mais próximo que se chega de uma pessoa é o silêncio a dois. 
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É neste silêncio que podemos vislumbrar a extinção do ego, a superação dos limites da alma, a supressão definitiva da profunda solidão humana.
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Boca D`alma (Coisas Antigas - 2015)

Na verdade, o cigarro tem o gosto da boca da alma que o traga. 
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Meu cigarro muito muda de sabor!

Excessiva-Mente (Coisas Antigas - 2015)

É como se eu estivesse sozinho. 
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É como se o meu mundo inteiro fosse acabar se eu não escrever, se eu não falar, se eu não souber aquilo que, na verdade, eu não sei. 
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É como se fosse imprescindível que eu saiba algo que nem mesmo sei como faço para saber. 
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É como se meu mundo inteiro fosse implodir se não for criado algo relevante que o expresse.
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Toda lógica será inválida se eu não conseguir inventar aquilo que não sei o que é.
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Este é o sentimento que sinto agora. Sentimento fundo, mas não profundo. 
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Dor que tenho, mas não detenho. 
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Quanta dor vem daquilo que não dominamos, mas que, mesmo assim nos domina?
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Quanta dor sem voz, quanta dor calada.
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Quanta dor temos sem que possamos saber como dizê-la?
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Quanta dor sem ouvido para ouvir. Quanta dor que é somente ruído.
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Eu não sei para onde devo ir além do mínimo da vida que temos. 
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E nem mesmo sei se tão pouco já não deveria nos ser suficiente!

Pseudos (Coisas Antigas - 2015)

O ser encarnado, por mais profundo que seja, sempre terá consciência apenas da vibração superficial da alma. 
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Podemos ser profundos ao vibrarmos amor e sabedoria, mas sempre seremos o amor e a sabedoria intermediários de um ser. 
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O silêncio de algumas de nossas profundidades é o que nos permite prosseguir diante de tamanho caos físico, tão presente neste denso mundo. 
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Por vezes, mais vale o que se cala dentro de cada um de nós, do que aquilo que grita!

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Exercício Literário do Dia

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Digladiei-me desesperadamente
Por dias e dias a fio
Contra o carrossel infindável dos mistérios
E assim, fiz-me grão manifesto
Desta irresoluta paisagem silenciosa
Que muito pouco nos conclui
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Senti a ignota vacuidade que nos abarca
Esta inconclusa centelha de possibilidades
Que se desfaz ao mínimo toque
Das prepotentes e medíocres palavras
Que tanto se tentam em vão
Concretizar o vazio silencioso
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Tudo está contido nesta instável vastidão divina
Que se alastra por diversos mares intocáveis
Numa amplitude sem margens
Onde os múltiplos seres alados
Ao longo de perpétuos ciclos
Elaboram suas formas de serem Deuses
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E Deus, dentro deste todo cíclico
Deixa-se moldar nos mais longínquos pontos
Gotas habitáveis cercadas de suas lógicas próprias
Onde minúsculos seres caminhantes
Lançam seus olhares aos céus
Sedentos de luz e amplitude

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segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Ex-Poeta

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I
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Que saudade de vencer a morte 
Por meio das palavras
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Que saudade de poder crer que eu
Pelo menos por alguns instantes
Estaria transcendendo 
A pesada dureza da realidade física
Por meio da arte verbal
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Que saudade de sulcar 
A fina lâmina da realidade
Com vocábulos inéditos 
Vocábulos que sem mim 
Nunca teriam vindo a vida
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Que saudade de suar incessantemente
Enquanto os dedos 
Quase não conseguiam registrar
Os fluxos vindouros 
De uma qualquer coisa pulsante
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Que saudade da verve juvenil
Que me colocava tantas vezes 
A disposição dos versos
Em ocasiões tão prazerosas
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II
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Onde estariam congeladas as palavras 
Que eu não quis trazer à tona por covardia?
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Onde estaria colocada aquela frase repentina
Que me assaltaria sutilmente
Se por acaso eu a tivesse permitido?
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Onde terá adormecido o rincão mais íntimo
Da verve literária que em mim habitava
Mas que por agora se extinguiu em parte?
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Por onde andam os olhares que não lancei ao mundo
Nos momentos de levitação?
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Por onde se erraram os movimentos manuais
Que poderiam ter dado luz às belezas tão cultivadas?
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III
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Eu não sei!
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quinta-feira, 3 de agosto de 2017

O Espírito do Brasil

Quando uma nação adoece politicamente e, como seria de se esperar, também economicamente, imensas são as felicidades que fenecem dentro de cada um de seus cidadãos.
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Fico pensando se, deste conjunto de desencaixes, não se emana uma nova massa de energias frustradas, energias tristes, energias invejosas e angustiantes que tanto nos atinge?
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Nessas horas, muitos sonhos devem estar minguando, muitos planos vão se tornando irrealizáveis, diversas conexões podem não mais acontecer e tanta ARTE vai se fazendo passado sem nunca ter sido presente; sem nunca ter se nos dado de presente!
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É difícil imaginar quanto tempo demoraremos até que nossa crise deixe de habitar nossos interiores e nossas relações com o mundo de tantos outros interiores que também chegam até cada um de nós.
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Que pena! Que pena! Que pena!
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Que estado horrível é este que chegamos neste agora em constante decadência, após tantos anos de vibrações mais luminosas.
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O espírito do Brasil está adoecido e necessita de cuidados! A aura de nossa nação não pulsa mais como antes!

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quarta-feira, 26 de julho de 2017

Back to Black - Amy Winehouse (c/ Lisi Andrade) (Post 1777)


Eu sei que vou te amar - Tom e Vinícius (c/ Lisi Andrade)


You and I - Lady Gaga (c/ Lisi Andrade)


AVE COMANDANTE!



AVE COMANDANTE
(Wagner Passos)
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Bem-vindo o comandante 
Feroz figura errante
Destroças lancinante
Os inimigos de nosso lar
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Supremo e justo guerreiro 
Esperto e assaz sorrateiro 
Liquidas por inteiro 
Os perigos que nos encontrar 
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Ele pôs os rebeldes de joelhos
Choravam de olhos vermelhos
Cuspidos ao chão mundo
Fétidos vagabundos
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Tantas são suas conquistas         
Das guerras o alquimista
Major tão insuperável
Líder mui venerável
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Bem-vindo o comandante 
Feroz figura errante
Destroças lancinante
Os inimigos de nosso lar
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Supremo e justo guerreiro 
Esperto e assaz sorrateiro 
Liquidas por inteiro 
Os perigos que nos encontrar 
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Deveras temido em toda guerra 
E a vasta infâmia encerra
Cavaleiro cordial da paz. 
O mal ele faz fugaz
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Silenciou os oponentes
Subjugou os resistentes
Com sua célebre espada agora
Retorna a tua terra adorada
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Ave, ave, ave
Ave, ave, ave
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Vida longa ao intrépido Gomez!
Vida longa ao comandante Gomez!
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SOLO:
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E agora adentra Fuente Ovejuna
Com sua galhardia una
És o mais poderoso guerreiro
Entre todos tu és o primeiro
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Rebeldes se curvam com devoção
À chama que emana de teu coração
Impávido colosso da glória
Nem Aquiles te supera na vitória 
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Ave, ave, ave
Ave, ave, ave
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Vida longa ao intrépido Gomez!
Vida longa ao comandante Gomez!
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Vida longa ao intrépido Gomez!
Vida longa ao comandante Gomez!
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